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Infrastructure network borders

In document COMMISSION II (sider 9-0)

2. SUBSYSTEM DEFINITION AND SCOPE

2.2. OVERVIEW

2.2.4. Infrastructure network borders

Sobre algumas das dificuldades para a realização desta pesquisa – à parte os

desafios metodológicos, uma das dificuldades enfrentada para a realização do presente estudo diz respeito à falta de modelos na literatura que pudessem sugerir métodos de coleta, de análise e de apresentação dos dados. De certa forma, este trabalho é resultado de tentativas, muitos erros, alguns acertos, até se chegar ao modelo atual, que ainda exige melhorias.

Algumas vezes, parte da coleta teve de ser refeita porque se considerou importante destacar algumas características dos textos ou dos comentários não destacados anteriormente ou que passaram despercebidos. Outras vezes, algumas características destacadas não foram devidamente analisadas, como, por exemplo, as palavras-chave referentes aos textos e aos comentários. Em pesquisas futuras, talvez se pudesse definir melhor essas palavras-chave e assim ampliar as análises aqui apresentadas. Nesta pesquisa, palavras-chave foram utilizadas, por exemplo, para definir a posição dos leitores sobre a cobertura da imprensa sobre o acidente, sobretudo acerca do episódio envolvendo MAG. A idéia de analisar à parte o caso envolvendo MAG surgiu só depois de parte da coleta ter sido concluída. Logo, foi necessário refazê- la, pelos menos parcialmente.

Não foram analisadas expressões que poderiam ser classificadas como autoclíticos, como por exemplo, “não sou especialista, mas...” e outras do gênero. Embora tenham sido registradas no sistema, não se definiram inicialmente critérios para orientar a coleta e análise dessas expressões.

Outra dificuldade, ainda, referiu-se à categorização de alguns comentários. Houve casos em que foi difícil classificar um comentário ou réplica como discordância ou ironia. Assim como, às vezes, foi difícil separar uma pergunta com características de mando de uma pergunta que poderia ser classificada como irônica. Tampouco se analisou a segunda categoria de um comentário ou réplica, nos casos em que foram classificados com duas categorias.

Sobre a utilidade do sistema – A grande vantagem do sistema usado nesta

pesquisa, em comparação, por exemplo, com uma planilha Excel, foi o fato de ele permitir facilmente o cruzamento e localização dos dados cadastrados. No entanto, o processo de transportar cada texto e comentário ao sistema, além de trabalhoso, pode induzir a erro. Em outras pesquisas desse tipo seria interessante importar textos e

comentários do servidor do blog para o sistema usado na pesquisa, de forma a diminuir o trabalho manual compreendido em copiar texto e comentário individualmente no blog e cadastrá-los em campos específicos do sistema, bem como evitar erros. Em pesquisas futuras, seria importante também, se possível, analisar comentários não publicados pelo jornalista.

Outro aspecto que facilitariam estudos futuros seria contar com blog planejado especialmente para pesquisa. Nesse caso, as próprias ferramentas do blog poderiam ser construídas de forma a auxiliar o pesquisador na seleção de palavras-chave, no preparo de sínteses, na busca de características comuns entre a escrita dos participantes, assim como para manipular a liberação de conseqüências para a escrita dos participantes.

Sobre alguns problemas metodológicos da pesquisa – Na presente pesquisa, analisaram-se interações verbais em um blog jornalístico, em busca de possíveis relações de controle entre os participantes do blog. Embora se tenha apresentado alguns indícios que poderiam sugerir a existência de controle mútuo entre eles – do jornalista sobre os leitores e de leitores entre si – não se pode afirmar que a escrita desses indivíduos, na amostra aqui analisada, tenha conexão funcional entre si. De forma genérica, muitas das análises aqui apresentadas basearam-se na forma do comportamento, e, como Skinner alertou, já no capítulo inicial de Verbal Behavior, a forma diz muito pouco sobre o comportamento, principalmente quando se trata do registro escrito do comportamento. Nesse sentido, o autor afirma que “uma relação funcional é mais do que uma simples conexão” (Skinner, 1957/1978, p.239).

Logo, o fato de as análises aqui apresentadas se basearem no produto do comportamento verbal, sem que se tenha noção das condições ambientais sob as quais o comportamento foi emitido, já constitui, por si, uma limitação importante para este estudo. Há que se considerar que os participantes do blog estavam expostos a outros meios verbais. Não se pode ignorar a história anterior desses indivíduos na determinação da forma do comportamento verbal, registrada por meio da escrita deles no blog.

Essa é uma das razões porque dificilmente se pode afirmar, com segurança, que alguém que escreveu no blog, por exemplo, a palavra “venezualização” o fez sob controle de propriedades formais da escrita de outros participantes no blog ou em decorrência de fontes de controles externas ao blog. Da mesma forma, não se pode atribuir a suposta mudança de opinião de alguns participantes ao longo do tempo às interações verbais no blog, embora essa interpretação seja possível.

Nesse aspecto, portanto, os resultados desta pesquisa continuam no âmbito do “exercício de interpretação”, como escreveu Skinner em 1957. Seria necessário a realização outras pesquisas para confirmá-los ou refutá-los, uma vez que, como afirmou o autor, só a manipulação deliberada de variáveis importantes para o comportamento verbal pode revelar relações de causalidade entre o comportamento e essas variáveis. (Skinner, 1957/1978, p.275)

Encorajando-se, porém, por observações do próprio Skinner (1957/1978, p. 275), que afirmou que muitas vezes inferências acerca de variáveis relevantes para o comportamento podem ser plausíveis e úteis, é possível supor legitimidade às análises apresentadas nesta pesquisa, embora não estejam de acordo com os mais rigorosos princípios metodológicos da análise experimental do comportamento (Johnston e Pennypacker, 1993).

Com base nos dados aqui apresentados e na sua ligação com a literatura descrita, é possível concluir que iniciativas como a de Porritt e cols. (2006) – que usaram a Internet como cenário para a realização de uma pesquisa, cujo objetivo era aumentar a produtividade de escritores de ficção – parecem promissoras. O trabalho dos autores deveria incentivar a realização de pesquisas semelhantes com outros gêneros de escrita, por exemplo, a escrita científica, e em outros níveis acadêmicos, como no ensino fundamental, no ensino médio.

Essa conclusão – de que o trabalho de Porritt e cols. (2006) deveria estimular outros trabalhos sobre a escrita, usando-se como cenário a Internet – é fortalecida pela análise do intervalo entre a publicação dos textos principais e dos comentários. Tal análise mostra que interações verbais mediadas pela Internet podem ocorrer quase simultaneamente. Esse fenômeno poderá provocar impactos positivos no estabelecimento de contingências de ensino. No âmbito da pesquisa sobre comportamento verbal, intervalos entre a escrita e seu efeito poderiam ser objetos de manipulações em situações relativamente controladas, de forma que se pudesse identificar o efeito de aumento ou de diminuição desses intervalos sobre a escrita subseqüente dos participantes.

Em resumo, os resultados aqui apresentados são heurísticos. Espera-se, portanto, que estimulem outras pesquisas sobre as relações verbais – ou aspectos delas – descritas por Skinner (1957/1978), agora sob o contexto das novas tecnologias da informação. Parafraseando o próprio Skinner (1957/1978, pp. 541-542), é possível que novas tecnologias da informação, aliadas ao atual nível de desenvolvimento científico, não

dêem contribuições expressivas para ampliar as práticas verbais das comunidades, de forma que possam beneficiar o grupo como um todo. Tampouco se tem certeza que isso não seja possível.

Se Skinner (1957/1978, p.19) afirmou que cabe às ciências comportamentais, e de modo particular à psicologia, a responsabilidade de explicar os fenômenos da linguagem, para ser coerente com o caráter revolucionário das formulações do autor, apresentadas não apenas em Verbal Behavior, como também, por exemplo, mais tarde em Tecnologia do Ensino (1968/1972), considera-se ser necessário levar-se em conta as possibilidades criadas pelas novas tecnologias da informação para o ensino e para o estudo do comportamento verbal. O mesmo se pode afirmar sobre as estratégias para amenizar o controle unilateral da grande imprensa sobre o leitor. Aqui, para concluir, uma citação final de Skinner (1957/1978), que é ilustrativa para estas breves considerações:

A história da ciência é a história do crescimento do lugar do homem na natureza. Os homens ampliaram suas capacidades de reagir diante da natureza discriminadamente, inventando microscópios, telescópios e milhares de amplificadores, indicadores e testes. Eles ampliaram seu poder de alterar e controlar o mundo físico com máquinas e instrumentos de todo tipo. Uma grande parte dessas realizações foi verbal. As descobertas e os feitos dos homens como indivíduos foram preservados, melhorados e transmitidos aos demais... Não há razão para que os métodos científicos não possam agora ser aplicados ao estudo do próprio homem – aos problemas práticos da sociedade e, sobretudo, ao comportamento do indivíduo... Nenhum progresso científico jamais prejudicou a posição do homem no mundo. Apenas caracterizou-o de forma diversa. Na verdade, num certo sentido, cada realização aumentou o papel representado pelo homem no esquema das coisas. (Skinner, 1957/1978, p.545)

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