IV. Discussion
4.2 DISCUSSION OF THE METHODS
4.3.2 Inflammatory markers
O bom das filas é nos convencerem de que afinal esta pobre vida não é tão curta como dizem. Mário Quintana
A palavra globalização traz inúmeras perspectivas e expectativas para as pessoas em geral, pois a mesma é apresentada na mídia, na escola e no cotidiano das pessoas com amplos significados, todavia, o mais destacado é o dos fins das fronteiras e o aumento do movimento totalitário do mercado subtraindo consideravelmente a capacidade de respostas dos Estados nacionais e esses sob os auspícios das agências de classificação de riscos quanto aos investimentos estrangeiros possíveis pela classificação de investimentos:
A classificação “grau de investimento” dada a um país, uma determinada entidade ou produto equivale a uma recomendação de investimento, e reflete a percepção dos analistas de que são mínimos os riscos de interrupção do pagamento da dívida ou de uma moratória do devedor. Ao serem assim avaliado, países ou empresas em geral passam a ter acesso a linhas de crédito mais atraentes no mercado internacional, podendo obter melhores condições e juros mais baixos em seus empréstimos. A mesma classificação dada a um produto ou a um ativo o torna imediatamente atraente para os investidores, pela percepção de segurança. Aproximar-se dessa categoria significa ter acesso mais fácil a crédito no mercado internacional. Afastar-se dela, sofrendo um rebaixamento na classificação, tem o efeito contrário: fecham-se as portas e o crédito se torna mais escasso e, portanto, mais caro.
Neste sentido, pensar a globalização de 1990 a 2010 é importante por entender que a mesma é estruturada numa concepção hegemônica econômica e política e permite, deste modo, compreendermos as mudanças que ocorreram nesse período destacado anteriormente, principalmente para os trabalhadores brasileiros.
Salientamos que a globalização é ainda, seja como conceito ou como prática política e econômica, ainda repleta de questões que nos levam a indagações sobre sua
validade, neste sentido, corremos o texto na busca por construir nossa concepção de globalização em debate com outros autores e fundamentar nossas dúvidas quanto à validade da utilização dessa palavra. Globalização, portanto, precisa ser pensada como uma palavra que em poucos anos ganha a dimensão de conceito e quase ao mesmo tempo faz parte das agendas dos Estados via discursos políticos e econômicos sinalizados, posteriormente, por práticas que efetivaram o processo neoliberal, em outros termos, tornou-se impossível dissociar globalização e neoliberalismo.
As agendas práticas dos Estados foram fomentadas, portanto, por esse direcionamento pautado no processo de expansão e interdependência dos processos produtivos e de circulação de mercadorias, somados a exacerbação em importância do capital fictício e as manobras orquestradas pelas empresas privadas com a chancela dos Estados em garantir que esse capital fosse negociável, assim, as bolsas de valores e as agências de classificação de riscos tomaram a dianteira da organização econômica mundial e isso impactou significantemente o cotidiano dos trabalhadores.
Globalização e neoliberalismo associados com a internacionalização e os fluxos de capitais reais e fictícios efetuam condições sociais, políticas, econômicas e culturais efetivadas pela regulação do mercado internacional sob os auspícios da organização dos Estados. Deste modo, pensar a temporalidade e a espacialidade do capital urge como congruência aos questionamentos da própria validação estrutural impositiva desse mecanismo.
A globalização resulta de um processo histórico e geográfico, portanto, a causa seria as próprias transformações do capitalismo e suas novas exigências para acumulação e aumento das taxas de lucros; assim, tratamos nesse trabalho as consequências desse processo.
Ser trabalhador na etapa atual do processo da globalização (1990-2010) num modelo produtivo neoliberal sob os auspícios do capitalismo financeiro tem implicações que serão evidenciadas nos próximos capítulos, mas aqui precisamos apresentar as evidências de uma construção política e econômica que transforma as estruturas e a superestrutura atingindo diretamente aos trabalhadores, portanto, pensar a globalização circunscrita ao neoliberalismo é ponto essencial para os desdobramentos dos impactos sobre os trabalhadores.
Ginzburg (2009) entende a globalização como um processo histórico de longo período, portanto, um período histórico de longa duração iniciado com os portugueses no século XV com a busca por rotas comerciais e domínio dessas. A globalização, portanto, é compreendida como processo e isso significa que existe uma constatação da gênesis histórica, mas ainda no século XXI a mesma não alcançou seu término, caso isso seja possível um dia. Portelli (2008) também compreende a globalização como processo, sinaliza isso ao demonstrar que uma empresa multinacional tem amplos poderes sobre a vida dos seus trabalhadores, isto é, os trabalhadores correm permanentemente riscos diante da organização produtiva capitalista como as transformações estudas pelo autor na cidade de Terni na Itália. Toda uma cidade foi afetada diretamente pela reorganização da divisão internacional do território pela batuta das políticas econômicas como podemos entender a partir da leitura de Portelli (2008).
A globalização, portanto, é um processo de definição de áreas de exploração, isto é, a globalização enquanto constituinte do modo de produção capitalista é a tentativa permanente em expandir e anexar espaços do globo terrestre que se tornam (ou ainda tornarão) espaços de produção de taxas de lucros voltadas para agentes específicos com maiores capacidades organizativas à esfera da circulação de produtos e dinheiro.
Diante disso é importante compreendermos esse processo histórico conceituado aqui como globalização, assim nesse primeiro capítulo salientamos o que
consideramos importante para evidenciar esse processo e, posteriormente, como o mesmo movimenta-se no trabalho e nos trabalhadores.
É fundamental, portanto, frisarmos que o capital financeiro prevalece nesses idos do século XXI. A efetivação de uma política econômica mundial capitaneada pelos Estados Unidos e União Europeia de forma diretiva por suas empresas auspiciadas pela regulação do mercado mundial sob a peça de multinacionais e transnacionais. Assim, no período de 1990 a 2010 ocorreram intensificações significativas de influências recíprocas de instituições financeiras pela direção das inter-relações das empresas multinacionais e transnacionais traçadas no sistema produtivo globalizado propagado por meio da aceleração contínua de transferências de capitais em múltiplas escalas, porém conferidas pela influência das transferências financeiras na escala global. A produção da circularidade do capital real e fictício também movimentou a própria recomposição do capitalismo nos seus meandros e isso impactou não apenas os Estados, como corresponsáveis, mas também os trabalhadores, não como responsáveis, mas em termos marxistas como resultado desse processo.
É fundamental para pensarmos a globalização como processo compreendermos o movimento do capitalismo e sua organização nos fatores iniciados com mais ênfase na década de 1990 com as políticas de desregulamentação cambial e financeira empreendidas pelas políticas neoliberais direcionadas pelos Estados Unidos (TAVARES, 1999). Neste sentido, o processo que culminou com a globalização, nos moldes que temos hoje, passou, segundo Tavares (1999), pela ampliação do regime flutuante com a composição das taxas de lucros vinculadas as movimentações do capital financeiro atrelado à capacidade de alocar recursos sob a flutuação também dos juros. A flutuação do câmbio e dos juros foi o ponto máximo do Consenso de Washington com o qual se ampliou a importância do capital financeiro e possibilitou a movimentação de volumosos recursos que poderiam ser ampliados
nas negociações das bolsas de valores e mesmo tomados como empréstimos por países endividados com juros extremamente elevados.
Fiori (1997, p. 11-12) sinalizou as condições prévias do que Tavares (1999) frisou como desregulamentação do câmbio e dos juros:
Entre os dias quatorze e dezesseis de janeiro de 1993, o Institute for International Economics, destacado think tank de Washington, tendo à frente Fred Bergsten, reuniu cerca de cem especialistas em torno do documento escrito por John Williamson em, Search of a Manual for Technopols, num seminário internacional Política Econômica da Reforma cujo tema foi: "The Political Economy of Policy Reform". Durante dois dias de debates, executivos de governo, dos bancos multilaterais e de empresas privadas, junto com alguns acadêmicos, discutiram com representantes de onze países da Ásia, África e América Latina "as circunstâncias mais favoráveis e as regras de ação que poderiam ajudar um 'technopol' a obter o apoio político que lhe permitisse levar a cabo com sucesso" o programa de estabilização e reforma econômica, que o próprio Williamson, alguns anos antes, havia chamado de "Washington Consensus". Um plano único de ajustamento das economias periféricas, chancelado, hoje, pelo FMI e pelo Bird em mais de sessenta países de todo mundo. Estratégia de homogeneização das políticas econômicas nacionais [...] Um programa ou estratégia sequencial em três fases: a primeira consagrada à estabilização macroeconômica, tendo como prioridade absoluta um superávit fiscal primário envolvendo invariavelmente a revisão das relações fiscais intergovernamentais e a reestruturação dos sistemas de previdência pública; a segunda, dedicada ao que o Banco Mundial vem chamando de "reformas estruturais": liberalização financeira e comercial, desregulação dos mercados, e privatização das empresas estatais; e a terceira etapa, definida como a da retomada dos investimentos e do crescimento econômico.
Tavares (1999) compreende esse processo como resultado da hegemonização capitalista dos Estados Unidos, como salientou em trabalho apresentado em 1985 no qual destaca já na década mencionada a busca pela ampliação dos Estados Unidos não apenas na produção de tecnologia, mas, sobretudo, no capital fictício e, posteriormente, no capital financeiro empreendido nas bolsas de valores.
Assim, o papel dos Estados Unidos deve ser compreendido como impositivo, como imperialista por meio de políticas econômicas direcionadas para a
reestruturação do próprio Estado, no caso brasileiro, como reorganizador da economia institucional.
A implantação de uma política internacional de desregulamentação de câmbio e juros beneficiou consideravelmente os Estados Unidos e suas empresas, as quais se destacaram no mercado internacional pela excelência da tecnologia e pelo apoio do próprio Estados Unidos, enquanto Estado, em financiar as mesmas para que ampliassem suas áreas de influências comerciais e, posteriormente, financeiras. Todavia, essa desregulamentação foi ficção, visto que em nome das crises econômicas, conforme Tavares (1999) e Fiori (1997) houve a regulação de um plano único para os países periféricos do sistema capitalista, ou seja, a desregulação promoveu uma nova regulação obrigatória para os países periféricos com dívidas consideráveis com o Fundo Monetário Internacional, deste modo, o processo de ampliação da hegemonia dos mercados de capitais freou o dinamismo das economias periféricas ao subordiná-las às exigências das instituições internacionais sinalizadas por Fiori (1997).
Roberts (2008) promove um discurso que coopera com o Consenso de Washington ao tratar o fim da Guerra Fria como o momento de multipolaridades, como um processo de subtração da centralidade hegemônica do poder dos Estados Unidos. Roberts (2008) conceitua o “novo” momento econômico e político como geometria variável e aponta a insurgência de blocos opositores à hegemonia dos Estados Unidos. Interessante é que ele inicia seu trabalho com o pronunciamento do ex-presidente dos Estados Unidos George H. W. Bussh ao Congresso do seu país em 1992: “Um mundo outrora dividido em dois campos armados agora reconhece um único e preeminente poder, os EUA”. No decorrer do seu trabalho busca redimensionar esse pronunciamento e apresenta os novos blocos e os novos atores que segundo o autor tem domínio hegemônico junto com outros países. Roberts (2008) contrariamente a Fiori (1997) e Tavares (1985 e 1999) frisa essa nova geometria do poder, o
que para Tavares (1985) os Estados Unidos prepararam-se para efetivar sua liderança mundial, como podemos evidenciar no próprio pronunciamento do presidente dos Estados Unidos e todas as reformas e reestruturações concebidas pelas exigências econômicas e políticas do próprio.
O domínio dos Estados Unidos na economia mundial desde o fim da União Soviética trouxe cadência ventriculada apenas reorganizada na efetivação da zona do Euro comandada pela Alemanha, somado as transformações oriundas da Ásia com a significativa inserção da China no mercado mundial. Mesmo assim a liderança econômica, política e tecnológica ainda é dos Estados Unidos - mesmo com a subtração econômica considerável nas crises de 2001 e 2008, conforme Saquis (2011) - isso tem impacto significativo na estruturação dos Estados nacionais e seus vínculos com a lógica do mercado mundial.
O Consenso de Washington, portanto, teve como resultados imediatos as transformações econômicas e uma nova reconfiguração espacial; assim, o mercado mundial reproduziu as condições de reprodução da lógica dominante e isso espacializou-se de formas diferentes em todo globo terrestre, ou seja, cada país assumiu para si, junto com suas organizações específicas da burguesia, uma nova determinação na divisão internacional territorial auspiciada pela divisão internacional do trabalho. Todavia, essa reconfiguração das relações políticas e econômicas espacializadas tiveram pouco sucesso para o avanço do Brasil nas relações comerciais internacionais, isto é, apesar do volume ter aumentado significantemente nos últimos anos no comércio internacional, para o Brasil o resultado não foi impactante, conforme Sarquis (2011).
Neste sentido, a globalização como processo evidenciou novas reconfigurações espacializadas em consórcio às exigências das burguesias nacionais, isso implicou diretamente na transformação dos espaços nacionais vinculados às expectativas do mercado internacional. O Brasil, portanto, comportou-se (como ainda hoje) como fornecedor
de matéria-prima e de produtos primários para países com inserção de domínio no mercado mundial, portanto, como salienta Sarquis (2011) mesmo com o Brasil ampliando sua abertura comercial não houve considerável mudança nos números, porém é preciso frisar que a opção brasileira desde o governo Fernando Collor Mello pelas políticas neoliberais fomentaram mudanças expressas na reorganização interna da produção industrial voltada, sobretudo, para o comércio internacional.
Sarquis (2011) sinaliza a importância em compreendermos o processo de abertura econômica e a inserção dos países no mercado internacional para verificarmos a efetivação desses no mercado, em outras palavras, torna-se importante compreender essa abertura econômica e política como resultado do processo iniciado com o neoliberalismo. Essa metodologia da economia, Coeficiente de Abertura (SARQUIS, 2011) tem significado importante para compreendermos o processo globalizante neoliberal, por justamente tratar-se de uma ferramenta efetivada nos moldes do neoliberalismo. As evidências de Sarquis (2011) são, portanto, importantes para compreendermos o mecanismo de inserção do Brasil nessa ordem mundial imperativa. Assim, o Coeficiente de Abertura:
A abertura de uma economia é usualmente medida pelo coeficiente de abertura (CA). Trata-se, em verdade, de uma medida da conexão comercial da economia com o resto do mundo. É definida pela razão entre a corrente comércio (CC) e o PIB (Y), resultando a primeira da soma das exportações, X, e das importações, M [...] (SARQUIS, 2011, p. 62).
Esse coeficiente precisa ser pensado em termos históricos e geográficos, isto é, essa metodologia explicita a preocupação dos economistas neoliberais ao mesmo tempo em que evidencia o vínculo desses com as organizações econômicas e políticas mundiais. Anteriormente, apoiados em Sarquis (2011), afirmamos que o Brasil não teve avanço considerável a partir dessa metodologia, justamente por suas vinculações no mercado internacional não serem diferentes das últimas décadas:
elevou de 18% a 21,5% nesse período. O Brasil registra um salto inferior aos do Japão e dos EUA, de 19% a 30,5% e de 7% a 23%, respectivamente. No G20, o Reino Unido e a África do Sul tiveram, como o Brasil, um incremento muito marginal de sua abertura. Todavia, já contavam com coeficientes elevados, respectivamente de 33% e 59%, em 1960. O desempenho do Brasil contrasta, pois, não só com os de vários países em desenvolvimento da Ásia, mas também com casos de países que já haviam experimentado um processo anterior de abertura e/ou desenvolvimento. (SARQUIS, 2011, p. 64).
Na década de 196020 o Brasil tinha considerável papel no comércio internacional de commodity, ainda continua com esse tipo de exportação, todavia, outros países também ampliaram sua produção e se inseriram como concorrentes do Brasil no mercado internacional. Esse processo econômico de abertura e liberalização econômica tem gestado o Brasil, portanto, a partir de uma interminável insistência em manter-se no comércio internacional a partir da eficiência comercial. Essa insistência não é aleatória ou mesmo tratar-se de vocação especializada, pois conforme Marini (2011) a integração ao mercado mundial orientou-se pela troca desigual na produção direta de uma mais-valia extraordinária organizada espacialmente. Deste modo, a ampliação do mercado mundial, conforme Marini (2011) contribui sempre para que não exista uma possibilidade de ruptura da ordem mundial, ou seja, a ampliação das relações comerciais e de produção em escala global sinalizadas já por Marx e Engels no “Manifesto Comunista” garantem a efetividade de uma forma exploratória de uma classe sobre outra seja em espaços nacionais e/ou internacionais.
20“No início da demanda de 1960, a disputa pela hegemonia política mundial criou novos canais de manifestação da disputa
pelo controle financeiro da acumulação e de capital. O financiamento internacional foi reorganizado, e abriu espaço para uma crescente participação de capitais privados. Nessas novas bases, na década de 1960 houve uma quantiosa oferta internacional de dinheiro barato, orientada para prioridades a serem estabelecidas pelos governos segundo padrões internacionais de eficiência. A organização de critérios e unificação dos mercados financeiros, que centralizaram o financiamento de infraestrutura, e ampliaram as oportunidades de expansão das grandes empresas. Essa lógica da organização financeira sobrepôs-se na América Latina, a pressões sociais acumuladas, desde o período colonial, com estruturas fundiárias altamente concentradas e com padrões de distribuição de renda fortemente desiguais. A objetividade da lógica econômica do sistema financeiro contrapôs- se a pressões sociais realimentadas por alianças políticas internacionais, como a Aliança para o Progresso e as alianças continentais da democracia cristã, que legitimaram as políticas nacionais de endividamento. Essa aparente contradição revelou-se, entretanto, em suas consequências. No final da década de 1960 desvanecera-se a oferta de dinheiro barato e a economia mundial passara a operar com elevadas margens de endividamento. No saldo operacional dos empréstimos internacionais, aumentaram o total das transações privadas e sua proporção sobre as transações entre governos. Na nova ordem, tornaram-se hegemônicas as operações conduzidas por grandes bancos e por consórcios de bancos privados, verificando-se que as anteriores metas de infraestrutura social e econômica eram, na prática, inalcançáveis”. PEDRÃO (1994, p. 195).
Sarquis (2011) por meio de uma metodologia do mercado inserido na lógica neoliberal analisa a abertura e a liberalização dos países como ponto importante para o lócus desses no dinamismo do mercado e ao constatar a inércia do Brasil surpreende com o fato dos números não mostrarem nenhuma evolução considerável desde a década de 1960. Ao voltarmo-nos para Marini (2011) essas considerações neoliberais que tentam justificar e organizar o processo produtivo capitalista é inserido na lógica da necessidade de um tipo específico de produção e de circulação que somente são possíveis com a conformidade das condições geográficas e históricas.
Pedrão (1994) resume essas condições de uma lógica da necessidade ao tratar o movimento contemporâneo das combinações dos interesses e privilégios próprios desse tempo destacando o controle de capital ativo, o controle do patrimônio e político da produção. Neste sentido, o controle econômico sobre o político estrutura os países envolvidos nesse processo a partir de suas combinações produtivas e de dependência ao circuito mundial. Pedrão (1994) frisa que a economia enquanto organização é inseparável da cultura e política, ou seja, a economia por si não sustenta o capitalismo, pois precisa de condições jurídicas e morais para sua manutenção ou ampliação. Esse conjunto sinalizado por Pedrão (1994) é a estrutura vigente que interfere diretamente na concepção de como o Estado se alinhará as ideias e práticas mundiais, mas sabemos que o Estado não é uma força mística como debateu Marx com a filosofia do direito de Hegel (MARX, 2010), pois o Estado não pode se organizar, quem o organiza e o compõe são elites econômicas imbricadas às instâncias políticas e culturais. Assim, esse conjunto não pode ser pensado, de forma nenhuma, longe das lutas de classes.
A globalização de 1990 a 2010 evidencia um momento da história do Brasil no qual ocorreram transformações, reorganizações e reestruturações econômicas, políticas, culturais e tecnológicas as quais foram materializadas na espacialização da produção,
comércio e circulação. Período de prevalência das ideias neoliberais com práticas realizadas pelo Estado com um “misto” de keynesianismo (desenvolvimentismo) e liberalismo. Assim, a participação brasileira nesse processo precisa ser pensada como a permanência de um Estado que deixou de ser oligárquico, com uma elite regionalizada tanto econômica como política e principalmente pela centralização do poder executivo que precisa dialogar e negociar com as