3. REVISJON AV REGNSKAPSESTIMATER
3.4 ISA 540
3.4.1 Innholdet i standarden
“O sujeito atingido pelo delírio de grandeza ou pela mania de perseguição não se contenta em refugiar-se em seu mundo interior, mas cristaliza todos os fenômenos do mundo exterior ao redor de sua idéia delirante. Suas impressões externas servem apenas para ilustrar as fantasias de seu espírito. Ainda que vivendo no mesmo universo em que vive uma pessoa normal, experimentando as mesmas sensações e assistindo ao mesmo desenrolar das coisas, o doente reage de maneira completamente diversa, pois, para ele, cada acontecimento serve apenas para corroborar as exigências de sua subjetividade.”
Yves Duplessis52 “William Lee”: pseudônimo em Junky, alter ego em Naked Lunch; anti-herói por excelência, cujas primeiras palavras enunciadas em Naked Lunch bem sugerem suas características primordiais:
I can feel the heat closing in, feel them out there making their moves, setting up their devil doll stool pigeons, crooning over my spoon and dropper I throw away at Washington Square Station, vault a turnstile and two flights down the iron stairs, catch an uptown A train. . .53 (BURROUGHS, 1993,
p. 17)
Aí está o propalado usuário de drogas injetáveis, empreendendo mais uma fuga da polícia; ação propícia inclusive para marcar certa circularidade da obra, que começa desse modo e “termina” com outra (esplêndida) escapatória do protagonista.
O último capítulo – Hauser e O’Brien –, praticamente o único que preserva uma linearidade analógica, possui importância fundamental para se especular a respeito da formação da trama principal na obra. Ainda que não seja esta a preocupação de Burroughs, ou seja, a de constituir enredo, o plot, propriamente dito; há um certo “fio de Ariadne” em sua sinuosa prosa labiríntica, passível de ser “puxado”, para, a partir daí, observarmos outras peculiaridades narrativas do livro. Tal intento só será possível com a devida exposição do mencionado “último capítulo”: Hauser e O’Brien.
Hauser e O’Brien são veteranos policiais do Departamento de Narcóticos, que foram mandados ao endereço de William Lee, com a finalidade de:
52 DUPLESSIS, op. cit., p. 40.
53 “Posso sentir os tiras fazendo o cerco, senti-los lá fora se movimentando, o cachorrinho-dos-home[alcagüete]
cantando em volta da minha colher e conta-gotas que joguei na estação de Washington Square – pulo por cima da borboleta e dois lances de escada abaixo pego o trem A para a cidade...” (1984 p. 15).
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‘Good. Room 606. Just pick him up. Don’t take time to shake the place down. Except bring in all books, letters, manuscripts. Anything printed, typed or written. Ketch?’
‘Ketch. But what’s the angle... Books...’
‘Just do it.’ The Lieutenant hung up.54(BURROUGHS, 1993, p. 166).
O protagonista-narrador, habituado a batidas policiais a domicílio, pressupunha que esta não seria convencional, mas fatídica, pois:
When they walked in on me that morning at 8 o’clock, I knew that it was my last chance, my only chance. But They didn’t know. How could they? Just a routine pick-up. But not quite routine.55 (BURROUGHS, 1993, p. 167).
William Lee como estava se preparando para o rotineiro e necessário pico matinal, nessa ocasião, foi obrigado a negociá-lo, propondo em troca entregar um traficante famoso em escapar de armadilhas policiais. Com relativa descrença, Hauser e O’Brien relutam de início, mas acabam por ceder. Momento oportuno para ação de William Lee, que, conforme sua narração:
Hauser was juggling his snub-nosed detective special, a Colt, and looking around the room. He could smell danger like an animal. With his left hand he pushed the closet door open and glanced inside. My stomach contracted. I thought, ‘If he looks in the suitcase now I’m done.’
Hauser turned to me abruptly. ‘You through yet?’ he snarled. ‘You’d better not try to shit us on Marty.’ The words came out so ugly he surprised and shocked himself.
I picked up the syringe full of alcohol, twisting the needle to make sure it was tight.
‘Just two seconds,’ I said.
I squirted a thin jet of alcohol, whipping it across his eyes with a sideways shake of the syringe. He let out a bellow of pain. I could see him pawing at his eyes with the left hand like he was tearing off an invisible bandage as I dropped to the floor on one knee, reaching for my suitcase. I pushed the suitcase open, and my left hand closed over the gun butt – I am righthanded but I shoot with my left hand. I felt the concussion of Hauser’s shot before I heard it. His slug slammed into the wall behind me. Shooting from the floor, I snapped two quick shots into Hauser’s belly where his vest had pulled up showing an inch of white shirt. He grunted in a way I could feel and doubled forward. Stiff with panic, O’Brien’s hand was tearing at the gun in his shoulder holster. I clamped my other hand around my gun wrist to steady it for the long pull – this gun has the hammer filed off round so you can only
54 “’É isso aí. Quarto 606. Basta prendê-lo. Não perca tempo revistando o quarto. Traga só os livros, cartas e
manuscritos. Qualquer coisa impressa, datilografada ou escrita. Tá entendido?” ‘Entendido. Mas qual é a idéia ?... Livros ?...’
‘Faça o que estou dizendo’. O tenente desligou”. (Burroughs, 1984, p.189).
55 “Quando eles chegaram naquela manhã, às 8h, compreendi que era minha última chance, a única chance. Mas
eles não sabiam. Como poderiam sabê-lo? Era apenas uma prisão de rotina. Na verdade não tinha nada de rotina”. (BURROUGHS, 1984, p. 189).
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use it double action – and shot him in the middle of his red forehead about two inches below the silver hairline. His hair had been grey the last time I saw him. That was about 15 years ago. My first arrest. His eyes went out. He fell off the chair onto his face. My hands were already reaching for what I needed, sweeping my notebooks into a briefcase with my works, junk, and a box of shells. I stuck the gun into my belt, and stepped out into the corridor putting on my coat.
I could hear the desk clerk and the bell boy pounding up the stairs. I took the self-service elevator down, walked through the empty lobby into the street. It was a beautiful Indian Summer day. I knew I didn’t have much chance, but any chance is better than none, better than being a subject for experiments with ST(6) or whatever the initials are.56 (BURROUGHS,
1993, p.168-169).
De repente, o drogado dos submundos se torna um “agente”. Precisa fugir, mas fica retido na cidade, pois se torna inevitável descolar alguma droga antes de sair em disparada. Ele sabe que precisa se mandar, voltar à brincadeira de gato e rato com a polícia. Mas, entre uma coisa e outra, ele acentua a devida necessidade de pensar.
Nesse ponto do capítulo, as advertências emitidas pelo protagonista-narrador, William Lee - evidente alter ego de Burroughs - , chegam a ser metalingüísticas em relação à técnica empregada em Naked Lunch:
56 “Hauser manuseava sua pistola de cano curto, uma Colt especial com o nariz arrebitado, e olhava em volta do
quarto. Ele podia cheirar o perigo como um animal. Com a mão esquerda puxou a porta do armário e deu uma olhada lá dentro. Meu estômago se contraiu. Pensei: Se ele olha dentro da mala, estou perdido.
Hauser virou-se para mim, de repente. ‘Já acabou?’ rugiu ele. ‘É melhor não tentar nos tapear com Marty.’ As palavras saíram tão feias que ele mesmo se surpreendeu, se chocou.
Peguei a seringa cheia de álcool, torcendo a agulha para ver se estava bem ajustada. ‘Um momento’, disse eu.
Esguichei um fino jato de álcool, chicoteando entre seus olhos com um movimento lateral da seringa. Ele soltou um urro de dor. Pude vê-lo batendo nos olhos com a mão esquerda como se tentasse arrancar uma bandagem invisível, enquanto eu caía sobre um joelho, espichando-me até a mala. Abri a mala com um tapa e minha mão esquerda se fechou no cabo do revólver – sou destro mas atiro com a mão esquerda. Senti o choque do tiro de Hauser antes mesmo de ouvi-lo. A bala estourou na parede atrás de mim. Atirando-me no chão, acertei dois tiros seguidos na barriga de Hauser, no lugar onde seu colete estava puxado, mostrando dois centímetros da camisa branca. Ele grunhiu de um jeito que me doeu e dobrou para frente. Dura de pânico a mão de O’Brien tateava pelo revólver na cartucheira de ombro. Fechei minha outra mão no punho do revólver para torná-lo seguro no coice – esse revólver tem o gatilho limado e arredondado e só se pode usá-lo com carga dupla – atingiu-o no meio da testa vermelha, cerca de cinco centímetros abaixo da linha de cabelos grisalhos. Seu cabelo já estava grisalho a última vez que o vi. Foi há quinze anos. Minha primeira prisão. Seus olhos se apagaram. Ele caiu da cadeira de cara no chão. Minhas mãos já estavam buscando o que eu precisava, atirando meus cadernos na mala, a droga, e uma caixa de balas. Enfiei meu revólver no cinto e saí pelo corredor, vestindo o casaco.
Eu podia ouvir os passos do porteiro e do criado do hotel escada acima. Desci pelo elevador automático e caminhei através do hall até a rua.
Era um belo dia quente em pleno inverno. Sabia que não tinha muita chance, mas o mínimo de chance é melhor do que nenhuma, melhor do que servir de cobaia para experiências com ST(6) ou quaisquer que sejam as iniciais”. (BURROUGHS, 1984, p. 191-192).
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I sat back letting my mind work without pushing it. Push your mind too hard, and it will fuck up like an overloaded switch-board, or turn on you with sabotage… And I had no margin for error. Americans have a special horror of giving up control, of letting things happen in their own way without interference. They would like to jump down into their stomachs and digest the food and shovel the shit out.
Your mind will answer most questions if you learn to relax and wait for the answer. Like one of those thinking machines, you feed in your question, sit back and wait…57(BURROUGHS, 1993, p.170).
Ele calmamente põe a memória a funcionar: “[...] putting asside to reconsider, narrowing, shifting, feeling for the name, the answer.”58 (BURROUGHS, 1993, p. 170).
É imprescindível ter mais drogas, é necessário alguém que tenha ou saiba quem as pode fornecer. Entretanto, de acordo com o próprio narrador:
At all levels the drug trade operates without schedule. Nobody delivers on time except by accident. The addict runs on junk time. His body is his clock, and junk runs through it like an hour-glass. Time has meaning for him only with reference to his need. Then he makes his abrupt intrusion into the time of others, and, like all Outsiders, all Petitioners, he must wait, unless he happens to mesh with non-junk time.59(BURROUGHS, 1993, p.170).
Então: “I spent the night in the Ever Hard Baths – (homossexuality is the best all- around cover story an agent can use).”60 (grifo meu). Não obstante, há uma passagem em Naked Lunch, em que o narrador comenta sobre um “agente” que se perdeu em sua falsa identidade.
57 “Recostei-me no banco deixando minha cabeça trabalhar, mas sem força. Força a cabeça demais e ela te fode
como um painel eletrônico sobrecarregado, ou se vira contra você com sabotagens... E eu não podia dar margem pra erro. Os americanos têm horror especial de perder o controle, deixar as coisas seguirem seu próprio caminho, sem interferência. Eles gostariam de mergulhar nos próprios estômagos, digerir a comida e jogar a merda fora com a pá.
Sua cabeça responderá a maioria das perguntas se você aprender a relaxar e esperar a resposta. Como uma daquelas máquinas pensantes, você alimenta a pergunta, recosta-se e espera...” (BURROUGHS, 1984, p. 193- 194).
58 “Rejeita possibilidades e continua procurando, selecionando, buscando o nome e a resposta.” (BURROUGHS,
1984, p.194).
59 “Em todos os níveis o comércio de droga opera sem horário. Ninguém entrega na hora a não ser por acaso. O
viciado gira no tempo da droga. Seu corpo é seu próprio relógio e a droga corre nele como numa ampulheta. O tempo só tem significado para ele quando se refere a sua necessidade. E então ele faz uma incursão abrupta no tempo dos outros, e como todos De Fora, todos os Requerentes, ele precisa esperar, a não ser que esteja se misturando com o tempo que não é da droga.” (BURROUGHS, 1984, p.194).
60 “Passei a noite nas termas Everhard (homossexualidade é o melhor disfarce que um agente pode usar.”
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No dia seguinte, logo cedo, a fim de ter notícias sobre sua possível procura pelas autoridades, William Lee saiu à rua e comprou um jornal: nothing. Estrategicamente, ligou do telefone público para o Departamento de Narcóticos. Perguntou por O’Brien. Disseram que não havia ninguém com esse nome, nem Hauser algum. Insistiu e persistiu na insistência, até ouvir sonoramente: “’How many times I have to tell you no Hauser no O’Brien in this department…Now who is this calling?’. ”61 (BURROUGHS, 1993, p. 170).
Assim que o estarrecimento se abranda, o protagonista-narrador então conclui:
I hung up and took a taxi out the area… In the cab I realized what had happened…I had been occluded from space-time like eel’s ass occludes when he stops eating on the way to Sargasso…Locked out … Never again would I have a Key, a Point of Intersection … The Heat was off me from here on out… relegated with a Hauser and O’Brien to a landlocked junk past where heroin is always twenty-eight dollars an ounce and you can score for yen pox in the Chink Laundry of Sioux Falls…. Far side of the world’s mirror, moving into the past with Hauser e O’Brien … clawing at a not-yet of Telepathic Bureaucracies, Time Monopolies, Control Drugs, Heavy Fluid Addicts:
‘I thought of that three hundred years ago.’
‘Your plan was unworkable then and useless now… Like Da Vinci’s flying machine plans….’ 62(BURROUGHS, 1993, p. 171-172) (grifo meu).
As fugas de autoridades na vida de Burroughs era uma constante, tanto que o livro começa e termina com tal ato, como já foi apontado.
E, nessa óbvia paródia às Detective stories, ou seja, as populares “histórias de detetive” – que depois se imbricam com as de espionagem –, Burroughs inverte os lados da
61 “’Quantas vezes preciso dizer que não há nenhum Hauser ou O’Brien neste Departamento’.” (BURROUGHS,
1984, p.195).
62 “Desliguei e tomei um táxi para fora do bairro... Descobri no táxi o que tinha acontecido... Tinham me fechado
fora do espaço-tempo, do mesmo modo que o cú de uma enguia se fecha quando ela pára de comer a caminho do mar do Sargaço... Excluído... Nunca mais teria uma Chave, um Ponto de Intersecção... Dali pra diante estava de fora... relegado, junto com Hauser e O’Brien, a um enclausurado passado de droga em que a heroína custa sempre vinte e oito dólares o pacote, e você pode arrumar ópio queimado na Lavanderia Chinesa de Sioux Falls... O extremo mais distante do espelho do mundo viajando para o passado, com Hauser e O’Brien... tentando tocar o ainda sem-força de Burocracias Telepáticas, Monopólios do Tempo, Drogas de Controle, Viciados em Fluídos Pesados:
‘Eu pensei nisso há trezentos anos.’
‘Seu plano era impraticável na época e agora é inútil... Como os planos da máquina voadora de Da Vinci...’.” (BURROUGHS, 1984, p. 195).
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ação entre “herói e vilão”, e nos faz torcer pelo último: o anti-herói William Lee; que age bem à maneira de um Sam Spade ou Philip Marlowe63 toxicômanos.
E não finalizam por aí os paralelos entre “viciado” e “agente”64. Aliás, entendo que esse “último capítulo” é o começo da obra; pois, nesse sentido, as frases-chave são justamente as grifadas, que advertem sobre a presença de uma certa “fenda” na realidade, que, uma vez transposta, se está “fora do espaço-tempo”. Um locus abstrato que a droga pode vir a possibilitar através dos lapsos e intermitências temporais, ocasionados tanto por sua ingestão quanto por decorrentes efeitos colaterais.
Assim, o paralelo empreendido entre “viciado” e “agente” me leva a concluir que o primeiro, por intermédio das drogas, se desvincula das noções-padrão de espaço e tempo, impingidas pela nossa herança cultural, no mesmo instante em que começa a submergir em suas sensações, ou, melhor dizendo, em seu Tempo subjetivo. Categoria que Bráulio Tavares, usando noções einsteinianas, didaticamente assinala:
Mas temos que fazer uma distinção entre tempo objetivo e tempo subjetivo.
Tempo Objetivo é aquele que nós medimos com relógios e calendários; é
uma convenção para facilitar nossa convivência. Tempo Subjetivo é o que experimentamos em nossa mente, conforme as nossas emoções.65
Neste périplo memória adentro, o ensejo figurativo entre viciado e agente vai se afunilando; ou seja, a princípio se trata de um cidadão comum - à maneira do agente - , até que gradativamente vai se afastando das noções de tempo e espaço tradicionais e principia a
63 Personagens de Dashiell Hammett e Raymond Chandler, respectivamente. O primeiro personagem foi
protagonista de uma série de contos na lendária revista Black Mask, aparecendo no gênero romance em 1930, no clássico Maltese Falcon. Spade foi diferenciado de outros detetives, até então, pelo seu caráter de dissimulador amoral e pela aversão às autoridades policiais. Assim, Spade fez escola no gênero. O sucedâneo direto desse é o personagem de Chandler, que surgiu em 1939 no romance The Big Sleep. As principais características de Marlowe se devem a sua capacidade de ingerir litros e litros de bebidas alcoólicas e o fato de não se poupar para o uso extremo da violência. Basicamente, esses dois autores instituíram a segunda fase da literatura policial norte-americana – a primeira está restrita a Edgar Allan Poe –, que foi designada: Hard-Boiled.
64 Personagem típico do romance de espionagem, ou “intriga internacional”, cuja diferença entre seu congênere,
o romance policial, está exatamente no fato de que o protagonista, via de regra, passa suas aventuras em outros lugares que não o seu de origem, no caso, sua nação. E, por extensão, nessas tramas sempre há um pano de fundo com implicações políticas.
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atuar exclusivamente nos abismos do universo psíquico, onde a lógica aristotélica é incontestavelmente abolida.
Mais ou menos conforme o processo descrito na epígrafe deste sub-item, cuja diferença essencial está no fato de que Yves Duplessis aborda a paranóia enquanto patologia mental que oferece uma síntese entre real e imaginário tão pretendida pelos surrealistas, que nutriam interesse especial no fenômeno.
Essa é uma leitura pessoal a respeito da alegoria que Burroughs estabelece entre o “agente” e o “dependente químico” no decorrer de Naked Lunch. Inclusive, este excerto é uma boa oportunidade para vislumbrarmos isso:
The danger, as always, comes from defecting agents: A.J., The Vigilance, The Black Armadillo (carrier of Chagas vectors, hasn’t take a bath since the Argentine epidemic of ’35, remember?), And Lee and The Sailor and Benway. And I know some agent is out there in the darkness looking for me. Because all Agents defect and all Resisters sell out…66
(BURROUGHS,1993, p. 163).
Ampliando o envolvimento alegórico entre as entidades, “agente” e “viciado”, fica evidente que se Burroughs assim estabelece, é porque se identifica com essa condição. Daí a convocação de seu alter ego, “William Lee”, a fim de realizar as mais mirabolantes missões em mundos inóspitos, mas inevitáveis.
I was working for an outfit known as Islam Inc., financed by A.J., the notorious Merchant of Sex […] A. J. is an agent like me, but for whom or for what no one has ever been able to discover. It is rumored that he represents a trust of giant insects from another galaxy…. I believe he is on the Factualist side (which I also represent).67(BURROUGHS, 1993, p. 120-121).
Os “Factualistas” compõem um dos partidos de Interzone, e são rivais especialmente dos Senders (“Transmissores”), e graças à intervenção dos primeiros sobre os últimos, foi
66 “O perigo, como sempre, vem dos agentes desertores: A. J., O Vigilante, Black Armadillo (portador de vetores