7 Cod in Subdivisions 22–24 (Western Baltic cod)
7.11 Short‐term and medium‐term forecasts
A revista Margem surge pela primeira vez em Agosto de 1981
41, publicada pelos
serviços culturais da Câmara Municipal do Funchal, sob a direção de Fernando
Nascimento e coordenação de Maria Aurora Carvalho Homem. Mais tarde, a partir de
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Setembro de 1995, surge uma nova edição da Margem, a Margem 2, sob a direção de
Teresa Brazão. Desta segunda edição foram publicados, até ao momento, vinte e oito
números, tendo sido o último publicado em Maio de 2011.
A edição da revista pretendia ser de periodicidade quadrimestral, facto que não se
veio a verificar, como se pode observar através dos números que serão aqui considerados:
Nº0 – Agosto 1981
Nº1 – Dezembro 1981
Nº2 – Abril 1982
Nº3 – Agosto 1982
Nº4 – Fevereiro 1983
A este respeito, no Editorial no nº4, pode ler-se que “[p]retendemos, além do mais,
dar uma periodicidade à Margem que, até agora, não nos foi possível: editá-la de dois em
dois meses. (…) Esperamos, pois, estar em contacto convosco daqui a dois meses. Com o
número 5 de a Margem”.
42Apesar de todo o entusiasmo demostrado por toda a equipa, o
número 5 de a Margem, nunca chegou a ser efetivamente publicado. Quanto às suas
características físicas, a revista Margem encontra-se sob a forma de uma capa contendo
quatro cadernos soltos (“Vida Cultural”; “A Cidade”; “Ponto de Vista” e “Artes e Letras”),
“agrupados nas habituais capas cor de vinho com letras amarelas (ou vice-versa), a que se
acrescentavam, quer folhas soltas contendo textos editoriais e informações relativas à vida
cultural da cidade, quer as ilustrações que a revista oferecia ao leitor” (RODRIGUES,
2008: 149). Essas ilustrações ou gravuras são da autoria de Miguel Osório (nº 0), de
Maurício Fernandes (nº 1), de Irene Lucília (nº 2), de Tolentino de Nóbrega (nº 3) e de C.
Melim (nº 4).
Os textos da revista Margem encontram-se dactilografados e compostos
artesanalmente (agrafados) segundo a temática do caderno, não se encontrando numerados.
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No caderno “Vida Cultural”, abordam-se temas relacionados com a cultura e a literatura.
No caderno “A Cidade”, abordam-se temas relacionados com o património (cultural,
natural e construído). No caderno “Ponto de Vista” encontram-se entrevistas, inquéritos,
críticas e comentários relacionados com variados temas. No caderno “Artes e Letras”,
encontram-se textos sob a forma de prosa, poesia ou conto. Na revista nº 2, além dos
cadernos habituais, é publicado um caderno especial dedicado ao ensino superior na
Madeira.
A revista Margem procurou abranger várias áreas da cultura (literatura, artes
plásticas, teatro, cinema, dança, música, história e património, etnografia e cultura popular,
filosofia, educação…), embora não o tenha feito de modo equitativo, “dado o peso
esmagador que concedeu à literatura” (RODRIGUES, 2008: 152).
Muitos autores colaboraram nas várias edições da revista, nomeadamente, Roberto
Merino, Aurora Salvador Rodrigues, Maria Aurora Cravalho Homem, Carlos Alberto
Rodrigues, Fátima Dionísio, António J. Vieira de Freitas, Fernando Nascimento, José
Laurindo de Goes, entre muitos outros.
A Margem é uma revista que não possui quaisquer anúncios publicitários, exceto
alguns anúncios a atividades culturais e à aquisição da própria revista. Embora, atualmente,
esta seja uma revista de distribuição gratuita, a 1ª edição estava sujeita à venda avulsa ou
através de assinatura
43. A Margem pode ser adquirida por assinatura ou em avulso, estando
à venda no Teatro Municipal, na Cabana do Jardim, na Livraria Esperança, na Papelaria do
Colégio e na Papelaria ABC.
Como se pode ler no editorial do nº 0 da revista, elaborado pelos seus colaboradores,
a Margem “pretende ser um trabalho e uma resposta contra a indiferença contemporânea e
contra o marasmo ignorante assumido em relação às produções culturais e artísticas
44.”
A Margem ostentava-se como “um espaço de acolhimento da produção cultural
madeirense (de autores madeirenses ou de trabalhos sobre a cultural insular), que
43 O nº 3 da Margem (Agosto 1982) inclui em anexo um destacável publicitário onde apela à aquisição da
revista e quais os locais de venda.
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estimulasse a criatividade e o saber regionais e dinamizasse a agenda artística, literária,
intelectual e até cívica do Funchal e da Ilha” (RODRIGUES, 2008: 142). Este mesmo
editorial apela ao leitor para colaborar com a revista, pondo de lado a indiferença com que
muitos, à margem, olham para a produção cultural que se faz na Madeira e “para que
«Margem» continue a ser o veículo eficaz para a divulgação cultural e dos valores que
radicam na ilha.
45”
O título Margem, apesar das duas ligeiras alterações no título da revista
46, surge com
o propósito
“de demonstrar e defender a existência de uma cultura periférica, ignorada quer pelos grandes centros académicos e artístico do país, quer até pelos próprios madeirenses, mas que, apesar de marginal e não querendo deixar de o ser, exigia ser reconhecida como uma realidade com valores próprios e alternativos aos dos grandes centros culturais do país.” (RODRIGUES, 2008: 143)
O editorial da revista nº 4 revela o desejo de estabelecer “intercâmbios com outros
órgãos nacionais difusores de cultura” (RODRIGUES, 2008: 143) para que “A Margem
fosse lida (e comentada, analisada, discutida) a nível nacional. E que fosse, para tanto, uma
revista partilhada por todos aqueles que, nas ilhas ou em Portugal continental, tenham algo
a dizer sobre a nossa cultura.
47”
No entanto, apesar dos esforços, a revista não chegou a todos os leitores desejados.
Basta, para isso, consultar a base de dados de qualquer biblioteca nacional. Por exemplo,
na PORBASE da Biblioteca Nacional de Portugal existem apenas quatro números, e
apenas da Margem 2 (nº 16, 17, 20, 21), e de entre as bibliotecas indexadas àquela base de
dados, a existência destas revistas apenas se encontra nos ficheiros da Biblioteca da
Universidade do Porto. No entanto, todos os exemplares se encontram disponíveis para
consulta na Biblioteca Pública Regional, no Funchal.
45 Idem.
46 Entre o nº 0 e nº 3 chamava-se Margem, mas no Editorial do nº 4 pode ler-se «Atingimos, com esta edição,
o número 4 de Margem. Que, a partir de agora, é A Margem, visto que já existia outra publicação com aquele nome.» Mais tarde, em Setembro de 1995 surge a Margem 2 de modo a demonstrar a existência de duas séries da revista.
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