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L’inférence pragmatique

2.2. Analyse : remarques introductrices

2.2.4. L’emploi de du coup – un cas de grammaticalisation? Remarques introductrices Dans ce qui suit, nous allons considérer un processus important dans le changement

2.2.4.3. L’inférence pragmatique

A violência é exercida, sobretudo, enquanto processo social; portanto, não é objeto específico da área da saúde. Logo, ela não é objeto restrito e específico dessa área, mas está intrinsecamente ligado a ela, na medida em que este setor participa do conjunto das questões e relações da sociedade. Sua função tradicional tem sido cuidar dos agravos físicos e emocionais gerados pelos conflitos sociais, e hoje busca ultrapassar seu papel apenas curativo, definindo medidas preventivas destes agravos e de promoção à saúde, em seu conceito ampliado de bem-estar individual e coletivo (MINAYO; SOUZA, 1998).

Nesse contexto, a violência ocupacional é muitas vezes considerada como sendo apenas um reflexo do mais geral e crescente fenômeno da violência em muitos domínios da vida social que tem de ser tratada em nível de toda a sociedade. No entanto, a incidência de violência tem aumentado no local de trabalho, tradicionalmente visto como um ambiente livre deste evento. É sabido também que a violência contra profissionais da saúde existe e que é um problema generalizado de abrangência mundial (DI MARTINO, 2002; JOHNSON, 2009).

É importante ressaltar que a violência só entrou na agenda da saúde recentemente, principalmente nos últimos 30 anos. Nesse contexto, o Ministério da Saúde (MS), quando aborda esse tema, considera-o de forma associada aos acidentes (BRASIL, 2002). Da mesma forma, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID), a violência é agrupada aos acidentes na rubrica das “causas externas” (MINAYO, 2006).

Para Souza e Minayo (1999), embora a violência não seja uma questão exclusiva da saúde, existem dois fortes motivos que tornam esse assunto preocupante para esse setor. O primeiro, porque, dentro do conceito ampliado de saúde, tudo o que significa agravo e ameaça à vida, às condições de trabalho, às relações interpessoais, e à qualidade da existência faz parte do universo da saúde pública. Em segundo lugar, a violência, num sentido mais restrito, afeta a saúde e frequentemente produz a morte.

Diante do fato da violência afetar diretamente o setor saúde pelo grande número de pacientes que para este ele são encaminhados, o MS atende a necessidade de elaborar a

política nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência. Este plano se torna um instrumento norteador da atuação desse setor neste contexto (BRASIL, 2002).

Segundo essa Política Nacional de Redução de Morbimortalidade por Acidentes e Violência do MS, no que se refere à monitorização da ocorrência de acidentes e violência, inicialmente, é necessária a mobilização dos profissionais de saúde que atuam em todos os níveis de atendimento do SUS, inclusive nas unidades de urgência e emergência, com vistas a superar os problemas relacionados à investigação e à informação relativa a acidentes e violência (BRASIL, 2000).

Para Deslandes et al. (2007), com essa política o MS introduz, oficialmente, o tema na agenda do setor saúde, ampliando o foco de sua abordagem antes restrita aos foros policiais e judiciários. Dentre os temas abordados pelo MS na discussão da violência, encontra-se a violência ocupacional, demonstrando ser esse um problema visível. Nesse contexto, esse evento tem sido visualizado associado aos acidentes de trabalho, principalmente na construção civil e na agricultura (BRASIL, 2005).

Entretanto, a literatura tem apontado que os profissionais de saúde, os quais trabalham diretamente com muitas das vítimas da violência, estão entre os trabalhadores mais expostas à violência no ambiente de trabalho, tanto devido às características da profissão como pela violência, de forma geral, na sociedade. Desse modo, os profissionais não só lidam diretamente com uma das consequências diretas da violência, as vítimas, mas eles mesmos podem tornar-se as próprias vítimas. Por mais esse motivo, esse se torna um tema imprescindível no setor da saúde (FLANNERY; HANSON; PENK, 1995; DI MARTINO, 2002; MERECZ et al., 2006).

Com o aumento da violência na sociedade, os riscos enfrentados pelos enfermeiros também crescem. Nesse sentido, é notável o reconhecimento da violência dentro do hospital, com isso tem havido o aumento do número de publicações sobre este tema na produção da área da saúde (RIPPON, 2000; ERGÜN; KARADAKOVAN, 2005).

A literatura tem demonstrado, ainda, que pelas características das atividades prestadas pelo setor da saúde, este apresenta uma relação direta com as características da população local, ou seja, se a unidade de saúde está situada em uma localidade onde os índices de violência são elevados, os profissionais desse serviço estão expostos a um maior risco de violência (DI MARTINO, 2002).

Nesse sentido, em uma pesquisa realizada por Santos Júnior e Dias (2005) é encontrada uma relação entre violência urbana e violência no trabalho dos profissionais de saúde. Para esses autores, o fato de algumas unidades de pronto atendimento apresentarem um

maior índice de violência contra os médicos, pode ser explicada, em parte, pela localização da unidade, nas proximidades de uma favela, onde se observa o comércio de drogas e assaltos à luz do dia.

Segundo Ryan e Maguire (2006), o alto nível de agressão verbal vivenciada pelos profissionais da saúde, no ambiente de trabalho, indica que essa é uma característica comum desse setor, e que igualmente esse é um reflexo da aceitação e dos elevados níveis desse tipo de agressão na sociedade.

Sendo assim, a literatura tem evidenciado que a violência está presente até mesmo no local de trabalho dos profissionais da saúde. Desse modo, esse fato se constitui em mais uma razão para esse tema ser investigado sob o olhar da saúde, visto que se faz necessário conhecermos melhor o que é a violência ocupacional, como ela se manifesta, quais os agressores, quais as consequências, qual a prevalência, as soluções já apontadas, enfim, o que já é conhecido e o que podemos contribuir na discussão desse problema.

3.2 CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DA VIOLÊNCIA OCUPACIONAL NO SETOR DA