3. Datainnhenting og fremgangsmåter
3.3 Utforming av spørreskjemaet
3.4.2 Innsamling av data
Analisadas as eleições e comparadas as posições manifestadas pelos partidos ao longo do tempo, testamos a existência de associação entre as estratégias empregadas pelos partidos e as variáveis explicativas de nosso modelo de análise, que são a interação estratégica, a percepção de ameaça, a aprovação presidencial e o alinhamento ideológico da opinião pública. A inferência será realizada através do método de variação concomitante de Stuart Mill (1843).
A partir da discussão promovida sobre interação estratégica na terceira seção, vimos que o resultado das ações estratégicas dependem das escolhas de todos os atores do sistema. De tal modo que em um sistema bipartidário, o resultado final seria as interações entre as ações dos dois partidos, conforme desenvolvido por Aldrich (2011). Tendo em vista que há uma relação de dependência entre a escolha de um partido e a escolha do outro, e que estas ocorrem sequencialmente, formulamos a seguinte hipótese:
H1: O partido incumbente tende a empregar uma estratégia oposta à empregada pelo partido opositor.
A percepção de ameaça também é uma variável importante para a compreensão da estratégia de posicionamento dos partidos. Isto porque a existência de uma ameaça vital pode ter consequências positivas para a coesão grupal, moral e empreendime nto (SIMMEL, 1904; COSER, 1956; ORNSTEIN, 1992). Em tais circunstâncias, é argumentado que os Estados promovem interesses nacionais ligados à segurança. Ademais, aumenta a capacidade do Estado para exercer soberania sobre seu território (GIBLER, 2009). Foi o que aconteceu com os Estados Unidos durante a Guerra Fria e após os atentados de 11 de setembro. A respeito
deste último evento, Meyer (2009) destaca que os atores políticos reestruturaram a política americana fazendo uso de ameaças e oportunidades que eles construíram, tendo em vista que as ameaças, assim como os problemas sociais, são socialmente construídas. Por outro lado, alguns autores demonstraram que a inexistência de ameaças deste tipo deixa espaço para a perseguição de interesses paroquiais levados a cabo pelo ativismo de grupos de interesse (HUNTINGTON, 1997; NYE JR, 1999; RICE, 2000). Seria este o cenário da primeira década após a dissolução da União Soviética. Nesse contexto, diminui-se o consenso em torno da promoção de políticas de segurança. Em decorrência destas possíveis tendências de variação de comportamento por conta da percepção de ameaça, formulamos a seguinte hipótese:
H2: Quanto maior a percepção de ameaça externa maior a probabilidade do emprego da estratégia centrípeta pelo partido opositor na eleição.
O pressuposto é o de que os custos eleitorais para se contrapor às políticas do partido incumbente são maiores para o partido opositor quando o país está diante de uma alta percepção de ameaça.
Outra variável importante para determinar o emprego de estratégias de posicionamento pelos partidos é a aprovação presidencial. Há na literatura estudos que associam as perspectivas do incumbente à reeleição ao índice de aprovação presidencial (JONES, 2001; ABRAMOVITZ, 2004). Especificamente, estudo de Campbell e Mann (1996) mostrou que a aprovação presidencial é uma variável tão importante quanto crescimento econômico para determinar as chances de reeleição do incumbente. A partir disto, formulamos a seguinte hipótese:
H3: Quanto maior a aprovação presidencial, maior a probabilidade de o partido incumbente empregar uma estratégia centrípeta e maior a probabilidade de o partido opositor não escolher a estratégia centrífuga.
Nesse caso, os pressupostos são de que não há incentivos para o partido incumbente se desviar do centro quando ele é apoiado pela maioria da opinião pública e de que não há incentivos para o partido opositor se contrapor ao partido incumbente se sua aprovação for alta.
Finalmente, o alinhamento ideológico da opinião pública pode ser importante para determinar o emprego de estratégias pelos partidos nas eleições. Como vimos na terceira
seção, em consonância com as explicações de Downs (1999) e Aldrich (2011), os partidos buscando encaram duas pressões concorrentes quando buscam se eleger. Uma proveniente da conquista de votos entre os eleitores mais moderados e outra que emana dos militantes dos partidos e constrange os candidatos a defenderem posições ideológicas. Partindo deste entendimento, formulamos a seguinte hipótese:
H4: Quanto menor for o alinhamento ideológico da opinião pública, menor a probabilidade de ambos os partidos escolherem a estratégia centrífuga.
O pressuposto desta hipótese é o de que os partidos têm incentivos para empregar estratégias de posicionamento fortemente ideológicas quando a opinião pública se identifica com ideologias. De outro modo, quando a opinião pública demonstra não ser alinhada ideologicamente haveria mais incentivos para os partidos manifestarem posições moderadas e ideologicamente ambíguas, mantendo-se próximos ao centro do espectro ideológico.
Para entender a estratégia empregada pelos partidos em cada eleição analisamos a diferença entre o percentual de posições liberais e conservadoras que eles emitiram, cujas variações temporais podem ser verificadas no gráfico abaixo.
Gráfico 18 - Frequência das posições liberais, conservadoras e centristas de política externa nos manifestos partidários (1992-2012).
Partido Democrata Partido Republicano
Fonte: Elaborado pelo autor.
Como se percebe há um padrão em que as posições ideológicas são aproximadas e distanciadas pelos partidos em cada eleição. Quando elas se aproximam temos uma estratégia
centrípeta e quando elas se distanciam temos uma estratégia centrífuga. Isso significa que enquanto no primeiro caso os partidos apostaram na ambiguidade ideológica de suas posições para conquistar a maioria moderada da opinião pública, no segundo eles focaram nos eleitores extremados ideologicamente. No que se refere às posições centristas há comportamentos diferentes. Enquanto as posições centristas dos democratas tem pouca variação, com exceção de uma queda acentuada em 2012, as posições centristas dos republicanos diminuír am consideravelmente suas frequências a partir da eleição de 2004, no auge da Guerra ao Terror. O gráfico abaixo sumariza essas frequências, trazendo a posição ideológica final dos partidos nas seis eleições.
Gráfico 19 - Posicionamento ideológico de democratas e republicanos nas eleições presidenciais estadunidenses (1992-2012).
Fonte: Elaborado pelo autor.
O extremo conservador manifestado foi 27,1, enquanto o extremo liberal foi de -20,83, ou seja, bem longe dos extremos 100 e -100 respectivamente. Dito isto, é possível observar que a competição eleitoral não foi muito polarizada. Dessa forma, os partidos tenderam a direcionar seus manifestos para a maioria moderada da opinião pública. Contudo, eles também sinalizaram propostas para os seus militantes mais ideológicos quando se posicionaram mais longe do centro em comparação com a eleição anterior.
Começando nosso teste de associação a partir da variável interação estratégica é possível identificarmos um padrão de comportamento entre 1992 e 2008. Nessas eleições, sempre que o partido da oposição optou por uma estratégia o partido incumbente escolheu uma estratégia oposta, confirmando a hipótese 1. A técnica da comparação nominal do método de variação concomitante nos permite explicar a escolha de uma estratégia partidária simplesmente em decorrência dessa interação. Nesse sentido, a interação estratégica que ocorre entre os jogadores se qualifica como uma variável importante para predizer seus pares de estratégias. Todavia, a escolha das estratégias partidárias não é aleatória e, como afirmamos anteriormente, ela se baseia em informações disponíveis no contexto político. Faz- se, portanto, necessário testar a associação das estratégias escolhidas com as variáveis contextuais.
Considerando que é uma estratégia racional para o partido opositor se diferenciar do partido incumbente para conseguir conquistar mais votos, haveria sempre um impulso para que ele escolhesse se posicionar através de uma estratégia centrífuga. Nesse sentido, o partido opositor só escolheria a estratégia centrípeta se a aprovação do partido incumbente estivesse alta, se fosse baixo o alinhamento ideológico da opinião pública ou se fosse alta a percepção de ameaça à segurança dos Estados Unidos no cenário internacional. Desse modo, avaliamos a ocorrência concomitante dessas variáveis quando os partidos optaram por cada estratégia, conforme o quadro abaixo.
Quadro 9 - Síntese do comportamento das variáveis
ELEIÇÃO ESTRATÉGIA DO OPOSITOR PRESIDENCIAL APROVAÇÃO PERCEPÇÃO DE AMEAÇA OPINIÃO PÚBLICA NÃO ALINHADA
1992 Centrífuga Baixa Baixa 50%
1996 Centrífuga Moderada Baixa 49%
2000 Centrípeta Alta Baixa 50%
2004 Centrípeta Moderada Alta 49%
2008 Centrífuga Baixa Alta 47%
2012 Centrífuga Moderada Baixa 40%
Fonte: Elaborado pelo autor.
Observando-se a variável alinhamento da opinião pública é possível perceber uma estabilidade no percentual dos eleitores que não era identificado com nenhuma ideologia ou se considerava moderado entre 1992 e 2004. Ocorre uma pequena variação negativa em 2008 e uma variação negativa mais acentuada em 2012. Isto é, nessa eleição 60% da opinião pública
se identificava com uma ideologia. A eleição de 2012, aliás, é a única não explicada através do resultado da interação estratégica, pois os dois partidos escolheram a estratégia centrífuga. Assim, o crescimento da opinião pública ideologizada pode ser um fator explicativo da escolha dos dois partidos pela estratégia centrífuga, confirmando a hipótese 4. Todavia, essa não é a única explicação possível. Na medida em que a aprovação presidencial era apenas moderada, não havia incentivo para o partido incumbente se mover para o centro, conforme a hipótese 3. Do mesmo modo, a percepção de ameaça havia diminuído com a retirada das tropas americanas do Iraque, não havendo incentivos para o partido opositor se mover para o centro, confirmando a hipótese 2.
Voltando nossa atenção para o partido opositor, de fato ele escolheu a estratégia centrífuga em quatro das seis eleições. Enquanto nas duas primeiras eleições (1992 e 1996) a percepção de ameaça era baixa; na penúltima (2008) a percepção de ameaça era alta; e na última (2012) a percepção de ameaça era baixa. Isto é, em três das quatro ocasiões a hipótese 2 se confirmou: a baixa percepção de ameaça levou ao emprego da estratégia centrífuga. A única eleição em que esta hipótese não se confirmou foi a de 2008. Nesse ponto, cabe ressaltar a influência de outra variável, a aprovação presidencial, que naquele pleito estava baixa. Aliás, independentemente da percepção de ameaça, a estratégia centrífuga foi escolhida pelo partido opositor apenas em eleições em que a aprovação presidencial não era alta, confirmando a hipótese 3.
Os resultados também mostram que a escolha da estratégia centrípeta pelo partido opositor só ocorreu nas eleições de 2000 e 2004, sendo a primeira marcada por alta aprovação presidencial (a maior de todo o período) e a segunda por alta percepção de ameaça, confirmando as duas hipóteses. Desse modo, a escolha da estratégia centrípeta ocorreu em concomitância com alta aprovação presidencial e baixa percepção de ameaça no primeiro caso; e com moderada aprovação presidencial e alta percepção de ameaça no segundo. Essa tendência sugere que essas duas condições não precisam ocorrer simultaneamente para o partido opositor escolher uma estratégia centrípeta, mas quando ocorrem são causas suficientes para tal escolha.
Avaliando as estratégias do partido incumbente, vimos que ele optou pela estratégia centrífuga nas mesmas eleições em que o partido opositor optou pela estratégia centrípeta e, adicionalmente, nas eleições de 2012, conforme explicamos acima. Já a estratégia centrípeta foi empregada pelos incumbentes em momentos de baixa ou moderada aprovação presidencial e baixa percepção de ameaça. Esses resultados sugerem que a aprovação presidencial não
precisa ser necessariamente alta para o partido incumbente se mover ao ce ntro, conforme havíamos formulado.
Apesar das observações serem reduzidas, as conclusões que delineamos são um indício importante de que a interação estratégica, a aprovação presidencial, a identificação ideológica da opinião pública e a percepção de ameaça influenciam a escolha de estratégias de posicionamento pelos partidos na política externa na arena eleitoral. A implicação disso é a de que o contexto político doméstico e externo tem moldado a competição partidária nesta arena.
5.5. CONCLUSÕES PARCIAIS
A partir do entendimento de que a eleição presidencial se configura enquanto um jogo de soma zero, concluímos que esse espaço de competição tem se caracterizado pelo emprego de pares de estratégias distintas pelos partidos, as quais garantem uma solução minimax ao jogo. Nesse sentido, vimos através da técnica de comparação nominal da metodologia de variação concomitante que a escolha de uma estratégia por um partido foi causa suficiente e necessária para explicar a escolha de uma estratégia oposta pelo outro partido em cinco das seis eleições (1992 a 2008).
Ademais, salientamos que a escolha da estratégia partidária ocorre a partir de considerações dos partidos sobre a taxa de aprovação presidencial, o alinhamento ideológico da opinião pública e da percepção de ameaça no contexto externo. Desse modo, observamos que o partido opositor só optou pela estratégia centrípeta em duas eleições; uma com alta aprovação do partido incumbente (2000) e outra com alta percepção de ameaça (2004), confirmando as hipóteses que delineamos. Por outro lado, em contextos marcados por baixa percepção de ameaça e moderada e baixa aprovação presidencial, o partido opositor optou pela estratégia centrífuga também de acordo com as hipóteses deste trabalho. Já o partido incumbente optou pela estratégia centrífuga exatamente nas mesmas eleições em que o partido opositor optou pela centrípeta (2000 e 2004) e também na eleição de 2012, a única em que a interação estratégica não se apresenta como causa de explicação. Na eleição de 2012, uma variável que anteriormente apresentava um comportamento praticamente constante, o alinhamento ideológico da opinião pública, mostrou-se uma causa necessária para os dois partidos optarem pela estratégia centrífuga. Por fim, o partido incumbente optou pela estratégia centrípeta em eleições marcadas por baixa e moderada aprovação presidencial em concomitância com percepções baixas de ameaça, resultados que sugerem que o partido incumbente pode se mover ao centro mesmo quando a aprovação presidencial não é alta.
Ante o exposto, concluímos que a competição partidária em torno da política externa na arena eleitoral é caracterizada por elementos de consenso e de dissenso, e que apesar das posições partidárias no espectro ideológico não serem muito polarizadas, em sete de doze oportunidades os partidos optaram por se distanciar de seus adversários ao invés de caminharem em direção a eles.
A respeito das posições que os partidos assumiram, a análise longitudinal comparada das categorias presentes no domínio da diplomacia mostra que democratas e republicanos enfatizaram menções favoráveis ao multilateralismo numa frequência muito maior do que manifestaram menções desfavoráveis. Contudo, também mostra que os democratas são mais favoráveis ao multilateralismo do que os republicanos. Ademais, quando manifestaram menções negativas ao multilateralismo, democratas e republicanos se mostraram favoráveis ao uso de instrumentos tais como diálogos assertivos, pressões, ameaças, sanções, condutas unilaterais e uso da força. Porém, apenas os republicanos defenderam intervenções, invocaram o principio da não subordinação e expressaram um forte isolacionismo. Esses dois últimos expedientes foram usados sempre que os republicanos se manifestavam contrários à ratificação de tratados internacionais e também quando eles não admitiam se submeter a normas de organizações internacionais. Justamente nesses pontos há uma diferença marcante entre os partidos, visto que os democratas defenderam a ratificação de diversos tratados e a participação e resolução de conflitos via organizações multilaterais. A defesa dessa conduta isolacionista talvez explique porque os republicanos expressaram manter relações diplomáticas positivas e negativas com muito mais países do que os democratas, na medida em que ela expressa que o partido prefere manifestar suas relações diretamente aos países, sem o intermédio de instituições. Por fim, embora os dois partidos defendam a promoção de valores no exterior tais como democracia, direitos humanos e livre-mercado, os republicanos se diferenciam ao promover também uma pauta conservadora, focada em valores cristãos.
Quanto às categorias pertencentes ao domínio da economia percebe-se que os dois partidos apoiam o livre-comércio e a abertura dos mercados, embora o Partido Republicano defenda essas posições numa frequência maior do que o Partido Democrata. Há também uma clara contradição de posições nos manifestos dos dois partidos, pois ao mesmo tempo em que eles criticam subsídios e práticas de outros países que tornam a concorrência comercial desleal, eles defendem subsídios e medidas protecionistas para proteger os trabalhadores americanos dos efeitos do livre-mercado. Apesar disso, há especificidades nas menções contrárias ao livre-mercado. Enquanto os manifestos democratas são dominados pela preocupação com os trabalhadores americanos, as plataformas republicanas têm como foco
medidas protecionistas. A respeito das posições dos partidos sobre ajuda econômica externa não há diferenças substanciais entre os partidos, embora os democratas deem mais ênfase ao assunto do que os republicanos.
Embora a segurança nacional seja um tema fortemente associado pelo eleitorado ao Partido Republicano, vimos que há um comportamento muito semelhante dos partidos nas categorias que compõem esse domínio. De fato, em relação às forças armadas as menções positivas dos democratas superaram ligeiramente as dos republicanos na maioria das eleições. Por outro lado, as menções negativas dos democratas também foram superiores a dos republicanos na maioria das eleições. Isso demonstra que os democratas são tão conservadores quanto os republicanos em se tratando do fortalecimento das forças armadas para a segurança do país. Em relação à concessão de ajuda geopolítica, os republicanos apresentaram frequências maiores do que os democratas. Contudo, as posições dos partidos apresentam poucas diferenças. Desse modo, os dois partidos têm sido mais conservadores nesse assunto, uma vez que eles não têm se posicionados contrários ao apoio e transferência de recursos militares para outros países. Na única oportunidade em que um partido se colocou contra a alocação desse tipo de recurso a justificativa foi a não cooperação do país beneficiário. Conforme esperado, há também muita similaridade nas posições de democratas e republicanos a respeito do fornecimento de benefícios aos militares veteranos. Seja na mesma eleição ou nas eleições subsequentes os dois partidos colocaram em pauta os mesmos benefícios aos veteranos.
Finalmente, a dimensão de questões intermésticas mostra diferenças importantes entre os partidos. Se a análise das frequências já é suficiente pra mostrar que o Partido Democrata é muito mais liberal do que o Partido Republicano quanto à imigração e ao multiculturalismo, a comparação das posições não deixa dúvidas. Os partidos concordam em combater a imigração ilegal, principalmente no que concerne à imigração de criminosos e o reforço da patrulha na fronteira. Todavia, discordam sobre muitos aspectos, que vão desde a política de empregos até a concessão de vistos aos imigrantes. Em relação ao multiculturalismo, a análise das posições dos partidos mostra semelhanças e diferenças quanto à aprendizagem e o uso do inglês pelos imigrantes. Em comparação com os democratas, os republicanos deram mais ênfase na necessidade de os imigrantes aprenderem inglês. Diferentemente dos democratas, os republicanos defenderam o uso exclusivo do inglês em serviços públicos e no sistema legal. Ademais, enquanto os democratas enfatizaram posições contra práticas discriminatórias a minorias étnicas, o respeito à diversidade religiosa foi mais saliente nos manifestos republicanos.
Analisando as demais categorias, vimos que enquanto os democratas costumam dar maior ênfase do que os republicanos à proteção ambiental, os republicanos salientam com maior frequência posições relacionadas à segurança energética, o que pode significar uma inclinação ideológica de ambos os partidos na medida em que esses temas, apesar de serem centristas, são discutidos também do ponto de vista econômico. Finalmente, concluímos que não há diferenças muito significativas nas posições dos partidos a respeito da saúde global. Em termos de competição partidária este pode ser considerado um tema não ideológico. Contudo, há que se destacar que os republicanos, principalmente em suas posições sobre prevenção, mas também sobre tratamento, salientaram posições conservadoras, na medida em que elencaram condutas morais para lidar com o assunto.
Ante o exposto, a comparação das ênfases aponta para perfis partidários semelhantes: democratas e republicanos caracterizam-se enfaticamente como multilateralistas, apoiam políticas de abertura comercial, são favoráveis à ajuda econômica externa, são mais inclinados ao fortalecimento das forças armadas, são favoráveis à ajuda geopolítica e tem visões mais ou menos semelhantes em relação à promoção da valores, benefícios aos veteranos, proteção ambiental, segurança energética e saúde global. Todavia, uma análise mais aprofundada revela que há diferenças substanciais em todos estes assuntos, merecendo destaque a peculiar defesa republicana do principio de não subordinação e de condutas isolacionistas ante um