5. Inntekt for tidligere deltakere i introduksjonsprogrammet
5.5. Inntekter for dem som gikk ut av introduksjonsprogrammet i 2015
Texto de 1997, que aborda a obesidade dentro do contexto das organizações patológicas da personalidade, num grupo de pacientes de difícil acesso e com resultados terapêuticos pobres. O Ego de tais pacientes é deformado, devido ao uso excessivo de defesas, o que o coloca em uma posição estagnada que vai da paralisia na posição esquizoparanoide, depressiva, ou entre as duas. A pulsão de morte é um dos grandes fatores responsáveis por este congelamento. O ego, ao se defender da pulsão de morte excessiva, acaba por se tornar rígido, mas, ao mesmo tempo, ele obtém um prazer perverso desta estrutura, o que dificulta a sua modificação. A busca pela análise, nestes casos, não se deve a um desejo de progresso, mas sim de regresso à antiga posição estruturada e confortável. O obeso possui uma fantasia de retorno à vida intrauterina, o que explica sua capa de gordura. Seu caráter é voraz, e a mãe tem que ser continuamente introjetada de forma concreta, através dos alimentos. O mecanismo de introjeção apresenta uma falha, que justifica a necessidade de objetos concretos para realizar o processo introjetivo. A gordura também tem um significado de potência, uma prótese de pênis, tanto para homens quanto para mulheres. O obeso sofre de um grande número de perversões sexuais. Com relação à fixação oral, esta é caracterizada por uma intensa agressividade aos objetos primários, uma falsa
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OLIVEIRA, Cláudio Tavares Cals. Organização patológica da personalidade. Trieb, n. 5. Rio de Janeiro, 1997.
atividade reparadora e um horror à cena primária, que percebe os pais como comilões insaciáveis. Em face dos ―crimes‖ cometidos pela agressividade oral, a gordura é uma forma de penitência que expia as culpas do obeso. Entretanto, ao mesmo tempo, ela serve como um eterno lembrete de seus ataques, o que lhe traz o sentimento de culpa. Outro fator importante é que o ato de engolir garante a permanência da estrutura, mas o que é engolido não se transforma em algo bom, se converte em gordura, material que não nutre, desvitalizado. O obeso simboliza pouco, como pessoas regredidas ou psicóticas, existindo aí uma necessidade de satisfação concreta e imediata a todo o tempo.
3.1 Comentário sobre os artigos
A leitura dos artigos parece mostrar que, realmente, no período 1940- 1969 há uma grande ênfase na fantasia de gravidez e de incorporação do falo. Tal raciocínio não desapareceu completamente dos artigos, mas deixou de ser a única explicação para o quadro da obesidade. A descrição da mãe invasiva e da precariedade do vínculo se manteve como uma constante nos artigos, assim como a ideia de que o comer é uma defesa contra uma grande ansiedade/angústia. A ênfase na oralidade permaneceu, mas foi completada, aos poucos, com outros mecanismos. O pai ausente também é uma referência constante. Outro fator que se manteve é a ideia de que a gordura representa a mãe introjetada e também um símbolo de força, poder e proteção. A dificuldade de simbolização do obeso parece ser um consenso entre os autores. O modelo da adicção é proposto com intensidade nos primeiros artigos e continua a aparecer nos textos, mas sem este nome, através de menções sobre a busca do prazer imediato e da incapacidade de suportar frustrações.
A leitura dos artigos proporcionou um grande avanço para esta pesquisa por diversos motivos. O primeiro é que, apesar da diversidade de informações que cada um deles proporciona, é possível distinguir quase que uma linha mestra que unificaria todos os artigos, que poderia ser representada da seguinte forma:
A) primeiras relações com a mãe/primeiro cuidador, problemáticas, onde o primeiro cuidador interpreta mal os sinais emitidos pelo bebê e a comida é o veículo principal de transmissão de afetos
B) problemas na formação do psiquismo decorrentes desta aprendizagem inicial
C) consolidação de um aparelho psíquico empobrecido de recursos, onde a função alimentar e a obesidade substituem a carência de recursos psíquicos.
Portanto, tal esquema de pensamento leva a pensar que o estudo da obesidade deveria ser voltado, ou ao menos pesquisado, nos primórdios da formação do psiquismo, na constituição das primeiras sensações, incluindo as de fome e saciedade, assim como uma investigação de como poderia ter ocorrido a formação de um psiquismo empobrecido nos obesos. Todos os fatores citados apontam para momentos muito precoces da formação do processo de individuação de cada ser humano, o que parece indicar, em um primeiro momento, que a obesidade estaria associada a questões também de caráter arcaico e que refletem as primeiras experiências de cada um. A segunda contribuição que a leitura dos artigos trouxe foi tomar conhecimento da figura da psicanalista Hilde Bruch, que é reconhecidamente uma pioneira no tratamento dos Transtornos Alimentares, incluindo a obesidade, mas que não possui nenhuma de suas obras traduzidas para o português, o que provavelmente dificulta o acesso aos seus escritos. Antes da leitura dos artigos já se havia deparado com o nome de Hilde Bruch, em especial em livros que lidavam com a temática da Anorexia Nervosa (AN) e Bulimia Nervosa (BN), mas não se tinha noção de que a autora havia sido um dos, se não o grande expoente do tratamento psicanalítico dos Transtornos Alimentares, ou seja, saber a qual autor recorrer também foi uma contribuição crucial que a leitura dos artigos trouxe para esta pesquisa. Assim, com a ciência de ter que iniciar um percurso pelos aspectos mais primitivos que formam o ser humano, e também em busca do que Hilde Bruch teria escrito sobre o tema, acreditou-se poder iniciar a pesquisa sobre a obesidade de um ponto de vista psicanalítico.
Cabe a ressalva de que a leitura dos artigos demonstra que diversas escolas psicanalíticas podem servir como referenciais para o estudo da obesidade, pois nesta pequena amostra pôde-se identificar artigos kleinianos,
lacanianos e freudianos, por exemplo. Ressalta-se que não se tem a intenção de explorar as diversas vertentes psicanalíticas em relação ao estudo da obesidade, e que a leitura dos artigos cumpriu apenas o propósito que foi exposto acima, o de fornecer um esquema básico de como a obesidade se constituiria sob o aspecto de questão psíquica, e também de apontar qual autor consultar sobre o assunto. Portanto, sabendo das múltiplas possibilidades dentro da teoria psicanalítica que a leitura dos artigos fornece, esta abordagem está restrita à contribuição freudiana, com os adendos necessários conforme o texto for escrito.