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In document Kommunal organisering 2016 (sider 118-124)

Durante o processo de fabrico de alguns materiais de construção é consumida energia e libertadas grandes quantidades de CO₂ para a atmosfera para que a matéria-prima seja transformada em materiais que possam ser utilizados na construção. Numa reabilitação, para que esta seja considerada sustentável, requer-se que se utilizem preferencialmente materiais com níveis baixos de energia incorporada (apresentada em MJ), e emissões de CO₂ (apresentadas em Kg).

Por esse motivo, pretende-se, neste subcapítulo, apresentar os valores de energia incorporada e de emissões de CO₂ para os materiais que normalmente são mais utilizados na construção e mostrar alternativas que, cumprindo a mesma função, possuem aqueles valores mais reduzidos, contribuindo assim para a sustentabilidade da reabilitação. Assim, com a ajuda do programa Arquimedes, do software de cálculo CYPE, foi possível obter dados sobre a energia incorporada e as emissões de CO₂ que cada material possui e que liberta para a atmosfera, sendo de notar que alguns materiais que habitualmente se utilizam possuem níveis elevados de emissões, podendo ser utilizadas alternativas, como as descritas nas tabelas 20 a 24. Neste software, encontram-se calculadas, para cada tarefa ou sistema construtivo, as seguintes etapas do ciclo de vida:

As etapas do ciclo de vida consideradas na análise do cálculo do ciclo de vida e emissões, são as da fabricação e da construção:

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Etapa da fabricação, dividida em 3 subetapas: A1 - Fornecimento de matérias-primas A2 - Transporte de matérias-primas A3 - Fabricação do produto

1- Etapa da construção, onde são consideradas 2 subetapas: A4 – Transporte do produto

A5 – Processo de instalação do produto e construção

Os resultados apresentados nas tabelas 20 a 24 resultam da soma das emissões em CO₂ e da energia incorporada em MJ, para cada um dos sistemas construtivos mais comuns em reabilitação de edifícios e incluem, para cada um deles, os materiais utilizados, os transportes necessários e os resíduos gerados, sendo que as fichas dos exemplos apresentados encontram-se incluídas no anexo II.

Segundo a ficha FFQ010 do referido software, referente ao tijolo cerâmico e a FBY015 das placas de gesso cartonado, são apresentados na tabela 20 os resultados de cada material referente às características descritas anteriormente; A conclusão que se pode chegar é que o material mais ecológico e sustentável são as placas de gesso cartonado devido às diferenças de valores de energia incorporada e de emissão de CO₂ quando comparada com a utilização de tijolo cerâmico de 11 cm de espessura.

ENERGIA INCORPORADA (MJ/M²) EMISSÕES DE CO2 (KG/M²) EXECUÇÃO DE PAREDES

EXECUÇÃO DE PAREDE EM TIJOLO CERÂMICO

(11CM) 319,90 24,06

EXECUÇÃO DE DIVISÓRIAS EM GESSO

CARTONADO (BA13) 172,24 14,26

Tabela 20: Comparação entre energia incorporada e emissões de CO₂ em paredes interiores

Para o isolamento térmico quer de fachadas quer de coberturas, existe uma vasta gama de materiais, com características diferentes entre eles, mas os mais utilizados são os que estão apresentados na tabela 21. De todos eles o mais ecológico e sustentável é a cortiça, pelo motivo de esta apresentar um nível baixo de energia incorporada e baixas emissões de CO₂, já que não é necessário realizar grandes transformações para ser aplicado em obra. Pelas qualidades deste material, o mesmo foi escolhido em projeto para constituir o isolamento térmico de reabilitação em estudo.

68 ENERGIA INCORPORADA (MJ/M²) EMISSÕES DE CO2 (KG/M²) APLICAÇÃO DE ISOLAMENTOS XPS(5CM) 169,82 7,98 EPS(5CM) 126,97 6,10 CORTIÇA (5CM) 22,86 0,95 LÃ MINERAL (5CM) 49,98 3,54

Tabela 21: Comparação entre energia incorporada e emissões de CO₂ em isolamentos

Para o revestimento de pavimentos, e de acordo com as fichas RCP025 para a pedra natural e a RAG014 para os cerâmicos, é possível visualizar na tabela 22 que o material com valores mais baixos de energia incorporada e emissões de CO₂ é a pedra natural, pelo facto de não requerer um processo industrial muito complexo, após a extração da pedreira, sendo apenas necessário efetuar o corte do mesmo em mosaicos e assim fica pronto para ser aplicado em obra, o que lhe confere um potencial elevado de sustentabilidade em relação à cerâmica. Foi também escolhido para fazer parte do projeto, por esse motivo.

ENERGIA INCORPORADA (MJ/M²) EMISSÕES DE CO2 (KG/M²) Pavimentos PEDRA NATURAL 39,23 2,80 CERÂMICO 226,92 17,25

Tabela 22: Comparação entre energia incorporada e emissões de CO₂ em revestimento de pavimentos

Quanto aos vãos exteriores, existe a possibilidade de se optar entre três materiais, como sendo a madeira, o PVC e o alumínio. De acordo com as fichas LCM015 para a madeira, LCP060 para o PVC e LCL060 para o alumínio, o material que possui menos energia incorporada e liberta menos CO₂ para a atmosfera é a madeira, pois esta não requer grandes transformações industriais para que o produto seja colocado em obra, o que faz com que este material constitua a escolha mais sustentável face aos restantes produtos que estão representados na tabela 23, tendo sido também o escolhido para integrar o projeto.

Tabela 23: Comparação entre energia incorporada e emissões de CO₂ em paredes vãos exteriores ENERGIA INCORPORADA (MJ/M²) EMISSÕES DE CO2 (KG/M²) VÃOS EXTERIORES MADEIRA 242,65 28,94 PVC 873,34 109,72 ALUMÍNIO 1.393,67 204,71

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Quanto aos vãos interiores, existe a possibilidade de ser utilizado MDF e aglomerado de madeira. De acordo com a ficha LPM010 para o MDF e aglomerado de madeira, o que possui menos energia incorporada e emite menos CO₂ para a atmosfera é o painel de aglomerado de madeira como está representado na tabela 24. Este material tem estas características por se poder utilizar madeira resultante de demolições ou madeira que já não tinha outra utilidade, tendo, por isso, características de material reciclado, e foi também incluído no projeto.

ENERGIA INCORPORADA (MJ/M²) EMISSÕES DE CO2 (KG/M²) Vãos interiores MDF 147,10 5,47

PAINEL DE AGLOMERADO DE MADEIRA 127,94 4,93

Tabela 24: Comparação entre energia incorporada e emissões de CO₂ para portas interiores

Os materiais aqui apresentados são os mais frequentes a serem utilizados em obra, mas outros existem que, seguindo os mesmos critérios, conduzirão à acentuada diminuição de energia incorporada e de emissões de CO₂, contribuindo, assim, para a sustentabilidade da reabilitação.

4.4 Critérios de utilização no projeto de materiais e equipamentos

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