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Incentives behind corruption

2 Corruption in the regulation of the oil industry

2.4 Incentives behind corruption

As categorizações das palavras things, thing, something, anything e everything, propostas por Biber (1998), Biber et al. (2006) e Halliday & Hasan (1976), baseiam-se em uma noção sistêmica da língua e fundamentam-se na abordagem Sistêmico-Funcional (doravante SF), que vê a linguagem sob uma óptica social, ou seja, procura investigar como as pessoas produzem a significação e como elas se organizam para tal; tendo em vista a importância social das palavras de estudo – explicitada no item 1.2.1 deste capítulo (vide p. 32-33) – julgou-se adequado incluir essa abordagem na análise feita nesta pesquisa .

A abordagem SF é uma teoria centrada no sistema de escolhas potenciais em relação à linguagem e nas funções dessas escolhas na construção do significado, tendo como questões centrais o modo como a linguagem produz significações (se realiza) e que ações derivam destas significações. O ponto inicial da SF é o contexto social onde a linguagem é observada para, a partir daí, analisar como a linguagem influencia o contexto e é por ele influenciado.

Uma noção central desta área é a noção da estratificação, ou seja, a linguagem é vista como parte de um “sistema semiótico complexo, tendo vários níveis ou estratos” (Halliday & Matthiessen, 2004:24). Nesta perspectiva, a linguagem é analisada em quatro estratos: o do contexto, o da semântica, o da léxico-gramática e o da fonologia/grafologia.

A presente pesquisa limitar-se-á a um único estrato – o da semântica, que será utilizado na análise de uso dos padrões encontrados nos textos produzidos pelos alunos universitários nativos (corpus LOCNESS) e não-nativos (corpus ICLE).

O estrato da semântica é organizado a partir das metafunções interpessoal, ideacional e textual, que constroem o ambiente onde as pessoas vivenciam os significados. Essas metafunções definem-se da seguinte forma:

• Ideacional (Ideational) – sobre o que se fala / qual é a natureza do evento social;

• Interpessoal (Interpersonal) – qual é o papel e o status dos falantes / como se dá a interação pessoal;

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• Textual (Textual) – como a mensagem se constrói e se organiza dentro do contexto em questão.

Como já mencionado anteriormente, este trabalho limitar-se-á à análise do estrato semântico, objetivando responder à seguinte questão: como os alunos universitários nativos e não-nativos usam os padrões identificados para as palavras things, thing, something, anything e everything para construir os seus textos?

Para tanto, é mister incluir a abordagem SF nesta pesquisa posto ter a primeira análise dos corpora revelado falta de sofisticação na linguagem utilizada – o que, supostamente, fez com que os alunos não utilizassem a abordagem pragmática de Channel (1994) de modo consciente. Nessa perspectiva, as palavras sob análise nos corpora de estudo e comparável são utilizadas de quatro maneiras, a saber: (1) como proteções (Biber, 1998:240)46, ou seja, “marcadores informais e menos específicos de probabilidade e incerteza” (Biber, idem)47; (2) como substantivos de significado genérico (Biber et al., 2006); (3) como pronomes indefinidos e; (4) como referenciadores (Halliday & Hasan, 1976).

Biber (1998) afirma que, assim como os modalizadores de possibilidade48, tanto as proteções e os substantivos de significado genérico como os pronomes indefinidos são empregados na sinalização de incerteza ou imprecisão, marcando, dessa forma, o caráter interativo e o propósito afetivo da mensagem, isto é, sinalizando ao leitor/interlocutor a ocorrência de alto grau de envolvimento na interação. O autor acrescenta, ainda, que tais proteções, substantivos de significado genérico e pronomes indefinidos, tendem a aparecer, com maior freqüência, em textos orais e contextos onde o foco não é a informação.

Nesse particular, as afirmações de Biber conflitam com os resultados da análise dos corpora de estudo e comparável, uma vez que estes são compostos por textos escritos. Assim, os dados parecem revelar a importância do ensino acerca das situações de uso dos padrões encontrados para as palavras things, thing, something, anything e everything na sala de aula de ILE, além de reforçar a inadequação do seu uso, em textos escritos, na sala de aula de alunos nativos.

46 “hedges”; (vide nota de rodapé p. 15)

47 “informal, less specific markers of probability or uncertainty.” (tradução minha) 48 “possibility modals”

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Halliday & Hasan (1976:31)49 classificam a palavra thing como referenciador quando a colocam entre as “palavras que ao invés de serem interpretadas semanticamente em si, se referem a outros elementos do texto para serem interpretadas”. Mais especificamente, os autores afirmam que thing pertence à classe de palavras denominadas “pré-formas, que são equivalentes às palavras interrogativas who, what, etc.”, sendo que “thing corresponde a what e se refere a substantivos não-humanos e indefinidos” (p.103).50

Halliday & Hasan acrescentam, ainda, que como “thing é encontrada como componente das palavras something, nothing, anything e everything”51, estas últimas adquirem as mesmas características e funções semânticas de thing. A definição proposta pelos autores exige, por sua vez, que os referenciadores sejam categorizados de forma compatível com a ativação do processo referencial, isto é, de modo exofórico ou endofórico.

Um referenciador caracteriza-se como exofórico quando, para interpretá-lo, recorre-se a elementos que não estão no texto em si, mas no conhecimento prévio da situação sobre a qual o texto discorre; em contrapartida, um referenciador é endofórico quando, para interpretá-lo, é preciso recorrer a elementos presentes no texto (Halliday & Hasan, 1976).

A referência endofórica divide-se, ainda, em catafórica e anafórica. Fala-se em referência catafórica quando o elemento que proporciona sua interpretação ocorre após o referenciador, e anafórica quando o elemento que proporciona sua interpretação ocorre antes do referenciador (Halliday & Hasan, idem).

Halliday & Hasan alertam, ainda, para uma diferença importante entre as referências que se caracterizam como exofóricas ou endofóricas: enquanto as referências exofóricas não contribuem diretamente para a coesão do texto, as referências endofóricas o fazem, pois os elementos que proporcionam sua interpretação encontram-se, no texto, antes ou depois dos referentes.

49 “instead of being interpreted semantically in their own right, they make reference to something else for their interpretation”. (tradução minha)

50 “…pro-forms, which are the equivalent of the interrogative words what, who and so on;” (…) “thing refers to non-human nouns and indefinite nouns”. (idem)

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Com base nas categorizações pragmática e sistêmica das palavras things, thing, something, anything e everything, os usos dos padrões nelas identificados serão analisados no capítulo 3.

A próxima seção tratará das aplicações da LC ao ensino de línguas estrangeiras, fornecendo um panorama histórico, como, na visão de alguns lingüistas renomados, a LC vem influenciando o ensino de línguas “há pelo menos 80 anos” (Berber Sardinha, 2004:295).