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Nesta pesquisa, embora o primeiro procedimento de pesquisa utilizado tenha sido quantitativo, a abordagem escolhida é a qualitativa. A quantificação dos dados coletados no estudo de campo exploratório inicial foi importante para a construção do itinerário da pesquisa. No entanto, diante do que apresentamos como proposta de pesquisa é a abordagem qualitativa que nos possibilita atingir o objetivo proposto.

Chizzotti (2008, p. 84) defende que:

Na pesquisa qualitativa todos os fenômenos são igualmente importantes e preciosos: a constância das manifestações e sua ocasionalidade, a

frequência e a interrupção, a fala e o silêncio. É necessário encontrar o significado manifesto e o que permaneceu oculto. Todos os sujeitos são igualmente dignos de estudo, todos são iguais, mas permanecem únicos, e todos os seus pontos de vista são relevantes.

A opção pela abordagem qualitativa se respalda em Chizzotti (2006, 2008) para quem a abordagem qualitativa parte do fundamento de que há relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito. Para o autor, o objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de significados e relações que sujeitos concretos criam em suas ações.

A escolha das fontes de pesquisa se respaldou em nosso modo de compreender, como fontes, os recursos que geram ou veiculam informações, podendo ser fontes primárias/originais, secundárias ou terciárias; definições não importantes e difíceis de serem feitas atualmente, pois dependem do contexto no qual são utilizadas, por serem subjetivas e contextuais. No caso desta pesquisa, foram tomadas, como fontes, pessoas, documentos de várias naturezas, bancos de dados do meio eletrônico, livros, revistas, jornais, portais eletrônicos, internet, campo empírico, audiovisuais etc.

Ao tomar como marco teórico e temporal o Plano Diretor da Reforma do Aparelho Estado (PDRAE, 1995) e a década 1990, o fizemos apenas como recorte simbólico uma vez que a Análise de Discurso trabalha com a historicidade e com a materialidade discursiva. Portanto, “o espaço e o tempo da linguagem são simbólicos”, como explica Orlandi (2001a, p. 22), ressaltando que “é nisso que esbarram os modelos com sua segmentalidade, sua descrição e seu caráter categórico”.

Em vista do grande número de municípios a serem pesquisados, escolhemos realizar a pesquisa pela via eletrônica, por meio de telefone, computador e internet. A opção pelo uso da internet, do computador e do telefone como procedimentos de pesquisa se deu diante da nossa impossibilidade de visitar todos os municípios e por reconhecer as possibilidades que o desenvolvimento dessas tecnologias abre para a produção e circulação de informações e conhecimentos, em todas as áreas, atualmente. Trata-se de uma rede, cujas informações que estão organizadas de diversas formas, em diversos lugares, que potencializam a pesquisa, pois podem ser acessadas, a qualquer momento, pelo pesquisador, que tem no mundo

contemporâneo um campo aberto e rico para obtenção e divulgação de conhecimentos.

Atualmente existem diversas opções e mecanismos de busca, e quase todos os temas estão disponíveis em bancos de teses e dissertações; periódicos; revistas, bibliotecas; sem falar nas facilidades oferecidas pelos jornais eletrônicos; sites; vídeos; livros digitalizados; livros-arquivos para serem copiados e impressos etc. Contudo, autores como Barros e Lehfeld (1990, p. 14-15) alertam para a necessidade de o usuário aprender a filtrar os dados encontrados, pois também há muita informação na internet qualificada pelos pesquisadores como “lixo”, isto é, que não deve ser usada por não ter qualquer valor científico. A informação só tem valor quando está integrada a alguma contextualização.

A escolha do meio eletrônico veio ao encontro da pesquisa documental, que é considerada como uma ciência que trata do manuseio de informações. Essas ferramentas possibilitaram, neste estudo, a coleta de informações em fontes de natureza variadas, no meio eletrônico, como o uso de textos em arquivo, hipertextos, vídeos, imagens, dados estatísticos, relatórios, informações jornalísticas, entre outros. A investigação documental se deu durante todo o período em que se desenvolveu a pesquisa concomitantemente ao estudo empírico, em dias e horários diversos.

Para Laville e Dione (1999), o termo documento designa toda a fonte de informações já existente e que não são apenas documentos impressos, mas também tudo que se pode extrair dos recursos audiovisuais, em todo vestígio deixado pelo homem.

Chizzotti (2008, p. 109) entende que a pesquisa documental consiste na coleta, classificação, seleção, difusão e na utilização de toda espécie de informação, compreendendo não só as suas técnicas de estocagem, conservação e de classificação, mas também suas técnicas de uso e os métodos que facilitam a sua busca e a sua identificação.

A pesquisa bibliográfica se fez necessária, desde o início da investigação, como embasamento teórico para se compreender o fenômeno pesquisado e o contexto político, social e econômico em que se situa.

À medida que à pesquisa empírica foi possibilitando um mapeamento do campo, e a pesquisa documental foi nos respaldando em conhecimentos teóricos sobre o fenômeno pesquisado, foi possível decidir, em conjunto com a orientadora, tomar como corpus de análise o discurso das empresas que mais se destacaram com parcerias nos municípios do Sul de Minas, optando pelo discurso que circula na

mídia eletrônica, nos sites dessas empresas.

Nessa perspectiva discursiva, o discurso das empresas educacionais é uma prática simbólica e, assim sendo, tem o nosso olhar direcionado para a materialidade discursiva, considerando os sujeitos do discurso e a situação. Ou seja, esses discursos são pronunciados por sujeitos, para sujeitos e em condições dadas. A construção do corpus para a análise se constituiu de recortes de imagens, textos, hipertextos, links que foram feitos utilizando ferramentas próprias do meio eletrônico, por printscreen, Ctrl+C - Ctrl+V, Paint e arquivos baixados por downloads, e demais funcionalidades disponibilizadas pelas empresas em seus sites. No entanto, ao serem transportados para o texto impresso, foram perdidos alguns recursos possíveis somente no meio eletrônico.