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3.3 Innholdet i og omfanget av boligsalgsrapport
Os Estados Unidos conquistaram sua independência da Grã-Bretanha após uma sangrenta guerra de independência no século XVIII, com a ajuda do então maior inimigo de sua ex-metrópole, a França. O primeiro Estado americano era dominado e em grande escala ocupado por povos de origem britânica ou de outras origens europeias. Seus valores e princípios vinham de uma tradição extremamente marcada pelo pensamento europeu, sendo que a organização política do Estado americano foi amplamente influenciada pelas ideias do Velho Continente, apesar de boa parte da ideologia do novo Estado estar baseada na ideia de superação e até mesmo antagonismo para com os europeus. (WATSON, 2004, p. 371)
Tornado poderoso pela expansão a partir da costa leste e dotado de um sistema econômico e politico inovador, em um continente rico e virtualmente inexplorado, os Estados Unidos já surgiram como Nação em condição de exercer supremacia continental. Como aponta Kissinger, na obra Diplomacia (2007, p.21), dois fatores são essenciais para entender a projeção mundial dos Estados Unidos para os assuntos internacionais: seu poder, em rápida expansão, e o desmoronar gradual da lógica do sistema internacional centrado na Europa.
Os Estados Unidos traziam um novo impulso para o modelo Ocidental que entrava, ainda no século XIX, em uma fase de grande crise, sendo que sua política externa acompanhava essa evolução. Nos primeiros anos da República Americana, as questões internacionais refletiam o seu interesse nacional, que tinha como meta essencial o fortalecimento da independência de uma nova nação. Por diversas vezes, os fundadores manipularam as potências da época, França e Grã-Bretanha, usando os argumentos de não alinhamento e neutralidade como armas efetivas no jogo global e sempre que possível negando o modo europeu de fazer política internacional. A própria expansão para o oeste, em territórios não pertencentes às antigas Treze Colônias, eram para os políticos americanos considerados como um assunto interno da América e não uma questão de política externa. Evitando o jogo europeu, que desencadeara inúmeras guerras para prevenir a ascensão de forças potencialmente dominantes, e se centrando em um crescimento rápido no âmbito interno, inspirado pela confiança do processo revolucionário e suficientemente afastado para engrenar a sua política, os Estados Unidos se tornavam distantes e imparciais suficientemente para seguir um caminho novo na realidade internacional. (KISSINGER, 2007, p.23)
Com o passar dos anos, a política americana teve pouca inflexão. A tese básica dos Estados Unidos era defender a causa da desaprovação da política europeia baseada no equilíbrio de poder, enquanto consideravam a sua expansão como sendo um “destino manifesto”. De forma sintética podemos dizer que, durante todo o século XIX, a política externa americana era basicamente cumprir seu destino e permanecer livre de qualquer envolvimento estrangeiro. Dentro desse quadro histórico e político, a decisão de excluir a política europeia do poder no hemisfério ocidental, usando se necessário alguns dos métodos da diplomacia europeia, era absolutamente inovadora. (KISSINGER, 2007, p.23-24)
Na década de 1860, contradições internas levaram a Guerra de Secessão Americana (1861-1865), entre o Norte industrial e Sul escravocrata. Em 1865, o povo americano estava exaurido pela longa guerra civil. Os quatro anos de carnificina haviam deixado mais de seiscentos mil soldados mortos e mais um
número não conhecido de inválidos e muitos cidadãos de luto por algum parente ou conhecido. Para a história americana, no entanto, o conflito e a vitória do Norte significou a abolição da escravidão, a preservação do governo central e o término das longas disputas internas que permeavam o país desde a independência. (SCHOULTZ, p.101, 2000)
A conquista da estabilidade interna possibilitou um avanço rápido rumo ao desenvolvimento econômico e militar. No ano de 1885 os americanos já haviam ultrapassado a Grã-Bretanha, até então considerada a maior potência industrial do mundo em termos de produção. No limiar do século, os Estados Unidos já consumiam mais energia do que a Alemanha, a França, a Áustria-Hungria, a Rússia, o Japão e a Itália juntos. Após a Guerra Civil, a produção de carvão, os carris de aços, as estradas de ferro e a produção de trigo já estavam entre as maiores do planeta. A imigração e a vibrante economia produziam um acúmulo de riqueza em uma velocidade não antes vista e parecia acelerar. (KISSINGER, p.28, 2007)
Com exceção do breve interlúdio dos anos de Guerra Civil, dando espaço para que a Europa assumisse posições na região, a influência dos Estados Unidos na América Latina foi ampla. Durante o intervalo que se estende entre 1870-1889, ainda não se verá com contornos claros o imperialismo na condução dos assuntos hemisféricos como nos anos subsequentes, mas tornava-se a partir de então cada vez mais impossível mensurar qualquer impacto na região sem considerar a influência americana.
Nos anos de 1870, já não havia dúvidas sobre o papel crescente de poder da grande República do continente. A fascinação era exercida em vários setores da sociedade Imperial, especialmente entre os núcleos Repúblicanos e mesmo entre monarquistas, caso de Joaquim Nabuco, que apesar da sua preferência pelas instituições britânicas, reconhecia a pujança da nova nação que pareciam “estar inventando a vida, como se nada existisse até hoje”. (NABUCO,1963, p.157) A posição cada vez mais central que os Estados Unidos desempenhavam no jogo mundial fazia com que sua presença não pudesse ser negligenciada.
Historicamente, as relações do Império com os Estados Unidos sempre foram cordiais, a iniciar pelo fato de terem sido os primeiros a reconhecer a Independência com Portugal e as animosidades terem sido rapidamente solucionadas. Apesar de alguns atritos originados pela tentativa americana de apresentar bons ofícios durante a Guerra do Paraguai, e encontrando a total recusa por parte do Brasil, com o fim do conflito, em 1870, as relações bilaterais passaram a ser ditadas pelo respeito mútuo. Em 1876, no tempo da Presidência Grant, D. Pedro II fez uma visita aos Estados Unidos, onde passou por várias cidades e deixou uma impressão muito positiva da sua figura e do Brasil, algo que iremos tratar mais adiante. (CARVALHO, 1959, p.362-363)
No campo diplomático, houve vários convites do Brasil para participar de convenções e fóruns internacionais, o mais importante deles, o Congresso de Washington, de iniciativa americana, será retomado mais à frente. Em um dos momentos de maior relevância na relação bilateral, os Governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, desejando chegar a acordo amigável relativo às reclamações provenientes de atos durante a guerra entre os Estados do Norte e os do Sul da União Americana, celebraram um Tratado, assinado em Washington, em 8 de Maio de 1871, com o fim de darem solução as reclamações de ambos os lados.
Conforme com o art.1º do mesmo Tratado, as reclamações seriam levadas a um tribunal de arbitramento, composto de cinco membros, sendo um deles nomeados pelo Imperador do Brasil. (RRNE, 1871, p. 02-03) O convite foi feito em notas entregues no dia 21 de Agosto de 1871, sendo que os representantes dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha manifestaram inteira confiança que o Imperador, amigo comum dos dois Estados, julgaria com espírito de justiça e imparcialidade que o distingue. O pedido foi acompanhado de um sincero desejo que D. Pedro II não recusasse a prestar os bons ofícios que lhe foi solicitado. As Falas do Trono mencionaram o fato com grande destaque, mostrando a importância e prestígio conferido ao governo Imperial:
O governo Imperial foi convidado para nomear um dos árbitros que, em virtude do tratado de Washington, tem de decidir as reclamações pendentes entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América. Aceitei aquele convite com o cordial desejo de dar novo testemunho de nossa amizade às duas altas partes contratantes, e de corresponder à confiança que elas depositam no governo do Brasil (FALAS DO TRONO, 1977, p.401)
O convite foi recebido de bom grado pela Princesa Isabel em nome do Imperador, e por meio do Decreto de 13 de Setembro de 1871, foi nomeado como membro do tribunal de arbitramento o Sr. Barão de Itajabá, ministro plenipotenciário na França. As legações dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, ao terem conhecimento da nomeação, declararão que lhes fora agradável a notícia da escolha.
Ainda que cordiais, as relações do Brasil com os Estados Unidos sofreram alguns abalos substanciais. O mais importante deles foi em 1869, quando houve a suspensão das relações entre o Império Brasileiro e os Estados Unidos. Alguns anos antes, 1867, o general Webb, representante norte-americano na corte do Rio de Janeiro conseguiu, por meio de uma política de ameaças e pressão, uma enorme quantia de indenização do Império por supostas perdas de proprietários de navios americanos. Após conseguir as reparações pretendidas, reclamou indenização pela embarcação Canadá, que havia encalhado a mais de dez anos. As relações se estremeceram e foram rompidas em 10 de maio de 1869. O Governo Americano desautorizou a atitude de Webb e restabeleceu as relações com o Império.
Em 1872, depois de pedido da Legação Brasileira na capital americana, os Estados Unidos entenderam que o Brasil sofreu uma extorsão no caso da reparação de 1867, especialmente no caso de um dos navios, o Caroline. O Governo Americano, em ação contra o Webb, atribuiu ao general a culpa por embolsar parte considerável da indenização paga pelo Brasil, remetendo apenas uma parte ao Departamento de Estado e de “segundo a qual elle gastou parte do dinheiro recebido em subornar brazileiros que exerciam funcções oficiais”(RRNE, 1874, p.22-28)
Após várias investigações, também no Brasil, sobre a corrupção que poderia ter havido, chegou-se a conclusão que não houve influencia oficial dentro do Governo em favor de Webb. A reclamação foi paga unicamente, segundo o Marquês de Caravellas, porque o Governo Imperial quis evitar rompimento com os Estados Unidos, já que na ocasião necessitava de toda a energia e recursos na guerra contra López. (RRNE, 1874, p.22-28) Optou naquela situação por não abalar as relações por conta de um assunto financeiro. Em 1974, o Governo norte-americano devolveu ao representante brasileiro US$96.406,73, valor correspondente a quantia paga pelo Caroline, acrescido de juros anuais de 6%. (BANDEIRA, 1978, p.114)
As relações diplomáticas, em geral amistosas, escondiam um crescimento enorme da participação americana na economia brasileira, eclipsando junto de outros desafiantes, como a Alemanha e a França, o domínio histórico britânico. No ano de 1870, os Estados Unidos, segundo dados apresentados por Bethell (2012, p.172), respondiam por aproximadamente 6% das importações brasileiras, especialmente farinha e laticínios, sem que não houvesse um grande investimento direto significativo da sua parte no Brasil. Aos poucos essa realidade mudaria: em 1880 a Singer Manufacturing Co., uma subsidiária da Standard Oil, especializada em vaselina, abriu escritórios no Rio de Janeiro e as exportações brasileiras com destino os Estados Unidos ultrapassou os 15% nos anos 1840 para aproximadamente 30% a 40% nos anos de 1870 e 1880. Data dos últimos anos do Império, especificamente 1872, a eliminação da tarifa sobre o café, fazendo com que quase dois terços do café exportado pelo Brasil tivessem destino o mercado americano.