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2. TEORETISKE PERSPEKTIVER

2.1 L EDELSE

Nos últimos anos a inserção retrógrada do Brasil nas linhas do comércio mundial contribuiu para aumentar a dependência do país em relação o setor externo. Vimos que a partir de 2003 tem inicio uma nova fase de expansão do capitalismo mundial, que exerceu grande importância para a redução dos indicadores de vulnerabilidade da economia brasileira como também permitiu que o país conseguisse retomar a trajetória de crescimento econômico.

O crescimento das exportações de commodities, sobretudo para a China, contribuiu para a geração superávits comerciais jamais vistos em toda história econômica do Brasil. O elevado saldo positivo permitiu que o país reduzisse a dependência de capitais externo de curto prazo, que por conta da sua elevada volatilidade tem a capacidade de promover efeitos desestabilizadores nas contas externas e internas e elevasse a transferência de renda para o exterior.

Contudo, a crise de 2008 promoveu impactos profundos sobre a estrutura produtiva brasileira, acentuando o processo de primarização da pauta exportadora que vinha se esboçando desde o início do século. Também é a partir desse ano que as contas externas do país começam a se deteriorar, não porque as exportações se reduziram, pelo contrário, aumentaram, mas pelo rápido crescimento das importações e pela ampliação do déficit na conta de serviços e renda. Esses dois fatores contribuíram para que o saldo em transações correntes apresentasse déficits crescentes no período pós-crise.

Caso essa tendência se mantenha nos próximos anos, vide que em 2013 o saldo comercial foi o mais baixo desde 2001, poderá haver a reversão da posição superavitária da balança comercial para deficitária. Como exposto na seção 2.1, após a crise de 2008 há uma clara tendência de deterioração das contas externas. A partir de 2008 os crescentes déficits em transações correntes passaram a ser compensados via conta capital e investimento. O problema poderá tomar proporções maiores caso a economia brasileira comece a financiar as importações via conta capital e investimento, ou seja, endividando-se tal qual verificado durante a década de 1990. Nessa fase o governo elevava a taxa de juros como forma de atrair capitais de curto de prazo, de modo que os superávits na conta capital e investimento cobria o déficit em transações correntes. A adoção desse artifício e as crises que se sucederam contribuíram para ampliar consideravelmente a dívida externa e a fragilidade do Estado.

Entretanto, o desempenho de um país não pode ser avaliado simplesmente pelo resultado da balança comercial, pois um superávit comercial pode ser sinônimo de fraqueza enquanto um déficit, um sinal de força. Para se chegar uma conclusão sustentável em relação às importações deve primeiramente analisar sua qualidade. Quais itens tem maior peso? Bens primários? Bens de consumo ou bens de capital? Respondidas essas perguntas pode se chegar a uma conclusão se um provável déficit seria benéfico ou não para a economia brasileira, caso o saldo comercial mantenha a tendência de queda. Mas o fato é que o rápido crescimento das compras externas constitui o principal elemento responsável pela redução do saldo da balança comercial.

Mesmo que o Brasil comece a incorrer em déficits, ainda existe a possibilidade de fazer o ajuste na balança comercial por meio da redução das importações com o objetivo reduzir o déficit em transações correntes e a diminuir a dependência de capitais externos. Em 2013 o déficit em transações correntes atingiu o maior valor já registrado US$ 81,4 bilhões de dólares e no mesmo ano o déficit de US$ 6 bilhões no balanço de pagamentos foi compensado com a venda de reservas cambiais. Caso a deterioração das contas externas se mantenha será quase inevitável o uso de ajustes sem os quais será quase impossível manter a estabilidade macroeconômica.

Em relação ao processo de primarização da pauta exportadora brasileira vimos que esse processo ocorre não porque o volume de exportação tenha tido um crescimento considerável, mas devido ao fato dos preços terem se elevado em um ritmo bem maior levando-nos a seguinte indagação. Caso os preços das commodities nos próximos anos, quais serão as consequências para a estabilidade macroeconômica do país?

Ainda não se tem como afirmar quais serão os desdobramentos desse problema em um futuro próximo. Não há como saber se esse é um fenômeno passageiro ou duradouro, apenas o tempo poderá indicações mais precisas. No entanto, medidas que visem o fortalecimento da indústria nacional e do mercado interno devem ser promovidas. A economia brasileira não pode ficar a mercê do bel sabor da conjuntura externa, tornando-se reflexa e dependente. O dinamismo interno deve ser resultado do desenvolvimento de suas forças produtivas, desenvolvê-las é o primeiro passo para se atingir um patamar mais elevado de desenvolvimento.

Para estudos futuros sugere-se uma análise mais profunda e detalhada da balança comercial brasileira com o objetivo de identificar se as importações contribuirão para

aumentar a produtividade da economia brasileira num futuro próximo, de modo, a saber, qual a melhor política a se adotar.

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