6 DRØFTING
6.2 Innholdet i LL-rapportens påvirkning på den organisatoriske læringen
A persistência em encarar a PHDA como uma “moda”, encontra a sua justificação na opinião de que há diagnósticos a mais, de que, alguns destes
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diagnósticos, estão mal elaborados e que apenas servem para justificar a falta de disponibilidade dos pais em acompanhar o crescimento dos seus filhos ou de que os mesmos são realizados com base no desejo dos docentes não verem as suas aulas perturbadas por determinadas crianças e jovens (Rodrigues & Antunes, 2014). Por outro lado, alguns meios de comunicação social, muitas vezes sem qualquer rigor científico e com um carácter mais sensacionalista, continuam a vincular publicamente a noção de que se trata apenas de uma forma de justificar com um relatório clínico o mau comportamento de uma criança com uma personalidade mais irrequieta (Afonso, 2014a). Pode-se mesmo afirmar que continua a ser comum ouvir nas nossas escolas, ou em grupos de trabalho na área da saúde, expressões como: “Agora todas as crianças são hiperativas” (Rodrigues & Antunes, p. 21) ou “ no meu tempo não havia hiperativos, só havia mal-educados e cábulas” (Ferreira, 2014, p. 21). No entanto, apesar desta ideia perdurar no seio da sociedade, é possível assegurar, com base nos estudos efetuados, que este distúrbio do desenvolvimento representa, hoje em dia, um dos principais motivos das consultas de neurologia do desenvolvimento, neuropediatria e pedopsiquiatria nos países desenvolvidos (Afonso, 2014a). Por sua vez, a realidade demonstra que, apesar de todos os avanços científicos realizados no estudo da PHDA, continua ainda assim a existir um desconhecimento generalizado sobre esta perturbação.
Ao não apresentar um transtorno físico, ou uma desordem psicológica expressa, a PHDA revela-se perante os outros como fruto da impaciência, da falta de boa vontade da pessoa, ou, em última análise, como um simples caso de má educação. Esse facto implica que as crianças e jovens com PHDA, assim como as suas famílias, sejam obrigados a lidar diariamente com os preconceitos existentes, assim como com as consequências que estas apreciações estereotipadas acarretam, sendo estas crianças e jovens sistematicamente marginalizados no âmbito das suas relações sociais. Esta situação, por sua vez, é geradora de graves transtornos, não só no contexto familiar, mas também no relacionamento dos alunos com a comunidade escolar em que se inserem, visto manter-se a ideia de que existe uma incapacidade dos progenitores, quer ao nível da educação dos seus educandos, quer no acompanhamento diário dos seus filhos (Lopes, 2003).
Consideramos, no entanto, com base nos estudos que têm sido efetuados no âmbito da PHAD, que esta perturbação não pode ser considerada como um fenómeno dos nossos dias, ou como uma “moda”, pois os elementos recolhidos indicam que sempre existiram crianças com um conjunto de sintomas que, na atualidade, se poderiam reconhecer como indicadores claros deste distúrbio do desenvolvimento. Devemos então concluir que, se hoje em dia há mais crianças diagnosticadas com esta perturbação, esse facto não deveria servir, de modo algum, para negar a sua existência, mas sim para evidenciar uma maior consciencialização das famílias para o problema, bem como de uma maior formação por parte dos profissionais nas áreas do ensino e da saúde, quer ao nível do diagnóstico, quer do acompanhamento a efetuar àqueles que evidenciam manifestações desta perturbação.
Não devemos pois considerar a PHDA como o resultado de um acentuado incremento do ritmo de vida da sociedade contemporânea, da diminuição das relações e vínculos estáveis entre as pessoas, ou como o produto de um deficiente acompanhamento por parte dos pais. Como afirmam Ana Rodrigues e Nuno Lobo Antunes (Rodrigues & Antunes, 2014), estes fatores devem ser julgados de forma independente, ainda que possam estar relacionados entre si, influenciando-se mutuamente: “É como a semente que germina em solo fértil. A PHDA (semente), encontra na atual sociedade (o solo fértil), mais facilidade de expressão, e tem um impacto mais negativo na vida de cada um. (...) Costumamos brincar um pouco com a situação e dizer que, levado ao extremo, se não houvesse escola nem vida estruturada e se as crianças pudessem andar todo o dia na rua, livre e informalmente, não haveria crianças com PHDA. Ou melhor, o problema não teria tanto impacto no desenvolvimento e (...) não existiria necessidade de mudar os percursos de vida” (Rodrigues & Antunes, 2014, p. 22).
Podemos, neste âmbito, afirmar que a escola é por excelência o palco no qual as crianças e os jovens com PHDA enfrentam os seus maiores desafios, pois é no espaço da sala de aula que encontram um sem número de exigências para as quais não conseguem encontrar uma resposta adequada. Para além do conjunto de competências académicas a que devem dar resposta, vêem-se confrontados, no espaço escolar, com competências sociais e com regras de funcionamento que
supõem a reprodução de comportamentos sociais apropriados, uma determinada gestão do tempo, bem como a regulação das vontades de cada um e o respeito pelo espaço do colega. No entanto, a capacidade em gerir o tempo e a vontade é algo que, muitas vezes, ultrapassa a própria vontade e a capacidade de controlo das crianças e jovens com PHDA, o que acarreta resultados que põem em causa as suas relações interpessoais, a sua análise dos acontecimentos, a definição de objetivos a atingir, o planeamento e a organização de atividades, bem como o sentido de oportunidade em contexto social, situações essenciais para o sucesso escolar do aluno. Estas dificuldades conduzem a um sentimento de inferioridade em relação aos colegas e professores, pois muitas vezes esses alunos são vítimas da acusação de que se portam mal. No entanto, como afirma Lopes, “seria no mínimo surpreendente que uma criança tivesse tantas dificuldades em relacionar-se com os pares e com os adultos por decisão ou vontade próprias” (Lopes, 2003, p. 11).
Face ao exposto, torna-se importante procurar que os preconceitos, que ainda persistem em relação a esta perturbação, sejam banidos, quer da sociedade, em geral, quer da comunidade escolar, em particular. No seio da família, é importante salientarmos que a própria intervenção assertiva por parte dos pais é uma potencial fonte de conflitos, pois tanto os progenitores, como os seus filhos, não conseguem gerir de forma adequada a ausência de autorregulação, quer cognitiva, quer comportamental, indissociável desta perturbação. Existe mesmo, por parte dos pais, uma grande dificuldade em compreender a incapacidade revelada pelas crianças e jovens em manter a atenção numa tarefa ou num estímulo, o que os leva a procurar de forma incessante novos incentivos, originando uma inaptidão em gerir o tempo de forma adequada, indissociável da irrequietude, movimentação de braços e pernas, bem como da procura de espaços onde se possam evidenciar. Podemos afirmar que estes pais são os principais críticos do seu próprio fracasso, apesar dos esforços que desenvolvem para o sucesso dos filhos (Lopes, 2003).