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Kapittel 2. Teoretisk forankring

2.3 Influensermarkedsføring

No percurso até aqui, refletimos sobre dimensões múltiplas da

comunicação, evidenciando a maneira como a compreendemos e, com isso, expondo as bases que fundamentam nossa compreensão sobre a comunicação organizacional. Lembramos que, a nosso ver, a comunicação, enquanto trama (in)visível e complexa, produtora de sentidos, é constitutiva das organizações. Independentemente de sua natureza, perpassa de modo transversal seus relacionamentos e (re)tece cotidianamente a vida organizacional.

Comunicação e organização são expressões quase que

interdependentes, dimensões recursivas que se autoeco-organizam, conformam-se uma a partir da outra. Estão ligadas por sua razão fundante: comunicar é, por si só, um processo de organização (SILVA, 2008). Se

102 pensarmos, por exemplo, na comunicação humana, ela implica nas escolhas de repertórios, conhecimentos, linguagem, a partir de objetivos, de intencionalidade.

Organização e comunicação são, de acordo com Silva (2008), atividades humanas básicas e complexas, uma leva a outra, depende da outra e se alimentam mutuamente. “A organização só atinge o ponto máximo quando comunica, ou seja, quando atinge o outro, envolvendo-o numa relação dialógica” (SILVA, 2008, p.9), lembrando que diálogo, nesse contexto, vai muito além da mera troca de informações. É, antes de tudo, relação, o reconhecimento do outro, envolve razão, emoção, vivência e conflitos.

Em outras palavras, não existe comunicação que não organize ou organização que não comunique, conforme afirmam Taylor e Cooren (1997). A organização emerge da comunicação, eis um dos pressupostos básicos da Escola de Montreal e a partir disso podemos (re)pensar o próprio sentido de comunicação organizacional. Conforme Taylor e Casali (2010), a compreensão dominante da área entende que ela se refere à comunicação na/da organização. O que a Escola de Montreal nos sugere é a possibilidade de compreendermos a comunicação organizacional a partir de um olhar comunicacional sobre a organização, ou seja, a organização na comunicação e pela comunicação. Esse olhar que embasa nossa tese de que podemos entender a organização como lugar que se configura por comunicação e em comunicação (ou como um não lugar que emerge da incomunicação).

Por um lado, acreditamos que a comunicação tende a ser fator fundamental de lugarização, na medida em se constitui em uma trama que (re)tece relações e vínculos e que possibilita que a organização se torne lugar antropológico, de experiências e significados. Também é possível afirmar que, quando não compreendida, gerenciada e/ou negligenciada, quando a incomunicação (WOLTON, 2006, 2010) prevalece, a organização caminha rumo ao não lugar.

Bertoli (1992) também articula esses dois termos – comunicação e

organização – em uma das poucas obras produzidas por pesquisadores da

103 lembra que a organização busca ser comunicante e a comunicação, organizada. Defende que comunicação e organização sejam coerentes entre si, combinadas, complementares e compreendidas na sua complexidade, evitando a redução a esquemas simplificadores.

Comunicação e organização têm em comum o fato de serem, ao mesmo

tempo, ação, estado e resultado (idem). A ação de comunicar – organizar

discursos, palavras, ideias –, o estado de ser comunicante, (in)comunicável,

(des)organizada(o) e, ainda, o resultado – a relação construída, a palavra

falada, os sentidos produzidos, a (in)compreensão. Além disso, comunicação e organização desempenham um papel fundamental na mediação de diferenças, divergências e desordens. Constituem-se em um importante provedor de coesão e harmonia, embora sejam, dialogicamente, também lugar de incertezas e desordens.

Martin-Barbero, no prefácio escrito para obra de Vizer (2006, 2011), ressalta a dimensão paradoxal da comunicação que, para nós, trata-se de sua natureza dialógica, complexa. Diz o autor que essa natureza se dá por ser a comunicação inevitável e, ao mesmo tempo, por vezes impossível, representar conjunção e disjunção, ser específica e, por outro lado, transversal. Os processos de comunicação constituem a essência da cultura, das instituições e das relações antagônicas, ressalta Vizer (2006, 2011), e nisso reside seu o dialogismo, ao constituir relações pacíficas e/ou conflitivas, solidárias e/ou competitivas, de amor, de ódio e de compaixão entre os homens.

Tudo na comunicação é complexidade e tudo na complexidade requer comunicação. Silva (2008), nas linhas que antecedem os artigos da obra Comunicação e Complexidade, um diálogo possível (2008)45, tece de modo bastante inspirador a recursividade entre comunicação, organização e complexidade. No seu entendimento, a complexidade é a organização da comunicação e a comunicação da organização. Sendo assim, a comunicação

organizacional é a “organização complexa da comunicação na complexidade

de uma organização” (SILVA, 2008, p. 9).

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O livro foi organizado pela Profa. Dra. Cleusa Scroferneker e publicado pela Edipucrs. Reúne artigos de pesquisadores que utilizaram em sua tese de doutorado o Paradigma da Complexidade como método.

104 Para Vizer (2006, 2011), a comunicação pode ser um mapa da realidade mutante a estudar. Habitamos em territórios de comunicação e isso requer o desenvolvimento adequado de subsídios teóricos e aplicados. De modo geral, na literatura da área, encontramos autores que, ao conceituarem a comunicação organizacional, o fazem a partir do seu caráter fenomenológico, intrínseco à organização, enquanto outros se dedicam às práticas profissionalizadas. Há também, especialmente a partir dos anos 90, pesquisadores que defendem um pensamento holístico e integrador. Restrepo (1995), pesquisadora colombiana, é um exemplo. Segundo a autora, o ideal é compreender a comunicação de maneira integral e reconhecê-la como parte de todas as ações de uma organização, configurando a construção de sua cultura e identidade.

O espanhol Joan Costa (1995) também defende a perspectiva holística, na qual se integram e gerem distintas formas de comunicação como um todo orgânico. Nesse contexto, a comunicação está ligada à ação e conduta global da organização. No olhar da Escola de Montreal, Casali (2009) afirma que para compreender a comunicação organizacional não é preciso estabelecer relações entre comunicação e organização, mas compreendê-la como um todo único. Seus processos constituem-se a partir de uma série de interações entre agentes em relação a um objeto e tais relações são responsáveis por construir a realidade social. A pesquisadora diferencia a dimensão objetiva e subjetiva da comunicação, sendo a primeira observada em um ambiente material e social, no qual o trabalho é realizado e as pessoas lidam com questões concretas. A segunda, subjetiva, é onde a realidade material e social é interpretada, realidade construída e reconstruída pela linguagem, pelos processos de produção de significado e por outros recursos cognitivos.

O elo comum entre os autores, conforme Scroferneker (2010, 2012), é a preocupação em definir/conceituar a comunicação organizacional e seu campo de abrangência na busca por minimizar incertezas e atribuir-lhe lugar de destaque nas organizações. Para Kunsch (2010), a comunicação organizacional deve ser entendida de forma ampla e abrangente, como fenômeno inerente à natureza das organizações, como processo que envolve construção de sentidos dos sujeitos em diferentes momentos e contextos.

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Nesse âmbito complexo faz-se necessário ver a comunicação inserida nos processos simbólicos e com foco nos significados dos agentes envolvidos, dos relacionamentos interpessoais e grupais, valorizando as práticas comunicativas cotidianas e as interações nas suas mais diversas formas de manifestação e construção social (KUNSCH, 2010, p. 43).

Já Deetz (2010) sugere três concepções de comunicação organizacional: como uma especialidade de departamentos e associações (assessorias) de comunicação, como um fenômeno existente nas organizações e, por fim, como possibilidade de descrever e explicar as organizações. Baldissera (2008), por sua vez, analisa a comunicação organizacional a partir de duas dimensões. A primeira a considera como subsistema sociocultural que compreende processos de construção e disputa de sentidos do âmbito das relações organizacionais. A segunda congrega as práticas profissionais do subsistema da comunicação organizacional, que investiga, interpreta, seleciona, define, circula e disputa sentidos, na busca pela legitimação organizacional.

Embora com outras terminologias e partindo de bases teóricas diferentes, Oliveira e Paula (2012) também sugerem duas abordagens para a comunicação. De um lado a comunicação como processo constituinte das organizações e, por outro lado, os processos estratégicos de comunicação conduzidos intencionalmente pelas organizações ou pelos grupos com os quais estas interagem.

Ambas as proposições seguem lógicas similares para distinguir suas abordagens, conforme apontamos anteriormente. Ainda que suas motivações epistemológicas sejam distintas, assim como a caracterização de cada possibilidade de olhar, tais concepções propõem uma linha limítrofe comum que separa de um lado o caráter fenomenológico, intrínseco, constituinte da comunicação nas organizações da sua dimensão prática, empírica,

profissionalizada, induzida e planejada, a serviço dos objetivos organizacionais.

Diante das múltiplas dimensões da comunicação organizacional, também compreendemos que ela atua a partir de dois âmbitos no universo organizacional: na tessitura de vínculos, laços e relações cotidianas, no âmbito da socialidade organizacional, a qual denominamos dimensão orgânica da

106 comunicação; e no âmbito da técnica, enquanto prática

profissionalizada/profissionalizante, a qual denominamos dimensão empírica46.

A partir de sua dimensão orgânica, compreendemos a comunicação organizacional enquanto trama (in)visível que perpassa e constitui as organizações, ao mesmo tempo em que é constituída por ela. Emana das relações que ali são tecidas, humanizando-as, sendo lugar de produção de sentido, ao mesmo tempo em que é ordenadora dos sentidos da realidade organizacional. É a dimensão comunicacional que proporciona o sentimento de lugarização, pois é a que permite a constituição dos vínculos e a existência das relações. Acreditamos que a expressão orgânica revela de forma mais integral a relação entre comunicação-sujeitos-organização, por significar aquilo que é inerente ao organismo, arraigado, próprio de sua natureza.

Além da dimensão orgânica, as organizações também desenvolvem e realizam, de forma mais ou menos profissionalizada, ações, atividades, processos, projetos, programas, políticas e diretrizes de comunicação, intencionais, planejadas e desenvolvidas para alcançar objetivos institucionais e/ou mercadológicos e para estabelecer relacionamentos pontuais e/ou sistemáticos com seus interlocutores. Denominamos esse conjunto de práticas como dimensão empírica da comunicação organizacional, por ser fruto da

experiência prática, da empeiria47. Baldissera (2008) denomina tais iniciativas

como práticas profissionais; no entanto, acreditamos que, ao adjetivar as práticas como profissionais, generaliza-se uma realidade em que ainda sobrevivem práticas amadoras, não profissionalizadas, uma vez que nem todas as organizações contam com profissionais de comunicação e/ou buscam externamente soluções para a execução de suas demandas comunicacionais.

46 A denominação de duas macrodimensões atende a um esforço teórico de compreender e caracterizar a complexidade da comunicação organizacional; contudo, entendemos que no cotidiano das organizações as fronteiras diluem-se, pois se trata de dimensões complementares, recursivas e interdependentes.

47 Empeiria é o termo grego de onde se origina a expressão empírico e significa experiência dos sentidos, ou sensorial.

107 A dimensão empírica, a nosso ver, engloba as dimensões pragmáticas

da comunicação, denominadas por Kunsch (2010, 2012)48 de instrumental e

estratégica. Ainda que a trajetória dos estudos da comunicação organizacional por vezes enfatize tal distinção, compreendemos que é difícil dissociar de qualquer estratégia de comunicação a sua dimensão técnica. Defendemos que a técnica está a serviço do estratégico e por isso perpassa as dimensões empíricas da comunicação organizacional. Vale reiterar também que, na dinamicidade do cotidiano das organizações, as dimensões múltiplas da comunicação são quase inseparáveis, mesclam-se, sobrepõem-se, complementam-se, alimentam-se recursivamente.

Nesse sentido, propomos materializar as dimensões organizacionais em relação. Na figura 449 evidenciamos nossa compreensão acerca das dimensões orgânica e empírica, como partes de um mesmo todo que estão em permanente interrelação. No cerne da organização e permeando as suas demais áreas e processos está a comunicação orgânica. Nela estão as interações, as tramas (in)visíveis que constituem a organização e fazem pulsar seu cotidiano, evidenciando-se de diversas formas, em seus demais âmbitos. A dimensão orgânica da comunicação constitui a identidade e a essência da organização, seus valores, seus princípios, sua memória, sua cultura, sua ordem/desordem, em constante (re)organização.

48 Para compreender como a comunicação está configurada nas organizações, Kunsch (2010, 2012, 2014) distingue a comunicação organizacional em quatro dimensões: instrumental, estratégica, humana e cultural. A dimensão instrumental caracteriza-se como funcional e técnica, em que predomina a transmissão de informações. Já a dimensão estratégica assemelha-se à instrumental, por estar relacionada com a visão pragmática da comunicação, na busca pela eficácia e pelos resultados. É considerada um fator que agrega valor à organização e aos negócios. A dimensão humana considera a comunicação interpessoal e as múltiplas perspectivas que permeiam o ato comunicativo no interior das organizações. Implica fundamentalmente na valorização das pessoas pelo seu fazer comunicativo diário. A dimensão cultural faz referência à relação permanente entre comunicação organizacional e cultura o ga iza io al:à áà o u i aç oào ga iza io alà oàa o te eàisoladaàta toàdaà ultu aào ga iza io al .à

108 Nas camadas mais externas da figura, estão evidenciadas as manifestações da comunicação empírica que são, poderíamos dizer, mais visíveis e táteis. Lá se encontram as ações de comunicação técnicas, estratégicas, as iniciativas institucionalizadas de relacionamento com os diversos interlocutores. Essa dimensão está constantemente sendo permeada pela comunicação orgânica, como dissemos anteriormente, são indissociáveis e recursivas, autoproduzem-se. Da relação dessas dimensões é que emanam os sentidos sobre a organização, as percepções dos sujeitos que com ela interagem, das mais variadas formas.

Ao buscar representar pensamentos em figuras corremos o risco da simplificação e/ou do estabelecimento de fronteiras demarcadas por linhas, contornos, cores, traços. Por outro lado, esse mesmo espaço aparentemente delimitado é ultrapassado pelos sentidos infinitos que evoca. Assim como ocorre com a leitura de um texto, cada olhar o (re)desenha, cada ângulo vê um universo de significados. Para ressaltar um dos sentidos principais que buscamos representar com a figura apresentada, destacamos a linha branca entre as dimensões orgânica e empírica.

Trata-se de uma linha tracejada e não contínua, que propositalmente foi escolhida para representar a constante relação entre as dimensões da comunicação organizacional. Não são dois territórios independentes, duas camadas isoladas, dois lugares de fronteira. São dimensões que, no âmbito

Figura 4 – Dimensões da Comunicação Organizacional.

109 ideal, estão vinculadas e que dependem uma da outra. Se a dimensão orgânica é constituinte do universo organizacional, ela é parte intrínseca da dimensão empírica, pois qualquer ação de comunicação, intencional ou não, tem em si a trama (in)visível de sentidos.

A comunicação organizacional, a nosso ver, se configura nessa relação constante entre sua dimensão orgânica e empírica, uma realidade em curso, da qual nem todas as organizações têm ciência. Há aquelas que compreendem a importância de atentar para a face orgânica da comunicação e o lugar fundamental que ela ocupa, tanto quanto a dimensão empírica. No entanto, na paisagem híbrida em que nos encontramos, nos deparamos também com organizações em que a dimensão empírica é exaltada e reduzida às perspectivas normativas e instrumentais, enquanto a dimensão orgânica habita no esquecimento. Assim como há organizações que avançam em termos de práticas e processos profissionalizados de comunicação, sem desconsiderar e atentar para a importância de sua dimensão orgânica. São realidades que convivem dialogicamente e que costumam intervir na constituição das organizações enquanto lugares, não lugares ou entre-lugares. É esse momento híbrido que denominamos de entre-lugar teórico-empírico, no qual nos

encontramos e que detalhamos a seguir.