CHAPTER 5 – ENVIRONMENTAL GOVERNANCE SYSTEM
5.1 H ARDANGERVIDDA N ATIONAL P ARK E NVIRONMENTAL G OVERNANCE S YSTEM
5.1.6 Infrastructure and Technology
Perens (1999, p.172) escreve que o conceito de Software Livre não é alguma coisa nova. Para Stallman (1999, p. 53), o Software Livre existe desde o início do desenvolvimento da informática, embora o termo “free software” ainda não existisse.
Perens (1999) descreve que quando os primeiros computadores chegaram às universidades, eles eram ferramentas de pesquisa. O software era livremente compartilhado e os programadores eram pagos pelo ato de programar e não por seus programas. Somente quando os computadores chegaram ao “mundo dos negócios” é que os direitos ao software passaram a ser restringidos e cada cópia passou a ter um custo para ser adquirida.
Em 1971, quando Richard Stallman, fundador do movimento pelo
software livre, iniciou a sua carreira no MIT (Massashussetes Institute of Tecnology), mesmo as empresas de informática distribuíam software livre.
Programadores eram livres para cooperar entre si, e freqüentemente faziam isso (FSF,2004; STALLMAN, 1999).
Saleh (2004) explica que, nesta época, o foco dos fornecedores de tecnologia era o hardware, sendo o sistema operacional muitas vezes oferecido como parte do equipamento uma vez que os aplicativos eram desenvolvidos especificamente para cada arquitetura de computador. Isto fazia com que os programas não tivessem um valor comercial em si e houvesse compartilhamento de código entre participantes de uma mesma comunidade formada por universidades, empresas e instituições de pesquisa. Questões como direitos autorais ou propriedade não eram motivo de preocupação.
Nos anos 80, segundo os registros da FSF (2004), quase todo o
software passou a ser proprietário, o que significa que ele tinha donos que
proibiam e impediam a cooperação entre os usuários.
Na versão de Hohman (1999) e Pereira (2004), Richard M. Stallman era um programador de um laboratório de pesquisa do MIT que queria modificar um software de impressão da Xerox para notificar as pessoas do laboratório quando o papel da impressora estivesse preso ou faltando. Mas a Xerox não
liberaria o código fonte, e foi este o fato que levou Stallman a fundar o projeto GNU (GNU’s Not Unix) para criar uma opção livre do sistema operacional Unix.
De acordo com Saleh (2004), a história do Software Livre como é utilizado atualmente tem seu início com o sistema operacional Unix.
Saleh (2004) conta que o Unix foi desenvolvido nos Estados Unidos pela American Telephone and Telegraph (AT&T) em 1969, com o objetivo de gerenciar centrais telefônicas que estavam se tornando maiores e mais complexas. O ponto de partida para o desenvolvimento do Unix foi um sistema operacional anterior chamado Multics, que havia sido criado por uma ação conjunta dos laboratórios Bell, a empresa General Eletric e o Massachusets
Institute of Technology (MIT).
A primeira versão do Unix chamava-se Unics4 e havia sido desenvolvida em uma linguagem de programação chamada “B”, mas com o surgimento da linguagem “C”, tendo como objetivo ser portável para diferentes processadores, pois até então os programas precisavam ser escritos para funcionar em diferentes processadores, o Unix foi reescrito em 1973, tornando possível sua adaptação à diferentes arquiteturas de computador.
O Unix agradou os pesquisadores dos laboratórios Bell e várias universidades que se interessaram em contribuir. Como a AT&T, na época, não podia atuar em outro mercado que não fosse o de telecomunicações, cedeu o sistema às universidades e instituições de pesquisa. O resultado foi a implementação de correções de erros e melhorias no sistema, transformando o Unix em um padrão para a área de computação dentro das universidades (SALEH, 2004).
Esta situação permaneceu até 1975, quando o Unix passou a ser controlado, agora com fins lucrativos, pelo Unix System Laboratories (USL), uma subsidiária dos laboratórios Bell. Mesmo sob estas circunstâncias a universidade de Berkeley não abandonou o projeto do Unix e por meio de um acordo firmado com o departamento de defesa dos Estados Unidos obteve apoio governamental para desenvolver uma versão do Unix: a Berkeley
Software Distribuition (BSD). Porém, ainda não foi suficiente, uma vez que para
utilizar o BSD era necessário conseguir uma licença junto à AT&T e USL porque algumas partes do código ainda pertencia a eles. Os custos desta licença se tornaram inviáveis e iniciou-se a tarefa de se reescrever a parte do
código pertencente à AT&T. O resultado foi uma batalha judicial mantida pela AT&T contra Berkeley que se estendeu até 1994 quando Berkeley pôde finalmente passar a distribuir o software sem finalidade comercial.
Enquanto o Unix não se tornava disponível de forma livre, o próprio Stallman (1991) descreve que no ano de 1984 era impossível utilizar um computador sem a instalação de um sistema operacional proprietário e que ninguém tinha permissão para compartilhar software livremente com outros usuários de computador, além de que dificilmente alguém poderia mudar o
software para que satisfizesse suas necessidades particulares.
O Projeto GNU foi fundado para mudar isso tendo como primeiro objetivo desenvolver um sistema operacional portável compatível com o Unix que fosse 100% software livre.
Não 95%, não 99.5%, mas 100% livre - um sistema que os usuários teriam liberdade para redistribuir totalmente, e livres para contribuírem e mudarem qualquer parte dele. O nome do sistema, GNU, é um acrônimo recursivo significando "GNU’s Not Unix [GNU Não é Unix]" -- uma maneira de pagar o tributo ao Unix, enquanto ao mesmo tempo dizendo que GNU é algo diferente. (Stalman, 1991).
Assim, em 1983, foi idealizado o Projeto GNU como uma forma de trazer de volta o espírito cooperativo que prevalecia na comunidade de informática nos seus primórdios; para tornar a cooperação possível uma vez mais removendo os obstáculos impostos pelos donos do software proprietário (FSF, 2004).
Em 1985, foi fundada a FSF – Free Software Foundation (Fundação para o Software Livre) criada para promover o desenvolvimento e o uso de
software livre em todas as áreas da computação, mais particularmente para
ajudar a desenvolver o sistema operacional GNU e dedicar-se à eliminação de restrições sobre a cópia, redistribuição, entendimento e modificação de programas de computadores (FSF, 2004).
Na definição de Stallman (1991), tecnicamente o GNU é como Unix. Mas diferentemente do Unix, GNU dá liberdade aos seus usuários. Stallman (1991) conta ainda que um sistema operacional não é formado exclusivamente por um único software; ele também inclui compiladores, editores, de texto, software de e-mail, e muitas outras coisas. Então, escrever um sistema operacional completo é uma tarefa muito grande. Desenvolver todos os programas que
compunham o projeto GNU necessitou de muitos anos de trabalho, feito por centenas de programadores.
Apesar de não existir documentado na literatura como se deu o processo de desenvolvimento neste período, Reis (2003, p.17) informa que já existia uma comunidade de desenvolvedores que se interessavam pelos aplicativos e trabalhava para realizar o projeto, utilizando como forma de comunicação a
internet, que se tornava cada vez mais acessível, correio eletrônico e FTP,
embora versões da programas também fossem distribuídos em fita magnética. Segundo Stallman (1996), no ano de 1992 todos os componentes principais do sistema estavam prontos, exceto o kernel (núcleo), que ainda estava sendo escrito. Então o último componente de um sistema similar ao Unix foi desenvolvido: o Linux, um kernel livre escrito por Linus Torvalds. Era um núcleo para o sistema compatível com o Unix. Apesar de não ter sido escrito para o projeto GNU, o Linux fez uma combinação útil com o quase completo sistema GNU. Esta combinação disponibilizou todos os principais componentes de um sistema operacional compatível com o Unix, e, com algum trabalho, tornou-se um sistema funcional. Foi um sistema GNU variante baseado no kernel do Linux, e a combinação GNU/ Linux passou a ser usada com sucesso. (STALMAN, 1991).
De acordo com a FSF (2004), a decisão por tornar o sistema operacional compatível com o Unix se deu em virtude de que o mesmo já havia sido testado e era portável, além de que e a compatibilidade tornava fácil para os usuários do Unix a mudança para o GNU.