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4.4 Applying the limits of the mandate and the rules of IHL

4.4.3 Indiscriminate or disproportionate use of force?

Dissemos na seção anterior que Bisol (1992, 2002) formula sua regra específica baseada na hipótese de que o sistema acentual do PB é sensível ao peso. Nesta, vamos tecer algumas considerações sobre o parâmetro sensibilidade ao peso, sua relação com a atribuição do acento e o modo como ele é empregado nas abordagens principais dessa língua.

Bisol (1992) atribui à Sensibilidade à Quantidade (SQ) a propriedade que a sílaba pesada localizada no final da palavra tem de atrair para si o acento dentro do domínio palavra. O pé que dá conta de um padrão como o PB, de acordo com Bisol, é o troqueu moraico – exatamente porque o sistema é sensível ao peso. Contudo, uma segunda regra é formulada pela autora: se não houver possibilidade de formar um troqueu moraico, que é a regra específica, então se formará um troqueu silábico, a regra geral.

Considerando as duas regras de Bisol (1992, 2002), podemos perceber que o troqueu moraico, que é próprio de sistemas sensíveis (HAYES, 1995), convive com o troqueu silábico, que é próprio de sistemas insensíveis. Logo, para Bisol o sistema é sensível e, quando não pode ser sensível, pode ser interpretado como insensível.

Para visualizarmos as conseqüências dessa sistemática, vamos considerar uma estrutura do tipo ca sa,

(x .)

que Bisol chama de troqueu silábico – próprio de sistemas insensíveis – e Massini-Cagliari (1995) chama de troqueu moraico. Por ser o pé métrico tratado por

Hayes (1995) como uma estrutura abstrata, as autoras não vêem nenhum problema em atribuir nomenclaturas diversas a uma mesma estrutura, mesmo que a Teoria Métrica postule que, apesar de serem troqueus, um é insensível e o outro é sensível. Massini-Cagliari (1995, 1999b), por sua vez, considera o sistema acentual do PB sensível ao peso e utiliza apenas o troqueu moraico porque, afirma a autora, esse tipo de pé é o mais apropriado para descrever essa língua, utilizando a palavra inteira como domínio da regra. Todos os tipos abaixo são tratados como troqueus moraicos:

(x) (x .) (x ) Pomar ca sa car <ta>

A proposta de Massini-Cagliari (1995) é coerente com os pressupostos da Teoria Métrica, que postula ser viável a possibilidade de análise por meio de um troqueu moraico em sistema sensível ao peso. Não entramos no mérito de sua proposta ser considerada certa ou errada, apenas reconhecemos que é coerente.

Por último, vamos apreciar para fins de exemplo, apenas três das várias propostas e reformulações de Lee: a que se encontra em sua tese (1995), orientada pela Fonologia Métrica e pela Fonologia Lexical e uma de 2006 e 2007, orientadas pela Teoria da Otimidade.

Em sua tese, Lee (1995) assume que o PB é uma língua insensível ao peso e que o padrão não-marcado dos não-verbos é um constituinte de cabeça à direita – um iambo –, enquanto o padrão não-marcado dos verbos é um troqueu – se o sistema é insensível, então devemos esperar que o troqueu seja do tipo silábico. O domínio das regras formuladas por Lee é o radical derivacional.

A primeira observação que fazemos é que, segundo a Teoria Métrica (cf. HAYES, 1995, VAN DER HULST, 1997, 2006), o iambo só tem viabilidade para fins de análise acentual em sistemas sensíveis ao peso. Hayes (1995) afirma que são pouquíssimos os exemplos de sistemas acentuais insensíveis em que o iambo consegue se firmar como tipo de pé básico e o PB dá muitas amostras de não ser um destes.

Contrariando esse pressuposto, Lee (1995) mostrou que é possível construir uma abordagem em que o iambo, pé típico de sistemas sensíveis, consegue se firmar como padrão rítmico em um sistema insensível. Não entramos no mérito de avaliar sua proposta como certa ou errada, apenas reconhecemos que esse autor

conseguiu formular uma proposta com a característica citada acima, apesar de esse fato ser reconhecidamente inesperado pela própria teoria adotada.

Lee (2006) apresenta uma nova proposta, dessa vez à luz da Teoria da Otimidade, que reinterpreta os pressupostos da Fonologia Métrica. O autor conclui que o PB é um sistema sensível ao peso, no caso dos não-verbos, e insensível, no caso dos verbos. O domínio continua sendo o radical derivacional dentro do qual, segundo Lee, formam-se iambos como padrão regular dos não-verbos e troqueus silábicos como padrão regular do verbo.

Em um mesmo domínio, nos não-verbos, o iambo continua sendo o pé regular que funciona em um sistema agora sensível do mesmo modo como funcionava enquanto o sistema era denominado insensível. Nenhuma característica, nenhum fato novo foi introduzido a fim de justificar a mudança do valor do parâmetro, simplesmente houve uma troca de rótulo.

Em 2007, Lee apresenta uma nova proposta também baseada em restrições, em que o radical derivacional continua sendo o domínio do acento regular – para o autor, o lado direito do pé sempre coincide com o lado direito do radical derivacional. O acento é oxítono em se tratando de não-verbos, sensíveis ao peso, e paroxítono para os verbos, insensíveis ao peso. O autor prefere não estipular nenhum rótulo para as oxítonas, como havia feito em outros trabalhos.

Diante dessa amostra, podemos questionar o real valor do parâmetro sensibilidade ao peso para as análises acentuais. É certo que o peso existe e que o pesquisador pode considerar o sistema sensível ou não a esse peso, essa faculdade é uma postulação da própria teoria. O que é questionável é que a rotulação do sistema como (in)sensível se dá de forma arbitrária, basta que o pesquisador opte por uma ou outra alternativa sem que precise se basear em um fundamento real que justifique sua afirmativa – como era de se esperar.

Observe que Bisol, por exemplo, admite a sensibilidade ao peso, mas usa também o troqueu silábico. Porém, a estrutura que Bisol chama de troqueu silábico também pode ser chamada de troqueu moraico, como casa, por exemplo.

(x .)

Dessa forma, duas interpretações são possíveis: se o troqueu moraico pode ocupar todas as funções do troqueu silábico, não há razão de Bisol utilizar um troqueu silábico em uma análise que opta por considerar o sistema sensível ao

peso. A teoria supergerou estruturas e o uso de um troqueu silábico, nesse contexto, se torna supérfluo. Uma prova disso é que a análise de Massini-Cagliari (1995) é unicamente baseada no troqueu moraico, ou seja, essa autora rotula de troqueu moraico todas as estruturas que também poderiam ser rotuladas de troqueu silábico.

Parece não haver nenhuma propriedade que relacione um determinado tipo de pé ao parâmetro (in)sensibilidade ao peso. Bisol (1992) reconhece que em apenas 80% das palavras terminadas em consoante se verifica a sensibilidade ao peso, o restante é tratado como exceção. Some-se a esse o fato de que, dentre essas palavras, uma certa quantidade se realiza alternativamente como pesada ou leve, como em /pomar/ e /pomá/.

Acrescente-se também que as análises pelo troqueu moraico só se sustentam se recorrerem ao emprego de catalaxis e outros artifícios. Portanto, elas precisam forjar um peso para subsistência da análise.

Por último, um sistema insensível, que a rigor deveria optar pelo troqueu silábico, também pode optar pelo iambo, ou seja, o iambo parece viável em sistemas sensíveis e insensíveis.