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INNLEDNING

In document Evaluering av NIFES (sider 15-19)

Em minhas notas de campo sobre a aplicação das atividades, fiz vários registros sobre a motivação e participação dos alunos durante as atividades. Observei que eles interagiram voluntariamente com o professor e demostraram grande interesse em expor sua opinião sobre as imagens, textos presentes nos materiais usados nas atividades. Percebi ainda que os alunos puderam estabelecer uma relação clara entre os textos, os temas e sua realidade enquanto alunos do PAV, e acima de tudo como cidadãos. Ficou muito evidente para mim a forma como os alunos não só se interessaram, mas participaram ativa e significativamente das atividades. Considero como uma das evidências do interesse e motivação dos alunos a confirmação por parte de Rodrigo, de algo que eu já tinha observado nas minhas notas de campo quando ele aplicou as atividades

[113]Engraçado que nesse dia, realmente eles não reclamaram, eles gostaram da atividade, eu falei com eles o

seguinte “nós vamos continuar então na próxima aula?”, eles falaram “tudo bem”. “Então a gente continua na próxima aula.” Quando é uma atividade comum, que você dá e fala que vai continuar na próxima aula eles geralmente falam “ah, de novo não!” Mas essa atividade realmente... Eles se interessaram por ela e

quiseram continuar na próxima aula.

No Registro de Impressões preenchido pelos alunos (APÊNDICE V), observei que todos eles mencionaram que acharam as atividades “interessantes e legais”. Além disso, eles informaram nos registros o fato de que se sentiram mais à vontade para participar nas aulas de inglês somado ao fato de que eles alegaram que aprenderam mais inglês, do que de costume, por meio dessas atividades. Contudo, fiquei curioso para entender de que forma essas atividades foram “interessantes”, “legais” e como essas impressões se relacionam com a reação deles e especialmente com sua aprendizagem de inglês por meio das atividades. Sendo assim, na interação final com o grupo focal, pergunto:

[114] Gasperim: eu queria entender o que significam estas palavras que vocês colocaram lá no seu Registro de

Impressões “muito legal e diferente”. Como assim, a aula foi muito legal e diferente?

[115] Trebor: porque a aula saiu um pouco da rotina, saiu mais da sala, aprendeu mais sobre hoje em dia...

Usando mais os negócios de hoje em dia, né, computador, que antigamente não usava.

[116] Ágata: foi diferente foi que nós tivemos oportunidade de conhecer outras coisas além do inglês que eu

não conhecia. Aprendi mais palavras.

As falas de Ágata e de Trebor confirmam que as atividades puderam proporcionar a eles oportunidades de sair da sala e discutir assuntos da atualidade bem como aprender “mais palavras”. Relembro nesse momento que uma das informações mais recorrentes, na fala dos

alunossobre o que seria uma boa aula de inglês (ou uma aula “legal”), é o fato de que elas deveriam ter momentos de sair da sala de aula e usar o computador (no momento em que eles

enviaram as perguntas remanescentes para o e-mail da Secretária de Educação). Recordo, também que os alunos haviam falado que inglês era uma matéria que não tratava dos assuntos que os interessavam (conforme discuti baseado no excerto 97). Sendo assim, a fala de Ágata no excerto 116, parece se referir às “coisas além do inglês” que tornaram a aula de inglês no PAV mais interessantes.

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Dando sequência a conversa, procuro mais evidências de que os alunos gostaram das atividades, se sentiram confortáveis, motivados a participar delas e principalmente se conseguiram aprender mais inglês através delas.

[117] Gasperim: e vocês se sentiram mais à vontade para participar das aulas com as atividades que eu e o

Rodrigo trouxemos? Vocês ficaram à vontade com aquelas atividades?

[118] Trebor: sim, porque aprendemos mais do que a gente aprendia que era só “verbo to be”, bem mais

sobre a realidade, além de só da escola. Ajudou a gente a se expressar mais, a revelar algumas coisas, ver e dizer, sentir se a gente gostava, o que a gente não gostava.

[119] Ágata: As palavras, quando nós começamos essa etapa, ninguém sabia quase nada, aí quando o professor passou as perguntas, ficamos mais interessados em perguntar mais o que significa as palavras, as

respostas dos exercícios.

Os excertos 118 e 119 me permitem afirmar que os alunos reagiram positivamente às atividades e mostram como os próprios alunos perceberam a forma como as atividades tinham conteúdos muito além do “verbo to be”. Observei ainda, pelos excertos, que as atividades possibilitaram que os alunos participassem mais na aula de inglês podendo se expressar, falar de si mesmos em harmonia com que era esperado linguisticamente das atividades no momento de seu planejamento. Logo, os alunos aprenderam estruturas linguísticas relacionadas àquelas funções comunicativas, e mais importante ainda, os próprios alunos fizeram uma autoavaliação de sua aprendizagem ao dizer “aprendemos mais do que a gente aprendia” e “quando nós começamos essa etapa, ninguém sabia quase nada”.

Outro aspecto relevante que chamou minha atenção quanto à reação dos alunos, se refere à participação de alguns deles, os quais relatei em minha nota de campo no início da pesquisa, que atrapalhavam as aula, além de recusarem a participar das atividades na aula de inglês.

[120] Gasperim: eu percebi que todos os alunos que eram considerados mais “bagunceiros” estavam

participando mais das atividades. Vocês também acham isso ou foi impressão minha?

[121] Trebor: sim, porque a maioria dos que quase não faziam nada, voltou, aprendeu quase tudo o que os

alunos faziam, aprendeu junto.

[122] Ágata: verdade. Eles ficaram interessados em participar com a turma. Houve um avanço de cada um

deles.

Trebor, ao se referir no excerto 121 à “maioria dos que quase não faziam nada” acrescenta uma informação interessante: o fato de eles terem “voltado”. Ele pode estar se referindo aos

momentos em que os alunos, que até mesmo costumavam a sair da sala sem autorização do professor, como eu presenciei no período de observação de aulas, voluntariamente “voltaram” para a sala para participar das atividades juntamente com os demais. Ao acrescentar que eles “aprenderam junto”, alegro-me em ver que assim como eu, Trebor percebeu que a atividade uniu os alunos na aprendizagem. Esses mesmos alunos considerados “bagunceiros” participaram das aulas, com as atividades e emitiram opiniões importantes sobre os problemas educacionais em Minas Gerais, especialmente na atividade Images.

Cogito que a forma como aqueles alunos, antes apáticos, se uniram aos demais na aprendizagem de inglês, revelou, como diria Freire, (1996, p. 95) “um esforço comum de consciência da realidade e de autoconsciência, que a inscreve como ponto de partida do processo educativo, ou da ação cultural de caráter libertador” (grifo meu). Em outras palavras, as atividades podem ter despertado a consciência dos alunos, como um todo, dando a eles a sensação de aprender inglês com “liberdade”. Ressalto que a palavra liberdade foi mencionada na sessão reflexiva final quando retomei a seguinte pergunta:

[123] Gasperim: como é uma boa aula de inglês? O que é que tem nela?

[124] Ágata: com os assuntos de cada coisa que tá acontecendo no mundo, envolvendo liberdade, responsabilidade, respeito.

E, como uma síntese da motivação, participação e reação dos alunos, destaco dois excertos:

[125] Ágata: para mim valeu muito a pena, eu amei, gostei muito, muito! [126] Lucas: foi uma emoção e tanta porque não é qualquer um que chega lá!

Sinto pelas palavras de Lucas que a experiência com as atividades, especialmente, a atividade

Interview que culminou com a entrevista à Secretária de Educação, foi uma espécie de proeza

considerando que a secretária nunca concedeu antes uma entrevista para um grupo de alunos do PAV.

As seções a seguir referem-se ao último objetivo específico dessa pesquisa, a saber, “Analisar, refletir e discutir, com base nas reações dos alunos nas aulas observadas, como o uso do LC na aula de língua inglesa, em uma turma de aceleração, pode contribuir para uma nova visão deles sobre o significado da aprendizagem de inglês na escola pública e sobre si mesmos em sua trajetória escolar”.

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