4. Analyse
4.5 Informasjon
Revelar para um parceiro sobre viver com HIV é algo complicado. Os entrevistados relatam que o preconceito e o estigma podem impedi-los de namorar e amar novamente. Eles dizem temer a solidão, pois observam o HIV como um fator impeditivo para concretizar um relacionamento afetivo ou um encontro sexual.
“A pior parte é o medo de contar e ser rejeitado afetivamente. Tanto no seu círculo de amizades, não poder contar. E ficar escolhendo pra quem conta, pra ver se esse não tem nenhum amigo conhecido. Se não tem ninguém conhecido do grupo que possa saber [através dessa pessoa]” (Yosef)
“Até posso me interessar por outras pessoas, mas eu sei que isso [o HIV] pode ser uma barreira. Sim. E a pessoa ir embora. Então, eu acabo meio tolido. Acho que é a única dificuldade... Assim... Só! Não tenho outro ponto que tenha mudado drasticamente. Sinceramente, não!” (Gustavo)
O HIV como fator impeditivo para se relacionar afetivamente também é relatada por Rodrigo:
“É a questão da vida afetiva. Porque, mais cedo ou mais tarde... Não tem como esconder! Se você tiver um relacionamento com uma pessoa, até quando você vai conseguir esconder? Até quando você vai esconder, por exemplo, um medicamento? Até quando você vai esconder os seus exames de rotina? Até quando você vai esconder suas consultas? Até quando você vai esconder os seus resultados?” (Rodrigo)
Apesar disso, ele nunca pensou em mentir. Mesmo dizendo que existem pessoas ruins e que podem prejudicá-lo ao saberem:
É aquilo que eu sempre falo: “Mentiu alguma coisa. Escondeu algum segredo... A pessoa não esta apaixonada pelo que você [o outro, soronegativo, ou não]. E tem essa questão: “Nem todo mundo está preparado pra saber!”, “Nem todas as pessoas são boas!”. Tem ser humano ruim mesmo e ponto! Tem gente ruim!
E tem gente imatura! Que não sabe lidar! Tem gente desesperada, que gosta de fazer drama! Enfim, o ser humano é uma caixinha de surpresa. (Rodrigo)
Cruz (2005) realizou uma estudo sobre crianças e adolescentes vivendo com HIV/aids. Para a autora:
“A temática da revelação entrelaça-se com a da sexualidade, e os adolescentes vão buscando estratégias para relacionar-se: não contar, contar aos poucos, entrar devagar no assunto, contar de uma vez, namorar mas não fazer sexo para não ter que entrar no assunto, etc. Seja como for, esse é também um grande tema para os adolescentes que, como as crianças, passam a ter que construir suas fronteiras da intimidade” (p. 199).
Mesmo não sendo mais adolescentes, os entrevistados para este projeto enfrentam uma realidade semelhante à dos adolescentes e crianças presentes no estudo de Cruz. A sexualidade e o relacionar-se vivendo com HIV é algo novo. Um fator a ser construído e sem regras estipuladas.
Conforme Silva e Cardoso (2008), frente às tendências de aumento da longevidade, aparecem novas questões de ordem psicossociais como a necessidade de rever os vínculos afetivos, a vivência da sexualidade, da paternidade/maternidade com parceiros com sorologia igual ou diferente. Opinião similar a de Vera Paiva et al (2002):
“Além de enfrentarem pela via os efeitos do processo de estigmatização, as pessoas vivendo com HIV enfrentam a desafiante situação de lidar com sua condição quando buscam novos vínculos afetivos, de ter que manter cotidianamente a proteção da reinfecção ou da infecção entre casais sorodiscordantes (quando um é portador do vírus e o outro não) e de pensar solitariamente no planejamento familiar. O apoio a essas dimensões do viver têm sido uma reivindicação dos pacientes
Para os nossos entrevistados, para todas as pessoas que não vivem com HIV, para os assistentes sociais e todos os profissionais das áreas correlacionadas com esse tema, resta algo importante. Um compromisso para todos. Como defende Ruiz (1999):
“DEVEMOS NOS ESFORÇAR PARA QUE A AIDS NÃO SEJA TUDO, MAS APENAS UMA DOENÇA E O PENSAR SOBRE A DOENÇA NÃO DEVE CAUSAR
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APÊNDICES
FICHA DE DADOS TÉCNICOS