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3. EMPIRICAL METHOD

3.2 C ONSTRUCTION OF S ENTIMENT I NDEXES

3.2.5 Index composition

De acordo com Bogdan e Biklen (1994),

[...] a análise de dados é o processo de busca e de organização sistemática de transcrições de entrevistas, de notas de campo e de outros materiais que foram sendo acumulados, com o objetivo de aumentar a sua própria compreensão desses mesmos materiais e de lhe permitir apresentar aos outros aquilo que encontrou. A análise envolve o trabalho com os dados, a sua organização, divisão em unidades manipuláveis, síntese, procura de padrões, descoberta dos aspectos importantes e do que deve ser aprendido e a decisão sobre o que vai ser transmitido aos outros (p.205).

“Por dados entendemos as páginas de materiais descritivos recolhidos no processo de trabalho de campo (transcrições de entrevistas, notas de campo, artigos de jornal, dados oficiais, memorando escritos pelos sujeitos, etc.)” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.232).

Embora a maior parte da organização e da análise dos dados tenha se dado apenas ao final da coleta de todos os dados, como explicam Lüdke e André (1986), desde o início do estudo fizemos uso de procedimentos analíticos em situações que envolviam tomadas de decisões sobre aspectos que necessitavam uma maior exploração, sobre direções a serem tomadas e outras.

Assim, conforme sugerido pelas autoras, os seguintes procedimentos de análise foram utilizados durante o recolhimento dos dados: a delimitação progressiva do foco do estudo; a formulação de questões analíticas; o aprofundamento da revisão de literatura; e o uso extensivo de comentários, observações e especulações ao longo da coleta.

O primeiro se fez necessário para que a coleta de dados fosse mais concentrada e mais produtiva; o segundo favoreceu a análise, além de possibilitar a articulação entre os pressupostos teóricos do estudo e os dados da realidade; o terceiro permitiu relacionar as descobertas feitas durante o estudo com o que já existe na literatura, o que foi fundamental para que se pudessem tomar decisões mais seguras sobre as direções em que valeria a pena concentrar o esforço e as atenções; e o quarto estimulou o pensamento crítico sobre aquilo que

foi observado, além de controlar o efeito da subjetividade do estudo (LÜDKE; ANDRÉ, 1986).

Após a coleta de todos os dados, os materiais descritivos foram revistos e separados por ordem cronológica de acontecimentos e por tipo de material (transcrição de entrevistas, notas de campo, análise dos documentos oficiais). Feito isso, esse material foi lido novamente para que se desenvolvesse uma lista de categorias de codificação, pois

À medida que vai lendo os dados, repetem-se ou destacam-se certas palavras, frases, padrões de comportamento, formas dos sujeitos pensarem e acontecimentos. O desenvolvimento de um sistema de codificação envolve vários passos; percorre os seus dados na procura de regularidades e padrões bem como de tópicos presentes nos dados e, em seguida, escreve palavras e frases que representem estes mesmos tópicos e padrões. Essas palavras ou frases são categorias de codificação. As categorias constituem um meio de classificar os dados descritivos que recolheu, de forma a que o material contido num determinado tópico possa ser fisicamente apartados dos outros dados (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.221).

Vale esclarecer que as categorias de codificação estabelecidas no presente estudo foram formuladas a partir da leitura e análise do PPP da unidade escolar.

Após sucessivas leituras desse documento, destacamos as seguintes palavras e frases, que aparecem de forma bastante recorrente ao longo do texto: valores, cidadania, participação na sociedade, atuação na solução de problemas, transformação da realidade, pertencimento ao campo, identidade, movimentos sociais, reforma agrária, conscientização, preservação, conservação, natureza, meio ambiente, sustentabilidade, agricultura familiar. A partir dessas palavras e expressões, estabelecemos alguns temas mais amplos em que elas pudessem ser inseridas, constituindo assim nossas categorias, a saber: relação homem e meio ambiente; ação política e social; valores humanizadores.

Depois de termos estabelecido as categorias de codificação, todos os dados descritivos foram lidos novamente e cada unidade (parágrafo, frase, etc.) foi marcada com a categoria de codificação apropriada, para que finalmente pudéssemos analisar o material, identificando os padrões existentes, bem como os aspectos importantes presentes nos mesmos, facilitando, assim, a composição e a apresentação dos dados.

Na categoria “relação homem e meio ambiente” englobamos todos os aspectos que se referiam diretamente a temas ambientais. Assim, foram incorporados práticas e conteúdos diversos relacionados ao meio ambiente, além daqueles que são específicos do complexo temático “Meio Ambiente e Trabalho” e dos projetos de EA.

Já na categoria “ação política e social” incluímos aspectos que, embora não se refiram diretamente à temática ambiental, podem dar margem à discussão relacionadas a ela já que dizem respeito à questões sociais e políticas que, em uma abordagem sistêmica, incluem ou deveriam incluir uma perspectiva ambiental. Além dos diferentes conteúdos e práticas que tratam tais temas, foram abrangidos nessa categoria, conteúdos e práticas específicas dos complexos temáticos “Identidade”, “Saúde”, “Ética e Política” e do Projeto Memorial das Escolas do Campo.

Por fim, na categoria “valores humanizadores”, abarcamos conteúdos e práticas específicas dos projetos “Plantando e Vivenciando Valores na Escola” e “Projeto de Acolhida, Recepção e Comunicação”, além de conteúdos e práticas desenvolvidas no ambiente escolar que não estão relacionadas com esses projetos, mas que fazem menção aos valores presentes na sociedade.

Cabe mencionar, que os complexos temáticos e projetos acima referidos, serão explicitados e detalhados no capítulo 3.

Com o aporte teórico de Lüdke e André (1986), concordamos que a categorização por si não esgota a análise e buscamos ultrapassar a simples descrição, acrescentando elementos que permitissem melhor compreender o tema em questão, tentando estabelecer conexões e interpretações entre os dados expostos, e comparando esses dados com outras pesquisas similares. De acordo com as autoras mencionadas,

[...] Esse acréscimo pode significar desde um conjunto de preposições bem concatenadas e relacionadas que configuram uma nova perspectiva teórica até o simples levantamento de novas questões e questionamentos que precisarão ser mais sistematicamente explorados em estudos futuros. (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p.49).

No final, os dados foram analisados com base no referencial teórico do estudo, que foi construído continuamente, durante todo do trabalho.

No capítulo a seguir apresentamos as prescrições oficiais sobre a inserção da EA no currículo do Ensino Fundamental e descrevemos algumas pesquisas que apontam como as práticas de EA têm sido desenvolvidas no ensino formal, além de discutirmos as possibilidades e limites das práticas na formação dos educandos.