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Segundo Terra (2003 a) os conceitos de Gestão do Conhecimento, aliados às típicas ferramentas de gestão e estratégica empresarial, poderão trazer enormes benefícios para o Brasil se aplicados para a realização de políticas públicas. No setor empresarial a gestão do Conhecimento normalmente envolve alguns objetivos:

 Obtenção de vantagens competitivas a partir do foco no desenvolvimento de competências-chave em áreas de alto potencial e atratividade;

 Incentivo à colaboração entre pessoas que normalmente não colaborariam;  Reutilização de melhores práticas e disseminação de conhecimentos

consolidados.

Ao contrário de políticas industriais tradicionais a aplicação da Gestão do Conhecimento no plano nacional envolve um foco muito maior na variável conhecimento, nos ativos intangíveis setoriais e na obtenção, desenvolvimento e disseminação de informações e conteúdos estratégicos.

Ainda segundo Terra (2003 a), sabe-se da complexidade não apenas conceitual, mas também institucional envolvida na implementação de programas de Gestão do Conhecimento em um plano nacional.

Experiências bem sucedidas de implementação de GC requerem lideranças altamente motivadas, envolvidas e dispostas a romper com padrões tradicionais de gestão de sistemas de informação e gestão de pessoas. Quando bem implementados, porém, programas de GC podem se tornar uma ferramenta competitiva de grande impacto.

Para Santos et al. (2003) nas últimas três décadas, as organizações brasileiras, tanto privadas como públicas, de forma crescente passaram a se conscientizar da importância da revisão dos seus modelos de gestão: no caso das empresas privadas, a motivação era a sua sobrevivência e competitividade no mercado; no caso das empresas públicas, tal motivação era a sua capacidade de cumprir sua missão, ou seja, atender com qualidade a prestação de serviços de interesse da sociedade.

Ao mesmo tempo, focando a realidade empresarial brasileira, constata-se que as

organizações nacionais, tanto públicas como privadas, já desenvolvem esforços no sentido de recuperar o tempo perdido (de pelo menos duas décadas) que levou a um atraso em relação à situação mundial. No entanto, se há poucas empresas brasileiras consideradas de "classe mundial", já é possível avaliar a partir destas a aplicabilidade das novas práticas gerenciais que garantirão a sua sobrevivência num mercado cada vez mais globalizado e competitivo. (SANTOS et al., 2003).

Este contexto gerou um esforço, às vezes de forma frenética, de busca de novos modelos de gestão empresarial. De outro lado, à medida que novas idéias e práticas gerenciais surgiam, eram apresentadas, pelos seus proponentes (geralmente empresas de consultoria empresarial) como a solução dos desafios gerenciais e, eventualmente, recebidas pelo meio acadêmico e empresarial como modismos. Assim, idéias e práticas novas, como Qualidade Total, Reengenharia, Gestão Participativa, Terceirização e Alianças Estratégicas, entre outras, precisaram contar com o tempo para ficar claro que as organizações adequam os seus modelos de gestão muito mais por um processo de evolução contínua do que por rompimento ou substituição dos conhecimentos gerenciais. (SANTOS et al., 2003).

Neste sentido, para identificar e avaliar as características peculiares às novas práticas de gestão empresarial, hoje dispersas na literatura e nas pesquisas acadêmicas na área de Administração, é preciso analisá-las dentro do contexto histórico de sua evolução e de sua relação com o conjunto de outras práticas gerenciais.

No Brasil, para se transformar as empresas em, empresas que aprendem, serão necessárias profundas revisões nos valores das lideranças empresariais nacionais. Esse é o primeiro passo, e talvez o mais importante. (SANTOS et al. 2003).

Para Andrade e Tomaz (2003) a grande maioria das empresas brasileiras não está estruturada por processos, não se preocupa com padronização e nunca se preocupou com o desenvolvimento de metodologias para treinamento eficazes, o que dificulta bastante o acesso ao conhecimento e a sua disseminação.

Em estudo comparativo - Brasil x Estados Unidos - realizado por Damiani

(2001) são apresentados os resultados de pesquisa sobre gestão do conhecimento, realizada entre 1999 e 2000, que abrange as 500 maiores empresas brasileiras segundo a revista Exame e as 500 maiores empresas americanas segundo a revista Fortune. Os resultados refletem a atitude dos administradores frente à gestão do conhecimento, assim como as expectativas e as barreiras que permeiam a implementação desses projetos.

Damiani (2001) afirma que as pesquisas de campo indicam que este tema não é considerado um modismo passageiro, pois de acordo com a percepção da grande maioria dos respondentes (81% dos brasileiros e 92% dos americanos) a Gestão do Conhecimento é importante para o futuro dos negócios; 50% dos brasileiros e 88% dos americanos respondentes apontam a melhoria na transferência de conhecimento por toda a empresa como o principal objetivo atingido. A cultura da empresa aparece como principal barreira para 44% dos brasileiros e 38% dos americanos das empresas respondentes.

3.8 Considerações finais

O presente capítulo busca situar o leitor sobre os principais conceitos defendidos sobre Gestão do Conhecimento (GC), sendo que este resultado de pesquisa bibliográfica não pretende esgotar os assuntos aqui tratados.

A Gestão do Conhecimento (TERRA, 2003b) atualmente encontra similaridades com outros tipos de definições e pontos de vistas: Patrimônios de conhecimento (SVEIBY, 1998); Capital Intelectual (EDVINSSON e MALONE, 1998); Criação de conhecimento na empresa (NONAKA e TAKEUCHI, 1997); Conhecimento Intelectual (DAVENPORT e PRUSAK, 1998); Aprendizagem organizacional e organização de aprendizagem (ROESCH, 2001).

A valorização do conhecimento existente nos indivíduos que, por sua vez , encontram- se num ambiente organizacional, tem sido muito difundida nos meios organizacionais e acadêmicos. Isto talvez pelo fato de que, a partir do momento que a organização propicia um ambiente de crescimento intelectual para seus profissionais, tem como resultado uma maior flexibilidade através de inovação e criatividade necessárias ao momento de turbulência nas

quais se encontram, possibilitando inclusive, o ganho competitivo que a maioria das

organizações movidas pela lucratividade almejam.

No setor público como foi apresentado neste capítulo, existe a escassez de inúmeros recursos e, a aplicação do Conceito de Gestão do Conhecimento pode ser uma possibilidade de resgate ao importante papel que este tipo de organização precisa desempenhar na realidade brasileira.

Apropriando-se deste conceito serão utilizadas as etapas apresentadas no item 3.4.1 (p.55) para a proposição de um método de aplicabilidade/ prática da Gestão do Conhecimento no Setor Público a ser apresentado no capítulo seguinte:

Atividades da Gestão do Conhecimento

No que consiste Modos de conversão do

conheicmento

Geração Criar/ adquirir/ localizar conhecimentos nos

processos da organização

 Socialização  Externalização  Combinação  Internalização

Codificação Organizar / armazenar conhecimento existente e

utilizado na execução dos processos

Disseminação Distribuir / compartilhar conhecimentos certos

para as pessoas certas.

Apropriação Os envolvidos são capazes de fornecer

conhecimento relevante, no momento adequado, de forma pró-ativa e de acordo com seu perfil.

As atividades podem acontecer em paralelo e não necessariamente numa ordem pré-fixada ou seqüencial. Figura 03 _ Etapas da Gestão do Conhecimento.

Andrade e Tomaz (2003) afirmam que a escassez de livros publicados sobre gestão do conhecimento é notória e os poucos que existem ficam, em geral, num plano, ou muito genérico ou muito fragmentado, apresentando alguns modelos, dicas, casos e métodos sem introduzir uma metodologia consistente para facilitar a gestão do conhecimento integrada a conceitos, modelos e casos práticos coerente, funcional e adaptada à realidade brasileira.

Esta afirmação reforça o principal objetivo deste trabalho que é o de Propor um

método de trabalho que, utilizando como referencial os modelos da Enterprise Knowledge Development (EKD), desenvolva-os através das atividades da Gestão do Conhecimento, utilizando informações do setor de alimentação escolar do município de São Carlos, SP.

A metodologia Enterprise Knowledge Development (EKD), foi apresentada pela primeira vez no Brasil, em 2001, através de um dos componentes do grupo de pesquisa ao qual a autora faz parte, no Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. Outros trabalhos, buscando sua maior compreensão, foram realizados e caberá a este, explorar sua relação com a Gestão do Conhecimento.

Embora existam especificidades neste trabalho, acredita-se na sua utilidade como fio condutor de experiências similares a fim de se adquirir segurança e buscar soluções personalizadas sem gastar muito dinheiro, desenvolvendo seu próprio projeto de gestão do conhecimento e, mais tarde, transformando-o no sistema de gestão da empresa.

A idéia é superar problemas, lançando mão das vantagens decorrentes de aspectos culturais de nosso país, como, por exemplo, a criatividade, flexibilidade e sociabilidade do povo brasileiro. (Andrade e Tomaz, 2003).

No capítulo seguinte, será apresentada de forma sucinta a metodologia a ser utilizada: Enterprise Knowledge Development (EKD).

4. ENTERPRISE KNOWLEDGE DEVELOPMENT (EKD)