Após a conversa da B.M., em grande grupo, no dia 8 de abril (situação desencadeadora), as alunas estagiárias, procederam ao levantamento das ideias prévias das crianças acerca dos faróis, lançando, ao grupo de crianças, a seguinte questão: “Quem é que sabe o que
é um farol?” As crianças tiveram oportunidade de intervir apresentando as suas ideias
sobre os faróis que, foram, posteriormente documentadas em papel de cenário, ilustradas pelas crianças (ver fotografia 1 e 2), e afixadas num dos placards da sala de atividades.
Fotografia 1 - Cartaz com os registos sobre o
projeto “Os Faróis” Fotografia 2 - Cartaz com os registos sobre o projeto “Os Faróis”, ilustrado pelo grupo de crianças
Como podemos ver no excerto que se segue, as crianças revelaram saber algumas coisas sobre faróis mobilizando as suas experiências pessoais de contacto com esta realidade.
- “Eu sei! Tem umas escadas e uma luz lá em cima… E chaminés.” (G.L., 6 A.) - “Os faróis têm umas luzes para os barcos.” (I., 6 A.)
- “É muito “gande” e muito alto.” (A., 6 A.)
- “Tem escadas e uma luz “pa” avisar os barcos.” (C., 6 A.) - “Muito forte, para não baterem nas pedras.” (G.L., 6 A.) - “Nas rochas.” (I., 6 A.)
- “Porque as pedras pequeninhas podem bater no barco.” (G.L., 6 A.)
- “Às vezes os faróis, quando eles se aproximam das pedras, eles ligam uma luz. Os barcos lá têm uma luz mas não conseguem ver as pedras nem as rochas.” (R.P., 5 A.)
- “Fui ao farol numa praia, à praia de São Pedro. E já fui lá dentro, tinha uma luz muito grande que é para os barcos verem as pedras.” (F., 6 A.)
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- “Eu já fui ao farol de São Pedro, cinco vezes.” (S., 6 A.)
- “Uma vez a minha tia foi comigo a um farol que era muito branquinho e a minha avó tirou uma foto de lá de baixo e a minha tia lá em cima e eu “tava” no tamanho do farol!” (M.F., 6 A.)
- “Um dia fui ao farol mas só que não entrei, só cá debaixo vi uma luzinha branca e uma luzinha amarela em cima...” (B., 6 A.)
Vendo o entusiasmo das crianças a aluna estagiária perguntou-lhes: “O que gostavam de saber mais sobre faróis?” e surgiram várias curiosidades:
- “Eu gostava de saber como é que eles acendem as luzes.” (G.L., 6 A.) - “Eu gostava de saber como é que eles rodam a luz.” (G., 5 A.) - “Como é que as pessoas chegam ao farol?” (B., 5 A.)
- “Como é que eles conseguem ver a luz, num dia tão escuro?” (C., 6 A.) - “Gostava de saber para que é que os faróis são muito grandes.” (R.M., 5 A.)
- “Eu gostava de saber porque é que eles precisavam da luz dos faróis se têm a luz dos barcos” (B.,5 A.) - “Olha e outra coisa… Vocês já pensaram? Será que os faróis são todos iguais? Aluna estagiária - “Como é que os faróis apareceram?” (I., 6 A.)
As dúvidas e questões colocadas pelas crianças, foram registadas e documentadas pelas alunas estagiárias em papel de cenário. Esse registo foi, posteriormente, afixado num dos placards existentes na sala de atividades. Depois foi proposto ao grupo de crianças que realizasse um registo pictórico no qual exprimisse as suas ideias acerca dos faróis, de forma a documentar as suas ideias iniciais acerca dos mesmos, dos quais apresento os seguintes:
Fotografia 3 - Registo pictórico das crianças “Como eu vejo os faróis”
Fotografia 4 - Registo pictórico das crianças “Como eu vejo os faróis”
Ainda no dia 8 de abril de 2013, perante o interesse das crianças em saberem mais sobre os faróis, a aluna estagiária questionou as crianças sobre como poderiam encontrar a informação desejada. Dessa conversa em grande grupo (que pode ser consultada na íntegra no anexo 7) destacam-se as seguintes ideias:
- “No computador!” (G.L., 6 A.) - “A Bia...” (R.P., 5 A)
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- “O pai da Bia...” (S., 6 A.)
- “Porquê o pai da Bia?” (Aluna estagiária) - “Porque ele trabalha no farol!” (B., 6 A.) - “E ele tirava uma fotografia...” (S., 6A.)
- “E como é que ele mandava a fotografia?” (Aluna estagiária) - “Vinha cá à escola...” (S., 6 A.)
- “E como é que podemos ir buscar mais informação, descobrir aquilo que não sabemos?” (Aluna
Estagiária)
- “Também pode ser nos jogos...” (C.,6 A.) - “Ou então à nossa biblioteca!” (B., 6A.)
- “Também podemos ver no globo que nós temos...” (S., A.) - “E o que é que podemos ver no globo?” (Aluna estagiária) - “O sítio dos faróis!” (S.,6 A.)
Após o levantamento de hipóteses, acordámos com as crianças a dinâmica do trabalho a desenvolver no âmbito do projeto, ficando decidido que poderíamos desenvolver as tarefas inerentes, individualmente, em pequeno ou em grande grupo, consoante o momento ou a situação.
Com o intuito de fomentar a participação das famílias no desenvolvimento do projeto, e desta forma, o seu envolvimento no processo de aprendizagem das suas crianças, sugerimos que estas pedissem o seu apoio no sentido de as ajudarem a recolher a informação necessária. Para tal, elaborou-se um documento informativo dirigido aos pais e outros familiares das crianças (anexo 8). Tendo em conta a opinião de Oliveira- Formosinho & Costa (2011, p. 97)
“Quando as famílias são incluídas nos projetos e atividades das crianças valoriza-se o pertencimento à família e, simultaneamente, realiza-se a ligação ecológica entre as famílias e o centro de educação de infância. Promove-se o contacto entre famílias e o respeito por todas as formas e ritmos de colaboração.”
Desde logo, as crianças começaram a solicitar o auxílio dos seus familiares, que prontamente se envolveram no projeto, empenhando-se em colaborar nas pesquisas e na recolha de materiais que, de algum modo, nos ajudassem a esclarecer as nossas dúvidas e curiosidades.
Tendo em conta que o educador está diretamente envolvido no projeto e que, segundo Vasconcelos (1998, p. 145) “Também para ele o projecto apresenta dificuldades, dúvidas, necessidade de novos saberes”, eu não fui exceção, tendo necessidade de realizar algumas pesquisas, que apresento no ponto que se segue, e que me ajudaram a esclarecer e, assim, poder orientar convenientemente as crianças.
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