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3. RESULTS

3.2 Results from the participants who completed the 6 months evaluation; eHealth

3.2.3 Changes during the eHealth program(I); between baseline, 3- and 6 months …. 41

3.2.3.2.3 Individual responses

Os fenômenos fonológicos produzidos pela interferência do PB na aprendizagem de Inglês como língua estrangeira podem ser investigados a partir de várias teorias. Nesta pesquisa utilizamos também a Teoria da Otimidade de McCarthy e Prince (1993); Kager (1999) e Prince e Smolensky (1993) para fazer um exercício de confronto entre as duas gramáticas. Faz-se necessário, portanto, a apresentação deste modelo, a fim de verificarmos como são tratadas as propriedades universais das línguas e como essas propriedades se organizam em línguas particulares.

A Teoria da Otimidade (doravante TO) concorda com os modelos gerativos anteriores quanto à idéia de uma gramática universal, porém a TO apenas considera o output enquanto os outros observam o input. Vale lembrar ainda que as gramáticas individuais das línguas são variações da gramatical universal.

Para a TO, a Gramática Universal é um conjunto de restrições violáveis. Essa teoria também propõe que cada língua terá sua hierarquia, ou seja, seu ranqueamento de restrições que resultará em padrões responsáveis por sistemas particulares. Isso significa que as restrições são universais e violáveis, portanto, o que diferenciará uma língua da outra será a hierarquia dessas restrições. Por exemplo, em uma língua A, o ranqueamento de restrições pode ser o seguinte: R1>>R2>>R3 e em uma língua B mudar para R1>>R3>>R2.

A TO, diferentemente das teorias fonológicas anteriores, não considera as regras, que são, de denominação serial e devidamente ordenadas para explicarem os fenômenos fonológicos das línguas. Para a TO, todas as operações ocorrem de maneira paralela, por conseguinte, transformações e fenômenos fonológicos de qualquer natureza se dão simultaneamente, ou seja, sem qualquer estágio ou passo ordenado. Assim sendo, para esse modelo, o que existe são restrições universais, cuja principal propriedade é o fato de serem violáveis, isto é, uma restrição não é cegamente obedecida por um ou outro elemento de um possível output.

Vale ressaltar ainda que a TO difere dos outros modelos quanto à natureza da Gramática Universal e quanto ao funcionamento do mapeamento entre input/output. Para os outros modelos, o input é o ponto de partida, ou seja, há uma série de operações no nível subjacente e o resultado delas é o output. A TO vê a relação input/output mediada por dois mecanismos: GEN e EVAL. O GEN (do inglês Generator – gerador) criará objetos lingüísticos possíveis, já que todo objeto lingüístico que respeite a estrutura da língua em questão é candidato a output. O EVAL (do inglês Evaluator – avaliador) usará da hierarquia de restrições da língua para selecionar o melhor candidato entre aqueles produzidos por GEN.

A TO, segundo Prince e Smolensky (1993), prima pela teoria da boa formação que é por eles nomeada de avaliação harmônica (harmonic evaluation – H-eval), pois essa função de EVAL determina uma relativa harmonia entre os candidatos a output. Esses mesmos autores mostram ainda como seria encontrar uma sílaba bem formada por meio da TO. Para isso, os autores utilizam duas restrições, a restrição do onset (ataque da sílaba) e a restrição da harmonia do núcleo.

Itô (1986, 1989), apud Prince e Smolensky (1993) explica as restrições para uma boa formação da sílaba. A primeira restrição estabelece que toda sílaba deve ter um ataque, exceto para as que iniciam as frases. A segunda restrição, por sua vez, estabelece que um núcleo mais sonoro é mais harmônico que um núcleo de menor sonoridade. Após considerar essas restrições analisa-se o grupo de candidatos a output produzidos pelo GEN e o candidato ótimo será aquele que não violar as restrições mais altas.

As restrições são universais, porém, o que irá variar de língua para língua será a hierarquia destas restrições, portanto, a análise da hierarquia de restrições de uma língua indicará qual dos candidatos será considerado ótimo e será então acatado como a verdadeira realização daqueles segmentos em questão.

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Para a análise da hierarquia de restrições, faz-se um tableau no qual se pode observar o candidato que menos fere as restrições de maior ranqueamento em determinada língua e este será considerado o candidato ótimo.

No exemplo dado por Prince e Smolensky (1993), serão analisadas as duas restrições mencionadas. A primeira, denominada ONS (The Onset Constraint) aponta que toda sílaba tenha ataque, exceto no começo de frase; a segunda HNUC (The Nuclear Harmony Constraint) estabelece que um núcleo mais sonoro é mais harmônico que um núcleo menos sonoro. Podemos ver em (13) como ocorrerá a escolha do melhor candidato a output seguindo a hierarquia de restrições.

(13)5

(PRINCE e SMOLENSKY, 1993. p.13) A organização das restrições no tableau mostra a hierarquia entre elas. A primeira, por estar colocada à esquerda é a de ranqueamento mais alto, portanto, um candidato que a violar será automaticamente eliminado, porém, a segunda HNUC está ranqueada abaixo da ONS, portanto, se um candidato viola a segunda, porém, não viola a primeira, será considerado o candidato ótimo.

No exemplo acima, percebemos que o primeiro candidato será considerado o output ótimo porque não violou a restrição mais alta, ao contrário do segundo candidato, que, ao violar a restrição de ataque foi descartado como um possível output. A segunda restrição trata da sonoridade do núcleo e, percebe-se que o segundo candidato possui um núcleo mais sonoro

5 O tableau possui alguns símbolos e da interpretação correta deles dependerá a interpretação de seus dados. O símbolo ! chama a atenção para o candidato ótimo, o quadro em branco mostra que não há violação àquela restrição. O asterisco (*) mostra que houve uma violação àquela restrição e o quadro preenchido mostra que não será necessário para a conclusão da análise.

Candidatos /haul-tn/

ONS HNUC

! ~. wL.~ /l/

que o primeiro, porém, ao violar a primeira restrição já foi descartado, não sendo relevante a segunda.

Se, porém, invertêssemos a ordem das restrições do tableau teríamos outro candidato ótimo, o que demonstra que há uma hierarquia entre as duas restrições, ou seja, se a restrição de sonoridade do núcleo fosse ranqueada acima da restrição que exige um ataque na sílaba, o segundo candidato seria o escolhido, pois seu núcleo é mais sonoro que o outro e a restrição que exige o ataque seria colocada em segundo plano.

Ao analisarmos um fenômeno por meio da TO, teremos que observar os candidatos a output e a hierarquia de restrições da língua em questão, pois verificamos que as restrições são universais, ou seja, para todas as línguas, o que irá variar será o ranqueamento destas restrições.

Para os aprendizes de uma segunda língua, portanto, não raro surge a dúvida sobre qual é o melhor candidato para determinada palavra, visto que ainda não estão familiarizados com a estrutura da mesma dessa língua. Com o passar do tempo, os alunos internalizam essa estrutura e a interferência da língua materna diminui. Para Kager (1999), aprender uma língua envolve a aquisição da hierarquia de restrições universais dessa mesma língua, ou seja, devemos internalizar a gramática da língua alvo. Portanto, não seremos fluentes em uma língua estrangeira se continuarmos a utilizar a estrutura de nossa língua nativa quando quisermos falar a L2.

Ainda segundo Kager (1999) aprenderemos uma língua à medida que conseguirmos organizar o ranqueamento das restrições dessa determinada língua. Nesta pesquisa, buscamos descrever e analisar os processos fonológicos envolvidos na aquisição do ranqueamento de L2, considerando a relação entre L1 e L2. Portanto, ao fazermos um paralelo entre o PB - L1 e o Inglês - L2, o que pretendíamos era verificar como a hierarquia de restrições de L1 interfere na aquisição da hierarquia de L2 e em que sentido essa interferência compromete a interação entre os falantes.

Os aprendizes reproduzem as vogais do inglês como fazem com as vogais do PB e, nesse momento, pronunciam palavras transmitindo informações, várias vezes, diferentes do que era inicialmente pretendido. Assim o objeto de estudo desta pesquisa foi a identificação das interferências que ocorrem, quando os aprendizes produzem certos segmentos do Inglês como se estivessem falando PB, o que na TO significa afirmar que eles violam restrições da L2.

Nobre-Oliveira (2007) afirma que as principais causas de dificuldade tanto na percepção de uma língua estrangeira quanto na produção estão nas diferenças inter-

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linguísticas, isto é, o que se aproxima muito nas duas línguas pode ser um facilitador no momento da aprendizagem e as diferenças podem ser obstáculos para que tal aprendizagem aconteça. As diferenças entre as línguas que interferem na aquisição de uma nova língua estão relacionadas ao repertório do sistema de vogais de cada uma; a similaridade destas vogais e, por último, às diferenças acústicas destas vogais.

Quanto mais dois sistemas lingüísticos se diferenciarem em número de vogais, maior será a probabilidade de aprendizes de L2 terem dificuldade na percepção e na produção das vogais desta segunda língua, visto que se está acostumado com um determinado número de vogais e quando se depara com um língua que possui um inventário diferente pode não conseguir se adaptar a ele.

Nobre-Oliveira (2007) explica que, no caso das similaridades, se um aprendiz estuda uma língua que possui um número diferente de vogais que a sua e, há fonemas nesta segunda língua que não fazem parte do inventário de vogais de sua língua materna, ocorre a tendência do aprendiz em produzir este som desconhecido como o som que mais se aproxima dele em sua própria língua, por exemplo, há em Inglês duas vogais altas frontais /i/ e /I/, podendo a primeira ser longa ou curta, e, no PB somente uma. O falante nativo de PB tende a produzir os dois sons de uma mesma maneira, sem fazer diferenciação alguma, podendo produzir significados diferentes do pretendido, ou até mesmo deixar de fazer diferenciações de significado por produzir todas as palavras que possuem os dois segmentos de uma mesma maneira. Em TO, isto significa que o falante está levando a hierarquia de restrições do PB para o Inglês sem perceber que as restrições são universais, porém, a hierarquia muda de língua para língua.

A partir destas considerações, Delgado Martins (1973) conclui que o desenvolvimento de percepção das línguas é influenciado pelo input a que os aprendizes estão expostos. Nobre- Oliveira (2007), observando os estudos de Escudero (2001), vai além ao defender que a percepção pode ser alterada, se o input apropriado for fornecido.

Nesta pesquisa, objetivamos investigar as restrições do Inglês violadas pelos falantes nativos de PB enquanto aprendizes de língua estrangeira decorrentes da interferência de L1 em L2; buscamos ainda descrever os fenômenos fonológicos advindos desta interferência, podendo, assim, até mesmo contribuir para a diminuição dessa interferência.

Para analisarmos os dados obtidos e propor um exercício de aplicação dos mesmos à TO para verificar as gramáticas do PB e do Inglês em confronto, fez-se necessário conhecer os inventários de vogais do PB e do Inglês, o que está apresentado no Capítulo a seguir.