1. Innledning
1.2. Teori
1.2.3 Fettsyreanalyser og GC-MS
1.2.3.4 Injeksjon av prøve på GC
Para LEITÃO (1999), o conceito de sustentabilidade urbana se torna particularmente instigante quando a dimensão subjetiva é considerada, ou seja, quando se aborda a natureza simbólica das relações que o ser humano estabelece com seu espaço. Segundo a autora, são justamente essas relações simbólicas, afetivas e subjetivas, que originam um compromisso com o ambiente construído, essencial à conquista da sustentabilidade.
A sustentabilidade urbana propicia alguns elementos importantes para a compreensão do espaço: o senso de continuidade – expresso, principalmente, nas questões de conservação e mudança, sempre um desafio quando relacionado ao urbanismo – e a idéia dos limites das propostas, tendo em vista os direitos ambientais das futuras gerações. Nesse sentido, LEITÃO (1999) aponta duas outras crenças básicas implícitas à noção de sustentabilidade: que as necessidades humanas já são profundamente conhecidas, e que o ser humano é capaz de limitar seus próprios interesses em benefício dos interesses alheios.
A primeira idéia parte do princípio que não há dúvida na resposta a questões como qual a finalidade do ambiente construído; ou quais necessidades ele deve atender; ou ainda se existem necessidades subjetivas que devam ser consideradas pelas cidades. Já a segunda aborda o contrato ético de difícil e complexa articulação que deve ser estabelecido entre diferentes gerações, visando ao desenvolvimento de atitudes que aspirem à eqüidade, justiça social, ao respeito à herança das futuras gerações, como limite aos próprios interesses. Essa dificuldade se torna ainda maior no mundo contemporâneo, onde os grandes valores são voltados para o individual, e no qual o modelo econômico considera as leis do mercado como mediadores sociais.
Dessa forma, compreender a natureza das necessidades humanas perpassa, implicitamente, as questões da cultura, em suas especificidades, singularidades e necessidades – muitas vezes inconscientes –; e da subjetividade, o que extrapola a racionalidade do ser humano e que, para ser profundamente conhecida, requer a contribuição de outras disciplinas, especialmente aquelas ligadas às ciências sociais. Apesar do caráter multidisciplinar que vem caracterizando a busca contemporânea de sustentabilidade ambiental, algumas abordagens significativas são ainda inexistentes. A subjetividade do espaço – manifestada pela atividade simbólica de seus ocupantes – é uma delas.
A existência humana esteve constantemente permeada pela construção simbólica ao longo da história, sobretudo através do mito. Os mitos constituem a expressão básica do espírito humano, geradora de vida em todas as civilizações. Seu fundamento básico é a submissão ao mistério incompreensível da vida, manifestada através do medo ou da humildade. Prova disto é que os heróis e as heroínas dos mitos nunca são os conquistadores, mas aqueles que se submetem, que moldam sua energia às forças mais elevadas da natureza (TURNER, 1990).
A separação real entre ciência e pensamento mitológico teve início nos séculos XVII e XVIII, como um movimento de oposição contra as velhas gerações do pensamento místico e mítico. Nessa época, o conhecimento através da razão foi substancialmente valorizado, em detrimento das formas sensoriais de percepção do mundo (LÉVI-STRAUSS, 1994). Houve uma dissociação, historicamente necessária, entre o pensamento científico – que parte do conceito em busca do fenômeno – e o que se pode denominar lógica do concreto – o pensamento que parte do fenômeno até chegar ao conceito. No entanto, o momento atual parece superar essa separação, à medida que a ciência moderna tem progredido não apenas em sua forma tradicional, mas também procurado incorporar simultaneamente a grande quantidade de questões anteriormente rejeitadas.
Dessa forma, segundo LÉVI-STRAUSS (1994), não existe uma separação entre mitologia e ciência: a grandeza e a superioridade da explicação científica, ao contrário, devem estar a serviço das realizações práticas e intelectuais da ciência, tanto quanto da compreensão do pensamento mitológico. Essa tendência que se delineia para o futuro da ciência, de atuar mais nos aspectos qualitativos da realidade, permitirá a compreensão de uma grande quantidade de questões pendentes ao longo da história do pensamento mitológico. Com o auxílio da ciência, o aspecto absurdo e carente de significados dos mitos pode estar com os dias contados.
Para TURNER (1990), os mitos devem ser entendidos não como ficções decorativas e superadas, já que representam reações instintivas e claras dos organismos à vida. O símbolo constitui um meio de entrar em contato com a realidade, não um artifício inventado para livrar-se dela. Assim, partindo da constatação da condição animal dos homens, o mito deve ser encarado como uma resposta natural, uma forma de adaptação do animal ao seu ambiente. Narrativas mitológicas ilustram a interconexão e a interdependência de todas as formas de vida, alertando para o equívoco de se estabelecerem diferenças de verdade entre elas.
A percepção da sacralidade da natureza, desenvolvida pelo mito através da atribuição de vida espiritual a vários componentes do mundo natural, confronta-se necessariamente com a noção de exploração eficiente da natureza, incentivada pela busca do desenvolvimento cultural e da acumulação de confortos. A crença nos poderes da natureza favorece a preservação do meio natural, à medida que impede sua manipulação, além do nível da subsistência. Porque os mitos rejeitam a visão antropocêntrica do universo: no mundo de formas animais, beleza, poder e harmonia que recriam, o Homem é apenas um ser a mais.
Analisando as narrativas mitológicas, é possível identificar uma espécie de compromisso entre as necessidades da humanidade e as condições predominantes no mundo natural. A originalidade do pensamento mitológico consiste na utilização de imagens extraídas da natureza, que desempenham a função do pensamento conceitual (LÉVI-STRAUSS, 1994).
Dessa forma, a análise do mito, como expressão coletiva de valor através da criação de símbolos, poderia – e deveria – ser considerada um elemento a mais no processo de percepção do meio ou como simples inspiração na adoção de novos critérios de intervenção e medidas de controle. O reconhecimento do caráter sagrado da natureza, presente nas narrativas mitológicas, possibilita o contato com valores indispensáveis à compreensão da vida e sua manutenção, por meio da identificação e do encantamento indissociáveis à noção de preservação. Contrariando a idéia de que só o conhecimento racional permite a proteção ambiental, o mito insere o sentido original da admiração como sua condição básica.
Hoje, os mitos resistem à descrença dos tempos modernos mantidos em um universo à parte, sob a acusação de pertencerem ao reino da fantasia (TURNER, 1990). Com isso, o conteúdo simbólico que os mitos encerram é enfraquecido e a reflexão que poderia ter origem a partir de sua avaliação é prematuramente abandonada. Naturalmente, é compreensível a dificuldade em se adotar como parâmetro de planejamento a discussão mitológica; a prática cotidiana requer decisões urgentes. Mas talvez fosse o momento de se resgatarem os mitos da natureza, no que possuem de mais didático e encantador: a lição do respeito. Respeito ao vegetal, respeito ao animal, respeito ao próprio Homem. Dessa vez, como ser integrante e não dominante do reino vivo. Ou como se referia a Hipótese de Lovelock (cujo nome escolhido de Gaia, a deusa Terra, já é em si carregado de simbolismo), como parte de um sistema que, se não desenvolver uma condição satisfatória ao conjunto, será eliminada como meio de sobrevivência do todo.
Os mitos fazem lembrar que viver exige sacrifícios constantes. Talvez por isso permaneçam tão atuais e ainda mereçam ser lembrados. Nem que seja apenas como memória de um tempo em que Homem e natureza eram um só, e viviam bem.
Na prática do urbanismo, compreender a importância da dimensão subjetiva dos espaços implica uma nova forma de pensar, projetar e intervir no espaço construído.
Para LEITÃO (1999), planejar cidades considerando os princípios e objetivos da sustentabilidade urbana diz respeito menos ao apelo à preservação dos limitados e irrecuperáveis recursos naturais – o que é amplamente difundido por discursos ambientalistas – e mais à capacidade de intervir com base na compreensão das relações em questão, e de aprender a transformar abrigos em lares, espaços físicos em espaços privilegiados de intimidade.