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A soja é considerada hoje em dia um dos principais produtos da pauta de exportações do Brasil. Dos grãos produzidos no país, a soja corresponde a quase metade do volume total. Ao longo dos anos, com a interiorização das lavouras de soja e com seu crescimento nas exportações brasileiras, várias das fragilidades infraestruturais do sistema de transporte de cargas do país foram expostas. Não só a precariedade das vias de acesso aos portos, como também da infraestrutura de apoio, como armazéns e terminais intermodais.

A infraestrutura insuficiente e as grandes distâncias a serem percorridas do interior do Brasil, onde se concentram as lavouras de soja, até os portos marítimos no litoral, colocaram produtores e movimentadores de carga diante de um grande desafio logístico. Neste cenário, os principais atores envolvidos optaram por investir na intermodalidade. O transporte intermodal tem sido indicado por especialistas no mundo inteiro como uma forma de movimentar produtos capaz de gerar economias importantes, visto aproveita o melhor de cada um dos modais de transporte disponíveis.

Ao longo do desenvolvimento desta pesquisa, pôde-se observar um crescimento da atenção dada à logística de escoamento de produtos agroindustriais destinados à exportação. Jornais de grande circulação nacional, sites especializados, dentre outros veículos de comunicação e informação, têm mostrado, de um lado, o potencial mal explorado do Brasil na exportação de produtos agroindustriais e na infraestrutura logística e, de outro, a preocupação do Governo, das empresas envolvidas, das agências financiadoras de projetos e de grupos de pesquisa nas universidades, em promover melhorias neste sentido.

Tem-se observado também por parte desses agentes, um forte incentivo à utilização da intermodalidade no escoamento de produtos agroindustriais. Isso pode ser verificado nos projetos de construção de novos trechos ferroviários, segundo

informações da ANTT, que permitam o acesso a áreas antes conectadas apenas por rodovias. E também da construção de novas eclusas em vários trechos de rios ainda não navegáveis, segundo a ANTAQ. Dessa forma, o que se percebe é que o Brasil passou a contar com esses diversos agentes para se tornar, no futuro, um país integrado e operacionalmente eficiente, do ponto de vista do sistema de transporte para escoamento de cargas.

Brito (2010), recentemente relatou o problema encontrado pelos que produzem soja e escoam sua produção pelo Porto de Itaqui, no Maranhão. A infraestrutura precária para o escoamento faz com que esses produtores arquem, atualmente, com custos de exportação superiores aos dos principais concorrentes internacionais. O projeto da expansão da Ferrovia Norte Sul, já mencionado em capítulos anteriores nesta dissertação, trará poucos benefícios se a capacidade do Porto de Itaqui, por exemplo, não for aumentada em tempo. A estimativa dos 8 milhões de toneladas transportados pela ferrovia esbarrariam na atual capacidade de movimentação do porto de apenas 2 milhões de toneladas por ano.

Outra informação importante mencionada no artigo é que, segundo o Ministério da Agricultura, aproximadamente “20 milhões de toneladas de grãos produzidos no país são desviados para portos mais distantes do que sugere qualquer planejamento log stico”. Diante de cenários como esse é que se passou a falar em “apagão log stico”, termo que retrata a enorme lacuna que h entre o desenvolvimento tecnológico nas áreas produtoras e a infraestrutura logística disponível para o escoamento de safras cada vez maiores.

Como parte do movimento em prol da melhoria da eficiência da logística de carga do Brasil, agências financiadores de projetos, como já mencionado anteriormente, passaram a investir em pesquisas que gerassem contribuições significativas para as várias questões colocadas em discussão atualmente. Um exemplo é o projeto ALOGTRANS, financiado pela FINEP e mencionado no primeiro capítulo desta dissertação, com o objetivo de estudar alguns dos principais Corredores de Exportação de produtos agroindustriais no Brasil.

A presente pesquisa foi inspirada neste projeto e teve como objetivo estudar e aplicar um modelo de localização de instalações que incorporasse decisões de fluxo para auxiliar no planejamento infraestrutural da rede de escoamento da soja em grão brasileira destinada à exportação. A idéia foi desenvolver um modelo de

programação matemática capaz de fornecer o melhor número e localização de terminais intermodais necessários para fluir com menor custo possível a soja em grão brasileira destinada à exportação, além de, sob restrições de capacidade, determinar os fluxos em cada rota.

Como foi possível observar nos capítulos 4 e 5 desta dissertação, o modelo desenvolvido respondeu satisfatoriamente ao objetivo proposto. Os testes preliminares feitos no capítulo 4 com a base de dados do GEIPOT serviram não só para verificar a adequação do modelo em representar os fluxos de escoamento da soja em grão destinada a exportação, como também para mostrar o potencial da ferramenta em promover a geração de cenários futuros. Foram feitos testes para verificar a resposta do modelo às alterações de parâmetros como, por exemplo, as capacidades de terminais e vias.

No capítulo 5, a aplicação do modelo em uma rede mais atual e realista, com mais possibilidades de escoamento, mostrou o potencial de algumas das análises que podem ser feitas na prática, quando de posse desta ferramenta de otimização. Como os dados de entrada foram definidos de forma simplificada, não foi possível tirar nenhuma conclusão definitiva para o sistema real. O objetivo do capítulo 5, por essa razão, foi o que ilustrar essas análises, sem a pretensão de apresentar resultados mais conclusivos.

Uma das análises mostradas no capítulo 5 foi a da variação do valor da função objetivo do modelo quando a rede é modificada em sua estrutura. Uma vez inseridas novas possibilidades para o escoamento da soja, os resultados foram capazes de mostrar o impacto não só no comportamento dos fluxos, mas também nos custos variáveis, representados na função objetivo.