2 METODER
2.3 Filtermediene
Ensinar:
Construir, reconstruir e desconstruir conceitos, conhecimentos.
Como é o seu ensinar
Eu vou problematizando, levantando hipóteses e trazendo o conhecimento prévio dos alunos para chegar onde eu quero e nesse processo, vou fazendo minhas intervenções. Os conceitos acadêmicos que trazemos para a sala, elas não são estanques. São inconstantes, estão em movimento, em constante mudança. Eles mesmos trazem, eles constroem, reconstroem, e até a vida adulta vão questionar muito os conceitos que hoje nós ensinamos. Isso vai mudando. Todos eles estão inseridos em contextos muito diferentes. Cada família tem um conhecimento seja pelo meio social, seja pela religião, pelo clube. Todos esses espaços são também espaços de criação do conhecimento, de cultura, de história. Então você não pode desvalorizar, ignorar o que eles conhecem.
Nesse processo, a tecnologia ajuda. Você faz a sua aula diferente com ela?
Eu até conseguiria fazer sem a tecnologia, mas demoraria mais. Vou te dar um exemplo de uma aula que dei há duas semanas para um 5º ano. Era uma aula de vocabulário. Nenhuma das palavras eles sabiam porque eram todas palavras novas. Alguns trouxeram tablet, outros celulares, notebooks, netbook. Eu disse assim: vocês têm essas palavras. Eu quero que vocês discutam com o grupo e me tragam algumas definições para essas palavras. O que vocês sabem, o que vocês já ouviram, o que vocês encontrarem. Eram palavras acho que o termo é cognatas.
O que eu fiz: cada um deles criou uma apresentação dentro do Google drive. Eles não tem e-mail então eu abri um que é da sala, que eles tivessem acesso. Eu consegui projetar, depois que eles já tinham colocado e eles começaram a discutir o que o outro tinha colocado, porque sim, porque não. Foi muito rápido, isso não demorou mais de dez minutos. Se eu não tivesse a tecnologia eu poderia até fazer, mas eu teria ver o que cada um fez, alguns poderiam ficar acanhados. Ficaram todos sem nome, então as definições estavam lá, criadas pelos alunos, sem eles se exporem nesse primeiro momento. Cada um deu seu palpite, sua opinião. Esse não seria um caso que eu poderia fazer sem a tecnologia. Eu cheguei na definição que eu queria chegar. Esse trabalho foi feito na sala. Eu fiz muito breve. Primeiro passo, segundo passo, terceiro passo. Mais de três passos eles se perdem.
Isso eu consigo fazer também no laboratório de línguas todos na mesma rede ou no laboratório de informática.
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Saindo dos laboratórios e trazendo os dispositivos móveis com acesso à internet para a sala de aula. Quando eles estão on line para pesquisar e contrapõe-se a uma informação que você está trazendo, como você vê essa situação e lida com ela
Eu propus um trabalho que comparava a páscoa judaica com a páscoa cristã. Uma das fases deste projeto foi pesquisar diferenças e similaridades que existem nesse tipo de comemoração. Eu tinha feito uma pré-pesquisa para saber, me preparei. Mas da páscoa judaica eu não conheço tanto assim. Então, na minha pesquisa, claro, eu achava que estava super preparada. Quando eu cheguei à sala e eles começaram a pesquisar, algumas coisas que eu havia trazido não estavam erradas, mas não estavam completamente certas. Ai eles começaram: não professora, mas eu achei isso aqui! Esse site diz isso, diz aquilo! Que eu fiz: é uma prática do 5º ano trabalhar o que é uma informação confiável na internet. Então primeiro passo: esse site é confiável? Então que trouxe: Ah, eu achei no Yahoo resposta. Ah isso não é um site confiável. Vamos desconsiderar isso porque qualquer pessoa pode postar. É um site bom porque era um site com referência. Outra pegou da Enciclopédia Britânica. É um site confiável! Eliminamos sites que não seriam confiáveis e ai eu peguei tudo o era confiável e juntos refizemos a resposta, criamos uma nova. Para mim isso é muito tranquilo. Eu lido com isso em mim. Se eu não posso mostrar meus erros, eles não vão se sentir confortável em errar. Eles têm que ver que o professor não é infalível, ele erra!
Alguns me perguntam assim: mas você não está certa? Eu falo: claro que não! Não sou judaica, minha família não é dessa religião, não nasci em um contexto judaico, não sou especialista no assunto é claro que eu vou errar!
Há uma diferença então na sala de aula, quando o aluno trabalha com uma informação que está apenas no livro e no professor, onde ele não teria como confrontar sua informação com outra fonte e chegar a uma conclusão que a informação que você traz pode estar errada.
Quando eu trabalho com o livro o aluno se torna um pouco mais acanhado de questionar porque está no livro e está certo. Ninguém questiona o livro. Na internet, em milhares de sites e de informações, até conflitantes, você se sente mais na liberdade para questionar.
Você acha que isso traz uma nova competência para o professor?
Há cinco anos eu não tinha um aluno que questionava minha informação. Jamais um aluno me diria isso.
Para ajudar o aluno a lidar com tantas informações como eu me sinto hoje? Meu novo papel como professora: como um curador de arte. No museu ele tem todos os quadros e ele tem que organizar os quadros em uma exposição, ele não pode misturar todos os quadros ele tem que pensar quais ajudariam a expor o romantismo, o barroco, o modernismo, por exemplo, em diferentes momentos, em diferentes espaços. Eu não preciso passar informações. Eu preciso ajudá-los a escolherem entre milhares de quadros que eles têm, quais formariam uma exposição que seja coesa, que tenha um propósito.
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O fato de você ser usuária de tecnologias ajuda na sala de aula? Na hora de pensar em uma atividade com alunos usando diversos dispositivos?
Seria muito mais difícil, porque eu não seria tão confiante. Se ele falar assim: esse site que você pediu para ver ele não funcionou no meu. Ah já sei, ele não tem flash, então é bem simples vamos abaixar esse flash aqui. Eu já sei, já usei muito a rede do colégio para testar os limites dela. Já sei o que a rede bloqueia, por exemplo. Se ele entra pelo Safári por exemplo, não vai funcionar. Tem algumas coisas que a rede ainda está se adaptando. O seu não vai funcionar mesmo, então vamos por outro caminho.
Quando eu comecei a usar a tecnologia na sala de aula, foi um momento muito frustrante. As minhas primeiras aulas eu pensava que se entrasse a diretora eu seria demitida porque eu não sabia o que eles estavam fazendo. Mas aos poucos eu fui entendendo que não é uma questão de controle, mas de orientação. Se esse aluno está bem orientado, se sabe o que fazer, se engajado, ele não vai se perder. Claro tem um ou outro, mas você consegue lidar com isso sem dificuldades. Mas isso eu tive que mudar minha forma de pensar. Controlar, não. Eu não preciso controlar nada. Eu preciso orientar. Para os alunos tecnologia não é uma coisa a mais, mas algo do dia a dia. Eu não desconsidero o livro, tem seus momentos. Ele também é tecnologia. O importante é o que eu faço com isso.
Tem pontos negativos nessa sua experiência com tecnologia que você mudaria, que não contribuiu para melhorar a sua aula?
Eu acho que sempre tem os dois lados. Por exemplo. Quando eu não testei para ver se tudo ia funcionar isso foi negativo. Não funcionou, trouxe uma frustração, perdeu a concentração do aluno. A tecnologia não é uma forma mais fácil de dar aula, muito pelo contrário. Você tem que se preparar muito bem! Quando eu não me preparei bem eu senti que foi um momento muito frustrante, tanto para mim quanto para os alunos. Eu ainda tenho muito para aprender, sempre. No inicio eu não pensei com o suficiente o que eles precisavam saber antes de trabalhar com tanta liberdade. São crianças ainda! Na primeira turma que eu fiz um trabalho com tecnologia, há 3 anos atrás, eu propus uma atividade sem ter trabalhado cidadania digital, letramento digital . A partir dessas experiências negativas que eu tive eu comecei a pesquisar e percebi que tinha muita coisa sobre isso. O eu avatar sou o mesmo eu pessoa. E tudo isso vem antes de você poder tocar uma atividade digital. Eu preparo eles melhor antes de iniciar um trabalho de tecnologia dentro da sala de aula.
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