norske bakgrunnsstasjoner i 1976, august 1978-juni 1979, 1980 (februar-desember) og 1981-1998
3. Innholdet av svovel- og nitrogenforbindelser i luft
Muito escassos sãos os estudos que tratam a aquisição de passivas em PE. Sim- Sim (2006) aplicou uma prova (constituída por 32 itens dos quais 4 correspondiam a frases passivas) que visava obter o reconhecimento de um enunciado descontextualizado através da resposta a uma pergunta articulada com base no enunciado apresentado. A amostra foi constituída por 446 crianças, que se dividiam em três grupos etários: 4, 6 e 9 anos. As frases passivas, bem como as perguntas feitas às crianças sobre cada exemplo, foram as seguintes:
(34) O menino foi arranhado pelo gato. Quem é que arranhou o menino? (35) O rapaz foi beijado pela rapariga. Quem é que beijou?
(36) O leão foi atacado pelo tigre. Quem é que atacou?
(37) A carteira foi-me roubada no autocarro. Quem é que roubou a carteira? A instrução que foi fornecida à criança foi a seguintes: "Ouve com atenção. Vou dizer- te uma frase e fazer-te uma pergunta para responderes em seguida" (Sim-Sim 2006: 16). Previamente o avaliador forneceu-lhe três exemplos.
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O estudo de Sim-Sim (1998) faz a distinção entre a compreensão de passivas reversíveis (35) e (36) e de não reversíveis (34), apresentando resultados que mostram que as crianças de seis anos ainda manifestam dificuldades na compreensão de passivas reversíveis. Apenas a partir dos nove anos é que têm um desempenho ao nível do adulto, com uma taxa de acerto de 77%. Já as passivas não reversíveis são compreendidas aos quatro anos, com 94% de correção. Perante a frase em (37), as crianças das três faixas etárias revelaram bastante dificuldade, justificando a autora esse elevado grau de dificuldade não com o tipo de passiva, mas com a indeterminação do argumento externo (Sim-Sim 2006).
Afonso (2011) considera que a passiva não reversível poderá ter sido de mais fácil interpretação dada a existência de uma pista semântica, no sentido em que é pouco provável que o gato seja arranhado pelo menino. Mais do que de uma pista semântica, parece-nos que se tratará antes de uma questão metodológica. Na verdade, apenas relativamente a este exemplo de passiva não reversível (34), é formulada uma questão em que se insere já um dos intervenientes na ação (o menino). Portanto, o outro elemento disponível para ser integrado na resposta da criança seria o gato. Em nenhuma das outras passivas, a pergunta é formulada nos mesmos termos, ou seja, questiona-se simplesmente o agente da ação, sem se indicar quem “terá sofrido” essa mesma ação.
Parece-nos, assim, que esta falha aqui apontada ao teste de Sim-Sim (2006) poderá ter contribuído para os melhores resultados na interpretação da passiva não reversível, quando comparada com a passiva reversível. Outra lacuna que merece ser considerada é o facto de apenas terem sido testadas quatro frases passivas, com quatro verbos distintos. Apesar da quantidade, quanto a nós insuficiente, de frases e verbos, o número elevado de participantes na tarefa confere robustez aos dados apurados.
Como veremos na secção 3.1.1, as passivas não reversíveis não foram objeto de análise no nosso estudo. Apenas as passivas reversíveis foram estudadas. Obtivemos resultados diferentes dos de Sim-Sim (2006), no sentido em que as crianças testadas por nós obtiveram resultados ao nível do adulto em passivas reversíveis com verbos agentivos aos quatro anos. Os fatores aventados nos parágrafos anteriores poderão talvez explicar tais diferenças.
O mesmo teste de Sim-Sim foi aplicado por Pereira (2008) a uma amostra de 60 crianças com idades entre os 5:10 e os 6:11, que estavam divididas em dois grupos: um grupo que frequentou o jardim de infância e outro que não o fez. Os resultados são
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consistentes com os de Sim-Sim, não tendo sido apuradas diferenças significativas entre ambos os grupos.
Também para o português, Correia (2003) levou a cabo um estudo com o qual pretendia contribuir com dados empíricos para uma análise do modo como as crianças se apropriam da estrutura passiva. Outro objetivo era identificar estádios de desenvolvimento sintático relativamente às diferentes estruturas passivas. O seu trabalho relativo à aquisição assenta em duas hipóteses fundamentais (Correia 2003: 236):
Hipótese 1 - A complexidade sintática das construções passivas condiciona a compreensão e a produção das mesmas;
Hipótese 2 - O processo de compreensão e de produção das construções passivas ou “pseudo-passivas” está relacionado com o nível etário e com o nível de instrução dos sujeitos.
Foram realizadas três experiências, sendo as duas primeiras de produção e uma terceira de compreensão de diferentes estruturas passivas (sintáticas e de clítico). Daremos apenas conta das duas primeiras. Os testes foram feitos com alunos do 4.º, 6.º e 9.º anos e um grupo de adultos, sendo cada grupo constituído por 20 participantes.
A primeira experiência, de produção provocada de construções passivas perifrásticas, mostrou que, independentemente do tipo de verbo ou do traço semântico dos SN com função semântica de agente e de paciente, os participantes recorrem sistematicamente a passivas longas. Para a autora, “a descontextualização das frases- estímulo e o tipo de questão colocada para cada frase poderão estar na origem desta opção. Estes dados reforçam a pertinência do argumento com função semântica de Agente, nomeadamente do seu caráter informativo” (Correia 2003: 531).
Para além disso, o tipo de verbo utilizado nas estruturas mostrou-se decisivo para o processo da produção, tendo-se constatado que:
verbos ditransitivos como indicar, que selecionam dois argumentos internos, um com a função sintática de objeto direto e o outro com a função de objeto indireto em estruturas como “As setas indicam o caminho aos navegadores” limitam a produção de estruturas passivas comparativamente a verbos com um único argumento interno do tipo comer: “A Joana come o bolo. (Correia 2003: 532)
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Os resultados mostram ainda que a oposição [+/- dinâmico] tem implicações na seleção da classe a que pertence o predicador verbal e, como tal, na produção de passivas verbais ou adjetivais (com estar e ficar).
A questão da reversibilidade não revelou quaisquer implicações ao nível da produção, ao contrário do que foi apontado por Sim-Sim (1998) ao nível da compreensão.
Relativamente aos resultados do teste de compreensão, Correia (2003: 537) conclui que “o modo de estruturação do enunciado formado a partir de estruturas passivas perifrásticas impõe custos elevados para o processamento sintático e semântico eficaz, que aumentam quando se trata de passivas de clítico”.
As duas hipóteses inicialmente levantadas pela autora são confirmadas, verificando-se, por um lado, que a complexidade de construção condiciona a respetiva compreensão e produção e, por outro, que os fatores idade e nível de instrução são importantes para a análise desta estrutura.
2.8.1 Resumo da secção
Para o PE, Sim-Sim (2006) mostra que as crianças de seis anos ainda manifestam dificuldades na compreensão de passivas reversíveis, sendo somente a partir dos nove anos que demonstram um desempenho ao nível do adulto. Não obstante a robustez dos dados de Sim-Sim, que é justificada pelo elevado número de alunos que participaram na experiência, parece-nos possível apontar questões relacionadas com o desenho experimental do teste como tendo contribuído para o bom desempenho com passivas não reversíveis. Para além disso, o número de passivas testadas (quatro) é manifestamente baixo.
No seu trabalho, Correia (2003) confirma que, por um lado, a complexidade sintática das construções passivas condiciona a sua compreensão e a produção. Por outro, é possível estabelecer uma relação entre o processo de compreensão e de produção das construções passivas ou “pseudo-passivas” e a faixa etária e o nível de instrução dos participantes.
Na verdade, muitas razões têm sido avançadas para o aparente atraso na aquisição de passivas: raridade no input, opcionalidade do agente da passiva, agentividade do predicado. Alguns autores reclamam a universalidade desse atraso, enquanto outros a refutam tendo em conta a variabilidade interlinguística. O certo é que
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o trabalho interlinguístico é fundamental para a descoberta da natureza da linguagem infantil. Para além disso, com o desenvolvimento de novas técnicas e teorias, o nosso entendimento dos factos e a sua interpretação têm vindo a alterar-se. É nesse sentido que também nos parece fundamental continuar a desenvolver estudos que analisem o modo como as crianças lidam com a passiva, não só ao nível da compreensão, como também da produção. Na secção seguinte, mostraremos as quatro experiências que levámos a cabo para tentar compreender o modo como as crianças interpretam a passiva e ainda a análise de um corpus de aquisição (Santos 2006). Um corpus oral (C-ORAL- ROM) será também analisado para averiguar a quantidade de passivas produzidas no discurso.
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