4.1.1 A entrevista
A escolha pela técnica da entrevista se deveu pela mesma razão que levou a pesquisadora a desenvolver uma pesquisa qualitativa e tendo como método o estudo de caso, ou seja, a possibilidade de penetrar num universo de informações descritivas que permitem ao sujeito investigador enfatizar a interpretação em contexto tendo como foco a compreensão e o
significado da avaliação da aprendizagem escolar sob o ponto de vista dos professores formadores que ministraram a disciplina que discute aspectos do processo avaliativo.
Assim, utilizamos a entrevista semi-estruturada (ANEXO A, p.164) que, se constitui, no pensamento de Ludke (1986, p. 34), em um esquema básico, porém não aplicado
rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações. Uma das
vantagens do uso da entrevista na pesquisa qualitativa consiste no fato dela possibilitar a obtenção de dados relacionados aos mais distintos aspectos da realidade social e também por permitir um aprofundamento do comportamento humano que se deseja investigar.
Para Ludke (1986) e Gil (1999) a semi-estruturada seria a técnica mais adequada para o campo da educação onde os informantes são geralmente, professores, diretores, orientadores, pais, alunos que são mais convenientemente abordados usando-se um instrumento mais flexível. Daí decorre, a nossa escolha por esse tipo de técnica, haja vista que nossos informantes foram os professores-formadores, que ministraram a disciplina Política, Planejamento e Avaliação Educacional em sua segunda parte, já que, apenas esse segundo momento da referida disciplina versa sobre a avaliação da aprendizagem que é o nosso foco de análise.
Optamos pela escolha amostral (amostra não probabilística) por acessibilidade ou por conveniência que segundo Gil (1999, p. 104) essa consiste em o pesquisador selecionar
os elementos a que tem acesso, admitindo que estes possam, de alguma forma, representar o universo. Aplica-se este tipo de amostragem em estudo exploratórios ou qualitativos, onde não é requerido elevado nível de precisão. Assim, partimos desse princípio para
selecionarmos os sujeitos investigados, foram escolhidos cinco professores formadores (QUADRO I, p.115) de um total de onze que ministraram a segunda parte da disciplina denominada de Política, Planejamento e Avaliação Educacional I e II e que residem em Fortaleza, escolhermos os que residem na capital devido ao fato de não temos acesso aos
outros professores formadores, pois a maioria dos professores que compõem o nosso universo populacional reside no interior do estado e lecionaram em algum dos sete (07) pólos que constituem a Universidade Estadual do Ceará.
Portanto, o critério para essa escolha dos entrevistados foi extraído a partir da análise de documentos do Programa Magister-Uece que informam a listagem de professores que lecionaram cada parte que compõe a disciplina.
Ao longo do trabalho investigativo, descobrimos através de informações dos dois primeiros sujeitos investigados, que na prática a disciplina Política, Planejamento e Avaliação Educacional I e II, na verdade, estruturava-se em duas partes distintas. A primeira parte da disciplina, ou seja, Política, Planejamento e Avaliação Educacional I tratava apenas dos aspectos da política e do planejamento educacional no contexto estadual e nacional e a segunda parte analisava apenas a avaliação educacional no âmbito institucional e da aprendizagem, e já que a primeira parte da disciplina, ou seja, Política, Planejamento e Avaliação Educacional I tratava apenas dos aspectos da política e do planejamento educacional, decidimos como critério entrevistar apenas os professores formadores que lecionaram a segunda parte da disciplina supra mencionada, sendo esses docentes num total de quatro (04) a complementar o nosso universo populacional.
Devemos salientar que embora, os dois primeiros entrevistados não tenham lecionado a segunda parte da disciplina investigada e não nos subsidiaram com informações específicas acerca do nosso foco principal, porém seus esclarecimentos foram relevantes, uma vez que nos elucidaram sobre a estrutura e funcionamento (já discutido na parte III desse estudo) da disciplina como um todo, haja vista que os documentos analisados não expõem claramente essa divisão da disciplina.
QUADRO I
Caracterização dos sujeitos entrevistados na pesquisa
ENTREVISTADOS SEXO FORMAÇÃO TEMPO DE
DOCÊNCIA TEMPO COM FORMAÇÃO DE PROFESSORES
E 1
Feminino Pedagogia Sociologia Doutorado em Educação 10 anos 10 anosE 2
Masculino Pedagogia Especialização em Gestão Escolar14 anos 3 anos e meio
E 3
Feminino Pedagogia História Especialização em Educ.Bras. Mais de 25 anos 6 anosE 4
Feminino Pedagogia e Mestrado emEduc. Bras. 18 anos 12 anos
E 5
Masculino Pedagogia 20 anos 8 a 9 anos4.1.2 A análise documental
Outra técnica utilizada em nossa investigação consistiu na análise documental, que embora pouco explorada na área da educação e também das Ciências Sociais, se mostrar valiosa na pesquisa qualitativa, no sentido de complementação das informações que não foram conseguidas por meio das entrevistas, além de desvelar aspectos novos não atingidos por outros instrumentos.
identificar informações factuais nos documentos busca identificar informações factuais nos
documentos a partir de questões ou hipóteses de interesse. Não obstante, como documentos
são considerados quaisquer materiais escritos que possam ser usados como fonte e de onde se pode retirar evidencias que confirmem ou não as hipóteses levantadas pelo pesquisador.
A análise documental utilizada no primeiro momento da investigação se delineou num estudo exploratório realizado para a seleção do campo e dos sujeitos investigados da pesquisa. Essa análise se constituiu no primeiro contato com a realizada escolhida como campo de pesquisa e deu origem a um mapeamento das participações dos docentes na disciplina investigada (ANEXO B, p.166) e foi extremamente relevante para o redirecionamento da pesquisa.
Assim de acordo com Triviños (1987), o estudo exploratório é o meio que permite aumentar a experiência com o problema de pesquisa, oferecendo dados que permitem uma maior compreensão do mesmo. Para Ludke (1986, p. 22) o estudo exploratório é o momento
de especificar as questões ou pontos críticos, de estabelecer os contatos iniciais para a entrada no campo, de localizar os informantes e as fontes de dados necessárias para o estudo.
Partindo do estudo exploratório foram analisados: a proposta de projeto pedagógico do programa Magister datada de agosto de 2000; os projetos pedagógicos dos três cursos (Linguagens e códigos; Ciências Humanas e Ciências da Natureza) oferecidos pelo Programa Magister de abril de 2005; a agenda de trabalho da disciplina Política, planejamento e avaliação educacional de 2001; o plano de curso da disciplina Política, planejamento e avaliação educacional; fichas de cadastro dos professores que ministraram a disciplina em questão; os livros didáticos publicados especificamente para serem usados na disciplina; Monografia de especialização entitulada O programa Magister: a concepção de seus alunos-
dos professores-alunos que cursaram o programa Magister.
A análise desses documentos nos permitiu compreender o Programa Magister supervisionado pela Universidade Estadual do Ceará – Uece desde as suas origens, os seus princípios norteadores, seus propósitos, sua estrutura curricular e funcionamento além de nos fornecer informações pertinentes sobre a proposta avaliativa do programa e dados específicos a respeito do nosso objeto de investigação a disciplina Política, Planejamento e Avaliação