5.3 Contributions and Implications
5.3.3 In summary
Thom pson propõe cinco m odos gerais por m eio dos quais a ideologia pode operar na m odalidade lingüíst ica: legit im ação, dissim ulação, unificação, fragm ent ação e reificação. Passo agora à apresent ação desses m odos de operação da ideologia, t endo em vist a que t odos eles são aplicados no decorrer de m inhas análises, por m eio de suas respect ivas estratégias de construção sim bólica.
3 .4 .3 .1 Legit im ação
Por m eio da legit im ação relações de dom inação podem ser est abelecidas e sust ent adas pelo fat o de serem represent adas com o legít im as, ist o é, com o j ust as e dignas de apoio. A legit im ação realiza- se pelas est ratégias da racionalização, da universalização e da narrat ivização.
Racionalização - O produtor de um a form a sim bólica constrói um a cadeia de raciocínio que procura defender, ou j ust ificar, um conj unt o de relações, ou instit uições sociais, e com isso, persuadir um a audiência de que isso é digno de apoio.
Universalização - Acordos institucionais que servem aos interesses de alguns indivíduos são apresentados com o servindo aos interesses de todos, e esses acordos são vistos com o estando abertos, em princípio, a qualquer um que t enha a habilidade e a t endência de ser neles bem sucedido.
N arrat ivização – A legitim ação se constrói por m eio de hist órias que contam o passado e tratam o presente com o parte de um a tradição eterna e aceitável. Pelo fato de contar hist órias e de recebê- las cont adas por out ros ( escut ando, lendo, olhando) , podem os ser envolvidos em um processo sim bólico que pode servir para criar e sustentar relações de dom inação.
A dissim ulação, m odo de operação da ideologia que est abelece e sust ent a relações de dom inação pelo fat o de serem ocult adas, negadas ou obscurecidas, ou pelo fat o de serem represent adas de um a m aneira que desvia nossa at enção, ou passa por cim a de relações e de processos exist ent es. A dissim ulação pode ocorrer pela est rat égia do deslocam ent o, da eufem ização e do t ropo ( sinédoque, m et oním ia e m et áfora) .
Deslocam ent o - Um term o costum eiram ente usado para se referir a um determ inado obj eto ou pessoa é usado para se referir a um outro; as conotações positivas ou negativas do term o são transferidas para o outro obj eto ou pessoa.
Eufem ização - Ações, instituições ou relações sociais são descritas de m odo a despertar um a valoração positiva, com o nos exem plos: a supressão violenta do protesto é descrita com o a “ restauração da ordem ” ; a prisão ou cam po de concentração é descrito com o um “ centro de reabilitação” . Pode se dar por m eio de um a m udança de sentido pequena ou m esm o im perceptível na palavra.
Tropo - Uso figurativo da linguagem ou, m ais em geral, das form as sim bólicas. Entre as form as m ais com uns de tropo estão a sinédoque, a m etoním ia e a m et áfora. Todas elas podem ser usadas para dissim ular relações de dom inação. O uso figurativo da linguagem nem sem pre é ideológico, m as pode estar envolto com poder, podendo servir para criar, sustentar e reproduzir relações de dom inação.
3 .4 .3 .3 Unificação
A unificação é o m odus operandi da ideologia pelo qual relações de dom inação podem ser estabelecidas e sustentadas por m eio da construção, no nível sim bólico, de um a form a de unidade que int erliga os indivíduos num a ident idade colet iva, independent em ent e das diferenças e divisões que possam separá- los. A unificação pode realizar- se pela est ratégia da padronização ( est andardização) ou da sim bolização da unidade.
Padronização ( est andardização) - Form as sim bólicas são adaptadas a um referencial padrão, que é proposto com o um fundam ento partilhado e aceitável de troca sim bólica. O est abelecim ent o de um a linguagem nacional pode servir para criar um a ident idade colet iva ent re os grupos.
Sim bolização da unidade - Envolve a construção de sím bolos de unidade, de identidade e de identificação coletivas, que são difundidos por int erm édio de um grupo, ou de um a pluralidade de grupos, com o por exem plo: bandeiras, hinos nacionais, em blem as e inscrições de vários tipos. Ao unir indivíduos de um a m aneira que suprim a as diferenças e divisões, a sim bolização da unidade pode servir para estabelecer e sustentar relações de dom inação.
Na fragm ent ação relações de dom inação podem ser m ant idas segm entando aqueles indivíduos e grupos que possam ser capazes de se t ransform ar num desafio real aos grupos dom inant es, ou dirigindo forças de oposição pot encial em direção a um alvo que é proj et ado com o m au, perigoso ou am eaçador. A fragm ent ação pode acont ecer pela est ratégia da diferenciação e do expurgo do out ro.
Diferenciação - A ênfase é dada às distinções, diferenças e divisões entre pessoas e grupos, apoiando as características que desunem e im pedem a constituição de um grupo coeso, com obj etivo de desestabilizar a luta hegem ônica.
Expurgo do out ro - Envolve a construção de um inim igo, sej a ele interno ou externo, que é retratado com o m au, perigoso e am eaçador e contra o qual os indivíduos são cham ados a resistir coletivam ente ou a expurgá- lo. Essa estratégia, m uitas vezes, sobrepõe- se com estratégias que têm com o fim a unificação, pois o inim igo é t rat ado com o desafio, ou am eaça, diante do qual as pessoas devem se unir. Com o exem plo de expurgo do outro tem os a representação dos j udeus e com unistas na literatura nazista em 1920 e 1930.
3 .4 .3 .5 Reificação
A reificação consist e na ret rat ação de um a sit uação t ransit ória, hist órica, com o se fosse perm anent e, nat ural e at em poral. Tira do fat o seu carát er hist órico e t ransform a- o em fat o perm anent e. A reificação realiza- se pela est rat égia da nat uralização, da et ernalização, da nom inalização e da passivização.
N at uralização - Consiste em tornar natural ou inevit ável algo que é criação social.
Et ernalização - Consiste em suprim ir a efem eridade de fenôm enos históricos e sociais, tornando- os eternos e perm anentes.
N om inalização - Acontece quando sentenças, ou parte delas, descrições da ação e dos part icipant es nelas envolvidos são transform ados em nom es, dando assim um caráter de acontecim ento ao que era um a ação.
Passivização - Ocorre quando os verbos da voz ativa são colocados na voz passiva, apagando o suj eito que prat ica a ação.
seguint es est ratégias de const rução sim bólica para ut ilização na análise dos textos selecionados:
legit im ação –por m eio da racionalização
unificação – por m eio da sim bolização da unidade dissim ulação – por m eio do deslocam ent o
fragm ent ação– por m eio do e xpurgo do out ro reificação – por m eio da et ernalização
A propost a de Thom pson não pret ende ser definit iva ou rest rit iva. Em outras palavras, esses cinco m odos não constit uem as únicas m aneiras de com o a ideologia opera, bem com o as est ratégias dependem de seu uso e const rução em circunst âncias part iculares. É válido ressalt ar que t am bém exist em m odos que operam a ideologia na m odalidade visual, o que será explicit ado no quart o capít ulo, no qual realizo m inha análise.
A Herm enêut ica de Profundidade – HP, t am bém propost a por Thom pson, foi selecionada com o procedim ent o m et odológico para a análise dos efeit os ideológicos do discurso. É um m ét odo analít ico cuj o obj et o refere- se a um a const rução sim bólica significat iva que exige um a int erpret ação, perm it indo a elucidação das m aneiras com o as form as sim bólicas são lidas e com preendidas pelas pessoas que as produzem e as recebem no decurso de suas vidas. A herm enêut ica da vida quot idiana é um ponto de part ida prim ordial e inevit ável do enfoque da HP.
De acordo com Thom pson ( 1995) , o referencial m et odológico da HP é am plo e com preende essencialm ent e t rês fases que não podem ser vist as com o est ágios separados de um m ét odo seqüencial, m as ant es com o dim ensões analit icam ent e dist int as de um processo int erpret at ivo com plexo: análise sócio- hist órica, análise form al ou discursiva e int erpret ação/ re- int erpret ação.
O obj et ivo da análise sócio- histórica é reconstruir as condições sociais e históricas de produção, circulação e recepção das form as sim bólicas. O est udo das form as sim bólicas é fundam ent alm ent e um problem a de com preensão e de int erpret ação, de acordo com Thom pson
significat ivas que exigem um a int erpret ação; consist em em ações, em falas, em t ext os que, por serem const ruções significat ivas, podem ser com preendidas.
A análise form al ou discursiva diz respeit o à análise das característ icas estrut urais e das relações do discurso. Dist inguem - se, nessa abordagem , cinco m etodologias de análise: sem iótica, da conversação, sint át ica, narrat iva e argum ent ativa.
A fase cham ada de interpretação/ re- int erpretação é o m om ento em que se dá um a const rução criat iva do significado. O processo de int erpret ação pelos m ét odos da HP é, ao m esm o t em po, um processo de re- int erpretação, vist o que as form as sim bólicas que são obj et o da investigação j á foram decodificadas inicialm ent e pelos suj eit os que const it uem o m undo sócio- hist órico. As form as sim bólicas represent am algo, elas dizem algum a coisa sobre algo, e é esse aspect o referencial que deve ser com preendido pelo processo de int erpret ação. As form as sim bólicas podem ser analisadas considerando t ant o as suas condições sócio- históricas com o as suas características estruturais int ernas, e elas podem , por isso, ser reint erpret adas.
O int eresse pela ideologia orient a a análise sócio- histórica para o estudo das relações de dom inação, bem com o dirige a análise form al ou discursiva para identificar as caract erísticas estruturais das form as sim bólicas que facilit am a m obilização do significado. Assim , por exem plo, o uso generalizado de verbos nom inalizados e da m odalidade passiva são indicat ivos das est rat égias de nom inalização e de passivização, e, em circunstâncias específicas, essas estratégias ou processos servem para sust ent ar relações de dom inação por m eio da reificação dos fenôm enos sócio- hist óricos, ist o é, apresent ando um a sit uação t ransit ória, hist órica, com o se fosse perm anent e, nat ural, fora do t em po.
Após a apresent ação das categorias selecionadas, passo à exposição de m inha propost a de análise e de int erpret ação dos dados.
3 .5 Propost a de análise e int erpre t ação dos dados
Para Fairclough ( 2001) , a análise de discurso crít ica acont ece em duas dim ensões: descrição e interpretação. A descrição t rat a da análise do t ext o e exam ina o vocabulário, a coesão, a gram át ica e a est rut ura t ext ual. Por sua vez, a int erpret ação se dá em dois níveis. O prim eiro procura dar um sent ido aos t raços da const rução textual, vendo- os com o elem entos da prát ica discursiva e com o ‘t raços’ do processo de produção e ‘pist as’ do processo de interpret ação do texto. O out ro nível de interpretação tem por obj et ivo apresentar o discurso com o part e de um processo social.
Por isso, para a seleção dos dados, a pesquisa qualit at iva foi o m étodo escolhido, pois é por m eio da descrição e da ( re) interpretação exaust iva dos dados que poderei com preender os processos de const rução de sent ido( s) em t ext os m ult im odais.
Minha propost a consist e em um a análise do discurso baseada não apenas na interpret ação do m odo lingüístico, m as um a análise que m e perm it a ut ilizar t am bém t eorias voltadas ao m odo im agét ico, de com o o t ext o, que post ulo envolver um a m odalidade est ruturada com um a sintaxe própria, represent a im port ant e form a de persuasão e de direcionam ent o de opinião nos dias at uais. Os analist as da Sem iót ica Social apont am a im agem e out ras form as de represent ações com o agregadoras de ideologias aos t ext os m ult im odais, com o defendem Kress, Leit e- Garcia e van Leeuwen ( 2000) . Dessa form a, a análise dos m odos sem ióticos presentes nos textos será feit a de acordo com a perspect iva t ridim ensional do discurso de Fairclough ( 2001) , nas dim ensões text ual, discursiva e social, e suas reform ulações propostas na obra de 2003, que estendem um interesse m aior a um a abordagem sem iótica, em conj unt o com a Teoria da Sem iót ica Social de Kress e van Leeuwen ( 1996) , com o j á m encionado no capít ulo 2. A análise do m odo lingüíst ico se baseia nas cat egorias propost as por Fairclough, bem com o na invest igação dos efeit os ideológicos do discurso por m eio da propost a da Herm enêut ica de Profundidade ( HP) , com ênfase nas est rat égias de operação da ideologia propost as por Thom pson ( 1995) .
No próxim o capít ulo, apresent o a part e principal dest a pesquisa que consist e na análise dos textos m ultim odais, por m eio da aplicação das cat egorias enum eradas nest e capít ulo.
CAPÍ TULO 4
AN ÁLI SE DE TEXTOS MULTI MODAI S
“ As noções que vam os ganhando da realidade do m undo e de nós m esm os elaboram - se em nossa m ente por m eio de im agens. Guardem os bem este aspecto fundam ental de nossa im aginação: percebem os, com preendem os, criam os e nos com unicam os, sem pre por interm édio de im agens, form as". ( Ostrower, 1990, p.51)
Est e capít ulo, que const it ui o cerne da pesquisa, encont ra- se dividido em quat ro seções. A seção 4.1 t rat a dos livros didát icos que const it uem a font e dos dados para est a pesquisa. A seção 4.2 apresenta um breve resum o do assunt o de cada um dos seis textos selecionados para análise. A seção 4.3 envolve a análise desses t ext os de acordo com as cat egorias de Kress e van Leeuwen, de Fairclough e de Thom pson e a seção 4.4 é dest inada a com ent ários gerais sobre os t ext os analisados.