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Devido ao estudo feito na área, levando-se em consideração algumas variáveis comumente adotadas nos estudos pedológicos, decidiu-se em apresentar as propriedades físicas e morfológicas realizadas no locus de investigação.

Tal estudo tem como finalidade investigar o papel que as variáveis pedológicas tem na degradação dos solos existentes nas áreas correspondentes às margens do Córrego das Cruzes e o espaço tido como faixa marginal (o dado é teórico, pois a mesma foi praticamente degradada) e comparar os resultados obtidos com o Protocolo de Avaliação de Rápidos (EPA, 1987) e o sistema de avaliação aqui proposto.

A variável distribuição textural foi incluída no sistema de avaliação, localizado no tópico Parâmetros geotécnicos.

A caracterização da estrutura do solo é feita de acordo com a forma que os materiais estão estruturados nos diferentes horizontes (a - laminar, ba - prismática, Ca - colunar, cb - blocos subangulares, d - granular), como mostra a figura 9.

63 Figura 9 - Tipos de estruturas existentes nos diferentes horizontes dos solos (SBCS,

1982; VIERIA, 1988).

As informações pertinentes às propriedades físicas e morfológicas dos solos adotadas nas propriedades pedológicas e suas formas de avaliação, podem ser observadas na tabela 13.

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Tabela 13 - Propriedades físicas e morfológicas dos solos (adaptado de VIEIRA, 1988).

Propriedades Características Forma de Avaliação

Distribuição granulométrica

Distribuição granulométrica dos materiais geológicos. Esta propriedade serve, também, para avaliação textural.

Granulometria

Análise mecânica Avaliação do tamanho e da forma das partículas que compõem os solos (torrões,grumos, grânulos e concreções) existentes em seu interior.

Táctil-visual

Estrutura Corresponde a forma de agregação das partículas dos solos (estrutura laminar, prismática, em blocos e granular), onde as mesmas apresentam dimensões distintas.

Táctil-visual

Consistência Relaciona-se com as manifestações das forças decoesão e de adesão que atuamno solo, sob diferentes condições de umidades (seca, úmida e molhada)

Táctil-visual

Cor A cor nos fornece informações quanto ao conteúdo do material geológico, tais como teor de ferro, teor de sílica e matéria orgânica.

Carta de Munsell

Textura Ver distribuição granulométrica Granulometria

Com relação ao tamanho das estruturas, as variações entre elas podem ser observadas na tabela 14, onde as mesmas foram agrupadas de acordo com a mesma classe de tamanho, embora varie entre elas, como por exemplo, a classe muito pequena para a estrutura laminar é considerada muito pequena, cujo tamanho seja inferior a 1 mm, ao passo que a estrutura colunar é considerada muito pequena para tamanhos inferiores a 10 mm.

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Tabela 14 - Variação entre os tamanhos das estruturas (adaptado de IBGE, 2007).

Classes Tamanho (mm)

Laminar/Granular Colunar/Prismática Blocos angulares/

subangulares Muito pequena <1 <10 <5 Pequena 1-2 10-20 5-10 Média 2-5 20-50 10-20 Grande 5-10 50-100 20-50 Muito grande ≥10 100-500 ≥50 Extremamente grande - ≥500 -

Porosidade do solo: é a relação entre o volume de vazios e o volume total (SBCS, 1982 & MACIEL FILHO, 1994). No entanto, sua determinação é feita a partir da análise do tamanho e sua quantidade, podendo ser granular ou grumosa.

Sua classificação quanto ao tamanho dos poros, é dividida em: muitos pequenos (1 a 2mm de diâmetro), pequenos (2 a 5 mm de diâmetro), médios (5 a 10 mm de diâmetro), grandes (>10 mm de diâmetro), sem poros (quando não observável por uma lupa de aumento de 10x).

A umidade do solo tem a capacidade de manter suas partículas unidas e também confere à capacidade que a cobertura vegetal tem em mantê-la por um período de tempo maior do que quando a cobertura está ausente (PINESE JUNIOR; CRUZ; RODRIGUES, 2008).

A infiltrabilidade é definida como sendo o fluxo de infiltração índice, que segundo LEI et al. (2006) determina a quantidade de água no perfil do solo e o

runoff da superfície.

De acordo com Coelho Netto (2001) o termo infiltração foi proposto por Horton (1933) para designar a água que molha ou é absorvida pelo solo, enquanto, percolação, referia-se ao fluxo em subsuperfície que atravessa a zona de aeração em direção ao nível freático, o qual delimita a porção extrema superior da zona saturada do solo.

Coelho Netto (2001) comenta que o processo de infiltração resulta das relações de interdependência dos mecanismos de entrada na superfície do solo, de estocagem dentro do solo e de transmissão de umidade do solo.

66 Martins (1977b) cita que a variabilidade da capacidade de infiltração se deve às variações em área geográfica e às variações no decorrer do tempo em uma área limitada (causada por ação animal, desmatamento, alteração das rochas superficiais; diferença de grau de umidade do solo, estágio de desenvolvimento vegetal, atividade de animais, temperatura; variações no decorrer da própria precipitação).

Para Guerra (2001), os fatores controladores das taxas de erosão são: a erosividade (causada pela chuva, sendo o total de chuva, sua intensidade, momento e a energia cinética da mesma correspondem aos parâmetros utilizados na investigação de erosividade); a erodibilidade (proporcionada pelas propriedades do solo, tais como a textura, densidade aparente, porosidade, teor de matéria orgânica, estabilidade dos agregados e o pH do solos); as características das encostas (declividade, comprimento e no formato da encosta: concava e/ou convexa); e na natureza da cobertura vegetal (densidade da cobertura vegetal, tipo de cobertura vegetal e o percentual de cobertura vegetal são variáveis que influenciam no processo erosivo, quando relacionado ao papel da cobertura vegetal neste processo).

Quanto à capacidade de captação de água pelo solo retido, em um terreno previamente saturado, após sua drenagem natural por gravidade, SOUSA PINTO (1976) relacionou as diferentes texturas do solo e sua capacidade de campo, como observado na tabela 15.

Tabela 15 - Capacidade de campo para diferentes texturas do solo (adaptado de SOUSA PINTO, 1976).

Textura do solo Capacidade de campo (mm/m) PMP (mm/m)

Areia 100 25

Areia fina 115 30

Argilo-arenoso 160 50

Argilo-siltoso 280 115

Argila 325 210

67 As diferentes frações que compõem os materiais particulados dos solos apresentam propriedades distintas, de acordo com suas respectivas texturas (ver tabela 16).

Tabela 16 - Características das texturas dos materiais geológicos sob diferentes parâmetros geotécnicos (adaptados de Yoshizane, 2005).

PROPRIEDADES TIPOS DE SOLOS

ARENOSOS SILTOSOS ARGILOSOS TURFOSOS

Granulação Grossa (olho nu) Fina (tato) Muito Fina Fibrosa

Plasticidade Nenhuma Pouca Grande Média a Pouca

Compressibilidade (carga estática)

Pouca Média Grande Muito Grande

Compressibilidade (carga vibrada)

Pouca Média Grande Muito Grande

Coesão Nenhuma Média Grande Pouca

Resistência ao Solo Seco

Nenhuma Média Grande Média a Pouca

Resumo para caracterização Tato Visual Tato Quando seco se esfarela Se imergir uma porção seca na água desagrega Tato Se molhar torna- se bem plástico Se imergir na água, mesmo depois de seca não desagrega.

Pela cor escura (preta) Quando Molhado, é bem plástico. Nota-se ser um material fibroso cheiro