O Plutão Bom Jardim de Goiás é um corpo semicircular com cerca 40 km² de área, alojado nas unidades metassupracrustais e metaplutônicas do Arco Magmático de Arenópolis. Mostra relações intrusivas com o embasamento, evidenciadas por xenólitos centimétricos a métricos da
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unidade metavulcânica (Fig. 3.6A). São rochas de tonalidade cinza (Fig. 3.6B), isotrópicas, com textura equigranular média a grossa nas partes centrais, tendendo a tipos mais finos nas bordas do corpo. Predominam tonalitos e granodioritos (Fig. 3.7A), com variação para quartzo monzodiorito.
Figura 3. 6: Feições macroscópicas de rochas do plutão estudado. (A) Tonalito equigranular médio contendo xenólito correlacionado à unidade metavulcânica (ponto MK1). (B) Variação textural de amostras representativas do PBJG: (I) tonalito cinza, equigranular, médio; (II) tonalito cinza, inequigranular, de textura média a grossa; (III) granodiorito cinza esbranquiçado, equigranular, de textura média.
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Cita-se, ainda, a presença de diques de leucogranito, que interceptam as rochas já mencionadas (Fig. 3.7B). Possuem com coloração esbranquiçada, textura equigranular média. Podem conter xenólitos centimétricos, com formas alongadas e subangulosas, correspondentes às unidades metavulcânica e plutônica intermediária.
Figura 3. 7: Aspectos de campo observados nos pontos MK1 (A) e MK15 (B). (A) Granodiorito mostrando contato sinuoso a interdigitado com tonalito. (B) Tonalito intrudido por dique de leucogranito de direção 80 Az.
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Para classificação das rochas do PBJG, foram consideradas a composição modal e a abundância de minerais máficos (Tab. 3.1). As porcentagens modais foram obtidas através da contagem de 1000 pontos por seção de amostras não coloridas para feldspatos, com o auxílio de um microscópio petrográfico Leica DMLP, acoplado a um contador de pontos manual e monitorado via aplicativo Petroledge (Abel et al., 2015). A estimativa do teor de anortita do plagioclásio tomou como base o ângulo de extinção em seções (010) pelo método Michel-Levy, assim como dados de química mineral (realizada na amostra MK-8).
Quando plotadas no diagrama de Streckeisen (1976), as amostras leucocráticas e melanocráticas são classificadas como tonalito, granodiorito e quartzo monzodiorito, enquanto a amostra do dique de leucogranito plota na transição granodiorito – monzogranito (Fig. 3.8). Tonalitos e granodioritos, os litotipos dominantes, são equigranulares, grossos a inequigranulares finos a médios, localmente com fenocristais de anfibólio, biotita e plagioclásio. Os minerais acessórios são microclima, clinopiroxênio, titanita, opacos e zircão, enquanto muscovita, sericita, clorita, carbonato e epídoto compõem as fases secundárias.
Figura 3. 8: Classificação das rochas do PBJG nos diagramas Q-(A+P)M e QAP de Streckeisen (1976), Q = Quartzo, A = Feldspato alcalino (K-feldspato + plagioclásio com <5% An), P = Plagioclásio (An>5%), M= total de minerais máficos. Séries magmáticas segundo Lameyre e Bowden (1982): Toleítica (T), Alcalina (A), Cálcio alcalina de baixo, intermediário e alto potássio (a, b e c, respectivamente).
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Tabela 3. 1: Composição modal das rochas do plutão Bom Jardim de Goiás.
LITOLOGIA
Quartzo
Monzodiorito Tonalito Granodiorito Leucogranito
AMOSTRA Mk1B MK8 MK15A MK16C MK18 MK19A Mk19B MK20 MK21 MK31 Média DP MK12 MK13 MK3A MK1A Média DP MK15-B Quartzo 12,4 13,5 17,5 22,4 22,5 8,3 22,0 24,9 24,6 18,8 19,4 5,5 17,7 18,3 18,1 18,2 18,1 0,3 34,1 Microclina 6,6 2,5 3,7 3,7 3,7 0,2 0,8 1,7 0,5 0,6 1,9 1,5 6,0 11,9 11,0 14,9 11,0 3,7 21,5 Plagioclásio 50,3 46,3 52,1 41,4 41,4 31,4 43,0 47,5 41,6 42,0 43,0 5,7 46,9 39,4 46,1 28,1 40,1 8,7 38,9 Biotita 8,5 9,3 11,0 7,6 7,6 5,2 5,0 16,0 4,0 15,3 9,0 4,4 9,4 2,6 5,2 15,6 8,2 5,7 3,4 Hornblenda 14,3 24,2 13,0 22,3 22,3 47,5 9,0 6,5 8,7 18,6 19,1 12,5 18,5 22,8 17,0 14,7 18,3 3,4 - Clinopiroxênio 1,0 - 0,3 - - 3,0 10,0 1,1 8,5 2,3 4,2 4,0 - 1,0 0,3 2,2 1,2 1,0 - Titanita 1,2 0,1 0,5 0,8 0,8 - 1,0 0,2 - 0,3 0,5 0,3 0,2 0,1 0,2 0,6 0,3 0,2 0,2 Zircão - - - 0,1 - - - 0,1 0,1 0,0 - - - 0,1 0,1 - - Opacos 1,3 0,2 0,3 1,1 1,1 0,4 6,5 0,2 6,6 0,5 1,9 2,7 0,4 0,8 1,2 0,3 0,7 0,4 0,2 Apatita 0,1 - - - - 0,1 - - - 0,2 0,2 0,1 - - - 0,3 0,3 - - Minerais secundários 4,3 3,9 1,6 0,6 0,6 3,8 2,7 1,9 5,5 1,3 2,4 1,7 0,9 3,1 0,9 5,0 2,5 2,0 1,7 Total 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 0 100 100 100 100 100 0 100 Q 17,9 21,7 36,1 39,4 33,3 20,8 33,4 33,6 36,9 30,6 31,8 6,5 25,1 26,2 24,1 29,7 26,3 2,4 36,1 A 9,5 4,0 22,8 1,3 5,5 0,5 1,2 2,3 0,7 1,0 4,4 7,1 8,5 17,1 14,6 24,4 16,2 6,6 22,8 P 72,6 74,3 41,2 59,3 61,2 78,7 65,3 64,1 62,4 68,4 63,9 10,6 66,4 56,6 61,3 45,9 57,6 8,7 41,2 Ʃmáficos 26,3 33,8 25,1 31,8 31,8 56,2 31,5 24,0 27,8 37,1 33,2 9,6 28,5 27,3 23,9 33,5 28,3 4,0 3,8 A+P 56,9 48,8 55,8 45,1 45,1 31,6 43,8 49,2 42,1 42,6 44,9 6,6 52,9 51,3 57,1 43,0 51,1 5,9 60,4
*DP Desvio Padrão; plagioclásio da amostra MK8 possui An32-34; Minerais secundários: Carbonatos, epídoto, e mica branca.
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O plagioclásio (determinado com andesina An32-34 na amostra MK8) ocorre em cristais prismáticos alongados, geminados na lei da Albita, com tamanhos de 2 a 6 mm (Fig. 3.9A). É comum o zonamento químico normal, demonstrado por alterações nas partes centrais para saussurita (Fig. 3.9 B). A hornblenda possui pleocroísmo forte (X’ = verde claro, Y’ = bege, Z’ = verde azulado), hábito subédrico ou anédrico em seções alongadas ou hexagonais, atingindo tamanhos entre 1-4 mm (Fig. 3.9A); pode alterar para clorita e epídoto ou, ainda, ter inclusões de clinopiroxênio, titanita, apatita e minerais opacos (Fig. 3.10A). Especificamente na amostra MK19A, há um enriquecimento considerável na quantidade deste mineral perfazendo até 56,2% da modal (tabela 3.1; Fig. 3.10B). Os contatos entre os cristais de plagioclásio e hornblenda são irregulares e intergranulares. A biotita é marrom escura, com tamanhos de ~0,2-0,3 mm, sendo preservada ou parcialmente substituídas por clorita, titanita e epídoto secundário
.
A microclina (~1 a 2 mm) apresenta maclas nas leis Albita-Periclínio e lamelas de exsolução pertítica tipo flaser. O clinopiroxênio é verde pálido, fracamente pleocróico, com tamanho de até 3 mm, sendo frequentemente observado como relictos no núcleo da hornblenda (Fig. 3.11A). Cristais euédricos a subédricos de titanita, em seções losangulares típicas (Fig. 3.9B), estão inclusos em biotita e plagioclásio. Os minerais opacos (~0,3mm) estão dispersos na rocha como cristais subédricos ou euédricos, em seções quadráticas a alongadas, em contatos irregulares ou como inclusões em hornblenda, clinopiroxênio, biotita e titanita. O zircão é anédrico, sendo observado como inclusões em biotita.
O dique de leucogranito tem textura equigranular média (Fig. 3.11B) e como fases acessórias apatita, biotita, minerais opacos e zircão, que podem ser encontrados como inclusões em plagioclásio e microclima. O plagioclásio ocorre em cristais euédricos; atinge tamanho 2 a 3 mm e possui núcleo parcialmente sausuritizado. O quartzo é anédrico (~0,3mm), usualmente intersticial e com extinção ondulante. Por fim, a microclima é anédrica (~0,3mm), exibindo geminação típica em padrão xadrez e exsolução pertita.
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Figura 3. 9: Texturas no PBJG. (A) Plagioclásio prismático e alongado, maclado, e seção basal de hornblenda com geminação simples e clivagens características (granodiorito, amostra MK1B, nicóis cruzados). (B) Plagioclásio prismático tabular com núcleo saussuritizado em contato com titanita losangular e biotita (tonalito, amostra MK8, nicóis cruzados). Abreviaturas usadas: Hb – hornblenda; Pl – plagioclásio; Bt – biotita; K-F – K-feldspato; Tit - titanita.
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Figura 3. 10: Texturas no PBJG. (A) Concentração de minerais opacos, inclusos em hornblenda, em contato com quartzo intersticial (tonalito, amostra MK8, nicóis paralelos). (B) Textura equigranular grossa de hornblenda tonalito (amostra MK19A, nicóis paralelos). Abreviaturas usadas: Hb – hornblenda; Qz – quartzo, Opc – minerais opacos.
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Figura 3. 11: Texturas no PBJG. (A) Relictos de clinopiroxênio no núcleo de hornblenda verde em contato com biotita e quartzo (tonalito, amostra MK20, nicóis paralelos). (B) Textura equigranular média de dique de leucogranito mostrando relações entre plagioclásio (alterado para mica branca nas partes centrais) e microclina (amostra MK15B, nicóis cruzados). Abreviaturas usadas: Cpx – clinopiroxênio; Hb – hornblenda; Bt – biotita; Qz – quartzo.
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CAPÍTULO 4 – ARTIGO
Química mineral e condições de cristalização do Plutão Bom Jardim de Goiás, Província Tocantins .
Mineral chemistry and crystallization conditions of the Bom Jardim de Goiás Pluton, Tocantins Province
Submetido a Geologia USP, Série Científica, em 09 de agosto de 2015.
Keyla Thayrinne Oliveira Coimbra1; Antonio Carlos Galindo1; Zorano Sérgio de Souza1; Rúbia Ribeiro Viana2
1
Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Avenida Senador Salgado Filho, 3000, Caixa Postal 1502, 59078-970 Natal, RN ([email protected], [email protected], [email protected])
2
Departamento de Recursos Minerais da Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá-MT ([email protected])
________________________________________________________________________________ Resumo
Intrusões graníticas pós-colisionais relacionadas ao Ciclo Brasiliano são de ampla distribuição no Arco Magmático de Goiás, porção central da Província Tocantins. O Plutão Bom Jardim de Goiás (PBJG) compõe o quadro destes corpos intrusivos de idade ediacarana, cujo embasamento é constituído por metasupracrustais e ortognaisses do Arco Magmático Arenópolis. De acordo com descrições petrográficas, as rochas do PBJG são classificadas em tonalito, granodiorito e quartzo monzodiorito. Neste trabalho, são apresentados dados de química mineral de anfibólio, plagioclásio, biotita e minerais opacos do PBJG e correlacionados com análises de anfibólio e biotita do Granito Serra Negra, um batólito pós-colisional do Arco Magmático Arenópolis, que é relativamente mais jovem do que o plutão em foco. O anfibólio do PBJG é subédrico ou anédrico, com características químicas apontando para anfibólio cálcico dos tipos edenita e Mg-hornblenda. O plagioclásio (andesina, An32-34) ocorre em grãos prismáticos ou ripiformes, geminados, com zonamento químico evidenciado por alterações acentuadas para sericita, epídoto e carbonatos no centro dos cristais. A biotita é marrom, lamelar, sendo parcialmente substituída por titanita, clorita e epídoto, correspondendo quimicamente a Mg-biotita enriquecida na molécula de flogopita. Os minerais opacos (~0,3mm; magnetita) são euédricos ou subédricos, em seções quadradas ou alongadas, encontrando-se usualmente como inclusões em hornblenda, clinopiroxênio, biotita e titanita. O teor de AlT da hornblenda indica pressão de cristalização do PBJG entre 2,4 e 5,0 kbar. Estes valores são coerentes com estimativas baseadas na presença de andalusita nas rochas encaixantes. O geotermômetro anfibólio-plagioclásio mostra temperaturas de 692-791 °C, relativamente mais baixas do que aquelas obtidas pelo geotermômetro de saturação de zircão em rocha total (794-813 °C), interpretada como mais próxima da temperatura de liquidus.
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Abstract
Granitic intrusions post collisional related to the Brasiliano cycle are widespread in the Arco Magmático de Goiás, central part of the Tocantins Province. The Bom Jardim de Goiás pluton (PBJG) makes up the framework of these intrusions of Ediacaran age, in which the basement is constituted by meta-supracrustals and orthogneisses of the Arenópolis Magmatic Arc. According to petrographic descriptions, the PBJG rocks are classified as tonalite, granodiorite and quartz monzodiorite. This paper presents mineral chemistry of amphibole, plagioclase, biotite and opaque minerals from the PBJG, and comparison with amphibole and biotite from the Serra Negra granite, a post-collisional batholith of the Arenópolis Magmatic Arc and relatively younger than the PBJG. The amphibole of the PBJG is subhedral or anhedral, with chemical characteristics of calcic-amphibole of edenite and Mg-hornblende types. The plagioclase (andesine, An32-34) occurs as prismatic or lath-like grains, twinned on the albite law, with chemical zoning evidenced by alteration to sericite, epidote and carbonates toward the centre of the crystals. The biotite is brown, lamellar, and partially replaced by titanite, chlorite and epidote; it corresponds chemically to Mg-biotite enriched in the phlogopite molecule. The opaque minerals (~0.3 mm; magnetite) are euhedral or anhedral, with quadratic or elongated sections and usually observed as inclusions within hornblende, clinopyroxene, biotite and titanite. The AlT content of hornblende indicates crystallization pressure of 2.4 to 5.0 for the PBJG. These values are consistent with the presence of andalusite in the hosting rocks. The amphibole- plagioclase geothermometer shows temperatures between 692-791 °C, that are relatively lower than those obtained from whole rock zircon saturation geothermometer (794-813 °C), interpreted as closer to the liquidus temperature.
Keywords: Tocantins Province; Ediacaran; Tonalites; Mineral chemistry.
________________________________________________________________________________
Introdução
A Província Tocantins, situada no Brasil Central, constitui uma das dez províncias estruturais brasileiras definida por Almeida et al. (1981), tendo sido formada pela convergência entre os crátons Amazônico, São Francisco / Congo e, possivelmente, o bloco Paraná, contribuindo para a formação do Gondwana ocidental. Neste contexto está o plutão Bom Jardim de Goiás (PBJG), objeto do presente estudo (Fig. 1A). Esta Província é constituída pelas faixas de dobramento Paraguai e Araguaia (bordas sul e leste do Cráton Amazônico, respectivamente), Arco Magmático de Goiás e Faixa Brasília (borda oeste do Cráton São Francisco). O Arco Magmático de Goiás é um orógeno acrescionário formado entre 900 e 600 Ma, subdividido em Arco Magmático Arenópolis e Arco Magmático Mara Rosa, sul e norte, respectivamente (Pimentel et al., 1999, 2000). O Arco Magmático de Goiás compõe-se de ortognaisses tonalíticos e granodioríticos, associados a rochas metavulcânicas e metassedimentares, afetadas em graus variados por zonas de cisalhamento transcorrente e/ou de cavalgamento do final do Neoproterozoico.
Em ambos os arcos magmáticos, ocorrem intrusões graníticas (biotita granito e leucogranito a duas micas) e gabro-dioríticas, pouco ou não deformadas, que constituem uma associação bimodal tardia a pós-orogênica, com idades que variam entre 630 e 590 Ma (Pimentel et al., 1996, 1999),
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Petrologia do plutão Bom Jardim de Goiás (PBJG): Implicação na evolução Neoproterozoica da Província Tocantins 42 além de corpos intrusivos de natureza máfica-ultramáfica (Pimentel et al., 2000). O Arco Magmático Arenópolis é formado por rochas de natureza cálcica a cálcio-alcalina, divididas em: i) ortognaisses, portadores de hornblenda e biotita, apresentando feições como enclaves máficos deformados, diques leucocráticos tardios e texturas porfiríticas reliquiares que atestam a natureza plutônica dos protólitos, metamorfisados na fácies anfibolito; ii) Supracrustais compreendendo metabasaltos, metandesitos, metadacitos, metarriolitos, mármores impuros, metachert, anfibolitos e metapelítos, metamorfisados nas fácies xisto verde e anfibolito (Pimentel et al., 1996, 2004).
Os protólitos ígneos das sequências ortognáissicas e metavulcânicas que compõem o Arco Magmático de Arenópolis cristalizaram em dois eventos distintos, descritos a seguir. Entre 950 e 800, Ma, estão rochas de natureza metaluminosa, representadas pelos ortognaisses Arenópolis, Matrinxã, Sancrelândia, Iporá e as metavulcânicas de Arenópolis. Entre 764 e 587 Ma, estão rochas de natureza meta a peraluminosa, representadas pelos gnaisses Firminópolis, Turvânia, Palminópolis e metavulcânicas das sequência Jaupaci e Iporá (Pimentel et al., 2000, 2004; Laux et al., 2004). Intrusões pós-orogênicas compõem eventos de 590-560 e 508-485 Ma, respectivamente granitos cálcio-alcalinos tipo I e granitos alcalinos tipo A (Pimentel et al., 2000).
Neste trabalho, são apresentados resultados de química mineral realizadas em anfibólio, plagioclásio, biotita e minerais opacos do PBJG e confrontados com análises de anfibólio e biotita, provenientes do Granito Serra Negra. Optou-se por estudo desses minerais considerando que os mesmos são comuns em rochas ígneas intermediárias a ácidas e podem fornecer informações essenciais para compreender a petrogênese de rochas graníticas.
Metodologia
Para classificação dos litotipos presentes na área, foram analisadas 15 lâminas delgadas, confeccionadas no Departamento de Geologia da UFRN. As porcentagens modais foram obtidas através da contagem de 1000 pontos por seção, com o auxílio de um microscópio petrográfico Leica DMLP do Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica da UFRN, acoplado a um contador de pontos manual e monitorado via aplicativo Petroledge (Abel et al., 2015). A determinação do teor de anortita do plagioclásio tomou como base os dados de química mineral da amostra MK-8. Para as demais amostras, seguiu-se a metodologia da seção ortogonal a face (010) segundo Michel-Lévy.
As análises de química mineral foram feitas no Instituto de Geociências da UnB. Foi usada uma microssonda eletrônica modelo EMP-JEOL JXA-8230, equipada com quatro espectrômetros operando com aceleração de voltagem de 15 kV, corrente de 10-8 nA, tempo de contagem de 10 s,
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Petrologia do plutão Bom Jardim de Goiás (PBJG): Implicação na evolução Neoproterozoica da Província Tocantins 43 utilizando minerais sintéticos e naturais como padrões. Os erros analíticos são de ordem de ± 0,5-2% para SiO2, Al2O3, Fe2O3, MgO, MnO, CaO e TiO2, e 4,5-5,6% para Na2O e K2O.
Os resultados geoquímicos utilizados para discutir parâmetros intensivos de cristalização, através da saturação em Zr (ppm) em rocha total, foram obtidos a partir da análise química de 14 amostras representativas do PBJG (Coimbra, 2015) que foram preparadas no Laboratório Multiusuários de Técnicas Analíticas (LAMUTA) do DRM-UFMT utilizando o moinho de disco (marca AMEF) modelo AMP1-S com panela de carbeto de tungstênio. Depois de reduzidas a pó, as amostras foram enviadas para o laboratório ALS Minerals (Goiânia, GO). Os procedimentos das análises seguiram a rotina disponibilizada no catálogo analítico da ALS Minerals (disponível em http://www.alsglobal.com/en/Our-Services/Minerals/Geochemistry/Downloads). Os elementos maiores foram analisados pelo método ICP-AES (Plasma de Indução Acoplado - Espectrometria de Emissão Atômica), e os elementos traço e terras raras por ICP-MS (Plasma de Indução Acoplado - Espectroscopia de Massa).
Geologia do PBJG
O PBJG é um corpo semicircular com cerca de 40 km² de área. Está alojado nas unidades metaplutônicas e metassupracrustais do Arco Magmático de Arenópolis (Fig. 1B). Análises U-Pb em zircão por laser ablation sugerem uma idade de cristalização de 550 ± 12 Ma para o plutão. Relações temporais com outros corpos neoproterozoicos intrusivos da região indicam que os mesmos compõem o quadro de corpos pós-colisionais brasilianos do Arco Magmático de Arenópolis (Coimbra, 2015).
As exposições do embasamento são raras, ocorrendo principalmente em drenagens na forma de lajedos e blocos, e por vezes como xenólitos decimétricos ou métricos no plutão. As relações de contato entre o complexo granitoide gnáissico e a sequência metassupracrustal do Arco Magmático de Arenópolis são tectônicas, e com as rochas plutônicas evidenciam discordância intrusiva (Pimentel et al., 1991). Os ortognaisses são representados por biotita gnaisses cinza, frequentemente milonitizados, com texturas ígneas preservada. As metassupracrustais compreendem metadacitos, metariolitos e metassedimentos diversos. As rochas metavulcânicas ocorrem principalmente em faixas miloníticas; nestes locais são comuns estiramentos de quartzo e feldspatos, além de boudinage de bandas silicosas, e ainda sheets de biotita gnaisses extremamente estirados e concordantes com a foliação milonítica das metavulcânicas com mergulho forte (80º) para norte e perpendiculares a lineação milonítica de mergulho fraco (12º) para ENE.
As rochas metassedimentares são caracterizadas pela presença de aluminossilicatos (cordierita, fibrolita e andalusita), que indicam metamorfismo de baixa pressão na fácies anfibolito
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Petrologia do plutão Bom Jardim de Goiás (PBJG): Implicação na evolução Neoproterozoica da Província Tocantins 44 (P < 4 kbar, T < 600°C), sugerindo que a intrusão do PBJG se deu em crosta relativamente fria. As microtexturas observadas nas rochas desta unidade são lepidogranoblásticas e granolepidoblásticas, inequigranulares finas a médias. Localmente, a xistosidade continua é marcada pela recristalização de micas e quartzo, dispostos em cristais orientados, com tamanhos menores que 1 mm ou ainda por fibrolita. A mineralogia essencial é constituída por: quartzo, microclina e plagioclásio. Os acessórios são: muscovita, cordierita, fibrolita, andalusita, turmalina, minerais opacos e apatita (Coimbra, 2015).
Figura 1: (A) Mapa esquemático localizando a área de estudo, mostrando os principais elementos do sistema orogenético Brasiliano/Pan-Africano (modificado de Viana et al., 1995). (B) Mapa geológico simplificado do Plutão Bom Jardim de Goiás (Coimbra, 2015).
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As relações de contato entre o PBJG e as rochas do embasamento são intrusivas, evidenciadas por xenólitos centimétricos a métricos de rochas metavulcânicas (Fig. 2A). Os litotipos do plutão possuem tonalidade cinza (Fig. 2B), são estruturalmente isotrópicos, com textura equigranular média a grossa nas partes centrais, tendendo a tipos mais finos nas bordas do corpo. Predominam tonalitos e granodioritos (Fig. 2C), com variação para quartzo monzodiorito. Por fim, citam-se diques tardios de leucogranito que interceptam as rochas do embasamento e demais litotipos do plutão (Fig. 2D). Características geoquímicas do PBJG apontam para granito do tipo-I, pós-colisional. Os litotipos dominantes, tonalito e granodiorito, são rochas intermediárias de potássio baixo a intermediário e natureza cálcio alcalina (Coimbra, 2015).
Figura 2: Fotografias das relações do plutão estudado e rochas encaixantes. (A) Tonalito com xenólito anguloso da unidade metavulcânica. (B) Aspecto macroscópico de tonalito. (C) Granodiorito em contato com tonalito. (D) Dique de leucogranito intrusivo em tonalito.
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Petrologia do plutão Bom Jardim de Goiás (PBJG): Implicação na evolução Neoproterozoica da Província Tocantins 46
- Petrografia
As rochas intermediárias são classificadas como tonalitos, granodioritos e quartzo monzodioritos, e a amostra mais evoluída, representativa do dique, como granodiorito / monzogranito (Tab. 1; Fig. 3). A composição modal mostra que são rochas essencialmente leucocráticas a mesocráticas, tendendo a seguir a série de diferenciação cálcio-alcalina de potássio baixo ou médio. A textura das rochas do PBJG é equigranular grossa a inequigranular fina a média, localmente com fenocristais de anfibólio e plagioclásio. O litotipo dominante é o tonalito, no qual os critérios texturais indicam que magnetita, zircão e titanita são fases minerais precoces, seguidos de hornblenda, plagioclásio e biotita. A magnetita tem granulação média (0,3 mm) e hábito euédrico ou subédrico, mostrando contatos irregulares ou incluída em hornblenda (Fig. 4A), clinopiroxênio, biotita e titanita. O zircão ocorre como grânulos inclusos em biotita. A titanita é euédrica a subédrica, comumente em seções losangulares (Fig. 4B).