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Nesta seção, apresento os resultados referentes às ocorrências de para e a na fala de Uberaba e Montes Claros. No total, foram 877 amostras de dados obtidas a partir da fala dos 36 informantes que compõem o corpus. O Gráfico 132 apresenta a distribuição geral das ocorrências de para e a no total das amostras.

GRÁFICO 1 – distribuição geral da frequência de PARA e A nas amostras.

Como é possível observar no Gráfico 1, de um total de 877 amostras, 89% apresentaram a preposição para como introdutora de adjuntos adverbiais e complementos. A preposição a foi detectada em 11% das ocorrências, perfazendo uma diferença significativa de 78 pontos percentuais. Os dados gerais deixam claro que, dentre as preposições pesquisadas neste trabalho, para é a mais frequente nos dados gerais. Observem-se, a seguir, os exemplos das ocorrências de para e a nos dados coletados.

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Futebol sempre foi jogo de homem, sempre foi esse trem de homem... nas arquibancadas a maioria é homem, poucas mulheres vão ao estádio de futebol, então acho assim... que... eu acho que é um pouco de preconceito, sabe?. (CBC-14-OTU)

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A gente as vezes não conseguia aprender nada na roça porque era muito difícil, chegava na escola já tava cansada, já voltava da escola e já ia pra roça pra trabalhar. (VAP-21-PRM)

89% 11%

PARA A

No Gráfico 1, foi possível obter uma visão geral da distribuição das preposições para e a. Como o objetivo geral desta pesquisa é comparar o uso de para e a em Uberaba e Montes Claros, será necessário analisar a frequência destas preposições em cada uma das cidades pesquisadas. Por esta razão, apresento a seguir o Gráfico 2, com a distribuição das ocorrências de para e a em Uberaba e Montes Claros.

GRÁFICO 2 - Distribuição da frequência entre PARA e A em Uberaba e Montes Claros.

Analisando o Gráfico 2, é possível observar que, em ambas as regiões pesquisadas, a preposição para liderou a porcentagem de ocorrências. Do total de amostras da região de Uberaba, 95% apresentaram a ocorrência de para, enquanto a preposição a representa 5% desse total. A diferença entre a frequência de para e a é de 90 pontos percentuais, o que equivale a uma diferença significativa. Observem-se os exemplos, a seguir, sobre os dados de Uberaba.

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Esse metrô, ele já tomou tanto dinheiro, isso daí era pra tá totalmente interligado... eu uso quando vou a São Paulo, pego lá na Estação Tietê até a Sé, depois da Sé eu tenho que pegar até o Belenzinho. (JTP-03-PRU)

UBERABA MONTES CLAROS

95% 83% 5% 17% PARA A

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Quando o pai deixava, a gente aproveitava bastante, tudo tinha horário, tinha dia, tudo certinho, foi crescendo aí foi esculhambando um pouco, férias ia pra casa dos meus avós, era uma fazenda que ficava entre Veríssimo e Prata. (MCS-10-PSU)

Montes Claros também apresentou uma frequência significativa da preposição para, com 83% das ocorrências desta preposição. A preposição a apresentou o índice de 17%, sendo que a diferença em pontos percentuais é de 66 entre para e a. Observem-se, a seguir, os exemplos retirados dos dados de Montes Claros.

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Eu venho de uma família muito tradicional, meu pai era muito rígido com a gente, com os costumes, né, e... era assim bastante exigente, e até pra ir ao colégio ele tinha que mandar meus irmãos me levar e me buscar. (MJN-35- QTM)

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Quando ela saía pro mercado ela deixava a gente praticamente trancado... eram cinco, lá em casa era escadinha mesmo, diferença entre um ano, um ano e meio no máximo. (VLM – 28 - PSM)

Comparando Uberaba e Montes Claros, a partir do Gráfico 2, é possível observar que os índices de ocorrências de para e a nas duas regiões encontram-se muito próximos. O índice de para em Uberaba, 95%, comparado ao de Montes Claros, 83%, possui uma diferença de apenas 12 pontos percentuais. O mesmo ocorre com a preposição a, 5% em Uberaba e 17% em Montes Claros, cuja diferença entre as duas cidades é também de 12 pontos percentuais.

Reproduzo, a seguir, o Gráfico 2 no Gráfico 3, mas mudando os eixos para que seja possível comparar a porcentagem de cada uma das preposições nas duas cidades.

GRÁFICO 3 - Distribuição da frequência de PARA e A entre Uberaba e Montes Claros

Comparando as ocorrências de para e a entre Uberaba e Montes Claros, a partir do Gráfico 3, é possível observar que praticamente não há variação da preposição para entre as regiões pesquisadas. Do total de amostras em que houve esta preposição, 55% são de Uberaba e 45% de Montes Claros, cuja diferença em pontos percentuais é de apenas 10. A preposição a foi a que apresentou um índice relevante de variação, já que do total de amostras em que ocorreu a, 26% corresponde aos dados de Uberaba e 74% aos dados de Montes Claros, com uma diferença significativa de 48 pontos percentuais.

Segundo a hipótese inicial, a preposição para seria predominante entre os falantes de Uberaba e a preposição a seria predominante em Montes Claros. No entanto, a análise do Gráfico 2 e do Gráfico 3 leva-me a constatar que a hipótese inicial foi confirmada apenas parcialmente, já que para é predominante em ambas regiões. A variação, portanto, ocorre somente com a preposição a que, quando tomada separadamente, é mais usada em Montes Claros. Se por um lado, em Montes Claros utiliza-se a preposição a com maior frequência do que em Uberaba, reportando assim a variação, por outro lado a disposição dos dados demonstra que para supera em muito a frequência de a em ambas regiões pesquisadas.

Conforme exposto no Referencial Teórico, Oliveira (2005) observou o enfraquecimento da preposição a do século XIX para o século XX, em dados de diversas regiões brasileiras. Observação semelhante foi feita por Kewitz (2004) ao analisar a gramaticalização das preposições a e para no PB, também em dados de

PARA A 55% 26% 45% 74% UBERABA MONTES CLAROS

diversas regiões33 do século XIX e XX. Além disso, Scher (1996) já havia observado a variação de a e para na Zona da Mata Mineira, admitindo que em verbos dativos a preposição a ou é substituída por para ou é simplesmente omitida.

Como é possível verificar a partir destas observações, tanto Uberaba quanto Montes Claros apresentaram a predominância da preposição para devido ao processo de mudança em progresso em que se encontra o PB, no qual a preposição a dá lugar à preposição para.

3.2 Distribuição da frequência de PARA e A em relação às variáveis não