2. Background
2.3 Surgical Site Infection
2.3.4 Infection Control and Management of SSI
Durante a seleção da amostra, a severidade da relação ântero- posterior dos arcos dentários, ao início do tratamento, não se constituiu em um critério de inclusão e/ou exclusão dos pacientes. No entanto, ao avaliar a compatibilidade entre os grupos considerando essa discrepância ântero- posterior dos arcos, verificou-se que os dois grupos eram semelhantes (TABELA 11). Esta similaridade entre os grupos é uma condição sine qua non para comparar os resultados oclusais e a eficiência dos dois protocolos de tratamento considerados neste estudo, uma vez que a efetividade da correção da má oclusão de Classe II está diretamente relacionada com a severidade inicial da discrepância ântero-posterior183,322.
A incompatibilidade dos grupos quanto à idade inicial poderia influenciar os resultados deste trabalho no sentido de favorecer a obtenção de melhores resultados oclusais no grupo tratado em duas fases, visto que este grupo apresentava uma idade inicial média menor ao início do tratamento e, por conseguinte, um maior período de crescimento, favorecendo a correção da má oclusão de Classe II53,93,137,310 (TABELA 11). De uma certa forma esta diferença significante entre as idades iniciais dos dois grupos estudados já era esperada, uma vez que o sucesso de um tratamento ortopédico está na dependência do aproveitamento do surto de crescimento pubescente do paciente e que conseqüentemente implica em iniciar o tratamento em uma fase mais precoce16,27,28,72,155,166. Além disso,
trabalhos existentes na literatura com propostas semelhantes ao presente estudo já evidenciaram esta diferença entre as idades iniciais médias dos grupos que estão sendo comparados198,302,316. No entanto, com o intuito de verificar a influência desta variável nos resultados aqui apresentados, realizou-se uma segunda comparação das variáveis estudadas após compatibilizar os grupos quanto à idade inicial (TABELA 14).
Considerando a existência de diferenças importantes entre os gêneros masculino e feminino no que diz respeito às respostas biológicas a um determinado protocolo de tratamento ortodôntico36,106,133,205,321, a compatibilidade entre os grupos no que se refere à distribuição quanto ao gênero é fundamental para que esta variável não tenha influência nos resultados apresentados (TABELA 11). Ao considerarmos que o gênero feminino apresenta como características de desenvolvimento uma época de maturação mais precoce e um ritmo de crescimento mais acelerado, é esperado que as melhores respostas ao tratamento ortodôntico ocorram em uma idade cronológica menor no gênero feminino do que no masculino36,106,133,205,321. Além disso, alguns autores têm relatado que há diferença entre os gêneros quando consideramos o nível de colaboração conseguida durante o tratamento, beneficiando ou comprometendo as metas do tratamento78,118,288. Ao admitirmos que o potencial de crescimento presente é um fator importante na correção da Classe II e que o sucesso dos diversos métodos de correção desta má oclusão dependem, em algum grau, da cooperação do paciente26,37,101,159,161,165,172,322, a compatibilidade dos grupos quanto à distribuição por gêneros foi de grande importância (TABELA 11).
Para a avaliação dos resultados oclusais e da eficiência dos protocolos de tratamento em uma e duas fases, procurou-se realizar uma comparação entre grupos com características morfológicas semelhantes. Na tentativa de se obter resultados mais confiáveis e menos tendenciosos, estudos recentes têm demonstrado a preocupação de avaliar o grau de compatibilidade cefalométrica entre os grupos que estão sendo comparados155,176,198,227,299,300,301,320,322. Além disso, uma caracterização
cefalométrica dos grupos ao início do tratamento permite avaliar a participação dos distintos componentes esqueléticos e dentários associados à má oclusão bem como realizar uma comparação dos grupos no que se refere ao padrão de crescimento craniofacial predominante174.
De uma maneira geral, os grupos apresentaram uma compatibilidade cefalométrica satisfatória ao início do tratamento, sendo que das vinte variáveis cefalométricas avaliadas, seis apresentaram diferenças estatisticamente significantes (TABELA 12). As diferenças entre os grupos concentraram-se principalmente nas variáveis que avaliam o comprimento mandibular (Co-Gn; Ar-Gn; Go-Gn), a altura facial ântero-inferior (AFAI) e a inclinação dos incisivos superiores (1.NA; 1.PP).
Com relação às características do componente maxilar, nota-se que o posicionamento (SNA) e o comprimento da maxila (Co-A) foram compatíveis. Semelhantemente, a discrepância existente entre as bases apicais (avaliada pelas grandezas ANB e Wits) não apresentou diferença estatisticamente significante, apesar do grupo 1 apresentar uma severidade mais discreta (TABELA 12).
No que diz respeito à existência de diferenças na avaliação do comprimento mandibular, LIVIERATOS; JOHNSTON198 também encontraram um maior comprimento mandibular no grupo tratado em apenas uma fase. Uma provável explicação para esta diferença é que o grupo submetido ao protocolo de tratamento em uma fase apresentou uma idade cronológica maior do que o grupo tratado em duas fases (diferença média de 1,3 anos) e esta diferença foi estatisticamente significante (TABELA 11). Conseqüentemente, o grupo tratado em uma fase experimentou um maior período de crescimento que se refletiu em incrementos maiores do comprimento mandibular53,93,137,310.
Com relação ao padrão de crescimento, verificou-se que, de uma maneira geral, o grupo 2 apresentou uma maior predominância do vetor de crescimento horizontal quando comparado ao grupo 1, uma vez que as grandezas cefalométricas relacionadas com o padrão de crescimento apresentaram-se menores no grupo 2 (TABELA 12). Esta diferença foi mais
pronunciada e estatisticamente significante na variável altura facial ântero- inferior (TABELA 12). Este fato é perfeitamente compreensível e justificável, pois à medida que a mandíbula cresce para frente e para baixo, o ponto Me se distancia cada vez mais do ponto ENA54. Sendo assim, o crescimento da mandíbula encontra-se diretamente relacionado ao aumento da AFAI e o grupo 1, como relatado anteriormente, experimentou um maior período de crescimento e apresentou portanto uma maior AFAI. Além disso, os resultados mais satisfatórios e estáveis de um tratamento ortopédico são obtidos em pacientes com padrão de crescimento equilibrado ou horizontal que está associado à uma altura facial ântero-inferior diminuída37,193,194 e no grupo 2 (tratado primeiramente com ortopedia), estas características estão mais pronunciadas quando comparadas àquelas encontradas no grupo 1. Baseado nas justificativas acima, pode-se dizer que, de uma certa forma, essas diferenças relacionadas ao padrão de crescimento já eram até esperadas de serem encontradas na comparação entre os grupos.
Ao avaliar o componente dentoalveolar anterior superior, verificou-se que os incisivos superiores com uma maior inclinação para vestibular no grupo 2 foram os responsáveis pela diferença estatisticamente significante entre os grupos (TABELA 12) e esta diferença resultou também em um maior escore atribuído ao componente trespasse horizontal do índice PAR no grupo 2 na fase inicial (TABELA 19). Por outro lado, todas as variáveis do componente dentoalveolar anterior inferior se mostraram compatíveis (TABELA 12).
Com o intuito de verificar a influência do tempo de tratamento nos resultados aqui apresentados, principalmente no que diz respeito ao grau de eficiência de ambos os protocolos de tratamento, realizou-se uma segunda comparação das variáveis estudadas após compatibilizar os grupos quanto tempo total de tratamento (TABELA 15).
O grupo de pacientes tratados em duas fases (grupo 2) foi dividido em subgrupos 2A (composto de 30 pacientes que foram tratados na fase ortopédica com o Ativador associado ao aparelho extrabucal) e 2B (composto de 31 pacientes tratados com o Bionator de Balters na primeira
fase do tratamento) de acordo com o aparelho funcional utilizado como meio de correção da má oclusão de Classe II na primeira fase do tratamento (TABELA 16). Considerou-se duas fases de tratamento os pacientes que por um período igual ou superior a 6 meses utilizaram apenas aparelhos ortopédicos funcionais como forma de correção da Classe II16,27,28,72,155,166. O tempo médio de tratamento da fase ortopédica no subgrupo 2A foi de 0,9 ano (10,8 meses) e no subgrupo 2B foi de 1,31 anos (15,72 meses) (TABELA 17). Esta divisão do grupo 2 fez-se necessária mediante a hipótese de que a utilização de aparelhos ortopédicos diferentes pudesse influenciar os resultados.