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Convention on the Rights of the Child celebrated its 30th anniversary

In document Togetherness in Play and Learning (sider 84-98)

O autor deste livro expressa o mais profundo da sua alma em relação à como agora se acha “solitária aquela cidade dantes tão populosa!” (Lm 1.1 – ARC). Os cinco capítulos que estão escritos em forma poética são, na verdade, uma espécie de apêndice ao livro de Jeremias com as suas profecias. Seu título em hebraico é Eichah, que significa simplesmente ―como?‖, a primeira palavra do livro no original hebraico. O livro também recebe o nome de qinah que significa ―lamentação‖. A Septuaginta nomeou este livro como Threnoi, que significa ―lamento‖, ―cântico de dor‖, ―cântico fúnebre‖, ―gemido‖. Na Vulgata Latina o título específico é Lamentationes. Em português, a palavra ―lamentação‖ ―vem do latim, lamentum, que indica o ato de chorar, deplorar, carpir‖35. Este título expressa bem o contexto histórico de Lamentações. Jerusalém está agora desolada e o templo, símbolo máximo da religião judaica, arruinado!

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CHAMPLIN, Russell N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. vol. 3, ed. Candeia, 1991, p. 718.

A catástrofe terrível que ocorreu com o país de Judá e a cidade de Jerusalém em 587-586 a.C. constitui a cortina de fundo desse pequeno livro. O exército babilônico de Nabucodonosor tinha sitiado Jerusalém por dezoito longos meses. Quando a cidade afetada pela fome e doença foi finalmente tomada, ela foi totalmente demolida e incendiada. Foi uma ocasião trágica e muito sofrida para o povo judeu. A segurança de Jerusalém era vista como uma doutrina preciso pelos habitantes da cidade desde os tempos de Isaías (701 a.C.). Agora, os que estavam vivos para ver a cidade em ruínas e o Templo completamente destruído tinham dificuldades em acreditar naquilo que viam. A aflição deles era quase insuportável. Nos meses e anos que se seguiram, suas mentes foram importunadas com muitas perguntas não respondidas acerca da sua história passada e do seu destino futuro36.

Vejamos a seguir como Flavio Josefo, conhecido historiador judeu, descreve o cerco e consequente destruição de Jerusalém e do Templo:

Nabucodonosor apertava cada vez mais o cerco. Mandou construir altas torres, com as quais sobrepassava as muralhas da cidade, e também grande quantidade de plataformas tão altas quanto os muros. Os habitantes, por sua vez, defendiam-se com todo empenho e com toda a coragem possível, sem que a fome e a peste pudessem esmorecê-los. A coragem dava-lhes ânimo contra os

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males e perigos. E, sem se espantar com as máquinas de que seus inimigos se serviam, opunham-lhes outras. [...] Passaram-se dezoito meses desse modo. Por fim, os sitiados, consumidos pela fome, pela peste e pela quantidade de dardos que os inimigos lhes atiravam do alto das torres, cederam, e a cidade foi tomada pela meia-noite do décimo primeiro ano, no nono dia do quarto mês do reinado de Zedequias por Nergelear, Aremante, Emegar, Nabazar e Ercarampsar, generais de Nabucodonosor que então estavam em Ribla. Eles marcharam diretamente para o Templo. O rei Zedequias, sua esposa, seus filhos, seus parentes e as pessoas da nobreza que ele mais estimava saíram da cidade para fugir por lugares desconhecidos rumo ao deserto. Os babilônios, porém, foram avisados por um dos que eles haviam deixado de lado ao fugir, e ao despontar do dia puseram-se a persegui-los. Alcançaram-nos perto de Jericó e quase todos os que acompanhavam Zedequias o abandonaram. Ele foi aprisionado com sua mulher, seus filhos e os poucos que lhe restavam, e todos foram levados ao rei. Nabucodonosor chamou-o de ímpio e pérfido por faltar à promessa de lhe conservar inviolavelmente o reino, pois para isso pusera a coroa na sua cabeça. Reprovou-lhe a ingratidão, por esquecer-se da obrigação que lhe devia por tê-lo preferido a Joaquim, seu sobrinho, ao qual pertencia o reino, e por ter empregado contra o seu benfeitor o poder que este lhe concedera. E terminou com estas palavras: ―Mas o grande Deus, para castigar-vos, vos entregou em minhas mãos‖. Então, na presença dele e diante dos outros escravos, mandou matar os seus filhos e amigos. Vazou-lhe os

olhos e ordenou que o acorrentassem para levá-lo escravo à Babilônia37.

Josefo prossegue dizendo que o que acontecera era cumprimento das profecias de Jeremias e Ezequiel, profecias essas que foram desprezadas por Zedequias. Jeremias havia profetizado que ele seria feito prisioneiro, seria levado a Nabucodonosor e o veria face a face; e Ezequiel havia profetizado que ele seria levado à Babilônia, mas não a poderia ver! Josefo então afirma:

Esse exemplo ensina, mesmo aos mais ignorantes, o poder e a sabedoria infinita de Deus, que sabe fazer realizar por diversos meios e no tempo por Ele marcado tudo o que determina e prediz. [...] Esse foi o fim da estirpe de Davi, depois que vinte e um reis seus descendentes sucessivamente ocuparam o trono e empunharam o cetro do reino de Judá. E todos os seus governos, juntamente, duraram quinhetos e quatorze anos, seis meses e dez dias. Nabucodonosor, depois da vitória, enviou Nebuzaradã, general de seu exército, a Jerusalém, com ordem de incendiar o Templo após retirar de lá tudo o que encontrasse e de também reduzir a cinzas o palácio real e de destruir a cidade por completo. Deveria trazer depois todos os habitantes como escravos para a Babilônia... esse general (Nebuzaradã – grifo meu), para executar tal ordem,

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despojou o Templo de tudo o que lá encontrou: levou todos os vasos de ouro e de prata, o grande vaso de cobre chamado mar, que Salomão mandara fazer, as duas colunas de bronze, as mesas e os candelabros de ouro. Em seguida, incendiou o Templo e o palácio real e destruiu completamente a cidade38.

O livro é composto por cinco poemas que estão dispostos no livro, respectivamente, em cinco capítulos. Pode ser considerado uma espécie de cântico fúnebre da cidade de Jerusalém. A impressão que temos ao ler as comoventes palavras do ―profeta das lágrimas‖ é de que ele está de pé em meio aos escombros da cidade e do templo. Quem sabe não foi assim de fato!? Mas no livro de Lamentações encontramos um clarão de luz de esperança em meio à escuridão da desolação que se abatera sobre a cidade:

“O Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém,

usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem entristece de bom

grado os filhos dos homens”.

Lamentações de Jeremias 3.31-33

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O Livro de Lamentações e sua Colocação na Bíblia Hebraica

O livro de Lamentações está incluído na terceira divisão do cânon hebraico, junto com outros quatro livros, na seção chamada pelos judeus de ―Escritos‖, ou Hagiographa, ―Escritos Sagrados‖, ou ainda, ―Os Cinco Rolos‖, como eram também conhecidos esses cinco livros (ou rolos).

Você Sabia?

Um dado histórico muito interessante aqui é saber que cada um desses cinco livros eram lidos em público anualmente pelos judeus em uma de suas festas sagradas. Halley informa que até ―o dia de hoje, o livro de Lamentações é lido publicamente nas sinagogas do mundo inteiro, em todos os locais onde existem judeus, no nono dia do quarto mês, o dia de jejum que lembra a queda do templo (Jr 52.6)39.

O livro de Lamentações de Jeremias, a despeito de quem seja seu autor, foi escrito por alguém que sem dúvida foi testemunha ocular dos eventos subseqüentes à invasão

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babilônica. É provável que tenha sido escrito no breve período decorrido entre a destruição de Jerusalém e a partida dos sobreviventes para o Egito e também é provável que cópias tivessem sido enviadas para os exilados na Babilônia e para os restantes que fugiram para o Egito, a fim de que eles memorizassem e cantassem. Desse modo, o livro deve ter sido escrito depois de 586 a.C., mas não antes de 538 a.C.

Na tabela a seguir temos a disposição dos livros conforme o cânon hebraico:

In document Togetherness in Play and Learning (sider 84-98)