Amalie Emmy Noether nasceu em um cidade da Alemanha, chamada de Erlanger, em 1882. E assim como a maioria das mulheres que contribuíram para a história da Matemática, Emmy também era filha de um matemático, sendo seu pai, Max Noether, professor na Universidade de Erlanger.
Emmy Noether foi considerada a maior de todas as matemáticas de sua época, destacando-se no campo da álgebra.
No entanto, Noether nem sempre optou pelas ciências exatas. Inicialmente, ela pretendia ser professora de inglês ou francês. Devido a isso, dos 18 aos 20 anos estudou tanto línguas estrangerias quanto matemática. Ao completar 21 anos, em 1903, tentou entrar nas Universidades de Erlangen e de Göttingen. Porém, ainda nessa época, início do século XX, as mulheres não podiam ser admitidas como estudantes regulares e, assim, Amalie era apenas ouvinte (MAQUINÉ, 2017, p. 26).
Contudo, com algumas mudanças na política da universidade, Emmy Noether enfim conseguiu ser aceita como estudante do curso de Matemática. Posteriormente, em 1907, ela defende sua tese de doutorado sob a orientação do matemático alemão Gordan (1837-1912), sendo sua tese Sobre Sistemas Completos de Invariantes para Formas Biquadradas Ternárias (EVES, 2005).
Mesmo no século XX, após ter conseguido cursar o ensino superior em Matemática, Emmy Noether presencia o preconceito por parte da sociedade com mulheres que se envolviam com as ciências exatas. O que não a impediu de se tornar professora na Universidade de Göttingen, inclusive com a defesa de sua admissão por parte de um dos principais matemáticos de todos os tempos, David Hilbert (1862-1943).
Depois de deixar Erlanger, Emmy Noether estudou em Göttigen, onde, em 1919, foi aprovada no exame de habilitação, após superar objeções de parte da faculdade que se opunha a aulas de mulheres. “O que nossos militares pensarão”, argumentavam, “quando retornarem à universidade e verificarem que têm de aprender aos pés de uma mulher?” David Hilbert ficou muito irritado com a pergunta e respondeu: “Não vejo que o sexo de um candidato possa ser um argumento contra sua admissão como Privatdozent. Afinal, o Conselho não é nenhuma casa de banho.” Em 1922, tornou- se professora, em caráter extraordinário, de Göttingen, um lugar que manteve até 1933 [...] (EVES, 2005, p. 621).
Sem dúvidas Emmy Noether trouxe diversas contribuições para a evolução da Matemática, porém, destacou-se principalmente no campo da álgebra moderna, com seus estudos relacionados especificamente a anéis, grupos e corpos.
3. Considerações Finais
As mulheres durante muitos anos foram discriminadas e consideradas incapazes para estudar as ciências exatas, sendo seus conhecimentos vistos como inferiores aos dos homens, ao que as mesmas viviam em épocas que se predominava a prática de serem criadas e educadas apenas para se casar e ter filhos.
Para conquistar aquilo que desejavam, muitos foram os obstáculos enfrentados pelas mulheres. Contudo, ao longo da história houveram algumas mulheres guerreiras que lutaram e enfrentaram os preconceitos na busca de conquistar os mesmos ideais que os homens, ao que até mesmo algumas delas chegaram a morrer devido à sua inteligência e coragem.
Chatelet, e Amalie Emmy Noether, que, apesar de não serem bem vistas e sem direitos de acesso às universidades, impedidas de cursarem o ensino superior independentemente de sua classe social e do prestígio familiar, conseguiram honrosamente cunhar seus nomes na história e contribuído com o advento da Matemática.
Fato este que leva à conclusão de Eves (2005, p. 622), citando que: “Essas mulheres não só foram matemáticas competentes como inspiraram e capacitaram outras mulheres a entrar para a matemática”. Salientando o reconhecimento de que: “Não há nenhuma superioridade inerente aos homens no que tange ao raciocínio ou criatividade em matemática, como se nota hoje com o rápido crescimento do número de mulheres entre os que praticam e criam essa ciência em nível superior” (EVES, 2005, p. 622).
Contudo, mesmo nos dias atuais, após a constatação das contribuições femininas no desenvolvimento da Matemática como ciência, faz-se necessário reverter o cenário em que pouco ouvimos sobre as mulheres matemáticas, sendo evidenciado basicamente nomes de figuras masculinas quando nos referimos à História da Matemática. Assim, este trabalho buscou lembrar nomes e destacar algumas das contribuições de mulheres guerreiras, contribuições estas tidas de grande relevância para o avanço da Matemática.
4. Referências
EVES, H. Introdução à história da matemática. 2. ed. São Paulo: UNICAMP, 2005.
FURASTÉ, P. A. Normas Técnicas para o Trabalho Científico: Elaboração e Formação. Explicitação das Normas da ABNT. – 14.ed. – Porto Alegre: s.n., 2008.
FILHO, D. C. M. As Mulheres na Matemática. Universidade Federal da Paraíba. Campina Grande, 1996. Disponível em: <http://www.rpm.org.br/cdrpm/30/2.htm>. Acesso em: set. 2018.
GARBI, G. A rainha da ciência: um passeio histórico pelo maravilhoso mundo da Matemática. 3. ed. São Paulo: Livraria da Física, 2009.
MAQUINÉ, C. C. Contribuições das mulheres nas ciências exatas: Levantamento
Histórico. 2017. 46f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Matemática) – Curso de Licenciatura em Matemática, Universidade Federal de São João Del-Rei. São João Del Rei/MG, 2017. Disponível em: <https://www.ufsj.edu.br/portal2-
repositorio/File/comat/TCC%20Camila.pdf>. Acesso em: set. 2018.
SINGH, S. O último teorema de Fermat: A história do enigma que confundiu as maiores mentes do mundo durante 358 anos. 11. ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
SOUZA, K. C. S.; FREITAS, S. B. As mulheres na matemática. Universidade Católica de Brasília; Águas Claras, 2006. Disponível em:
<http://www.ucb.br/sites/100/103/TCC/22006/KatiaCristinadaSilvaSouza.pdf>. Acesso em: set. 2018.
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