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Percebe-se, a partir desta investigação, um novo olhar dos dentistas sobre o papel da prática odontológica, ao considerar o PSF e as mudanças ocorridas nas atividades realizadas, dentro do novo modelo de assistência voltado à prática preventiva e de promoção à saúde. Os profissionais representam o PSF através dessa mudança no modelo de assistência, embora façam referências às dificuldades na realização de suas práticas.

Esta representação da mudança no modelo de assistência, especificamente da realização de ações de prevenção, mostra-se contraditória ao cotidiano das práticas, onde estes profissionais continuam dando ênfase ao tratamento curativo, alegando uma alta demanda reprimida.

A proposta educativo/preventiva do Programa Saúde da Família, aliada a uma melhoria salarial, tem se mostrado como principal motivação a inserção do dentista neste novo modelo de assistência odontológica, ainda em fase de transição, observada na prática diária, e que se reflete em um aumento na demanda por tratamentos curativos.

Algumas mudanças são percebidas na prática odontológica, principalmente na abordagem do paciente de forma mais humanizada, mostrando toda uma preocupação de conhecê-lo em todo o seu contexto sócio-econômico-cultural. Porém, a realização dessas práticas possui como ponto de estrangulamento a estruturação dos serviços oferecidos, no que se refere à regionalização e hierarquização na oferta de procedimentos mais complexos. Trabalhar com grupos e com a comunidade faz parte de novas experiências nas práticas destes profissionais, embora sejam abordadas algumas limitações no que diz respeito ao acesso desta comunidade aos serviços e a realização de atividades coletivas,

provocando, em alguns momentos sentimentos de frustração e impotência. Estes profissionais revelaram, ainda, haver dificuldades na convivência com outros profissionais da equipe, destacando a relação de hierarquia dentro do processo de trabalho, comprometendo, por vezes, a integralidade da assistência multiprofissional.

Os profissionais entendem que a integralidade do atendimento se mostra como essencial na promoção e recuperação da saúde, porém abordam problemas estruturais na organização dos serviços, principalmente no sistema de referência e contra-referência, que causam uma interrupção na programação e planejamento das ações.

Novas atividades estão sendo realizadas fora do âmbito do consultório odontológico, onde o dentista e sua equipe buscam, através do trabalho com grupos e das visitas domiciliares, dar um novo sentido às práticas sociais, buscando uma melhor relação com a comunidade por ele assistida. Com essas atividades passa a ocorrer uma relação de compromisso e co-responsabilidade entre profissionais e população, que, para os dentistas, depende também de um compromisso de vários setores da instituição, através da intersetorialidade e de um envolvimento maior de cada um dos membros da equipe.

A proposta educativa do Programa Saúde da Família mostra-se comprometida em algumas situações, principalmente nas ações a serem desenvolvidas em espaços coletivos, uma vez que os dentistas, alegam não dar conta da demanda reprimida de tratamentos curativos e pela concepção da prática odontológica da população que não se mostra participativa durante essas atividades, preferindo o tratamento curativo. Uma concepção enraizada no modelo curativo e hospitalocêntrico do modelo flexineriano, onde se buscava o imediatismo para a solução dos problemas de saúde.

As carências no Programa Saúde da Família são sentidas, no que diz respeito a estrutura dos serviços oferecidos e na alta demanda de pacientes a serem atendidos, causada pelo número excessivo de famílias vinculadas às equipes de saúde bucal. Na estrutura dos serviços, a falta de um maior compromisso institucional aparece como principal carência para os dentistas, limitando em parte a operacionalização das atividades, ameaçando assim a descontinuidade do programa.

Ao fazerem uma avaliação do PSF, os dentistas concordam que ainda é cedo, mas reconhecem sua importância como organizador do serviço, e para dar certo, deve receber apoio da instituição. Eles acreditam que esse novo modelo de assistência veio pra ficar e sentem que já houve alguns avanços, no sentido de se diminuir a prevalência de algumas doenças preveníveis.

Ficam algumas recomendações como finalidade de contribuir para o aperfeiçoamento das atividades desenvolvidas pelos profissionais inseridos nas equipes de saúde bucal do PSF. Entre elas, um amplo debate entre os vários setores que compõem o programa, desde gestor municipal, até os profissionais de saúde e a comunidade para juntos avaliarem o desenvolvimento do programa e definirem algumas estratégias a serem utilizadas.

A criação de vínculos com entidades educacionais, como Universidades e Centros de Formação Profissional, torna-se fundamental para uma capacitação adequada dos profissionais e oferta de uma educação continuada, bem como espaços onde as equipes possam debater as suas práticas periodicamente.

Há também uma necessidade de articulação entre os demais setores institucionais para que sejam desenvolvidas políticas públicas na efetivação da promoção de saúde e

qualidade de vida para a população. Por isso, faz-se necessário a participação da comunidade nas políticas de saúde, na formulação de estratégias que visam o seu bem- estar.

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