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Kapittel 3: Metode

3.1. Innsamling av data

Apesar das diretrizes para a práxis dos psicólogos no CRAS apresentadas nos documentos normativos citados anteriormente, os profissionais vêm se deparando com uma série de questões sobre: seu fazer, a conexão de seu campo de saber com os das demais profissões, sua relação com as pessoas atendidas. Todas essas dúvidas vêm impulsionando a realização de pesquisas sobre o tema, das quais procurarei explicitar algumas considerações. Sendo assim, serão explicitadas, de modo sintético, algumas considerações sobre os aspectos que interferem positiva e negativamente na atuação do psicólogo no campo da Psicologia Social, encontrados em recentes pesquisas realizadas sobre essa temática:

 Desencontro entre a formação acadêmica e a prática profissional

Os estudos apontam que a formação acadêmica, mais voltada para a prática tradicionalmente clínica, não oferece o preparo suficiente para a atuação do psicólogo no contexto social e muito menos nas políticas de assistência social. Dessa forma, muitos profissionais começam a atuar na proteção social básica sem conhecer as diretrizes e funcionamento da mesma, o que gera dúvidas sobre seu âmbito de atuação. As pesquisas salientam a necessidade de se inserir nos currículos dos cursos de psicologia, conhecimentos necessários à prática da Psicologia Social, oferecendo ao futuro profissional subsídios teórico-práticos que possam prepará-lo para atuar no mesmo. Além desse fator, aponta-se para a necessidade de se buscar espaços de formação permanente e contínua em serviço, tais como cursos avulsos, encontros, seminários e congressos oferecidos pelo sistema

gestor. Todavia, não basta apenas instrumentalizar o psicólogo para atuar na área social, pois se corre o risco de que o uso acrítico desses instrumentos reproduza e legitime a ordem social vigente. É preciso que a academia desenvolva uma formação crítica, provocativa e desestabilizadora, oferecendo espaço para discussões éticas e políticas, reflexões, debates, posicionamentos preparando o futuro psicólogo para ações transformadoras, mediante os desafios que enfrentarão no exercício profissional, em especial, na área social (ANDRADE; ROMAGNOLI, 2010; CRUZ, 2009; YAMAMOTO; OLIVEIRA, 2010; CRUZ, GUARESCHI, 2012).

 Predomínio da prática clínica

Por conta do aspecto anterior, alguns estudos mostram que, tanto os psicólogos, como os outros profissionais e a comunidade, ainda compreendem a Psicologia como um saber realizado em espaço fechado, como prática liberal e privada, responsável pelo diagnóstico e o acompanhamento psicoterápico dos usuários. Portanto, a clínica continua a ser sinônimo de atuação psicológica e a psicoterapia é pratica comumente realizada no CRAS. Prática que pode acarretar na patologização e individualização dos sintomas sociais. Dessa forma, defendem que é urgente a necessidade da Psicologia como profissão participar da construção do SUAS e mostrar outras possibilidades de abordagens teórico-metodológicas que dialoguem com a realidade da população brasileira em situação de exclusão e vulnerabilidade social, superando os referenciais já consolidados e promovendo uma atuação política e crítica (ANDRADE; ROMAGNOLI, 2010; XIMENES; PAULA; BARROS, 2009; DANTAS; OLIVEIRA; YAMAMOTO, 2010). Nesse sentido, Cruz (2009) propõe que haja um redirecionamento da atuação para atividades coletivas no CRAS e Ximenes, Paula e Barros (2009) mostram em seu trabalho as possibilidades de articulação entre a Psicologia Comunitária e a proteção social básica.

 Precariedade das condições de trabalho

Essa condição estrutural é mencionada em diversas pesquisas como um aspecto que dificulta o trabalho e apresenta-se: no número insuficiente de profissionais diante da demanda, nos baixos salários e na fragilidade de vínculos empregatícios, que ocasionam a rotatividade de profissionais e ações descontínuas; na precariedade das instalações físicas e dos equipamentos necessários ao desenvolvimento das atividades; na falta de suporte e de vagas na rede de serviços locais, fazendo com que muitos psicólogos realizem atendimentos informais para não deixarem os sujeitos

desassistidos, sobrecarregando o profissional; na falta de transporte para a realização de visitas domiciliares, entre outros. (ANDRADE; ROMAGNOLI, 2010; XIMENES; PAULA; BARROS, 2009; CRUZ; GUARESCHI, 2012). Segundo Yamamoto e Oliveira (2010, p. 19), essas situações ocorrem porque esse campo é “caracterizado historicamente por uma desprofissionalização, por uma prática eventual e assistemática e por ações inconsistentes”. Para os autores, a assistência é uma política “pobre” voltada aos mais pobres e esse aspecto repercute sobre a atuação dos profissionais.

 Contradições inerentes ao campo

Outras situações que limitam e/ou influenciam a atuação do psicólogo são as contradições, ambiguidades e interesses conflitantes que tendem a reproduzir ordens socialmente excludentes; a politicagem; o assistencialismo e o clientelismo ainda vigentes em atendimentos caracterizados pela superioridade da equipe em relação aos sujeitos; a burocratização que emperra o serviço; a imposição de demandas institucionais em detrimento das demandas referentes às comunidades nas quais os indivíduos estão inseridos; as frequentes trocas de gestão e as relações político-partidárias, fragilizando os projetos construídos pelas equipes. A complexa relação entre Estado, sociedade, seus membros e a economia, constitui um campo no qual as políticas públicas estão inseridas sob a perspectiva do sistema capitalista, impondo ao indivíduo a culpabilidade pelo seu sucesso ou fracasso, dissimulando, por sua vez, os aspectos históricos e sociais da desigualdade social. Nesse sentido, o trabalho do psicólogo na assistência social encontra-se permeado por um forte tensionamento, em um processo de contínuo embate e movimento, em que determinadas forças se impõem mais que outras (ANDRADE; ROMAGNOLI, 2010; XIMENES; PAULA; BARROS, 2009; YAMAMOTO; OLIVEIRA, 2010; CRUZ; GUARESCHI, 2012).

 Hipervalorização da técnica em detrimento de uma atuação ética e política

Macedo e Dimenstein (2009) realizaram um estudo sobre a atuação de psicólogos e assistentes sociais no campo da saúde e da assistência e apontam que há na prática dos profissionais uma hipervalorização da técnica em detrimento de uma atuação ética e política. Para eles, a Psicologia tanto pode operar como ferramenta biopolítica reduzindo os sujeitos a objetos a serem manipulados, tutelados, regulados e vigiados, como também, instrumento de produção de resistência e diferença que potencialize a vitalidade social. Esta última ocorre quando é estimulada a maior participação do

usuário nas propostas e atividades, através de seus saberes cotidianos, fortalecendo ações que respondam suas necessidades de saúde e de segurança social. Muitos psicólogos afirmam que, ao fiscalizar condicionalidades, sentem que isso dificulta a escuta da subjetividade (PEREZ, 2009). Parafraseando essa autora, há uma grande distância entre aquilo que está escrito nas leis e nas políticas de Assistência Social e o que vem ocorrendo, de fato, na prática.

 Falta de clareza dos documentos normativos sobre o papel

A interação entre o psicólogo e o assistente social também é um tema amplamente discutido nas pesquisas que mostram que, ora há uma cisão hegemônica entre esses profissionais com práticas pouco integradas, ora há semelhanças e integração nas práticas desenvolvidas por ambos (ANDRADE; ROMAGNOLI, 2010; CRUZ, 2009). A discussão estende-se aos documentos normativos que referenciam a atuação desses profissionais no CRAS, apontando que tais documentos não diferenciam as especificidades de atuação de cada categoria profissional, dificultando essa apropriação por parte de cada uma delas (PEREZ, 2009; XIMENES; PAULA; BARROS, 2009). Dante, Yamamoto e Oliveira (2010) corroboram este pensamento e apontam que os documentos normativos são confusos e incongruentes.

 Estranhamento e mal-estar

Macedo e Dimenstein (2012) observaram que muitos psicólogos que atuam na assistência social, por se encontrarem em contextos adversos aos modos tradicionais de atuação, experimentam cotidianamente uma situação de mal-estar e estranhamento, resultados da vivência de situações limites e de difícil controle. Por um lado, as equipes de trabalho e a própria rede de serviços encontram-se por vezes, fragmentadas, hierarquizadas e burocratizadas, com práticas reducionistas, desconsiderando as necessidades sociais de saúde e de proteção social, além de não atuarem na defesa de direitos que as populações em suas localidades requerem. Os autores acreditam que o modo como os profissionais problematizam o cotidiano, a forma como articulam e operam seus campos de saberes e práticas, têm implicações diretas na maneira como atuam. O confronto do clássico modus operandi do psicólogo com o trabalho territorial na assistência social se expressa como estranhamento, medo, impotência, frustração, compaixão e ressentimento mediante as incertezas, instabilidades dos eventos e de sua identidade profissional, levando-os a questionar as próprias ferramentas de trabalho e o aparato técnico-teórico utilizado.

Para finalizar esse tópico, é importante frisar que foram encontrados não apenas dificuldades e limites na atuação desses profissionais, mas também algumas experiências positivas resultantes das práticas desenvolvidas em diversos CRAS. Como aspectos positivos, destacaram-se os seguintes:

 Equipes multiprofissionais interdisciplinares

Eidelwein (2007) e Andrade e Romagnoli (2010) apontam que as práticas da Psicologia e da Assistência S ocial são complementares e que a atuação interdisciplinar pode favorecer o estabelecimento de intervenções mais abrangentes que respondam à complexidade da realidade que é multideterminada e processual. Pois “as desigualdades e os processos de exclusão oriundos da organização e reprodução da vida material são constituintes dos processos de produção de subjetividades” (EIDELWEIN, 2007, p. 311). Além disso, a complexidade da realidade social exige uma atuação conjunta e interdisciplinar de diferentes profissionais, pois "cada área disciplinar, individualmente, não pode dar conta da superação dos diversos fatores envolvidos nas violações de direitos" (CRUZ, GUARESCHI, 2012, p.159). A área jurídica, por exemplo, pode respaldar o psicólogo em muitas questões que se apresentam em suas práticas. Ressalta-se, portanto, que o psicólogo social deve ter uma postura aberta e flexível para interagir com os demais profissionais e diferentes abordagens teórico-práticas, de modo a assegurar uma atuação conjunta e efetiva sobre as necessidades que se apresentam em seu ambiente de trabalho. O fortalecimento dos profissionais e de suas práticas na instituição pode ser potencializado por meio de reuniões de equipe e reuniões por núcleo profissional, o que favorece uma intervenção na totalidade, ultrapassando o mundo das espacializações e da fragmentação, buscando garantir deste modo a política de Assistência Social como direito.

 Trabalhos envolvendo atividades em grupos

É importante considerar que além da prevalência dos atendimentos individuais, Fontenele (2008) identificou trabalhos envolvendo atividades em grupos, tais como: oficinas, palestras, vivências, rodas de conversa com foco nos aspectos socioeducativos, no lazer, socialização e no desenvolvimento da autoestima. Nesses trabalhos em grupo, as atividades voltadas para a inserção produtiva, foram as que apareceram com menor frequência. A troca de experiências intensas, a amizade, a autonomia financeira, a promoção de saúde e educação, a conquista de documentação, o

fortalecimento familiar e comunitário e o estabelecimento de novas perspectivas de vir a ser, foram outros resultados considerados como positivos a partir do trabalho dos psicólogos nos CRAS. (ANDRADE; ROMAGNOLI, 2010; BOATARELLI, 2008; MACEDO; DIMESTEIN, 2009).

 Visitas domiciliares, campanhas, grupos de reflexão e operativos

Os profissionais da Psicologia têm se movimentado em espaços diferentes dos tradicionais, sinalizando uma mudança de direção e de paradigma no que se refere à sua atuação no campo da Assistência Social. Assim, Sobral e Lima (2013) relatam em suas pesquisas, diversas atividades desenvolvidas dentro dos respectivos CRAS, tais como: grupos de idosos, de crianças, de adolescentes, de gestantes, de desenvolvimento familiar, adultos, mães; visitas domiciliares; acolhimentos; encaminhamentos; atendimentos; oficinas e cursos de geração de renda e empregos; acompanhamento familiar e psicossocial; ações socioeducativas;, atendimento ao programa Pró- Jovem; orientações; reuniões técnicas; palestras; reuniões comunitárias; visitas institucionais; acompanhamento de casos de Justiça; entre outros. Tais contextos de inserção do psicólogo são práticas muito recentes, convocando os profissionais a repensarem e lançarem novos olhares sobre sua atuação nesses espaços, a fim de contribuir para a diminuição das injustiças sociais que marcam a realidade do nosso país.