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In document PRIVACY & IDENTITY MANAGEMENT (sider 105-109)

7 Data protection issues related to networked organisations

7.5 Information to be provided

endowment como

instrumento de

transformação social

Quando tratamos de organizações com recursos em volume suficiente para garantir estabilidade financeira para operações de longo prazo – geralmente fundações –, abre-se a discussão sobre como preservar o endowment e como aumentar o impacto por meio de sua gestão. Em geral, os recursos de uma fundação ou organização são

investidos para maximizar os retornos financeiros e, assim, sustentar a existência da fundação em perpetuidade ou, ao menos, para ampliar o tempo de atuação. Entretanto, embora o foco

meramente financeiro na gestão do endowment permaneça comum, têm surgido exemplos nos últimos

anos de grandes fundações com compromissos de investimento financeiro de seus recursos de modo a atender seus propósitos estatutários simultaneamente ao desenvolvimento dos projetos financiamento de

organizações da sociedade civil. Desse modo, adotam tanto a estratégia de desinvestimento e blacklisting de indústrias inteiras, quanto a decisão do Fundo Rockefeller Brothers de se desfazer de combustíveis fósseis e do California Endowment para se desfazer de ativos ligados a presídios com fins lucrativos nos Estados Unidos. Andre Degenszajn nota que as instituições que se valem de seu endowment como instrumento de ação “costumam ter critérios de não investimento, por exemplo, em empresas de armas, tabacos e álcool”. Além do veto a certos setores, é possível “fazer uma gestão na qual o patrimônio da instituição trabalha conforme a sua missão, ou seja, além de não financiar certos setores contraditórios com a missão, todo ativo trabalha para a missão fazendo investimento dos ativos em empresas com a missão compatível com a instituição”.

Nessa perspectiva, Ana Toni, membro do conselho deliberativo do Fundo Baobá, evidencia que uma das preocupações é justamente tentar usar parte do endowment como alavanca do objetivo da fundação.

anos de grandes fundações com compromissos de investimento financeiro de seus recursos de modo a atender seus propósitos estatutários simultaneamente ao desenvolvimento dos projetos financiamento de

organizações da sociedade civil. Desse modo, adotam tanto a estratégia de desinvestimento e blacklisting de indústrias inteiras, quanto a decisão do Fundo Rockefeller Brothers de se desfazer de combustíveis fósseis e do California Endowment para se desfazer de ativos ligados a presídios com fins lucrativos nos Estados Unidos. Andre Degenszajn nota que as instituições que se valem de seu endowment como instrumento de ação “costumam ter critérios de não investimento, por exemplo, em empresas de armas, tabacos e álcool”. Além do veto a certos setores, é possível “fazer uma gestão na qual o patrimônio da instituição trabalha conforme a sua missão, ou seja, além de não financiar certos setores contraditórios com a missão, todo ativo trabalha para a missão fazendo investimento dos ativos em empresas com a missão compatível com a instituição”.

Nessa perspectiva, Ana Toni, membro do conselho deliberativo do Fundo Baobá, evidencia que uma das preocupações é justamente tentar usar parte do endowment como alavanca do objetivo da fundação.

No caso da fundação Ford que tem um endowment substantivo, existe uma área de investimento lá dentro, metade dos investimentos eram feitos com essas pessoas e outra metade ia para um banco de investimento. Sempre respeitando algumas orientações, não investir em tabaco, armas. [...] Na instituição Ford, o investimento era livre, já na ICS e no Fundo Baobá pensamos em um investimento mais direcionado já para empresas e causas que a gente acredita e tenha a ver com a nossa missão. É uma forma mais trabalhosa de investimento, mas não é nada impossível e já existem fundos de investimento com ênfase em diversas áreas. No Fundo Baobá, por exemplo, tem um comitê de investimento que são 3 pessoas, já que essa é uma área especializada, são necessárias pessoas que seguem o direcionamento da missão da organização e possuem conhecimento diferenciado. É necessário um balanço entre o investimento e usar de fato o dinheiro, entre rentabilidade e a missão. Amalia Fischer Pfaeffle, coordenadora-

geral do Fundo Elas, explica que a destinação dos recursos auferidos, por vezes, recebe direcionamento do doador: “Existem doadores que exigem que o recurso seja aplicado em projetos, outros que deixam uma maior liberdade”. Mas entende que uma boa destinação seria partilhar o recurso entre “fortalecimento institucional, execução de programas e endowment”.

José Marcelo Zacchi, por sua vez, entende que “é importante a disseminação da cultura de construção

de endowment perene e contínuo. É um recurso que tem potencial para isso. É possível que uma parcela do recurso seja destinado imediatamente à sociedade para que tenha aplicabilidade direta na sociedade e outra seja um investimento em longo prazo. [...] Tudo depende da natureza do fundo, se será mais vinculado à empresa ou se será público”.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, destaca as estratégias utilizadas pela instituição para apoiar fundos com temáticas de relevância: A agenda das mulheres no Brasil tem sido uma agenda importante nos últimos anos, mas agora tem sido especialmente importante, dado o que vem sofrendo atualmente na sociedade. Por exemplo, o tema de defesa dos Direitos Humanos é muito importante [...] A ONU mulheres tem várias formas de se organizar, mas a mais importante é a parceria de agenda, de apoio institucional, parcerias com organizações, muitas vezes sem financiamento [...] Nossos fundos sempre são para empoderamento das mulheres, fundo com foco em igualdade, que busca colocar as mulheres em outro patamar [...] Temos a estratégia de buscar fundos que financiam mulheres nas suas áreas de expertise.

5.2 A visão de gestores de fundos sobre recursos

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