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CARACTERIZAÇÃO PETROGRÁFICA

Para este ensaio foram seguidas as diretrizes da norma ABNT 12.768/92, Rochas para revestimento – Análise petrográfica.

Através da análise dos dados obtidos neste ensaio, pode-se por exemplo:

1. Relacionar os valores de porosidade da rocha com o estado microfissural/estrutural da rocha.

2. Determinar a presença de minerais deletérios, que podem provocar descoloração, manchamentos, perda de massa e reações físico-químicas com produtos usados em sua colocação.

3. Determinar através da correlação entre microtextura e macrodescontinuidades a melhor direção de corte, levando-se em conta sua resistência mecânica máxima e sua capacidade de permitir a percolação de fluidos.

4. Classificar corretamente a rocha sob o ponto de vista petrográfico, fornecendo informações concretas aos consumidores.

5. Avaliar o estado de alteração dos minerais, permitindo para alguns tipos de rocha, correlacionar a variação das cores da rocha com a alteração de determinados minerais.

DETERMINAÇÃO DE ÍNDICES FÍSICOS

A determinação dos índices físicos consiste em verificar os parâmetros de massa específica aparente, absorção d’água aparente e porosidade aparente de uma rocha. Os

procedimentos adotados foram os mesmos propostos pelo autor (Bezerra et al., 1998) a partir da adaptação da norma NBR12766/1992 (ABNT).

DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA AO ÁCIDO SULFUROSO

O objetivo básico deste ensaio é simular a exposição de materiais pétreos a ambientes poluídos, sendo útil na especificação adequada das rochas ornamentais. Este ensaio é recomendado para rochas que serão utilizadas como revestimentos e pavimentos externos e é particularmente importante para as ardósias usadas como telhas, já que estas estarão expostas a condições severas de uso e devem se manter íntegras por razões de segurança. Não existe ainda uma norma técnica da ABNT para este tipo de ensaio em ardósias, granitos e mármores. A norma que pode ser tomada como referência é a norma espanhola UNE 22.198 (resistência da ardósia aos ácidos), bem como o esboço de norma do Comitê Europeu de Normalização – CENTC 246 WG2 N385. No laboratório da LOEMCO (Laboratório Oficial para Ensayo de Materiales de Construcción) em Madri - Espanha, são realizados testes em diversos tipos de rochas ornamentais usando-se ácido sulfuroso (H2SO3), seguindo em linhas gerais as diretrizes da norma em elaboração.

CRISTALIZAÇÃO DE SAIS

Não existe ainda uma norma técnica da ABNT para este tipo de ensaio em ardósias, granitos e mármores. Também não existe uma norma européia unificada para este tipo de ensaio, embora já exista um esboço de norma no grupo de trabalho CENTC 246 WG2, sob o número N170E. No laboratório da LOEMCO são realizados ensaios deste tipo, seguindo em linhas gerais as diretrizes da norma européia em elaboração.

Abaixo é descrito o método que deve ser empregado para a execução deste ensaio. Devido ao fato da extrema sensibilidade do ensaio à temperatura e à atual falta de condições dos laboratórios do CPMTC para tal, este ensaio não pôde ser plenamente realizado. Foram feitos alguns poucos ciclos de saturação, que foram interrompidos quando verificou-se que não estavam sendo mantidas as condições de temperatura exigidas.

O procedimento básico para a execução deste ensaio é pesar os CP após secagem, saturá- los em uma solução de sulfato de sódio anidro e água deionizada, secá-los e quantificar a mudança de massa em cada um dos 15 ciclos a que eles são submetidos.

O objetivo básico é dar uma idéia preliminar do comportamento da rocha submetida à tensões internas devido a cristalização de sais em sua matriz. Simula adequadamente ambientes sujeitos a temperaturas abaixo de 0oC, evitando se fazer os demorados testes tradicionais de congelamento e desgelo.

Pode-se também simular a exposição de materiais pétreos em áreas costeiras ou também dos materiais sujeitos à situações extremas de mau uso das técnicas de aplicação com

argamassa. Nestes casos ocorre também cristalização de sais, que tensionam a placa pétrea e facilitam a ação de outros agentes intempéricos.

Este ensaio é altamente recomendado para rochas que serão utilizadas como revestimentos e pavimentos externos em áreas de clima frio e desejável para áreas litorâneas. Uma limitação deste teste é que ele não se aplica a rochas com baixa porosidade. Para testar o método foram usados CP submetidos ou não ao ataque ácido, para fins de comparação. Para a sua execução foram preparados seis CP com as mesmas dimensões dos CP usados nos testes de porosidade e de ataque ácido. Neste ensaio as rochas são submetidas a solução de 14% de sulfato de sódio (peso específico de 1,055) dentro de uma câmara fechada, estando os CP imersos, com uma coluna de 1cm de solução acima deles. Para materiais que requerem uma vida útil muito longa e submetidos a condições naturais muito severas, pode-se usar soluções saturadas, com peso específico em torno de 1,166-1,170. Deve-se usar uma nova solução para cada ciclo do teste.

Após imersão dos CP por 2 horas a temperatura de 20oC, os CP são colocados em uma estufa e secos em ambiente com alta umidade relativa nos primeiros estágios de secagem, aumentando a temperatura dos CP para 103oC em um período entre 10 e 15 horas. Uma mudança de 0,5oC na temperatura de saturação (20oC) pode afetar significativamente os resultados do ensaio. Os CP são mantidos na estufa desligada por pelo menos 16 horas e depois resfriados a temperatura ambiente antes de submetidos novamente a um novo ciclo de saturação. São feitos 15 ciclos como este, a não ser que ocorra ruptura dos CP antes de completar estes ciclos. Os CP são pesados e verifica-se a percentagem de variação de massa de cada um deles antes e depois de submetidos à solução.

A cristalização dos sais provoca uma pressão na amostra, que pode chegar a provocar a ruptura dependendo da porosidade, textura e grau de alteração do material. Ocorrendo ruptura deve-se registrar em qual ciclo ela ocorreu e fotografá-la.