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36-81% dos cognatos e como famílias de uma “descendência” (stock) se compartilham 12- 36% dos cognatos. Pela “descendência”, os léxicos estatísticos não precisam identificar as línguas como descendentes de uma língua ancestral comum; ao invés disso, o termo re- conhece que as línguas dentro de uma região podem ter a oportunidade de entrarem em contanto uma com a outra. Greenberg (1957) fornece quatro casos de semelhanças lexicais entre as línguas, apenas dois deles sendo rela- cionados historicamente: relações genéticas e empréstimo. Os outros dois casos são o sim- bolismo compartilhado - onde os vocabulá- rios compartilham motivações similares, icô- nicas ou indicadoras - e, finalmente, o acaso. Woodward (1978) é um dos primeiros lingüistas de sinais a conduzir uma pesqui- sa léxico-estatística em línguas de sinais. Ele comparou o léxico da Língua de Sinais Fran- cesa (LSF) de um dicionário de língua de sinais com a ASL, onde alguns sinais foram elicitados de um homem surdo mais velho e outros sinais de um sinalizante de ASL mais novo. Esse pesquisador iniciou com uma lista de 200 palavras nucleares da Lista de Swadesh, uma ferramenta comum entre an- tropólogos para elicitar um vocabulário bá- sico, mas excluiu os numerais, pronomes e partes do corpo, porque esses são altamente icônicos e indicadores. Com relação às 77 pa- lavras restantes de sua lista que se repetiram no dicionário da LSF, ele encontrou 61% de cognatos nas duas séries de comparações da LSF entre um surdo mais velho e um sinali- zante mais novo. Substituindo a lista modifi- cada de vocabulários nucleares por todos os 872 sinais disponíveis no dicionário da LSF, ele descobriu que o número de cognatos caiu ligeiramente para 57.3-58%, nas duas séries de sinais da ASL. Woodward conclui que,

ao contrário dos resultados de estudos ante- riores em línguas de sinais que afirmavam a origem da ASL na LSF, é mais provável que algumas variedades das línguas de sinais nos Estados Unidos tenham surgido antes de qualquer contato com a LSF, após o processo de creolização.

Woodward (1991) também comparou variedades de línguas de sinais encontradas na Costa Rica. Com resultados variando de 7 a 42% de cognatos, ele concluiu que existem, pelo menos, quatro línguas distintas na Costa Rica. Em um terceiro estudo, ele comparou as variedades das línguas de sinais na Índia, Paquistão e Nepal com resultados variando entre 62-71% cognatos (Woodward, 1993). Conclui que essas variedades são línguas se- paradas, mas pertencem à mesma família de língua. Do mesmo modo, a Língua Moderna de Sinais Tailandesa Padrão e a ASL compar- tilham 57% de cognatos, o que faz delas lín- guas distintas historicamente relacionadas, devido ao contato entre os educadores ame- ricanos de surdos e usuários surdos da Língua de Sinais Tailandesa (Woodward, 1996).

McKee et al. (2000) usam a lista modifi- cada de vocabulário nuclear de Woodward, de 100 conceitos, para estabelecer a relação entre a Língua de Sinais da Nova Zelândia (NZSL), a ASL, a Língua de Sinais Australiana (Auslan) e a Língua de Sinais Britânica (BSL). Os vocabulários foram retirados de dicioná- rios e CD-ROMs de suas respectivas línguas de sinais. Os pesquisadores identificam os si- nais como cognatos se todos os parâmetros fonéticos (configuração de mão, localização, movimento e orientação da palma) são idên- ticos ou se apenas um dos parâmetros é dife- rente. O vocabulário que se enquadra nessa segunda categoria é denominado relaciona-

do-mas-diferente, ou vocabulário similar o

Kinda Al-Fityani e Carol Padden

Questões T

eóricas das P

esquisas em Línguas de Sinais

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descobriram que entre 79-87% dos vocabu- lários do Auslan, BSL e NZSL são cognatos, o que os classificaria como dialetos de uma língua comum. Os pesquisadores esperavam esse alto grau de similaridade, já que a Aus- lan e a NZSL têm origens coloniais: a BSL foi trazida para a Austrália e Nova Zelândia pe- los educadores de surdos e outros imigrantes do Reino Unido. Além disso, tem havido um freqüente contato entre surdos da Austrália e da Nova Zelândia. Tal fato contrasta com a situação da ASL, que não apresenta ligação histórica com as outras três línguas de sinais. Como esperado, os pesquisadores descobri- ram que apenas de 26-32% do vocabulário da ASL é idêntico ou similar ao vocabulário da Auslan, da BSL e da NZSL, confirmando que a ASL é uma língua separada das outras três.

McKee et al. reconhecem que alguns lin- güistas criticam o método de se empregar vo- cabulários nucleares e seletivos. Pelo fato de serem conceitos de alta freqüência, tais voca- bulários podem superestimar as similarida- des entre as línguas de sinais. Ao invés disso, esses pesquisadores preferiram vocabulá- rios aleatórios, para neles basear seu estudo léxico-estatístico. Alterando ligeiramente a metodologia de Woodward para dobrar o vocabulário que está sendo comparado e in- cluir mais vocabulários aleatórios, ao invés de vocabulários nucleares da Lista de Swadesh, McKee et al. descobriram que o número de cognatos entre a NZSL e a Auslan e a BSL caiu drasticamente para 65.5% e 62.5% res- pectivamente. Como esperado, os cognatos entre a NZSL e a ASL continuaram baixos, a 33.5%. Os pesquisadores argumentam que a taxa ligeiramente mais alta de similaridade entre a NZSL e Auslan do que aquela entre NZSL e BSL está relacionada à proximidade geográfica e às políticas educacionais históri- cas em que o Departamento de Educação da

Nova Zelândia introduziu o Sistema de Co- municação Total Australiano em 1979, que continuou a ser usado até o inicio da década de 90. Entretanto, eles tiveram dificuldade em afirmar se a NZSL é uma língua separada ou se é um dialeto da BSL, como no caso da Auslan. Enquanto os resultados da primeira análise mostraram que a NZSL era um diale- to da Auslan e da BSL, porque se enquadrou na taxa da léxico-estatística de 81-100%, a segunda análise sugere que a NZSL pertence apenas à mesma família, como a Auslan e a BSL, com uma significativa divergência ten- do ocorrido entre elas.

Currie, Meier, e Walters (2002) con- taram os cognatos em suas comparações léxico-estatísticas da LSM com a Língua de Sinais Francesa (LSF), Língua de Sinais Es- panhola (LSE), e Língua de Sinais Japonesa (NS). A LSM foi comparada à LSF já que há razões para acreditar que elas são relaciona- das historicamente. Um educador francês de surdos veio ao México em 1866, ao saber da primeira escola de surdos lá fundada. Por essa razão, alguns acreditaram que a LSF poderia ser uma fonte do empréstimo da(s) língua(s) de sinais no México. Pelo fato de a língua es- panhola ser a língua falada compartilhada no México e na Espanha, a LSM e a LSE podem ter uma base comum de similaridades. Final- mente, na ausência de uma relação histórica conhecida, a comparação entre a LSM e a NS é usada como um controle para aproximar o possível grau de similaridade entre duas lín- guas de sinais não-relacionadas.

Os dados para a análise foram coletados a partir de elicitações gravadas em vídeo. As listas de palavras abrangeram de 89 vocabulá- rios na comparação da LSM com a LSE a 112 vocabulários na comparação da LSM com a LSF e 166 conceitos para LSM-NS. Os con- ceitos foram denominados cognatos se eles

Uma comparação lexical de línguas de sinais no mundo Árabe

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