O tema deste trabalho é a Educação de Jovens e Adultos, na qual se pretende investigar a expectativa do professor, o preconceito e a auto-estima dos alunos, decorrendo, por conseguinte, as seguintes questões norteadoras:
¾ Em que medida a expectativa do professor em relação aos alunos afeta a auto- estima dos mesmos? O preconceito, se existente nas relações escolares, afeta a auto-estima dos alunos?
Para tanto, temos como objetivos gerais:
• Aferir qual é a expectativa dos professores em relação aos alunos;
• Aferir qual é a importância dada pelos professores ao trabalho realizado com EJA; • Identificar se o professor tem pensamento preconceituoso em relação aos alunos; • Identificar como é a auto-estima dos alunos;
• Verificar a relação entre a expectativa do professor e a auto-estima dos alunos no ambiente escolar.
Temos como hipóteses:
• O professor de EJA tem expectativa de que os alunos terão poucos êxitos significativos no processo de aprendizagem;
• O professor considera importante o trabalho realizado com os alunos de EJA; • Há preconceito dos professores em relação aos alunos;
• Os alunos valorizam muito a escola e apresentam uma auto-estima elevada no ambiente escolar;
• A expectativa do professor em relação aos alunos incide na auto-estima dos mesmos.
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4 - MÉTODO
4.1 Sujeitos
Para a realização desta pesquisa escolhemos o CEJA (Centro Educacional de Jovens e Adultos) do município de Bauru – SP.
O CEJA possui aproximadamente 1.300 alunos divididos em 69 turmas. Os números referentes aos alunos são variáveis ao longo do semestre, uma vez que muitos abandonam as classes por conta da realização de trabalhos informais, principalmente relacionados ao plantio e corte de cana-de-açúcar na região. Esses alunos, depois desse período de trabalho retornam às classes.
O CEJA possui classes de Ensino Fundamental I (1ª a 4ª séries) apenas; (os outros níveis de ensino são de competência de outro departamento da Secretaria Municipal de Ensino do município) e oferece as seguintes disciplinas curriculares semestralmente: matemática, língua portuguesa, geografia, história, ciências e artes; como atividade extra classe oferece laboratório de informática. As classes são mistas e os alunos de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental I são atendidos por um único professor.
As aulas se concentram no período noturno, mas também existem algumas turmas que são atendidas nos períodos diurno e vespertino. As classes são instaladas em empresas, centros comunitários, igrejas e escolas de educação infantil e ensino fundamental do município, sendo que algumas unidades novas foram entregues pela administração municipal no ano de 2007, com ambiente preparado especificamente para atender adultos.
Atualmente o CEJA conta com 60 professores que assumem as turmas e responsabilizam-se pelo ensino de todos os componentes curriculares. Os números relativos aos professores também são flutuantes, já que muitos se encontram afastados por motivos médicos ou de licença-prêmio. Conforme informado pelo CEJA, no momento da coleta de dados desta pesquisa, aproximadamente 50 professores atuavam nas classes. Além do trabalho em classe, os professores
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encarregam-se de fazer a matrícula dos alunos, de porta em porta, buscando, assim, conhecer a realidade sócio-cultural dos alunos, já que o CEJA adota os pressupostos de Paulo Freire no que se refere à valorização do sujeito, de sua cultura e de seu entorno social para a apropriação dos conhecimentos sistematizados.
Os professores também recebem treinamento e/ ou cursos de aperfeiçoamento oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação e, além disso, encontram-se semanalmente na sede do CEJA, para reuniões pedagógicas e orientações dadas pela diretora-coordenadora.
Segundo dados de censo realizado pela instituição em 2006, a maior parte dos alunos é originária de outros Estados: Norte e Nordeste, principalmente. Não se constituem como mão-de-obra qualificada por não possuírem instrução (educação formal), realizando trabalhos informais.
A maioria dos alunos freqüenta a Igreja, como única atividade fora do trabalho e da escola e como forma de integração e adaptação à cultura local. Também não têm acesso a atividades culturais e de lazer. Utilizam os meios de comunicação televisão e rádio, (já que a ausência de acesso a livros, revistas e jornais é comum) e possuem telefone celular. A maior parte dos alunos é do sexo feminino.
Para a realização deste trabalho primeiramente fez-se um pré-teste, para adequação do instrumento de pesquisa, com quatro professores e 60 alunos escolhidos aleatoriamente. Os resultados do pré-teste serão apresentados no final deste capítulo.
Após a realização do pré-teste, adequou-se o instrumento de pesquisa, tanto para os professores quanto para os alunos e passou-se para a coleta final dos dados. Nessa etapa, foi aplicado o instrumento de pesquisa a 23 (vinte e três) professores e fez-se a somatória da pontuação de cada professor. A partir da pontuação obtida pelos professores, foram selecionados aqueles que obtiveram maior pontuação, menor pontuação e pontuação mediana, nas escalas aplicadas.
Desses três professores selecionados (maior, menor e pontuação mediana), aplicou-se o instrumento em suas salas de aula, que contou com 17 alunos na
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classe 1 (professor com maior pontuação); 16 alunos na classe 2 (professor de pontuação mediana) e 14 alunos na classe 3 (professor de menor pontuação). A pequena variação no número de alunos deve-se à inconstância na freqüência às aulas por parte dos alunos, pelos motivos já citados anteriormente.
Em relação aos dados dos alunos, primeiramente isolou-se os dados referentes ao gênero e à idade. Aplicou-se os testes estatísticos Qui Quadrado na variável gênero, e Análise de Variância na variável idade para saber se havia diferença significativa entre as classes, quanto a essas variáveis.
Na tabela abaixo apresenta-se a distribuição da variável gênero por classe:
TABELA 1- Freqüência dos alunos por classe e por gênero
Pelo resultado obtido no qui quadrado (X2= 0,053; 2 g. lib.; e p> 0,05), não há diferença significativa entre as classes em relação ao fator gênero.
Para saber se havia diferença estatisticamente significante entre as classes, quanto a variável idade, fez-se o teste estatístico Anova (análise de variância) e constatou-se que não existe diferença significativa (F= 0,24; 2 e 46 g.lib.; e p>0,05).
A tabela a seguir aponta a média e o desvio padrão entre as três classes comparadas, em relação à idade:
TABELA 2- Média e desvio padrão da variável idade
CLASSE 1 CLASSE 2 CLASSE 3
Média 42,9 39,8 38,6
Desvio Padrão 14,0 23,8 15,1
A média de idade na classe 1 é de 42,9 anos, com desvio padrão 14; na classe 2 é de 39,8 anos, com desvio padrão 23,8; na classe 3 é de 38,6 e desvio padrão de 15,1.
Após essas análises, verificou-se que não há diferença significativa entre as classes, quanto as variáveis gênero e idade dos alunos.
SEXO CLASSE 1 CLASSE 2 CLASSE 3
F 13 12 11 M 4 4 3
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4.2 Instrumentos
Valeu-se como instrumento de pesquisa: escalas de medição de atitudes para professores e alunos. Foram utilizadas escalas do tipo Likert, criadas por Rensis Likert, em 1932, com a finalidade de medir atitudes sociais. A escala do tipo Likert é um conjunto de enunciados em que o entrevistado responde se concorda ou discorda e em que medida concorda ou discorda com determinados enunciados. Atribuem-se pontos positivos ou negativos de acordo com a concordância ou discordância das atitudes favoráveis ou desfavoráveis.
As escalas que medem atitudes indicam que o sujeito responde conscientemente acerca da representação simbólica de um objeto. As atitudes se relacionam com o comportamento do sujeito em relação ao objeto, à situação ou símbolo apresentado.
Tanto as escalas dos alunos quanto as dos professores contêm afirmativas positivas e negativas e quatro opções de escolha para cada uma dessas afirmativas. A pontuação de acordo com as respostas será atribuída da seguinte maneira:
QUADRO 1 – Pontuação para as afirmativas das escalas
OPÇÃO PONTUAÇÃO PARA AS
AFIRMATIVAS POSITIVAS
PONTUAÇÃO PARA AS AFIRMATIVAS
NEGATIVAS
(a) Concordo totalmente (b) Concordo em parte (c) Discordo em parte (d) Discordo totalmente 4 3 2 1 1 2 3 4
No quadro 1 temos a pontuação nas escalas. Dessa forma, sempre que a pontuação for baixa, indica uma situação ou opinião negativa e pontuação alta indica opinião ou situação positiva.
No quadro 2 apresentamos as questões avaliadas em cada escala, tanto de alunos quanto de professores, bem como a pontuação total mínima e máxima possível de ser obtida.
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QUADRO 2 - Sujeitos, escalas e pontuações
SUJEITOS ESCALAS PONTUAÇÃO
MÍNIMA PONTUAÇÃO MÁXIMA
Alunos Relação com professor; Auto-estima.
22 88
Professores Importância do trabalho; Expectativa em relação aos
alunos;
Pensamento preconceituoso.
25 100
Neste quadro tem-se as seguintes escalas para alunos: relação com o professor e auto-estima, com pontuação mínima possível de ser obtida de 22 pontos e máxima de 88 pontos. Para os professores temos: importância do trabalho, expectativa em relação aos alunos e pensamento preconceituoso, com pontuação mínima de ser obtida de 25 pontos e máxima de 100 pontos.