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– inkludering i arbeidsmiljøet

In document Arbeidsinkludering og mentor (sider 18-21)

No principio deste trabalho académico, no primeiro capitulo, quando nos referimos ao fenómeno da democratização do ensino, materializada pelo trinómio, universalidade, obrigatoriedade e gratuitidade, refereciamos o trabalho de Pierre Bourdieu e Passeron (1964), no qual defendiam que os alunos oriundos da classe média entravam para a escola numa situação de vantagem em relação aos alunos vindos da classe operária e camponesa. Tal vantagem residia no fato de aqueles alunos, no ciclo doméstico, já dominarem a linguagem escolar, ao contrário destes últi- mos.

11 “obviamente, a tutoria privada não é, em si mesma, boa nem má. A grande questão prende-se com a forma e as

circunstâncias em que ela é oferecida. É providenciada pelos professores do sistema principal, tutores externos ou centros privados? Os professores estão a dar explicações aos seus próprios alunos? A tutoria privada complementa as provisões da escola pública? A tutoria privada corrompe o sistema principal de várias formas?” (tradução do autor)

Concluímos, naquele interregno, que para além da universalidade, obrigatoriedade e gratuitida- de, eram necessárias ações que pudessem colocar todos os alunos em igualdade de circunstân- cias, tendo sido propostas, entre outras ações de discriminação positiva, o acesso dos alunos vindos de famílias desfavorecidas a melhores escolas, num sistema de bolsas.

Aqui, vamos procurar analisar a relação que pode existir entre as explicações e a classe média. Para tal começaremos por apresentar o contexto em que as explicações expandem-se, socorren- do-nos das palavras de Afonso (2008, p. 27):

“verificamos que as explicações são um fenómeno que não é própria mente novo, estando o mesmo relacionado, entre outros factores, quer com a já longa crise da escola pública e as suas consequências sociais e académicas, quer com o reforço das estratégias de pre- servação de (velhos) estatutos e privilégios de classe, quer, ainda, com estratégias de au- mentar as probabilidades de concretizar expectativas de mobilida de social ascendente.” Temos vindo a afirmar que a escola pública enfrenta sérias “crises” porque não tem conseguido cumprir a sua missão de forma satisfatória. Algumas dessas crises são académicas, concreta- mente, o insucesso e o abandono, tal como o diz Afonso (2008) que, na maior parte dos casos afeta os alunos provenientes de famílias pobres. A crise da escola, de acordo com o autor citado, manifesta-se, também, nas crises sociais, que se prendem com a desvalorização dos certificados escolares pelo mercado. Este cenário propicia a expansão das explicações como uma forma de compensar as falhas da escola. No entanto, e ainda de acordo com Afonso (2008, p. 30):

“no que diz respeito aos filhos das classes médias - historicamente de pendentes do suces- so nas trajectórias da escolarização que escolhem ou são induzidos a escolher -, a procura das explicações terá possivelmente motivações que tanto se traduzem em formas de refor- ço (ou suplemento) como se traduzem em formas compensatórias, sendo certo que, em qualquer dos casos estará subjacente uma estratégia que visa contribuir para aumentar as probabilidades de concretizar expectativas de mobilidade social acendente”.

Um estudo realizado por Costa, Neto-Mendes e Ventura (2008), num período de quatro anos, de 2004 a 2007, a quatro escolas secundárias, numa cidade que convencionaram chamar “aqua- rela” demonstra, também, que entre as razões que levam os alunos a procurarem e frequenta- rem as explicações, algumas gravitam numa estratégia tendente a aumentar as probabilidades

de concretizar expetativas de manutenção da posição social e de mobilidade social ascendente. Tal como consta do estudo realizado, entre o insucesso anterior na disciplina, a obtenção de uma média que permita o acesso seguro ao ensino superior, a falta de competência do profes- sor e o receio de não ser capaz de ter sucesso sem ajuda, os alunos das quatro escolas indica- ram como razão principal da frequência das explicações, a obtenção de média que permita o acesso seguro ao ensino superior e, depois, o insucesso anterior na disciplina em que se reque- reu um explicador.

A falta de competência do professor e o receio de não ser capaz de ter sucesso sem ajuda, que estão relacionadas com a escola, curiosamente, são as menos apontadas. Por essa razão, con- cordando com Afonso (2008), Costa, Neto-Mendes e Ventura (2008, p. 151), dizem:

“significa isto que as explicações não ocorrem exclusivamente por motivos de superação de dificuldades de aquisição de conhecimentos, de apoio aos alunos com insucesso […] trata- se, antes, de um fenómeno mais abrangente que assume outros contornos, constituindo- se, designadamente, como um mecanismo de concorrência e de competição que alunos e famílias usam para a obtenção de classificações mais elevadas que lhe permitam benefici- ar dos lugares apetecíveis da oferta educativa de nível superior, que envolve quer as insti- tuições, quer os cursos no seio destas”.

Finalmente, o estudo procurou entender a proveniência dos alunos que frequentam as explica- ções, focalizando o nível académico dos progenitores. O resultado apontou para o seguinte: 73% dos alunos que frequentam as explicações, seus progenitores têm como nível académico o ensi- no superior, enquanto 49% dos alunos, cujos pais não têm o nível de ensino superior, não fre- quentam as explicações.

Assim, pode-se concluir que as explicações são usadas pela classe média como estratégia de manutenção da sua posição social e, também, de ascensão.

Procuramos, até aqui, discutir a relação entre as explicações, enquanto sistema educativo alter- nativo e na sombra, e as funções da escola. Procuramos, também, entender como é que a clas- se média utiliza as explicações como meio de manutenção e ascensão social.

Para a elaboração desse trabalho apoiamo-nos nas obras de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Pas- seron que buscaram analisar a relação entre a escola e a reprodução social, demonstrando que, o processo de socialização imprime nos estudantes um habitus primário que tende a reproduzir- se em suas práticas sociais, formando seu capital cultural.

Os estudantes das camadas sociais de baixa renda defrontam-se com dificuldades de aprendiza- gem, pois os códigos escolares são compatíveis com o capital cultural da camada social média, privilegiando os estudantes dessa camada social e excluindo aqueles.

A seguir, à título exploratório, buscaremos entender a dimensão do fenómeno das explicações em Angola, descrevendo o seu impacto no sucesso escolar dos estudantes provenientes das camadas sociais de baixa e média renda.

Com as devidas adaptações, seguiremos o rumo das investigações realizadas por 12Jorge Adelino

Costa, António Neto-Mendes e Alexandre Ventura, sobre as explicações.

A pesquisa assentará numa perspectiva descritiva e interpretativa com recurso a aplicação de inquéritos por questionário e análise documental.

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