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Entre 2003-2013 o valor das exportações de produtos industrializados cresceram 158%, média de 12% ao ano. Conforme o gráfico 6, em 2003 o valor exportado foi de US$ 52 bilhões de dólares sendo que em 2013 esse valor praticamente triplica e atinge a marca de US$ 151,2 bilhões. A partir de 2011 a taxa de crescimento das vendas de produtos industrializados se estabiliza e em 2012 se verifica a primeira queda desde 2009 (SECEX/MDIC, 2014)

Gráfico 6: Evolução das Exportações dos Produtos Industrializados: 2003-2013. (US$ bilhões).

Fonte: Secex/MDIC (2014). Elaboração Própria.

Embora as exportações de produtos tenham crescido nos últimos anos, a presença de itens básicos ainda predominam fortemente. Conforme evidencia o gráfico 7, em 2003 os produtos industriais representavam 80% das exportações brasileira, após a crise de 2008 essa proporção se reduz rapidamente. Em 2008 a predominância de produtos industriais era de 71,7% ao passo que em 2013 a participação cai para 62,4%, redução de 9 p.p. em seis anos.

Gráfico 7: Participação dos Produtos Industriais na Pauta Exportadora: 2003-2013. (%)

Fonte: Secex/MDIC (2014). Elaboração Própria.

No decênio 2003-2013, o gráfico 8 revela que os produtos de baixo conteúdo tecnológico ganharam força nas exportações do Brasil. Os produtos não industriais, dentre os quais se destacam as commodities agrícolas e minerais, e os produtos industriais de baixa e de média-baixa tecnologia, foram os que mais se destacaram.

Em 2003, a soma dos produtos não industriais, de médio-baixa e baixa tecnologia representavam 70,1% do total, ao passo que em 2011 esse valor se eleva para 93,7%, crescimento de 23,6 p.p. As razões para esse crescimento resultaram da crescente participação de produtos não industriais, simultaneamente, à queda dos produtos industriais de alta e médio-alta tecnologia, evidenciando o empobrecimento da pauta exportadora avaliada pelo conteúdo tecnológico de seus produtos.

De Negri e Alvarenga (2011) relatam que esse movimento de “primarização” da pauta exportadora, que vem se manifestando há alguns anos, se acentuou com a crise de 2008 e ao fato de que países como a China e Índia continuaram crescendo a taxas bem superiores aos dos países desenvolvidos. No auge da crise em 2008 e 2009, enquanto as exportações brasileiras para o resto do mundo caíram de US$ 197 para US$ 152 bilhões de dólares, as exportações para a China cresceram de US$ 16 bilhões para US$ 20 bilhões. Os autores pontuam que últimos anos o Brasil aumentou sua participação nas exportações mundiais,

porém, o ganho de market share5 foi muito concentrado em commodities. Ainda não se sabe se essa é uma tendência de longo prazo ou apenas curto prazo. Independente de esse movimento ser de curto ou longo prazo, os autores ressaltam que o país precisa ampliar a participação de produtos mais intensos tecnologicamente. A constatação desse fato levou muitos economistas a defenderam a tese de desindustrialização da economia brasileira.

Contudo, há certa controvérsia nessa ideia, uma vez que a demanda doméstica tem sustentando o aumento da produção industrial do país mesmo diante da perda de market share internacional em produtos de alta e média-alta intensidade tecnológica.

Gráfico 8: Exportações – Distribuição por Conteúdo Tecnológico: 2003-2013. (%)

Fonte: Secex/MDIC (2014) Elaboração Própria.

Ao se analisar a pauta importadora brasileira os resultados são contrários ao da pauta exportadora, verifica-se a predominância de produtos industriais de alta e de média-alta tecnologia, como mostra o gráfico 9. No decênio analisado, a participação destes dois grupos nas compras externas do país orbitou em média 60%, proporção bem inferior à verificada nas exportações que só chegam a 26%.

Nos últimos anos o peso dos produtos não industriais apresentou redução, seguida de um leve aumento da participação de produtos de baixa e de média-baixa tecnologia. Diferente

da pauta exportadora, após a crise de 2008 a distribuição das importações por conteúdo tecnológico não apresentou alterações significativas.

Gráfico 9: Importações – Distribuição por Conteúdo Tecnológico: 2003-2013. (%)

Fonte: Secex/MDIC (2014). Elaboração Própria.

Quando se analisa a evolução do saldo comercial separando-o por conteúdo tecnológico a Tabela 8 mostra que, no decênio 2003-2013 o Brasil apresentou déficits crescentes nos grupos de produtos industriais de alta e de média-alta tecnologia, contrabalanceado por superávits nos grupos de produtos de baixa e de média-baixa tecnologia e de produtos não industriais. Nos últimos anos, os produtos não industriais compensaram o crescente déficit em produtos industriais, amortecendo a queda no saldo total desde o ano de 2008.

As análises anteriores indicam que o comércio exterior brasileiro tem aumentando a dependência das exportações de produtos de menor conteúdo tecnológico, como as

commodities agrícolas e minerais. Vimos no gráfico 4 que o resultado favorável da balança

comercial brasileira decorreu basicamente da melhora dos preços dos produtos exportados no cenário internacional, que foi bem superior à variação do índice de quantum, expondo, na concepção de Michel e Squeff (2010), a fragilidade desse modelo exportador a variações de preços.

Tabela 8: Saldo Comercial – Distribuição por Conteúdo Tecnológico: 2003-2013. (US bilhões).

Fonte: Secex/MDIC (2014). Elaboração Própria.

No período 2003-2013, os tradicionais mercados de destino das exportações brasileiras, como Estados Unidos (EUA) e os países europeus perderam peso, ao passo que as participações dos países do Mercosul e dos países da América do Sul, Central e Caribe permaneceram estáveis. Entretanto, como mostra o gráfico 10, a China ganhou participação e importância nesses últimos anos, saindo de 4% em 2003 para 19% em 2013, tornando-se o principal destino das exportações brasileiras a partir de 2009, desbancando os EUA que durante muitas décadas foi o principal parceiro comercial do Brasil. A participação dos EUA em 2003 respondia por de 23% das vendas externas, sendo que em 2013 esse valor cai para 10%, uma queda de 13 p.p em uma década. Conforme foi enfatizado, a crescente importância da China para as exportações brasileiras decorreu do fato da manutenção de suas elevadas taxas de crescimento e de suas importações terem sido pouco afetadas após a crise de 2008. Enquanto o mundo entrava em recessão e reduzia às exportações oriundas do Brasil, a China seguiu o caminho contrário, aumentou-as.

É importante destacar que as relações comerciais entre Brasil e China são bastante assimétricas, pois as exportações brasileiras dirigidas ao país asiático são concentradas em

commodities, dentre os quais se destacam minério de ferro e produtos do complexo da soja, ao

passo que o Brasil importa basicamente produtos manufaturados. Em relação aos Estados Unidos, o comercio entre Brasil e Estados Unidos se revela mais simétrico, mais diversificado e com maior peso de produtos manufaturados (FERRAZ, 2013).

Intensidade Ind. (Alta) Ind. (Média-Alta) Ind. (Média-Baixa) Ind. (Baixa) Produtos não industriais Saldo dos Produtos Industriais Saldo Total 2003 -5,3 -3,3 6,6 20,0 6,8 18,0 24,8 2004 -7,5 -2,4 10,2 25,3 8,1 25,5 33,6 2005 -8,4 0,5 12,3 28,9 11,5 33,2 44,7 2006 -11,8 -0,9 12,9 32,1 13,9 32,3 46,1 2007 -15,0 -10,1 11,9 35,2 18,1 22,0 40,0 2008 -21,9 -29,2 9,6 40,2 26,0 -1,3 24,7 2009 -18,4 -26,5 6,1 33,4 30,6 -5,4 25,3 2010 -26,5 -39,0 -4,7 39,4 51,0 -30,8 20,3 2011 -30,4 -51,8 -4,6 43,6 73,0 -43,2 29,8 2012 -31,1 -52,5 20,3 41,5 64,4 -21,9 42,5 2013 -34,1 -58,8 -2,6 41,0 63,0 -54,5 8,6

Gráfico 10: Exportações – Distribuição por Países de Destino: 2003-2013. (%)

Fonte: Secex/MDIC (2014). Elaboração Própria.

Obs: Américas: América do Sul, Central, Caribe, exclusive MERCOSUL. *EUA: Inclusive Porto Rico.

*China: Exclusive Hong Kong e Macau.

De Negri e Alvarenga (2011) relatam que ainda não se sabe se o atual ciclo de valorização e ampliação da demanda mundial por produtos primários é um fenômeno de curto prazo ou de longo prazo. Os autores pontuam que em várias épocas o setor externo restringiu o crescimento do país e que o bom desempenho das commodities tem contribuído para a manutenção de superávits na balança comercial, evitando uma deterioração mais profunda das contas externas do país. No entanto, é imprescindível avaliar os efeitos de longo prazo da atual conjuntara externa sobre a estrutura produtiva do país.

De Negri e Alvarenga (2011) recomendam as seguintes soluções para reduzir a primarização da pauta exportadora brasileira.

 Adotar políticas de inovação com o objetivo de agregar valor a estrutura produtiva à longo prazo;

 Fomentar setores que tenham maior agregação de conhecimento;  Taxar as exportações de determinadas commodities;

 Reduzir o custo do investimento em setores não tradicionais;

 Fomentar a diversificação produtiva das grandes empresas brasileiras de

commodities;

Para João Manuel Cardoso de Mello o país precisa industrializar-se novamente, montar as cadeias produtivas que foram perdidas na década de 1990 com o processo de abertura comercial. Deve-se tirar proveito da conjunta externa favorável para avançar no fomento das atividades industriais do país. De acordo com Mello (2011) a retomada do crescimento a partir de 2004, a consolidação de um mercado interno, a criação de empregos e a redução da pobreza e, sobretudo a crise de 2008, abriu espaço para que o Estado tivesse uma maior participação na economia como fomentador do desenvolvimento. A elevação dos preços das commodities agrícolas permitiu uma grande folga na balança de pagamentos, que historicamente sempre estrangulou o crescimento da economia brasileira. Mello (2011) recomenda que nos próximos anos o governo deva tomar medidas certas, que procure promover o desenvolvimento do país.

Mello (2011) explica que não deve optar pelo setor agrícola com forma de desenvolver o país, pois este não gera emprego, nem renda e nem divisa fiscal. Basear a economia no setor de serviços também não é um caminho recomendável. O melhor caminho para seria a atividade industrial, pois gera emprego, renda e receita fiscal para o Estado.