DEL V GRUNNER TIL Å HOLDE PRISEN UENDRET
4.2 Indirekte virkninger
1.
Descrição do estudo e Objetivos
Após as considerações teóricas do capítulo anterior essencialmente focadas na importância da música no desenvolvimento cognitivo dos jovens nos resultados empíricos de vários estudos que testam as mesmas considerações pretende-se com este estudo estender o debate ao contexto português. Portugal não conhece, até ao momento, um estudo pormenorizado acerca dos efeitos da música no âmbito de uma abordagem cognitiva. Os seus efeitos cognitivos carecem, portanto, de uma atenção especial. Com efeito, este trabalho visa analisar os efeitos do treino musical numa amostra representativa de jovens9 em Portugal.
Neste sentido, o objetivo principal da investigação é o de testar se existem diferenças significativas em termos cognitivos, nas suas diversas dimensões, entre jovens com treino formal de música face a jovens sem esse treino. Assim, o núcleo desta investigação é o estudo das diferenças em termos de capacidades cognitivas entre estes dois grupos.
Como referido no ponto 2, do capítulo II deste estudo, para se poder comprovar diferenças das capacidades cognitivas podem usar-se duas técnicas distintas. Esta investigação empírica utiliza a técnica dedutível ou de inferência10. Até agora a grande maioria dos estudos na área
utilizam técnicas de neuroimagem (Baeck, 2002; Elbert, et al., 1995; Flohr et al., 2000; Gaab et al., 2003; Gotgay, et al., 2004; Pantev, et al., 2001). O tema e a técnica escolhidos para o desenvolvimento deste estudo, têm por base investigações específicas que sugerem que é possível, através do treino formal de música, alterar representações motoras11,
representações auditivas de frequências sonoras específicas, bem como alterações nas capacidades ao nível da memória de trabalho (Schmithorst & Holland, 2003). A este propósito, vários dos estudos que se conhecem acerca dos efeitos da prática musical a nível cerebral avaliam principalmente impactos no corpo caloso, no córtex motor e no cerebelo e a sua associação a determinadas alterações funcionais e estruturais do encéfalo (Schlaug, 2001).
Pelos motivos apontados, este estudo cria um espaço para uma análise comparativa entre indivíduos com ensino formal de música e indivíduos sem treino musical formal em diversas capacidades não-músicais mas que possam ter alguma relação com o ambiente quotidiano musical. Assim, de acordo com as considerações tecidas por vários autores como Schellenberg (2001), Costa-Giomi (1999) ou Rauscher & Zupan, (2000), esta investigação propõe-se avaliar
9
O capítulo V faz uma análise descritiva das características da amostra.
10
No capítulo IV o estudo apresenta detalhadamente os materiais, técnicas e procedimentos de recolha de dados de base dedutível.
11
Segundo Schmithorst & Holland (2003) poderão existir alterações cognitivas fruto, por exemplo, da utilização frequente dos dedos para tocar alguns instrumentos.
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os benefícios do treino musical sobre os domínios do raciocínio verbal, matemático, e visuo- espacial. A literatura acerca desta problemática tem-se centrado no estudo empírico focalizado em amostras constituídas por indivíduos em fase desenvolvimental infantil, o que constitui uma limitação que merece especial atenção (Rauscher et al., 1993; Schellenberg, 2001.Para contornar esta limitação, este estudo é aplicado a uma amostra representativa de pré-adolescencentes e jovens12.
A idade de iniciação da prática musical assume-se relevante neste estudo. Como referem Schlaug (2001) e Johansson (2002), a parte anterior do corpo coloso é maior nos músicos que começaram o treino musical antes dos sete anos de idade. Assim esta investigação testa a relação entre o início da prática musical e a performance cognitiva. O espaço temporal que vai desde o início da formação formal de música até ao momento do estudo é também objecto de análise. Isto porque, como referiu Costa-Giomi (1999) as diferenças cognitivas sentem-se sobretudo nos dois primeiros anos de prática musical.
Existem alguns autores que sugerem diferenças corticais entre músicos cujo instrumento requer o uso continuado e frequente da mão esquerda face aos demais músicos, cujo instrumento não seja muito exigente no que concerne ao uso da mesma mão (Elbert, et al., 1995). Assim, neste estudo interessa aferir a existência de diferenças significativas entre indivíduos cujo instrumento musical é de cordas face aos demais. Esse efeito poderá ser especialmente relevante em domínios visuo-espaciais (Schmithorst & Holland, 2004).
Como se pôde perceber do estado da arte sobre a problemática em estudo, a maioria dos autores tem-se preocupado em analisar os efeitos da música em termos cognitivos. Não obstante, os inúmeros estudos empíricos desenvolvidos testam esses efeitos entre grupos de músicos e não músicos, classificando de músicos aqueles indivíduos com um treino formal de música, à semelhança do núcleo desta investigação. No entanto, afirmar que a música assume um papel mais ou menos importante nos diferentes domínios cognitivos com base exclusivamente numa análise “alunos com ensino formal de música” vs. “demais alunos” pode ser redutor. Isto porque se ignora o papel da música como atividade extra-curricular, papel que tem sido amplamente reconhecido (p.e: Marsh, 1992; Costa-Giomi, 1999, Baber et. al., 2003). Por este motivo este estudo tem também como objetivo perceber se existem diferenças de competências ao nível cognitivo que possam estar associados à prática informal de música por parte de alunos do ensino regular, face aos demais sem qualquer relação com a música. Para atingir os objetivos propostos, esta investigação faz uso da Bateria de Provas de Raciocínio (BPR) como instrumento de recolha de informação13.
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Ver distribuição da amostra por idades no ponto 1 do capítulo V.