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INNLEDNING

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O que é ensinar para você?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, nós educadores não somos soberanos, detentores do conhecimento. Nós somos guia. A gente está em sala de aula para ajudar a dar ferramenta para os alunos poderem encontrar o caminho que eles precisam achar para ter o conhecimento. É essa a ideia que eu tenho de educação!

Como é a sua prática, o seu ensinar?

Infelizmente até por conta do sistema que a gente vive é um pouco complicado fazer uma aula menos centrada no professor e mais centrada no aluno. Eu consigo trabalhando aqui (refere-se ao colégio onde atua) por conta do bilíngue e por conta de como essa escola é estruturada, porque tem escola que não favorece esse tipo de educação. Você acaba tendo que se conformar com o sistema da escola. Eu tenho consciência de quando a aula está muito centrada em mim. Tanto que eu já sai de um colégio por causa disso. Porque a forma que eu trabalhava me incomodava profundamente porque eu não conseguia fazer o que eu acho que deveria estar fazendo. Fiz o meu melhor, mas eu não achava que ainda era bom o suficiente.

Você vê a tecnologia como potencializadora de sua aula? Traz contribuições para a sua aula?

Com certeza. Se você conseguir tratar desse jeito, o professor como um guia, se conseguir trazer a tecnologia a favor do conhecimento, sim! Existe também uma concepção errada que usar tecnologia é projetar Power Point. Isso não muda nada. Continua ao invés de ler no livro você ler no Power Point. Acho que há uma concepção errada de que: “Ah inserir tecnologia significa usar o projetor”. Não! Ou “levei meus alunos para fazer um exercício no laboratório”. Continua sendo um exercício que ao invés deles escreverem no livro eles digitam no computador. Só fica diferente porque o ambiente é mais agradável para o aluno. Não muda nada.

Recentemente, os textos que a gente tem nos livros do bilíngue, o que acontece? Alguns são muito densos, cansativos para os alunos trabalharem. A gente está vendo um texto sobre aquele primeiro imperador chinês Qin Shihuang que obviamente meus alunos não iam ler porque eles achariam um saco, pois estão naquela fase... 7º ano. Ao invés de lerem aquele monte de informações, a gente fez uma webquest e eles tiveram que efetivamente fazer alguma coisa. Dentro do grupo, tiveram um tempo determinado e tiveram que se dividir e cada um teria que pesquisar por uma resposta, pesquisar em vários textos que eles leram aqui e ali e colocaram e mandaram para mim. Ai a gente fez uma discussão em cima disso depois. Nem todo mundo encontrou as mesmas informações. Foi bastante rico nesse sentido. Um grupo descobriu uma coisa, outro outra. Eles conseguiram fazer essa busca dos textos que eles tinham que ler. Foi bastante

13 centrada no aluno. Eu praticamente só fiquei assistindo. Muitas vezes eles perguntavam: mas está certo? Eu devolvia: o que você acha? Você leu de quantas fontes. Essa é mais confiável que aquela? E eu fui guiando.

Eles me mandavam as respostas por e-mail. Na verdade foi a primeira webquest deles. Eles nunca tinham feito webquest na vida. Na verdade a gente até poderia ter feito com eles fazendo perguntas. Esse poderia ter sido o ponto inicial, de partida. O grande problema é que eles não tinham conhecimento do assunto eu preciso montar um guia porque senão eles não vão conseguir. Acho que a grande sacada da webquest é conseguir colocar fontes mais confiáveis e menos confiáveis, variedade de coisas mais científicas, coisas mais lúdicas, tem vídeo, tem áudio, imagens para conseguir responder aquilo que eles teriam que responder.

A tecnologia traz uma nova competência para você como professora?

Eles precisam entender que não é copia e cola e que na verdade eles têm que fazer uma leitura e não acreditar na primeira coisa que aparece em um site de busca. Que olhem diversos. Acontece de você pedir para eles escreverem sobre um assunto x e eles usarem o copia e cola. Ai eu dou nota para o site e consequentemente eles ficam sem nota porque eu preciso criar essa consciência. Não existe problema em olhar e ler. Existe problema em copiar e colar, em copiar alguma coisa de alguém, plagiar sem citar a fonte. Ele diz: eu só coloquei para ilustrar. Ok, você colocou para ilustrar um parágrafo inteiro da National Geographic e você quer que eu dê uma nota para você?! Então deixe explicito que é uma citação.

Tem alguma outra experiência, além da webquest com o uso da tecnologia?

Dificilmente a gente encontra para comprar no Brasil livro bilíngue. É muito comum eu comprar e-books, porque eu passo para o tablet. Apesar de não ser o meu favorito porque eu os alunos pequenos precisam manusear os livros, é muito comum eu usar o e-book com os meus alunos. Porque é muito difícil você encontrar aqui. Como eu não posso esperar, eu baixo no meu tablet e quando eles precisam manusear de alguma forma eles usam o meu. Tem toda uma questão de cuidado com o meu equipamento porque eles são pequenos ainda, 1º ano.

Outra coisa que eu uso bastante e que nós temos aqui na escola são os programas do laboratório de línguas. Eu faço um trabalho que eu não conseguiria fazer sem o uso da tecnologia que é gravar a voz do aluno. Então eu consigo numa turma, por exemplo, de Fluency e Development que eu preciso estar atenta a oralidade dos alunos eu não consigo numa sala de 18, 20 alunos dar conta de prestar atenção em cada situação de produção de cada aluno o tempo inteiro. No laboratório eles gravam, eu ouço em casa, eu marco onde foi o erro, que tipo de erro foi, coloco comentário como: olha cuidado com o som. Eles conseguem ter acesso a esse feedback com essas marcações que eu faço. O que eles erraram o que eles pronunciaram errado. É um jeito muito legal de eu ter acesso e trabalhar o individual e deles terem um feedback individual.

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Eles trazem dispositivos móveis conectados para a sala de aula?

Os alunos do 6º/7º anos, não trazem o dicionário. Até tem na lista de material, mas eles não vão ficar carregando dicionário. É muito mais fácil eles olharem no tablet, no celular. E eu permito. Já aconteceu de pedir para tirar uma foto da lousa. Tira e guarda!

Quer tirar uma foto do objetivo que eu coloquei na lousa. Tira e guarde. Não tira por tirar. Inclusive é muito comum quando eles têm alguma atividade relacionada com o vocabulário, eles acessam sim, porque muitas vezes eu preciso. Uma das atividades que eu faço com vocabulário é: eu dou uma palavra para achar a definição, achar o sinônimo, achar o antônimo. Isso eles fazem com dicionário on line. Teve um atraso na entrega do nosso livro. Eu acabei de receber. Nosso livro é um livro virtual. Agora eu posso te falar como vai ser esse uso. Mas acho que vai ser bem interessante porque eu consigo na minha plataforma como professora criar grupo (eu já criei um para o 7º ano), posso mandar um torpedo pela plataforma, mandar lição pela plataforma, avaliá-los por via essa plataforma.

Quando você permite que eles se conectem para fazer uma atividade, eles fazem uso desses dispositivos para outras atividades não relacionadas à sala de aula, como por exemplo, acessar rede social, mandar e-mail?

Às vezes acontece, mesmo sem eles estarem usando para a finalidade da aula. Eles deixam debaixo da mesa e olham. Eu oriento quando eu acho que não é legal, eu chamo atenção porque tá prestando atenção em outra coisa e não naquilo que precisa prestar. Isso vai atrapalhar. Mas por outro lado, um professor meu na faculdade disse: me prove que você é um bom multitarefa que eu não vou encher o seu saco. Eu sou muito assim. Eu sou de uma geração que cresci com o computador, eu fui letrada já com ele. Para mim eu consigo sentar numa sala, assistir a aula, ver uma mensagem e não perder o foco. Então não dá para deixar totalmente à vontade, mas não dá para evitar totalmente esse tipo de situação até porque é muito rápido ver uma mensagem, por exemplo. Acho que tem situações e situações. Não dá para ficar jogando no meio da aula, por exemplo.

Como você lida com o aluno que confronta a sua informação quando ele tem dispositivos móveis onde a informação está na palma da mão dele?

Uma atividade de vocabulário e eles acharam um sinônimo que eu não conheço. E ai eu falo “eu não conheço”. Vou pesquisar. Eu não sou um dicionário ambulante ainda mais da minha segunda língua. Então eu deixo muito claro para eles que eu não sei tudo também. E tudo bem. Isso aconteceu essa semana. Eu não sei, eu vou pesquisar. O que acontece com algumas palavras é que elas podem ter um significado dentro de um contexto muito especifico.

O fato de você ser uma boa usuária de tecnologia facilita sua ação como professora.

Sim porque eles lidam com isso com muita facilidade. E ai se você não consegue. Eu tenho colegas que não conseguem. Eu não uso porque eu não vou saber como fazer.

15 Porque eu não sei usar uma webquest. Tenho colegas que nem tocam. E talvez até lidar com a questão de uma informação que eu não sei. Tem profissional que não sabe lidar com isso na frente do meu aluno. Na verdade existe a questão técnica e a questão de não saber lidar com tudo o que a tecnologia permite. Olha no Google, porque ele sabe que.

Você já propôs alguma atividade extra sala de aula.

Até porque eu comecei a trabalhar com a faixa etária que me permite isso agora, 6º e 7º ano. Pouca prática e poucas atividades assim falta um pouco de filtro ainda para eles utilizarem do jeito que tem que ser utilizado porque se eu pedir para eles façam de qualquer jeito é melhor nem fazer. Ano passado pedi para um aluno pesquisar sobre e ele me contou que ele viu o vídeo e ele chegou a própria conclusão e trouxe para a sala o que eles fez. É uma coisa que infelizmente os alunos não sabem fazer. Eles procuram no Google, acham a primeira coisa que aparecer, copia e cola e vão trazer. A webquest foi uma tentativa de mostrar também que a gente precisa de um trabalho para pesquisar a fonte. Não dá para pegar uma Wikipédia e colar até porque aquilo nem sempre é confiável. Talvez se muitos professores fizessem isso.

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