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A localização do prestador de serviço irá influenciar no preço final de seu produto, tendo em vista a aplicabilidade dos impostos estaduais.

A Renault e a Nissan são beneficiadas pelo diferimento do ICMS outorgado pelo Estado do Paraná, ou seja, quando um fornecedor localizado no Estado do Paraná, o ICMS não é pago pela Renault-Nissan, mas sim numa etapa seguinte, como anteriormente destacado.

Quando o fornecedor for de fora do Estado do Paraná, o pagamento do ICMS e da PIS/COFINS é devido. Entretando, face ao princípio expresso em nossa Carta Magna de que é vedada a cumulatividade dos impostos, tais tributos são recuperáveis.

A nota fiscal sempre destaca todos os impostos devidos, até mesmo o IPI que se encontra suspenso o seu pagamento.

A montadora trabalha na forma Just in Time ou Sistema Kanban, o que lhe possibilita minimizar estoque, custos financeiros e espaço físico para armazenagem. Sintetiza SANDRONI (2003, p. 257) que a definição deste sistema como sendo “a peça certa, no lugar certo, no momento certo”, ou seja, as peças são produzidas um pouco antes de serem utilizadas.

O aprovisionamento é feito de maneira distinta para blanks e para peças, conforme um plano de sincronização com visão a curto (duas semanas), médio (90 dias) e longo prazo (1 ano). Normalmente, a programação firme é enviada via EDI para dali duas semanas (ou seja, S+2).

Todavia, para ser gerada a necessidade de recebimento dos blanks, o programador de produção verifica diariamente o painel Kanban e através de uma planilha do Excel gera semanalmente a demanda à logística que irá verificar se há estoque do material ou não. Não havendo blanks em estoque, a logística envia o pedido através de e-mail ao fornecedor de blank.

No caso da peça, a logística recebe, via sistema, um filme de produção que contém a demanda de veículos que irá ser colocada na linha de produção, através deste um programa irá “explodir” a demanda de veículos em peças, para, então, após verificação do estoque, ser enviada a demanda via EDI à estamparia. É a demanda de veículos que irá ser colocada na linha de produção.

6.5 ESTOQUES DE SEGURANÇA

No caso de um eventual incidente do blank ou da peça (com, p. ex.: EDI, embalagens, quantidades, qualidade, identificação, etc.), o estoque de segurança irá garantir a continuidade do trabalho da linha de produção. Por isto que, por questões estratégicas, tanto na Renault- Nissan quanto em seus fornecedores há tal estoque.

Para ser estipulado número de dias de estoque de segurança nos fornecedores, a Renault-Nissan pontua os mesmos conforme os seguintes indicadores: incidentes ocorridos, taxa de serviços e auditorias. Desta forma, a mencionada exigência pode variar de cinco até trinta dias firmes de produção, conforme cálculo apurado e repassado anteriormente.

Atualmente, o estoque de segurança existente na montadora equivale até a cinco dias de produção, dependendo da confiabilidade e da situação geográfica do fornecedor.

6.6 EMBALAGEM

A embalagem serve para acondicionar e manter a integridade da peça, protegendo-a do tempo, da poeira e de outras condições ambientais (como: taxa de umidade, ambiente eletrostático, etc.). Desta forma, a embalagem garante a qualidade da peça durante seu transporte do fornecedor até a Renault-Nissan.

Objetivando evitar o comprometimento de todo o lote (que é composto por diversas embalagens), em caso de reprovação do material, cada embalagem contém uma única referência de blank/peça com origem distinta de bobina.

No circuito “running 1”, circuito entre fornecedor e Renault-Nissan, todas as embalagens são da Renault-Nissan e são desenvolvidas sempre levando-se em conta o modo de aprovisionamento das chapas nas prensas automatizadas, a garantia da qualidade da peça, baixo custo de manutenção e limpeza, vida útil, material reciclável, a freqüência em que irá ser feito o transporte das peças, a reutilização e a integridade física dos usuários.

As embalagens standarts podem ser classificadas quanto às dimensões – em GE (Grandes Embalagens) e PE (Pequenas Embalagens) – e quanto ao material (racks de madeira, plásticos ou metálicos). Entretanto, a definição da embalagem a ser utilizada dependerá da dotação das peças e da distância (fluxo de aprovisionamento) entre o fornecedor e a Renault-Nissan, pois as embalagens não poderão tombar durante o transporte entre o estoque das peças e a linha de montagem.

6.7 TRANSPORTE

A Renault-Nissan é responsável pelo circuito “running 1”, ou seja, entre montadora e o fornecedor, de estampado, quando POE, ou de blank, quando POI. Neste circuito adota-se o sistema “milk run” que é semanal, o qual permite o fracionamento dos volumes e, por conseqüência, a desnecessidade de um maior estoque de segurança. Em contrapartida, não chega a atuar ou se responsabilizar pelo transporte, ou embalagem, no circuito entre a siderúrgica e o fornecedor de estampados – chamado de “running 2”.

O serviço de transporte, quando de responsabilidade da Renault-Nissan, é tercerizado e muito bem otimizado de maneira a garantir aproveitamento do carregamento e qualidade à carga transportada.

As embalagens utilizadas neste sistema são de propriedade da Renault, uma vez que o material quando recebido para a industrialização vai direto à linha de montagem.

Sempre quando há o transporte de embalagens para o fornecedor localizado fora do Estado do Paraná, é necessário que as embalagens estejam acompanhadas das respectivas notas fiscais. Considerando a variação do volume de peças aprovisionadas, a Renault-Nissan emite com freqüência uma nova nota fiscal pertinente às embalagens cada vez que as encaminha para o transporte interestadual.

6.8 QUALIDADE

A Aliança Renault-Nissan sempre se preocupou com a qualidade de seus produtos e serviços, desde a matéria prima até o produto final. Desenvolve ações em comum junto aos fornecedores e adota as melhores práticas ao desenvolvimento e fabricação das peças.

Como princípio, entende-se que todo fornecedor Renault-Nissan deva ser acreditado nos requisitos específicos da ISO/TS 16949, onde estarão especificadas as exigências fundamentais do Sistema de Qualidade de fornecedores da Indústria Automobilística, e a NBR ISO 9001/2000, que trata dos requisitos de Gestão de Qualidade de uma organização para avaliar a capacidade desta em atender os requisitos do cliente, os regumentares e os da própria organização. Por conseguinte, esta certificação pode ser utilizada para fins internos ou externos.

Ainda, quanto à qualidade, conta com o Procedimento de Qualidade de Novos Produtos da Aliança (ANPQP) – desenvolvido para padronizar as exigências mundiais da Renault e da Nissan para os veículos desenvolvidos após a aliança, quanto à qualidade, custo e prazo –, além de outras exigências complementares, como, por exemplo, a QS 9000.

Ressalta-se que é de responsabilidade dos fornecedores Renault-Nissan a garantia de que os sistemas de qualidade de seus subcontratados estejam adequados às certificações exigidas.

Destarte, a Renault-Nissan realiza auditorias junto aos seus fornecedores a fim de verificar as conformidades ou não com os sistemas de qualidade exigidos. Caso inexistam conformidades, é feito um relatório para seguimento de ações corretivas e melhoria do sistema de gerenciamento implantado.

Após o levantamento da atual forma de aquisição do aço estampado com a identificação de seu aprovisionamento, estoque de segurança, embalagem, transporte,

qualidade e de seus aspectos jurídicos e fiscais, torna-se de relevante importância que seja feita a cotação do estampado junto às siderúrgicas nacionais, conforme declinado no capítulo 7.