1.5 Structure of the Thesis
2.2.3 Groups
Na escola A, os instrumentos de percussão foram apresentados às crianças (guizo, sino, coco, agogô) para exploração. Alberto perguntou se eles já poderiam fazer a “apresentação”, demonstrando que sua concepção de tocar um instrumento musical tem relação com a performance musical. A elaboração oral da história foi predominantemente mediada pela pesquisadora e a participação das crianças foi direcionada por perguntas dirigidas ao grupo e a cada participante individualmente sobre os nomes das personagens, o que estava acontecendo em cada cena e o desfecho da história. Assim como ocorreu na segunda sessão, Alberto foi quem respondeu com prontidão aos enunciados deixados incompletos pela pesquisadora. Os demais observaram e fizeram algumas contribuições por meio da fala. Os participantes escolheram os instrumentos que tocariam e criaram a história sonora, orientados e regidos pela pesquisadora que foi gravada e tocada para todos. Observamos mediação da musicalidade comunicativa para manutenção da interação em interação de oposição Isadora e Rodrigo (“Se quiser fazer barulho bata o pé! Se quiser fazer barulho bata a mão!”). Ela cantou a música e foi acompanhada pelos colegas, que bateram palmas e pés de acordo com a letra cantada, e, em seguida, Rodrigo fez oposição à colega, dizendo que conhecia uma música diferente e cantou uma versão da mesma música também sendo acompanhado pelos colegas (Quadro 8, no 2). Isadora referiu-se à história de João e Maria e houve produção de rima desencadeada por sua fala por Rodrigo que foi repetido por Alberto “João e Maria, cara de pia”. Ao serem solicitados a escrever a música que inventaram, Rodrigo, Alberto e Isadora conversaram sobre os dos sons dos instrumentos, inventando onomatopeias para cada instrumento tocado. Alberto e Rodrigo fizeram desenhos sobre a história e não escreveram enquanto Igor e Isadora escreveram as onomatopeias relacionadas aos sons dos instrumentos e também fizeram desenhos.
5.3.5.1 Participação das crianças durante a sessão e produções
Rodrigo colaborou com a elaboração da história respondendo às perguntas da pesquisadora, dando sugestões e narrando a sequência de fatos “Era uma menina passeando pela floresta”. Sugeriu o nome de uma das personagens da história (Iasmim) e utilizou a onomatopeia com prolongamento das sílabas “iá:: iá::” para demonstrar que a menina estava chorando. Durante a escrita, fez perguntas sobre o desenho dos colegas e solicitou ajuda para ler a palavra “Surpresa” no livro. Utilizou as onomatopeias “tak tak” e “lim lim lim” (Quadro 8, no 3) com alturas diferentes para indicar os sons dos instrumentos coco e sino respectivamente, em réplicas à pesquisadora. Fez perguntas à pesquisadora sobre os sons dos instrumentos, também usando onomatopeias (“Qual que é o nhem nhem nhem?”) (Quadro 8, no 3) e sobre o desenho de Alberto. Produziu rima a partir da fala de Isadora (“João e Maria, cara de pia”) (Quadro 8, no 9) com movimento melódico descendente. Explicou o seu desenho para a pesquisadora e contou a história do que desenhara quando solicitado pela mesma. Quando solicitado a escrever a história, disse que estava pensando sobre o que escreveria, mediou pela fala egocêntrica a exploração do som do fonema /f/ solicitando em seguida a ajuda da pesquisadora para perguntar sobre “o som do balão”, perguntando “Tem letra pra fazer assim?” acompanhado de gestos indicando soprar o balão. Participou da oposição com Isadora mediada pela musicalidade comunicativa anteriormente descrita (Se quiser fazer barulho). Ele fez um desenho e contou a história para a pesquisadora sobre sua produção, com cadência de história (Quadro 7).
Isadora pediu esclarecimentos para a pesquisadora sobre a atividade proposta, perguntando se poderia escrever a história começando com “Eu posso escrever era uma vez?”. Associou o som produzido pela percussão do instrumento coco ao som dos passos de um cavalo. Fez comentários sobre o que desenhou e escreveu, chamando atenção do grupo para si e mostrou sua produção escrita para a pesquisadora. Explicou seu desenho e escrita
para a pesquisadora, sob solicitação, utilizando gestos para indicar o instrumento sendo tocado a fim de facilitar a compreensão da sua escrita, mostrando para a pesquisadora quais instrumentos estavam relacionados como cada uma das suas produções. Observamos a utilização de fala egocêntrica externalizada e relevante durante suas produções escritas. Isadora perguntou à pesquisadora se poderia cantar uma música no início da sessão desencadeando a interação de oposição com Rodrigo (Quadro 8, no 2). Também fez a mediação de diálogos com musicalidade implícita com variação de alturas em diálogo musical com seus colegas (“tim dim tim dim”) (Quadro 8, no 3). Quando leu sua escrita em voz alta, o fez cantarolando as onomatopeias com mudança de altura. A menina fez um desenho sobre a história trabalhada na atividade, escreveu uma frase não relacionada com a história [Isadora é bonita] e escreveu as onomatopeias [tititititintiti], [tututututu] e [tuqituqi] relacionadas aos sons dos instrumentos tocados na história sonora (sino e coco respectivamente) sem segmentações e em linhas separadas.
Alberto fez perguntas sobre o desenho de Rodrigo e de Isadora, fez um pedido à pesquisadora para escrever um recado ao fim da sessão e fez comentários sobre o tempo chuvoso. Chamou a atenção do grupo para o seu desenho (“Olha o menino soltando o balão!”), e repetiu a rima produzida por Rodrigo (“João e Maria, cara de pia”) (Quadro 8, no 9). Ele fez um desenho sobre a história e utilizou a fala egocêntrica externalizada e relevante para regular a produção de seu desenho e não realizou produções escritas. Utilizou as onomatopeias “tu tu tu tu tu”; “ma ma ma ma ma” com ritmos em réplicas à pesquisadora” (Quadro 8, no 3). Observamos mediação da musicalidade comunicativa em manifestações musicais explícitas com função de manutenção da interação em conversas com invenções musicais “Tchem tchem” e “Auau” e trecho de música da cultura “Lalauê” (Quadro 8, no5).
Igor fez poucas contribuições durante a elaboração verbal da história, somente sugerindo o nome do cachorro. Observamos mediação da fala egocêntrica externalizada e relevante durante a escrita com variação rítmica do som “tic tic tic” (Quadro 9, no 1) e “tam tam tam” “au au”. Pediu ajuda da pesquisadora para a escrita da palavra [guizo] e foi ajudado por Rodrigo por meio da soletração “Rodrigo:[GUE] + [I]” e solicitou confirmação da pesquisadora em seguida “É com [XIS]?” . Significou sua escrita por meio da leitura ritmada com altura definida (MMI) e por meio da cadência de história, (Quadro 7) e pediu confirmação de sua escrita para a pesquisadora. Durante a escrita, observamos manifestações externas da fala interna. Nas interações mediadas pela musicalidade comunicativa, observamos diálogos com MMIs relativas às onomatopeias que escreveria (“Eu vou fazer o a uau e depois tam, tam, tam”) (Quadro 8, no 3). Ele escreveu [toqitoqui] para representar o coco, [tiqiti tiqiti] para representar o guizo, [tatatatata] para representar o sino, [am am am] para representar a menina chorando. Escreveu as onomatopeias em uma linha e o instrumento que as representava em linha inferior e também fez um desenho, sugerido pela pesquisadora.