Kapittel 6: Den desentraliserte organisasjonsformen
6.3. Utforming av den desentraliserte organisasjonsmodellen
6.3.2. Ansatte som ble ekskludert
5.1.1 Motivo pela escolha do trabalho no CRAS
A partir dos relatos, foi possível compreender que, para a maioria deles, o ingresso profissional nesse campo deu-se de modo circunstancial, ou seja, não houve uma escolha por este trabalho em especial. Todos eles participaram de alguns concursos públicos, mas, apenas souberam que seriam designados para o CRAS após a convocação da prefeitura. Apenas a psicóloga que já trabalhava no CRAS em outro município, prestou o concurso com a intenção de atuar na mesma área, mas em outro Estado. Além disso, para os demais, o CRAS era algo ainda a ser descoberto: “não tinha muito conhecimento [do que era o CRAS]” (Pedro).
No entanto, três dos colaboradores revelaram que possuíam o interesse em atuar na área da Psicologia Social desde a graduação. Por isso, desenvolveram pesquisas, cursos e estágios nesse campo. Assim, a contratação para desempenhar um trabalho com o foco em comunidades foi algo que lhes provocou contentamento.
Além desses aspectos, residir em um local próximo ao trabalho e ter fácil acesso a ele, também foi considerado no momento de assumir o cargo para três dos seis entrevistados. Já a carga horária de seis horas, que oferece a possibilidade de desenvolver um trabalho concomitante, foi outro motivo importante alegado para três dos seis entrevistados, para estar nessa ocupação.
5.2 A formação em Psicologia e o conhecimento sobre as políticas de Assistência
Social
Até o momento da contratação, em 2009, a maioria dos profissionais nunca ouviu falar sobre o CRAS ou sabia muito pouco sobre esse equipamento do SUAS, “não conseguia ter uma ideia, pra mim era como se fosse uma Ong” (LUIZA), “pra mim, até então, a Assistência Social era uma coisa tão vaga, que na minha cabeça nem existia” (ALINE). Assim, o primeiro contato com as políticas
de Assistência Social ocorreu durante o estudo para a realização da prova do concurso e foi aprofundado a partir do ingresso no campo.
Eu acabei estudando muito pra prova, então, quando eu entrei tinha uma base. Tinha, mas era do que eu tinha estudado [...] era tudo muito novo, um monte de lei, a questão da proteção social, básica e especial. ALINE
Pra te falar a verdade, eu não sabia o que era Assistência Social. [...] não fazia ideia da dimensão da Assistência Social. [...] vim ter contato aqui [no CRAS], com as leis, com tudo isso, não sabia nada mesmo. [...] LUIZA
Os profissionais buscaram compreender o campo das políticas públicas de Assistência Social no qual ingressaram e também o seu papel dentro desta política, inicialmente, a partir da leitura de textos, que serviram de apoio e de referência e que foram obtidos por indicações de conhecidos que já trabalhavam na área, como pelo coordenador do CRAS formado em Serviço Social e também, por meio de buscas na internet.
Tive que correr atrás demais de material; liguei para uma amiga que trabalhava no CRAS e falei: “Me fala o que eu tenho que ler”, aí ela me passou o SUAS, a PNAS, me deu os nomes, falou “Entra no site do MDS, não sei o quê, faz isso isso isso”, aí eu imprimi tudo, fui ler, fui estudar antes de começar o trabalho no CRAS. [no primeiro em que trabalhou em 2007]. MALU
Os participantes atribuíram esse desconhecimento a uma formação deficiente, por priorizar a atuação clínica em detrimento de outras áreas, principalmente da social. Além disso, apontaram que a grade curricular dos cursos de graduação, tanto das universidades particulares, quanto das públicas – que a maioria deles cursou até o ano de 2006/2007 – deixaram de abordar não apenas as políticas de Assistência Social, mas as políticas públicas de forma geral.
Malu, Luiza, Bianca e Pedro ainda trouxeram outros aspectos relativos à dificuldade de atuar no campo em decorrência de uma deficiência na formação.
O primeiro refere-se à leitura custosa de documentos como leis e mesmo os elaborados pelo MDS, por conta do vocabulário específico do serviço social, “cheio de siglas” e com “com palavras muito complicadas” (MALU), para quem não está familiarizado. Conforme expressou Luiza, “é maçante, é chato e cansativo, porque às vezes você lê uma lei enorme e no final das contas não entende, tem que ler de novo”. Em relação à isso, todos precisaram e puderam contar com o auxílio da colega assistente social que trabalhava no mesmo período.
Quando cheguei, tive muita sorte com minha colega assistente social da tarde, que ficava comigo. Foi ela que me ajudou a entender sobre as leis, sobre critérios de renda... informações de uma área que eu não conhecia, não dominava e que são coisas difíceis de
entrarem na minha cabeça, a lei da passagem interestadual do idoso, quais são os critérios, nossa! Isso pra mim é um sofrimento! De cabeça não sei quase nada. BIANCA
A segunda questão apontada por Pedro e Luiza, diz respeito à exigência burocrática da realização de relatórios, tarefa que gera a resistência dos profissionais, pois não é tão comum no campo da Psicologia, quanto no da Assistência Social. Uma das primeiras impressões de Pedro referente ao seu novo campo de atuação, é que esse envolvia muitos afazeres burocráticos e conhecimentos sobre políticas, direitos e legislações, os quais não dominava.
No entanto, enquanto Luiza considerava importante a disponibilidade dos psicólogos para aprender e desenvolver essa habilidade, Pedro considerava que essa burocracia atrapalhava o trabalho.
A assistente social que trabalhou comigo me ajudou bastante [...] no CAD CRAS, que é o nosso cadastro, tem que fazer a anotação [...] qual atendimento você deu, pra onde encaminhou. Acho que isso, para os assistentes sociais é muito mais claro, porque a formação deles já vem muito de relatório, faz relatório para o juiz, faz relatório para não sei quem [...] nós não, então quando a gente vai fazer um relatório [...] a gente não conhece a lei e tem aquela dificuldade, acho que já cria uma resistência vindo da formação, porque a gente não conhece, mas isso é o tempo, é e a disponibilidade. LUIZA
O resultado desse desconhecimento gerou, no período inicial, sentimentos de insegurança, despreparo e defasagem em relação ao assistente social, profissional que, ao mesmo tempo, se constitui como uma referência importante para esses psicólogos pelo domínio que possuem do campo. Além disso, de acordo com Bianca, o estágio no CRAS é obrigatório para a formação em Serviço Social, já para a Psicologia não.
[...] pode ser que não esteja claro [a dúvida sobre até onde é papel do técnico na interação com as famílias no CRAS], também por falta de experiência minha [...] a pouca leitura, formação que eu não tive... Acho que é um tanto de coisa que traz essa insegurança. THAÍS [...] acho que tive muita sorte por ter [a assistente social] junto, me ensinando e me mostrando onde estavam as informações [...] e também nos relatórios, em falar sobre como é a casa da pessoa, do que eles vivem, isso pra mim não era importante, as visitas ou atendimentos da Psicologia que eu fazia não tinham esse foco. E hoje conta o que eu observei da casa, de como a família vive, a renda que ela tem [...] se a casa está arrumada ou bagunçada, se é própria ou alugada, quantos cômodos têm, a organização da casa, o estado de conservação dos móveis. BIANCA
Desse modo, Luiza e Aline ressaltaram a importância do papel da faculdade em garantir o melhor preparo dos alunos para a atuação nos serviços públicos, uma realidade bem diferente do consultório particular e pouco divulgada e ensinada nos cursos de Psicologia.
[...] a gente sabe que tem uma grande deficiência, pois, diferente do assistente social, que estudou LOAS na faculdade inteira [...] isso traz pra gente uma vontade, uma obrigação de, nos espaços em que a gente vai, seja no CRP, seja onde for, de cobrar que as faculdades tenham um olhar pra isso [...] precisam começar a pensar em como os alunos podem ter alguma informação sobre isso, em como vão sair mais bem preparados. LUIZA
Na minha faculdade, em cinco anos de formação, não tive nada de políticas públicas, nada mesmo, nem uma disciplina [...] não tinha a menor noção [...] mesmo o que era o programa bolsa família... como se fosse de outro mundo, porque assim... fica bem em um questão clínica. THAÍS
As faculdades de Psicologia, pelo que tenho visto, nenhuma dá valor para a Psicologia Social, assim, com tanto afinco [...] o foco dessas particulares é o atendimento clínico e psicanalítico. Não tem eventos que falem sobre o CRAS [...] uma coisa que deveria estar lá pra quando a gente sair, sair melhor formado, pra atuar nessa área, ainda não está e é uma coisa que a gente precisa. ALINE
Malu, diferente dos demais, já havia se deparado com essas questões em 2007, quando trabalhou como psicóloga de um CRAS em outro Estado. Além disso, em relação à formação, para ela, o estágio em Psicologia Comunitária que realizou durante a graduação foi outro fator que facilitou a apropriação e desenvolvimento do seu trabalho no CRAS. Aspecto que revela a importância de experiências práticas em Psicologia Social durante a graduação para a inserção dos profissionais nos equipamentos do SUAS.
A experiência desse estágio foi o que me ajudou aqui, no trabalho do CRAS. A Psicologia Social lá [na universidade] tem um núcleo bastante forte, tem um laboratório próprio de Psicologia Social separado [...] foi mais fácil pra eu lidar com um grupo, lidar com a comunidade, a gente acabava fazendo visita domiciliar [no estágio] sem saber que estava fazendo visita domiciliar [...] a gente acompanhava as pessoas daquele grupo [...] Quando eu entrei aqui a [gestora da PSB] sempre falava pra mim: “você é a primeira psicóloga que entra aqui e que pegou o serviço sem angústia, diferente do psicólogo que entra aqui, por exemplo, com uma experiência em clínica”, porque fica frustrado, aqui não é espaço pra clínica. MALU