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5.9 Det offentlige hjelpeapparat

5.9.4 Innovasjon Norge

CHESNAIS (1996) analisa o processo de internacionalização de empresas a partir da consideração de três dimensões: o intercâmbio comercial, o investimento produtivo no exterior e os fluxos de capital monetário ou capital financeiro.

“É a partir do movimento do capital produtivo que se deve pensar as relações recíprocas

que se estabelecem entre as três modalidades principais de internacionalização. É esse movimento que comanda a criação de valor e de riqueza. É evidente que produção e circulação (ou produção e comercialização) estão estreitamente ligadas, e, conseqüentemente, a produção e o comércio exterior”. (CHESNAIS, 1996, p.52)

Diferentemente de HYMER (1960), o autor considera que o desenvolvimento de atividades de exportação é uma das dimensões do processo, definida como “internacionalização comercial”. Outras dimensões possíveis são a “internacionalização produtiva”, caracterizada pelo estabelecimento de unidades de produção no exterior e a “internacionalização financeira”, caracterizada pela intensificação de fluxos de capital financeiro entre os países. Essas três dimensões do processo de internacionalização estão presentes entre empresas multinacionais.

Porém, a partir da evolução das atividades desenvolvidas pelas empresas no exterior, CHESNAIS (1996) destaca o surgimento de outra dimensão para o processo de internacionalização, baseada nos ativos intangíveis das empresas e no capital humano, definida como “internacionalização tecno-financeira”. Essa dimensão está baseada na criação de know-how e atividades de pesquisa e desenvolvimento.

As empresas que desenvolvem a dimensão tecno-financeira da internacionalização são definidas como “multinacionais novo estilo”. Quando comparadas às multinacionais, essa categoria de empresas apresenta ainda outras diferenças, como o fato de serem gerenciadas de maneira mais informal e serem responsáveis pelo desenvolvimento de um maior número de atividades baseadas na estratégia global da organização. (CHESNAIS, 1996, p.77).

O autor critica a afirmação de que a criação das multinacionais possa ser explicada como uma forma de solucionar a existência de “falhas de mercado” e de redução dos custos de transação, defendendo que a internalização pode ser considerada um meio de salvaguardar a vantagem monopolística das companhias e de criar e reforçar essa vantagem.

As filiais estabelecidas no exterior possibilitam ainda que as multinacionais desenvolvam a segmentação de mercados nacionais e utilizem a estratégia de discriminação de preços como forma de maximização dos lucros em escala mundial. Portanto, essa abordagem contrasta com a Teoria da Internacionalização das Atividades desenvolvida por BUCKLEY e CASSON (1976).

CHESNAIS (1996) também destaca que os investimentos diretos no exterior têm reforçado a posição da Europa, Estados Unidos e Japão (o que o autor define como Tríade) no capitalismo mundial. Como os países da Tríade são os responsáveis pela realização de IDE, o capital não precisa mais buscar novos espaços para alcançar maior lucratividade, encontrada nos próprios países de origem. Como resultado, os países fora da tríade estão desconectados dos fluxos de capital internacionalizado.

FURTADO (1999) também apresenta uma análise sobre a internacionalização a partir da consideração das dimensões da produção mundializada, avaliando como as novas formas de organização da produção são capazes de restabelecer as antigas hierarquias características do capitalismo.

Sua análise parte da consideração de que a hierarquia das nações não se modificou, pois as principais empresas tiveram a oportunidade de se reposicionarem quanto às suas atividades econômicas e, dessa maneira, foram capazes de renovar a tradicional liderança.

“...conseqüentemente, as transformações – sem dúvida amplas e profundas – que

ocorreram no sistema produtivo serviram sobretudo para um processo sem precedentes de concentração do capital e de construção de hierarquias econômicas fundadas em bases mais amplas e mais fortes”. (FURTADO, 1999, p. 98)

CHESNAIS (1996) afirma que a posição ocupada atualmente por muitos países em desenvolvimento no sistema mundial de intercâmbio não é resultado de uma dotação natural de fatores pois, em muitos casos, a situação de produtor e exportador de matérias-primas básicas é resultante de antigos investimentos diretos formalizados a partir de 1880 por empresas estrangeiras originárias, principalmente, do país colonizador.

Porém, FURTADO (1999) reforça que a mundialização não pode ser entendida como uma continuidade de tendências anteriores, mas representa uma ruptura com o passado: em cada país tem-se a eliminação voluntária ou mesmo destruição das restrições à expansão e ao pleno desenvolvimento do capital através da ação de blocos de interesses dominantes. Portanto, o fenômeno da mundialização não pode ser compreendido a partir dos critérios de análise criados para a avaliação e entendimento dos processos de internacionalização, pois apresenta modalidades específicas que rompem com o passado.

O autor analisa as várias dimensões que caracterizam esta fase de ruptura. A primeira dimensão baseia-se na consideração de que a fase atual de mundialização não está inscrita em um ambiente de expansão e crescimento, mas de “expansão desconectada do crescimento”4. Esta constatação deve-se ao fato de que, desde a crise dos anos 70 a economia mundial ainda não apresentou uma fase de crescimento sustentado e amplo, pois mesmo havendo a expansão do capital e dos espaços sob controle não há a articulação dessa expansão com a produção conforme havia no passado. (FURTADO, 1999, p.102).

Nesse novo ambiente internacional, os países com maiores chances de adaptação são aqueles que apresentam uma capacidade financeira própria, o que os tornam capazes de enfrentar os períodos de instabilidade presentes na economia internacional e suas conseqüências sobre as variáveis como taxas de juros e de câmbio, além dos impactos sobre os fluxos de comércio e de investimento.

4

Esse cenário apresentou modificações a partir de dois fenômenos: (1) na segunda metade da década de 90, os investimentos diretos no exterior, restritos anteriormente aos países que compõem a Tríade, passaram a ser direcionados, em maior medida, para países em desenvolvimento; (2) a partir dos anos 2000, as taxas médias de crescimento dos países em desenvolvimento superaram as de países desenvolvidos.

Já os demais países acabaram, de maneira gradual, aderindo à dimensão internacional comum que tem como principal característica a competitividade. Por sua vez, ao final dos anos 70 e início dos anos 80, a adaptação ao cenário competitivo tornou-se a única alternativa para esses países. Essa dimensão internacional substituiu o processo de internacionalização, que era capaz de oferecer espaços e oportunidades para os demais países e, dessa maneira, o processo de mundialização desse período possibilitou a recriação das condições de hegemonia dos países dominantes.

Neste contexto, os Estados Unidos, de maneira paralela ao Reino Unido, foram estabelecendo uma posição diferenciada. O poderio econômico desse país estava então fundamentado em quatro dimensões. A primeira delas é a financeira, que surgiu a partir da imposição de novas condições financeiras; a segunda é de caráter tecnológico e envolve as transformações tecnológicas que passaram a estar subordinadas à dimensão financeira. Quanto à terceira e quarta dimensões, definidas como produtiva e comercial, o autor evidencia o estabelecimento de ciclos de produção cada vez mais curtos e uso intensivo de novas tecnologias provenientes, principalmente, do núcleo formado pelas áreas de eletrônica, informática e comunicações.

Porém, o acesso a essas transformações na produção encontrava-se restrito à capacidade de investimento. Vale destacar que este período contribuiu para o aumento da importância do alcance de economias de escala e dominação dos parâmetros de mercado.

Portanto, a mundialização gerou efeitos importantes sobre a produção, a partir da modificação das relações entre os fluxos de produção e seus resultados:

“Esta é uma dimensão da mundialização crucial para os países periféricos. Ela está ligada

à emergência de estruturas de produção de riquezas e de distribuição de rendimentos que são, ambas, diferentes do que eram no passado sobretudo pelo fato de serem não coincidentes entre si. De fato, a produção num espaço nacional dado torna-se fortemente desconectada dos fluxos de investimento. A natureza mundializada da produção e a concentração da propriedade e do comando modificam as relações entre produção e os rendimentos que dela decorrem.” (FURTADO, 1999, p. 106)

De maneira integrada, a produção e as trocas internacionais passaram a representar um espaço favorável para a valorização dos recursos do capital concentrado e internacionalizado. As grandes empresas aqui criadas podem ser classificadas como gigantes e se diferenciam muito daquelas empresas que passaram pela segunda revolução industrial, pois graças ao acesso ao mercado financeiro apresentam a possibilidade de desenvolver processos de fusão e aquisição de outras empresas. Adicionalmente, o que marca as diferenças destas empresas

classificadas como gigantes e as grandes empresas internacionalizadas que operavam em bases multidomésticas refere-se à criação de obstáculos à entrada de novas empresas, pois a escala de produção passou a definir os padrões setoriais de produção e comercialização, o que inclui a tecnologia, o processo de criação de marcas e de serviços correlatos que passaram a ser mundiais.

Como conseqüência de longo prazo, o autor destaca o fato dessas empresas internacionalizadas ficarem cada vez mais distantes do mercado já que não apresentam as dimensões das empresas gigantes. Além disso, mesmo no plano nacional, o capital destas empresas tende à desvalorização até o momento em que seus ativos são novamente valorizados quando são adquiridas por outras empresas gigantes:

“A empresa global é muito mais do que uma empresa que opera em escala mundial e que

integra nesta dimensão as fontes – financeiras, produtivas, tecnológicas, comerciais e logísticas – essenciais à sua atividade. Ela é, também, uma massa de capital e uma diversidade de modalidades de operação que nenhum espaço nacional está em condições de criar individualmente. O global é, aqui, a negação do local, do regional e do nacional.”

(FURTADO, 1999 p.109)

No plano mundial, a valorização dos recursos do grande capital representado pelas empresas “gigantes” é dada de maneira diversificada e integrada. A diversificação é dada a partir do aproveitamento das condições diversas (o que inclui o trabalho) e pela diversificação das funções da empresa, uma vez que a empresa passa a integrar as diferentes modalidades do lucro: comercial (aprovisionamento, venda e criação de marcas), produtiva (distribuição de segmentos e da produção interna e externa), tecnológica (controle das capacidades e conhecimentos protegidos) e financeira. Todavia, é importante destacar que nesta empresa integrada e diversificada, o comando e a apropriação de resultados são atividades centralizadas.

Há, assim, uma separação entre as atividades que a grande empresa desenvolve no exterior e aquelas funções que estão centralizadas e enraizadas, principalmente finanças e tecnologia. A operação mundializada apresenta importantes assimetrias: primeiramente, é importante avaliar o fluxo de investimentos criado a partir da concentração dos investimentos ou despesas realizados em atividades de pesquisa e desenvolvimento, pois prevalece um fluxo financeiro assimétrico entre as unidades de produção e a matriz.

A importância desse fluxo é acentuada a partir da elevação das despesas em atividades de P&D e da proporção das atividades produtivas ou comerciais desenvolvidas no exterior. De maneira semelhante, tem-se a construção de marcas em escala mundial, criadas a partir de investimentos consideráveis e ressarcidas através de contribuição coletiva.

Ainda como assimetria devem ser considerados os fluxos não financeiros, uma vez que nos países em que os investimentos em P&D são realizados ocorrem as conseqüências das atividades tecnológica e científica.