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II.3.1.1. Large White (LW)

O desenvolvimento inicial desta raça ocorreu no condado de Yorkshire, daí ser um nome pelo qual também é conhecida.

A raça LW foi reconhecida como tal em Inglaterra em 1868 e o primeiro Livro Genealógico (LG) foi publicado em 1884 (Rothschild e Ruvinsky, 1998). Depois disso, vários países reconheceram esta raça e aprovaram o seu LG.

Esta população, durante o último século, teve uma expansão notável e é claramente, nos nossos dias, uma das duas maiores raças maternas de suínos em todo o mundo. Para além disso continuam a ser usados animais em criação pura e em cruzamento terminal.

Pensa-se que são descendentes directos do velho porco inglês (“Old English Pig”) (Weir e Coleman, 1877 citados por Rothschild e Ruvinsky, 1998), tendo muito pouco ou nenhum contributo das raças ditas do tronco Asiático para a sua formação e evolução, dada a sua coloração sempre clara ao contrário do que se passa no caso da raça Berkshire, Small White e Middle White.

No início da sua formação e estabilização, esta raça, teve a influência da Berkshire e posteriormente os suínos LW foram cruzados e melhorados pelo Small White e Middle White (raças que estão praticamente extintas hoje em dia), parecendo provado e comummente aceite que o LW do presente deriva da mistura das três raças de porcos ditas brancas de antigamente (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

É uma raça despigmentada, de tipo robusto, bastante rústica, com boa adaptabilidade e de boa corpulência, com o corpo e os membros largos, orelhas erectas e chanfro ligeiramente côncavo (Dávalos Aranda, 2002), sendo uma das suas principais características a sua elevada prolificidade.

II.3.1.2. Landrace (LR)

Os porcos de orelhas compridas, tombadas e caídas, cobrindo até os olhos desenvolveram-se nas regiões do Norte de França, Itália e quase toda a Europa de Norte, sendo usualmente referidos como porcos célticos ou celtas.

Nos séculos XVIII e XIX estes “porcos da terra” (“land pigs”) disseminaram-se por toda a Europa do Norte (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

Porter (1993) citado por Rothschild e Ruvinsky (1998), afirma que alguns autores consideram o Landrace Dinamarquês originado através de cruzamentos de LW com animais do tipo celta locais, dados que são refutados pelos dinamarqueses.

O melhoramento do dito “porco da terra” na Dinamarca teve como objectivo a produção de suínos de qualidade superior, mais compridos, com carnes mais magras, ideais para a produção de bacon e, como tal, facilmente exportados para o mercado do Reino Unido. Foi na Dinamarca que este “land pig”, ou raça do país, tomou pela primeira vez o nome de Landrace. Pode-se dizer que o LR está para a Dinamarca como o LW está para a Inglaterra.

O melhoramento deste tipo porcino deu-se rapidamente e foi exportado para diferentes países, representando a base desta população.

Depois da II Guerra Mundial, a Dinamarca colocou entraves à exportação do porco Landrace e assim a Suécia tornou-se o maior exportador deste património genético, sendo o que mais contributo tem dado, nos nossos dias, para esta raça porcina. Mais recentemente também a Noruega e Finlândia se tornaram grandes produtores e exportadores de stock de Landrace.

O Landrace apresenta algumas variações e heterogeneidade no tipo, característico de diferentes objectivos de selecção e melhoramento. Dada a sua ampla base genética inicial, foi possível a variabilidade entre populações de diferentes países. Hoje em dia, o LR apresenta linhas vocacionadas para a produção de animais com grandes rendimentos de carcaça, ou ainda outras mais direccionadas para a melhoria das características maternais (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

Assim podemos encontrar o LR Dinamarquês e Inglês, com o corpo mais comprido e fusiforme enquanto que o Alemão e Holandês apresentam o tipo mais curto e entroncado (Reis, 1995).

Regra geral é uma raça despigmentada do tipo longilíneo, com esqueleto sólido, boa corpulência e conformação harmoniosa, para sistemas de produção em linha pura bem como em cruzamento e produção de porcas F1, essencialmente com a raça LW.

II.3.1.3. Duroc

Durante o último quarto de século o Duroc tem sido a raça com crescimento mais rápido do mundo. Esta raça foi desenvolvida nos EUA e tornou-se uma das mais importantes raças para cruzamentos terminais. No entanto, mais recentemente, tem sido também desenvolvida para a produção de linhas maternas, mais duradouras e que, dado o seu apetite voraz mesmo em lactação, conseguem manter e criar mais e melhores ninhadas de leitões (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

Esta raça também tem sido usada em cruzamentos para a produção de porcos no exterior (“camping”, “plein-air”) dada a sua capacidade de adaptação (“fitness”) e resistência.

A existência destes suínos vermelhos foi primeiro registada em 1872 na Convenção Nacional de Criadores de Suínos nos EUA como Duroc-Jerseys. O seu nome foi alterado para Duroc em 1934 (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

Pensa-se que estes suínos tiveram influência na sua formação de porcos vermelhos espanhóis (1837), porcos portugueses (1852), Berkshire, Berkshire vermelho e ainda Tamworth (algo discutível) (Anderson 1931, citado por Rothschild e Ruvinsky, 1998).

No continente americano não existiam suínos nem equinos aquando dos descobrimentos, pelo que estes chegaram às Américas pela mão dos descobridores portugueses e espanhóis e deveriam ser essencialmente do tronco Ibérico (Reis, 1995).

A imensa base genética de que é formada esta raça deu-lhe enorme variabilidade e adaptabilidade, com alterações significativas consoante os animais eram seleccionados. Já foram grandes produtores de carne e gordura com enorme resistência mas, hoje em dia, adaptaram-se às exigências do mercado com grandes rendimentos de carcaça e percentagem de carne magra (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

O Duroc foi exportado para o Canadá e Dinamarca, o que permitiu serem submetidos a exigentes programas de selecção e melhoramento da raça, e daí saíram para as mais diferentes regiões do globo.

Uma importante característica desta população, e pela qual tem sido escolhida, é a garantia dada pela alta qualidade da carne com alguma gordura intramuscular, para além da sua adaptabilidade a diferentes condições ambientais. Devido a isso têm sido frequentemente cruzados com animais do tronco Ibérico (Martínez, 2001).

Os desafios que se colocam hoje em dia nos diferentes esquemas de selecção são os de se tentar aumentar os rendimentos de carcaça e a carne magra, mas sem perder muito a percentagem de gordura inter e intramuscular, característica essencial da boa qualidade destes animais (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

II.3.1.4. Berkshire

É uma raça originária do condado de Berkshire em Inglaterra, de onde retira o seu nome e teve como base de fundação o “antigo porco inglês” (“Old English Hog”). Tornou-se uma raça reconhecida no início de 1800 e pensa-se que teve um papel importante na formação de todas as raças suínas no Reino Unido.

Esta raça é sempre referida, essencialmente, por ter contribuído para a formação de muitas outras com grande interesse a nível mundial (Rothschild e Ruvinsky, 1998) e mesmo em Portugal, dada a sua elevada qualidade de músculo. A sua distribuição mundial teve um declínio forte a partir de 1940 dadas as menores produtividades, no que diz respeito a taxas de crescimento e eficiência alimentar, áreas musculares e

rendimento de carcaça, comparativamente com raças mais especializadas como a LR e LW.

No entanto, mantém alguma popularidade nos EUA e Japão pelas extraordinárias características da carne.

Segundo Vaughan (1937), citado por Rothschild e Ruvinsky (1998), esta foi a primeira raça a ser alvo de selecção e melhoramento em todo o mundo.

Estes suínos foram sujeitos a cruzamentos com o tronco Asiático até 1850, essencialmente no continente americano, tendo originado o porco Berkshire Americano (Reis, 1995), levando a diferentes alterações no tipo e conformação. Depois disso pensa-se que também foram cruzados com raças de diferentes origens dada a sua baixa prolificidade (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

Segundo Egaña (1948), a raça Berkshire é proveniente de uma outra muito antiga, actualmente melhorada. Os seus representantes são de tamanho mediano, de cabeça pequena, perfil ultra côncavo, orelhas quase rectas e inclinadas para a frente, corpo alongado, pernis muito desenvolvidos, de cor negra e cerdas fortes e espessas.

Segundo Reis (1995), o Berkshire é um porco de pelagem preta com malhas brancas nas extremidades dos membros, cabeça e rabo, com um focinho curto e orelhas dirigidas para cima e ligeiramente para a frente.

II.3.1.5. Pietrain

Esta raça pode ser descrita como a mais interessante e controversa do século XX. Por volta de 1920 um criador desconhecido, próximo de uma pequena aldeia denominada de Pietrain, perto da cidade de Barbant Wallon na Bélgica, produziu esta população suína (Reis, 1995; Rothschild e Ruvinsky, 1998). Rapidamente foi considerada uma das raças com maior quantidade de carne magra e melhor conformação muscular.

Existem diversas teorias e suposições acerca da formação desta raça, mas sugere- se que tenha sido criada por cruzamentos de animais Berkshire, Normandos e LW, em conjunto com porcos locais dessa região belga. Dado aparecerem por vezes animais com malhas avermelhadas também se supõem da influência da antiga raça inglesa Tamworth e ainda uma variedade da raça Limousine (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

É curioso realçar o facto desta raça ter ficado quase extinta após a II Guerra Mundial devido à procura de animais mais gordos para saciar a fome de populações

população rapidamente se espalhou por todo o mundo, sobretudo pela França e Alemanha, onde adquiriu ainda maior musculatura.

A grande popularidade do Pietrain é devida à grande produção de carcaças muito bem conformadas, com grande percentagem de músculo e carnes magras, em parte devido à presença do gene do halotano, que foi seleccionado positivamente (Lewis, 2001; Dávalos Aranda, 2002; Rothschild e Ruvinsky, 1998).

Do ponto de vista da criação em raça pura, o Pietrain nunca conseguiu atingir a popularidade do LR, LW ou Duroc.

Sendo uma raça hipermusculada e relativamente livre de gordura até aos 80-100kg de PV, apresenta alguns problemas quando os animais são abatidos mais tarde, com 120 kg ou mais, já que têm maiores deposições de gordura. Desta forma, são usados essencialmente em cruzamentos terminais como linha paterna (Rothschild e Ruvinsky, 1998).

Esta raça é caracterizada por ser de tamanho mediano, cor branca com manchas negras não muito pigmentadas, com orelhas erectas, corpo mais curto que a maioria das outras raças e extremamente musculada, com uma maior proporção de carne magra (Dávalos Aranda, 2002).

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