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Esta seção tem como objetivo apresentar os procedimentos de análise dos dados utilizados nesta pesquisa. Lembramos que a apresentação do conjunto de categorias de análise propostas por Bronckart, (1999), Bronckart & Machado (2004), Bronckart e Group LAF (2004), Machado & Bronckart (2009), base fundamental de nossas análises encontram-se no quarto capítulo desta pesquisa.

Além das categorias da corrente teórica do Interacionismo Sóciodiscursivo, outras vertentes teórico-metodológicas, como, as da linguística Sistêmico Funcional (HALLIDAY, 1994), as da Ergonomia da Atividade e da Clínica da Atividade (CLOT, 2006; SAUJAT, 2004; AMIGUES, 2004), as concepções acerca dos elementos que constituem o trabalho

docente de Machado (2009, 2010) e as diferentes pesquisas desenvolvidas pelo grupo ALTER (MAZZILLO, 2006; BUENO, 2007; LOUSADA, 2006; ABREU-TARDELLI, 2006; TOGNATO, 2009; BARBOSA, 2009; LEITE, 2009, só para citar algumas) também são recursos que fornecem subsídios para chegarmos aos resultados das análises dos dados.

Ressaltamos que nossa análise, primeiramente, levantou as características lingüístico- discursivas dos textos e suas implicações nas representações do trabalho do professor.

Para tanto, iniciamos nossas análises com o levantamento do contexto

sóciointeracional, isto é, levantando alguns aspectos sobre o momento sócio-político e

econômico tanto do país, como do estado e município em que as participantes estão inseridas. Consideramos que esses aspectos podem nos fornecer elementos sobre as condições contextuais que podem influenciar direto e indiretamente o trabalho das participantes.

Em seguida, destacamos nossas hipóteses sobre as representações das participantes acerca do contexto físico e sóciossubjetivo (o lugar de produção, o momento de produção, a instituição social, a imagem que se quer passar de si, o papel social dos emissores e receptores, relações hierárquicas entre os interlocutores, os efeitos almejados sobre o destinatário).

Num terceiro momento das análises, levantamos as características globais dos textos, buscando detalhar como os textos se estruturam em números de turnos, números de palavras para cada interlocutor, etc. Por se tratar de um texto transcrito, buscamos adotar alguns símbolos (sinais) que ajudem a aproximar o texto transcrito à suas características orais, conforme segue exemplificado no quadro abaixo:

Incompreensão de palavras ou segmentos ( ) ...rodex...( ) rodox... Usa-se acento indicativo da tônica e/ou timbre / outro di/ONtem

Prolongamento de vogal e consoante (como s, r) :: i::... procuro / é pra sair:: correndu::

Silabação - atriz Lu-a-na Piovani

Interrogação ? (...) então o que fazer?

Pausa longa ... não... não...

Pausa curta (,) Bom, primeiro lugar...

Comentários descritivos do transcritor ((minúsculas)) meu deus ((risos))

exposição; desvio temático. foi por isso Indicação de que a fala foi tomada ou interrompida em

determinado ponto; não no início.

(...) (...) nã/ era uma festa

Citações literais ou leituras de textos. “ ” “O Desembarque”

Figura 6: Normas para realização de transcrição modificada (Pretti, 2005, p.11-12).

Outras observações, segundo Pretti (2005):

1. Iniciais Maiúsculas só para nomes próprios ou para siglas (USP etc.) 2. Nomes de obras ou nomes comuns estrangeiros são grifados

4. Não se indica o ponto de exclamação, escreve-se (frase exclamativa) 5. Podem-se combinar sinais. Por exemplo: oh:::... (alongamento e pausa)

6. As reticências marcam pausa longa e a vírgula marca pausa curta. Destacamos, que o uso da vírgula é mais um recurso utilizado nessa pesquisa, a fim de facilitar a leitura da transcrição, já que a nossa preocupação não é com o estudo da estrutura fonética do conteúdo, mas sim com a temática do texto.

Na quarta etapa das análises, buscamos identificar o nível organizacional dos textos, isto é, como a temática está organizada e o que é tematizado (elementos do trabalho do professor – actantes, instrumentos, ambientes). Aqui buscamos verificar conjuntamente os elementos coesivos nominais e verbais que articulam e forneçam uma progressão temática nos textos, apontando para as figuras interpretativas dos actantes. Também verificamos os diferentes conectivos, organizadores lógicos textuais, que apontem para o plano motivacional e da intencionalidade em que o assunto está sujeitado.

Ainda nessa quarta etapa da análise, fizemos um levantamento dos tipos discursivos e das sequências textuais que corroboram para a construção dos textos, identificando a implicação ou não do autor e a disjunção/conjunção acerca do momento de produção, como também, como o produtor articula sequencialmente suas interpelações, a partir de sequências narrativas, argumentativas, explicativas? Esses aspectos contribuíram para o reconhecimento das representações das participantes quanto ao assunto, isto é, é um objeto que precisa ser defendido (sequência argumentativa, por exemplo); a produtora está implicada no seu discurso ou não. Para isso, buscamos identificar: os tempos verbais no presente e futuro do

modo indicativo (sobe, escreverei); os verbos no futuro perifrástico (vão ler, vamos separar); tempos verbais no pretérito perfeito e imperfeito e o futuro do pretérito do indicativo (tentou, tentava, tentaria); expressões que indiquem tempo e lugar (na próxima aula, na sala dos professores).

No quinto momento de nossas análises, levantamos os aspectos do nível enunciativo, como, as vozes, modalizações e marcas de pessoas. Para a localização das vozes, pontuamos os discursos diretos e indiretos, vozes que tragam discursos de outras instâncias como governo, gestores, pais, alunos, teóricos etc. Com o objetivo de reconhecer o posicionamento das participantes, buscamos destacar os adjetivos, advérbios, verbos que indicassem o posicionamento do que é dito. E ainda, fizemos um levantamento das marcas de pessoas (eu, nós, mim, a gente) que indiquem se ação ocorre num plano individual ou coletivo.

Na sexta etapa de nossas análises, privilegiamos o nível semântico (a semiologia do agir). Para isso, dispomos dos estudos dos processos da Linguística Sistêmico-Funcional e das concepções acerca dos elementos constitutivos da atividade do professor (o professor, os outrem, o objeto e os instrumentos artefatos). Aliamos a categoria de análise do agir humano (os processos) com os estudos dos elementos do trabalho docente, buscando levantar que processos ocorrem nas relações entre esses elementos nos textos. Em outros termos, buscamos identificar os verbos que indiquem um agi/processo material, relacional, mental, verbal, comportamental, existencial; e também quais os elementos constitutivos do trabalho docente são mencionados, bem como, que relações eles estabelecem e quais são os instrumentos/artefatos que as mediam.

Ressaltamos que nossas análises constituíram-se de dois momentos fundamentais, uma de levantamento dos diferentes níveis e aspetos dos dados de forma mais abrangente, geral do texto e, outra, de interpretação buscando relacioná-los, de modo que pudéssemos certificar ou não as hipóteses levantadas, conforme poderá ser observado no capítulo a seguir.